Alicia Helena Torres da Rocha
Dissertao FINAL_DIBICT_alicia_2.pdf
Documento PDF (1.8MB)
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
INSTITUTO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE
Programa de Pós-Graduação em Diversidade Biológica e Conservação nos
Trópicos
ALÍCIA HELENA TORRES DA ROCHA
PRÁTICAS DE GERAÇÃO DE VALOR EM ÁREAS DE PROTEÇÃO AMBIENTAL:
uma investigação com asset framework
MACEIÓ - ALAGOAS
Fevereiro/2025
ALÍCIA HELENA TORRES DA ROCHA
PRÁTICAS DE GERAÇÃO DE VALOR EM ÁREAS DE PROTEÇÃO AMBIENTAL:
uma investigação com asset framework
Dissertação apresentada ao Programa de
Pós-Graduação em Diversidade Biológica e
Conservação nos Trópicos, Instituto de Ciências
Biológicas e da Saúde. Universidade Federal de
Alagoas, como requisito para obtenção do título
de Mestre em CIÊNCIAS BIOLÓGICAS, área de
concentração em Conservação da Biodiversidade
Tropical.
Orientador(a): Prof. Dr. Jairo Lizandro
Schmitt
MACEIÓ - ALAGOAS
Fevereiro/2025
Catalogação na fonte
Universidade Federal de Alagoas
Biblioteca Central
Divisão de Tratamento Técnico
Bibliotecária: Girlaine da Silva Santos – CRB-4 – 1127
R672p Rocha, Alícia Helena Torres da.
Práticas de geração de valor em áreas de proteção ambiental: uma
investigação com asset framework / Alícia Helena Torres da Rocha. – 2025.
74 f.: il.: color.
Orientador: Jairo Lizandro Schmitt.
Dissertação (Mestrado em Ciências Biológicas) - Universidade Federal de
Alagoas, Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde. Programa de PósGraduação em Diversidade Biológica e Conservação nos trópicos, Maceió, 2025.
Inclui bibliografias.
Apêndices: f. 53-74.
1. Proteção ambiental- Alagoas. 2. Unidades de conservação da natureza. 3.
Gestão ambiental. 4. Práticas de geração de valor ambiental. I. Título.
CDU: 57: 502(813.5)
DEDICATÓRIA
Dedico esta dissertação e toda a minha carreira acadêmica a Alessandra
Aparecida Santos da Silva (03.02.1998 – 27.09.2024), com muito amor por todos os
momentos vividos. Obrigado por acreditar no meu desempenho, mesmo quando eu não
acreditava. Você sempre será lembrada. Te amo.
Dedico também à minha ancestralidade todas as conquistas da minha vida.
Nunca deixarei de agradecer pelos sonhos realizados.
AGRADECIMENTOS
Gostaria de agradecer ao meu orientador, Dr. Jairo Lizandro Schmitt, pela
confiança, apoio e por todo o conhecimento compartilhado. Agradeço aos meus colegas
de mestrado (Turma 2023.1) e aos excelentes pesquisadores que contribuíram para o
enriquecimento do projeto de pesquisa.
Agradeço à minha mãe por toda minha criação. Obrigado por sempre acreditar
nos meus estudos.
Obrigada à Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível
Superior (CAPES) e ao Programa de Pós-Graduação em Diversidade Biológica e
Conservação nos Trópicos, da Universidade Federal de Alagoas.
“Ficaram as canções e você não ficou”
BETHÂNIA, Maria
RESUMO
Uma das maneiras de defender a existência de Unidades de Conservação é por meio da
identificação das suas mais variadas características, formas de uso e formas de valor – tangível
e intangível. As Práticas de Geração de Valor são diferentes formas de usos socioambientais
realizadas pelos atores sociais, e este ‘Valor’ podem ser capturados pelos grupos de
beneficiários ou pela própria área natural protegida. O presente estudo tem por objetivo analisar
o perfil das Áreas de Proteção Ambiental de Alagoas, apresentando um inventário abrangente
das Práticas de Geração de Valor atualmente em curso e gerando informações de interesse
público que possam contribuir para o planejamento e tomada de decisões. O escopo do estudo
abrangeu oito Áreas de Proteção Ambiental situadas no Estado de Alagoas, e para
compreender as dinâmicas entre gerência e usos sociais, a metodologia se baseou na
Estruturação de Ativos em Áreas Protegidas. As Práticas de Geração de Valor foram
identificadas por meio de entrevista com os gestores, considerados atores socioambientais,
interligados às Áreas de Proteção Ambiental. A lista de Práticas de Geração de Valor obtida
apresenta 72 atividades, que variam de acordo com as especificidades ecológicas e
socioeconômicas de cada região. A Área de Proteção Ambiental com mais práticas identificadas
foi a Costa dos Corais com 44 práticas, seguida de Marituba do Peixe com 40, Pratagy com 37,
Serra da Caiçara 34, Catolé e Fernão Velho 32, Piaçabuçu 31, Murici 29 e Santa Rita 25. As
características descritivas das Unidades de Conservação e dos gestores, não influenciaram
significativamente no número das Práticas Geradoras de Valor identificadas em cada Unidade
de Conservação. A análise de similaridade revelou que a APA de Santa Rita se diferencia das
demais, enquanto outras compartilham mais semelhanças. As APAs de Murici e Serra da
Caiçara, assim como Costa dos Corais e Piaçabuçu, apresentaram elevada similaridade
(≥70%), sugerindo percepções semelhantes no reconhecimento das Práticas de Geração de
Valor. Esses resultados ressaltam a importância de considerar as especificidades das Unidades
de Conservação em conjunto com a diversidade de práticas realizadas com os recursos
naturais, visando uma gestão mais integrada e adequada às realidades socioambientais de uso
sustentável.
Palavras-chave: Unidade de Conservação 1. Gestão Ambiental 2. Usos socioambientais 3.
ABSTRACT
One way to advocate for the existence of Conservation Units is by identifying their diverse
characteristics, uses, and forms of value—both tangible and intangible. Value Generation
Practices represent different socio-environmental uses carried out by social actors, and this
"Value" can be captured either by beneficiary groups or by the protected natural area itself. This
study aims to analyze the profile of Environmental Protection Areas in Alagoas by providing a
comprehensive inventory of the ongoing Value Generation Practices and generating
public-interest information that can contribute to planning and decision-making. The study
covered eight Environmental Protection Areas in the state of Alagoas. To understand the
dynamics between management and social uses, the methodology was based on the Structuring
of Assets in Protected Areas. Value Generation Practices were identified through interviews with
managers, who are considered socio-environmental actors linked to the Environmental
Protection Areas. The inventory of Value Generation Practices includes 72 activities, varying
according to the ecological and socio-economic specificities of each region. The Environmental
Protection Area with the highest number of identified practices was Costa dos Corais, with 44
practices, followed by Marituba do Peixe 40, Pratagy 37, Serra da Caiçara 34, Catolé e Fernão
Velho 32, Piaçabuçu 31, Murici 29, and Santa Rita 25. Linear models incorporating the
descriptive characteristics of Conservation Units and managers did not significantly influence the
number of identified Value Generation Practices in each Conservation Unit. Similarity analysis
revealed that the Santa Rita APA differs from the others, whereas some APAs share similarities.
The APAs of Murici and Serra da Caiçara, as well as Costa dos Corais and Piaçabuçu,
presented high similarity (≥70%), suggesting similar perceptions in the recognition of Value
Generation Practices. These results highlight the importance of considering the specificities of
the Conservation Units together with the diversity of practices carried out with natural resources,
aiming at a more integrated management that is appropriate to the socio-environmental realities
of sustainable use.
Key-word: Conservation Unit 1. Environmental Management 2. Socio-environmental Uses 3.
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 - Distribuição geográfica das Áreas de Proteção Ambiental de Alagoas......................25
Figura 2 - Representação criada da Estruturação de Ativos em Áreas Protegidas com base no
artigo Jepson et al. (2017)...........................................................................................................26
Figura 3 - Quantidade de Práticas de Geração de Valor (PVG) identificadas.............................30
Figura 4 - Dendrograma de similaridade de Práticas de Geração de Valor entre as Áreas de
Proteção Ambiental.....................................................................................................................34
Figura 5 - Nuvem de palavras representando a opinião dos gestores das Áreas de Proteção
Ambiental de Alagoas, sobre as necessidades e melhorias para a gestão................................37
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 - Informações sobre as Áreas de Proteção Ambiental do Estado de Alagoas…………24
Tabela 2 - Práticas de Geração de Valor comuns a todas as APAs e nas APAs estaduais.........31
Tabela 3 - Práticas de Geração de Valor em comum nas duas APAs marinhas e federais.........32
Tabela 4 - Principal e outras práticas geradoras de valor econômico percebidas pela gestão....33
Tabela 5 - Tabela 5- Características informativas do questionário, relacionadas a gerência das
Áreas de Proteção Ambiental de Alagoas…………………………………………………………….35
Tabela 6 - Características informativas das Áreas de Proteção Ambiental de Alagoas e
organização das práticas percebidas pela gestão.......................................................................66
SUMÁRIO
1 Revisão da literatura
12
1.1 Áreas Protegidas
12
1.1.1 As Práticas de Geração de Valor e a Estruturação de Ativos em Áreas Protegidas 13
1.2 As Práticas de Geração de Valor e a Governança Ambiental
15
Referências
18
2 Introdução
22
3 Metodologia
24
3.1 Áreas de Estudo
24
3.2 Identificação das Práticas de Geração de Valor
27
3.3 Análise dos Dados
30
4 Resultados
32
5 Discussão
39
6 Conclusões
45
Referências
47
Apêndices
50
11
1 REVISÃO DA LITERATURA
1.1 Áreas Protegidas
A União Internacional para a Conservação da Natureza - IUCN, conceitua as Áreas
Protegidas como:
“ambientes naturais geograficamente delimitados, com o objetivo
de proteção da fauna e flora e recursos naturais, através de meios
eficazes, sejam jurídicos ou de outra natureza, para alcançar a
conservação da natureza a longo prazo, com serviços ecossistêmicos e
valores culturais associados” (IUCN, 2017).
Dentre os tipos de Áreas Protegidas (APs) existem as Unidades de Conservação (UCs),
normatizadas pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza – SNUC (2000)
vigente no território brasileiro, principal instrumento legal para criação, implantação e gestão
dessas unidades no país. Conforme a lei do SNUC, as Unidades de Conservação são
classificadas em dois grandes grupos: uso sustentável e proteção integral. As Unidades de
Conservação de uso sustentável são referidas como: “áreas que permitem a exploração do
ambiente de maneira a garantir a perenidade dos recursos ambientais renováveis e dos
processos ecológicos, mantendo a biodiversidade e os demais atributos ecológicos, de forma
socialmente justa e economicamente viável”, enquanto as UCs de proteção integral são: “áreas
que visam a manutenção dos ecossistemas livres de alterações causadas por interferência
humana, admitido apenas o uso indireto dos seus atributos naturais” (SNUC, 2000).
As Unidades de Conservação foram originalmente criadas para conservar paisagens
icônicas e sua vida selvagem, propositando cada vez mais alcançar os objetivos de
conservação, sociais e econômicos. Com o passar dos anos a quantidade de espaços
formalmente protegidos aumentou acentuadamente, mas ainda há uma grande deficiência nos
compromissos políticos para aumentar a cobertura e a eficácia das UCs, além de necessitar do
apoio financeiro e de uma gestão eficaz (Watson et al., 2014; Bassi, 2021). Além de problemas
administrativos as APs são sujeitas a impactos negativos diretamente sobre o espaço e
biodiversidade, por exemplo, o uso indevido dos recursos naturais, a caça, a mineração,
desmatamento, a abertura de estradas, os incêndios etc., são atividades apontadas por serem
geradoras de conflitos e pressões ambientais (Braghini et al., 2019; Candino., et al 2024).
12
De acordo com Oliveira et al. 2020, são nove Áreas de Proteção Ambiental no estado,
sendo a que não consta no SAMGe uma APA Municipal de Coruripe, Apa do Poxim. Entre as
nove APAs, duas são gerenciadas em esfera federal pelo Instituto Chico Mendes da
Biodiversidade – ICMBio, seis são geridas em esfera estadual pelo Instituto do Meio Ambiente
de Alagados – IMA, e uma é gerida em esfera municipal na Cidade de Coruripe em Alagoas,
Brasil. A maioria das Unidades de Conservação mencionadas fazem parte do Centro de
Endemismo Pernambuco (CEP), exceto por APA Serra da Caiçara. O Centro de endemismo de
Pernambuco abrange regiões do bioma Mata Atlântica, entre os estados do Rio Grande do
Norte até o estado de Alagoas (Ribeiro et al., 2009). A região apresenta rica diversidade de
serviços ecossistêmicos, além de espécies endêmicas de fauna e flora brasileira (Oliveira et al.,
2015).
1.1.1 As Práticas de Geração de Valor e a Estruturação de Ativos em Áreas
Protegidas
Esta metodologia (Protected Area Asset Framework) proposta por Jepson et al. (2017),
pode ser aplicada a qualquer espaços natural e recategoriza os bens e recursos presentes em
áreas naturais, tais como a biodiversidade, os recursos naturais, os serviços ecossistêmicos, os
atores e os usos socioambientais, com a finalidade de desenvolver novas métricas de avaliação
de Áreas Protegidas, como ferramentas de apoio à decisão, aos processos de planeamento e
mecanismos de financiamento das Unidades de conservação.
A estruturação em Áreas Protegidas abrange os Ativos, que são tipos de atributos que
podem ser protegidos, manejados e investidos de forma monetária ou não, as Práticas de
Geração de Valor, são as mais variadas formas de uso do espaço natural (foco do estudo), e os
Valores (tangíveis e intangíveis) capturados por todos que se beneficiam das APs (Jepson et
al., 2017; Bragagnolo et al., 2021; Lessa et al., 2021).
Ademais, estes Ativos de Áreas Protegidas, apresentado por Jepson et al. (2017),
diferem de acordo com o bioma e ecossistemas, e as próprias APs podem ser vistas como um
conjunto de Ativos naturais. Esta metodologia classifica os Ativos de Áreas Protegidas em cinco
categorias, são elas:
i) Biofísico: Atributos bióticos e abióticos tais como: Beleza cênica, formações naturais,
recursos naturais, espécies.
ii) Infraestrutura: Instalações construídas ligadas à AP, tais como: Estradas, indústrias,
trilhas, escritório, alojamento.
13
iii) Institucional: Âmbitos legais que constituem uma AP, tais como: Documentos de
criação, acordos e parcerias, licenciamentos.
iv) Humano: Grupos de pessoas associadas à AP, tais como: Gestores, técnicos,
guardas, conselho, pesquisadores.
v) Cultural: Interações e identidade pública histórica para a AP, tais como: Sítios
arqueológicos, histórias e mitos, pinturas rupestres, local sagrado.
As Práticas de Geração de Valor são diferentes formas de usos socioambientais
realizados pelos atores sociais, com os Ativos naturais, e o ‘Valor’ de cada uma delas pode ser
capturado pelos grupos de beneficiários ou pela própria Área Protegida (Jepson et al., 2017).
Por exemplo, distintos atores sociais como os gestores, pesquisadores, pescadores,
moradores, turistas entre outros, percebem benefícios singulares e apresentam percepções
variadas (valores) em relação às práticas em questão. Lessa et al. (2021) comenta que a
Estruturação de Ativos em Áreas Protegidas é uma abordagem potencialmente poderosa para
avaliar e demonstrar o potencial valor de espaços naturais, e em seu protocolo proposto, os
autores apresentam sugestões para uma avaliação paralela das APs por meio de uma
combinação de fatores, como: revisão de literatura, dos planos de manejo, sites e artigos
acadêmicos; análise automatizada de conteúdo de mídia social; visitas de campo; e entrevistas
com os principais interessados, objetivando colaborar no entendimento das relações
socioambientais presentes nas Unidades de Conservação.
Pettersson e Carvalho (2021), sobre estudo de caso no Parque Nacional do Iberá na
Argentina, implementaram a Estruturação de Ativos em Áreas Protegidas para analisar como os
investimentos feitos por uma ONG internacional em produtos, recursos e relacionamentos
locais, desenvolveram novas práticas geradoras de valor na área, e o resultado indicou que os
investimentos da ONG aumentaram o valor percebido de Iberá, inclusive de seus bens menos
tangíveis, como a beleza cênica e a importância cultural, gerando mudanças nas atitudes para o
aumento do apoio local no novo Parque Nacional.
No Brasil, em estudo no Parque Nacional da Chapada Diamantina por Bragagnolo et al.
(2021) a Estruturação de Ativos foi implementada e identificou que os ativos biofísicos e de
infraestrutura estavam mais representados no parque, revelando a necessidade de manejos
para gerar diferentes formas de valor no parque, tais como, espetáculos naturais, espécies
icônicas, voluntários, trilhas, etc, além de idealizar como a estrutura de Ativos em APs podem
ser integradas na gestão.
14
O conceito da Estruturação Ativos naturais e de Áreas Protegidas fornece uma maneira
de reconectar a política da natureza com a humanidade, posto que, investir na proteção,
gestão, recuperação dos ativos naturais para melhorar a qualidade de vida das pessoas e
outras formas de vida, é certamente a principal finalidade da política ambiental (Jepson et al.,
2017). Portanto, ao compreender as perspectivas de gestão, surgem oportunidades para
aprimorar a administração das Áreas Protegidas, contribuindo assim, para uma gestão mais
direcionada, fortalecendo a existência desses espaços naturais (Souza et al, 2022).
1.2 As Práticas de Geração de Valor e a Governança Ambiental
No contexto da sociologia ambiental, conforme abordado por Fisher et al. (2021), a
sociedade ambiental é o conjunto de processos e práticas que orientam a tomada de decisões e
ações ambientais por governos, cidadãos, setor privado e organizações internacionais. Nesse
sentido, como abordado pelo autor, o objetivo da governança ambiental é promover a
sustentabilidade, garantindo que o uso dos recursos naturais ocorra de forma equilibrada e
equitativa, minimizando os impactos negativos ao meio ambiente e à sociedade.
O estudo de Andreoli, Doetzer e Fernandes (2023) enfatiza a necessidade de integrar a
sustentabilidade ao ensino, abordando temas como gestão ambiental, governança e educação
ambiental. Ao vincular ESG (Meio Ambiente, Sociedade e Governança) a setores como
agricultura e gestão de recursos naturais, os autores destacam a importância de formar
cidadãos e profissionais capazes de tomar decisões responsáveis, promovendo práticas que
minimizem os impactos negativos ao meio ambiente e fomentem o desenvolvimento
sustentável.
Dentre os instrumentos associados à governança ambiental estão o plano de manejo,
descrito pela lei do SNUC (2000) como o principal instrumento de gestão ambiental para as
Unidades de Conservação. Nele estão descritas as estratégias e ações necessárias para o uso
sustentável e a conservação de uma UC. Este documento é elaborado com base em um
diagnóstico ambiental detalhado e visa garantir a proteção dos ecossistemas enquanto permite
atividades econômicas de forma responsável. Enquanto as atividades econômicas realizadas
com os recursos naturais, podem ser associadas ao instrumento de Pagamento por Serviços
Ambientais (PSA), este mecanismo econômico recompensa aqueles que prestam serviços
ambientais essenciais, como a conservação de florestas, a recuperação de áreas degradadas
ou a redução de emissões de carbono. Este instrumento tem como objetivo criar incentivos
financeiros para que os proprietários de terras ou industrialistas adotem práticas que beneficiem
15
o meio ambiente, promovendo a conservação dos recursos naturais e a mitigação das
mudanças climáticas (Morais, 2012).
A aplicação do modelo de monitoramento ambiental sistemático proposto por Cardoso
Filho e Araújo Júnior (2015) às Ciências Ambientais poderá trazer avanços significativos na
gestão e formulação de políticas ambientais. Esse modelo, que utiliza a coleta e a análise de
informações para subsidiar a tomada de decisões em políticas públicas, poderia ser adaptado
para monitorar práticas ambientais e orientar ações de conservação e uso sustentável dos
recursos naturais. Sua aplicação permitiria uma avaliação contínua do uso dos recursos
naturais, identificando padrões de degradação e áreas críticas que exigem medidas de
conservação. Além disso, contribuiria para um planejamento ambiental mais eficiente,
fornecendo embasamento técnico para regulamentações e estratégias de mitigação de
impactos. A realização de monitoramento e fiscalização em conjunto a instrumentos legislativos
como a Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998), sancionam as práticas ambientais que
causarem danos ao meio ambiente, tornando-as passíveis de responsabilização penal, com
penas que podem incluir detenção, reclusão e multa, além da obrigação de reparar o dano
ambiental causado, visando à proteção e à conservação dos recursos naturais e à saúde
pública.
Os gestores podem aplicar seus conhecimentos para identificar práticas socioambientais
que ocorrem nas áreas naturais sob sua gestão, e compreender a relação entre essas
atividades e os ativos naturais envolvidos. Esse entendimento permite a formulação de
objetivos de conservação mais claros, além de promover o aprimoramento do conhecimento e a
transparência sobre bens públicos, contribuindo para uma gestão mais eficiente e eficaz
(Jepson et al., 2017; da Silva et al., 2024). Com base nesta percepção administrativa, nota-se
que a governança de Unidades de Conservação é complexa e envolve muitos atores sociais,
com interesses e valores diferentes e muitas vezes conflitantes. No entanto, por meio de
abordagens de gestão adequadas, formuladores de políticas, comunidades locais e outros
atores podem estruturar de forma mais eficiente a governança de Áreas Protegida (Jingyu et al.,
2023; Barbosa et al., 2024), promovendo maior equilíbrio entre conservação e demandas
sociais.
Em entrevistas realizadas com equipes administrativas de Unidades de Conservação de
Santa Catarina, Brasil, Omena et al. (2022) retratam que todos os participantes concordaram
que as diferentes práticas de geração de valor possuem grande relevância para a proteção
dessas áreas e compreendem o que cada tipo de uso público representa e sua importância
16
para os espaços naturais e para a comunidade local. Contudo, também concordam que é
necessária uma maior divulgação sobre o tema (Omena et al., 2022). Além disso, este referido
artigo constata que os gestores das Unidades de Conservação de Santa Catarina têm
conhecimento sobre as práticas de geração de valor que acontecem em suas áreas e
reconhecem a relação positiva entre essas práticas e a conservação da natureza.
Em um estudo baseado em entrevistas com gestores de Parques Nacionais brasileiros,
Sereias et al. (2023) identificaram uma diversidade de percepções sobre temas como
mudanças climáticas, conflitos com a comunidade local, a importância de ambientes
ecologicamente equilibrados, o desenvolvimento socioeconômico sustentável e a oferta de
oportunidades recreativas, entre outros aspectos essenciais para uma gestão mais eficaz. Os
resultados do estudo também apontam quais questões demandam maior atenção na
administração dos Parques Nacionais, como criação de planos de manejo e conselho gestor,
contribuindo para o aprimoramento das estratégias de gestão dessas áreas protegidas.
Estudos direcionados à percepção de atores socioambientais, enfatizam a importância
das Unidades de Conservação para a regulação dos serviços ecossistêmicos e para a
sociedade, e assim, estabelecer uma gestão eficiente para o seu fortalecimento (Peres, 2019;
Omena et al., 2022). Ademais, ao reconhecer os usos socioambientais, torna-se possível
integrar conservação ambiental, resiliência ecológica e desenvolvimento humano, garantindo a
proteção dos recursos naturais para as futuras gerações (da Costa & Quintanilha, 2024).
Na Área de Proteção Ambiental Costa dos Corais, foi realizado um estudo com a
percepção da comunidade local sobre as atitudes locais em relação à governança da
conservação nas Áreas Marinhas Protegidas. O estudo revelou que as atitudes da comunidade
local são influenciadas pela eficácia da governança participativa, pela integração do
conhecimento local e pelos benefícios socioeconômicos fornecidos pela Unidade de
Conservação (De Oliveiro, Júnior et al., 2024).
17
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21
2 Introdução
A implementação de Unidades de Conservação (UCs) é uma das principais estratégias
para conservação dos serviços ecossistêmicos (Bernard et al., 2014; Symes et al., 2016). Nas
últimas décadas, a quantidade dessas áreas, sejam terrestres ou marinhas aumentou,
principalmente devido aos acordos internacionais de conservação, tornando a proteção da
biodiversidade um tema mais relevante nas políticas de gestão de terras, águas e mares
(Watson et al., 2014; Maxwell et al., 2020).
O sucesso a longo prazo dos espaços naturais depende da aplicação de estudos,
pesquisas científicas e práticas de governança aos instrumentos de gestão ambiental, aliada à
participação comunitária (Soares et al., 2020; de Araujo & Suriani Affonso, 2022). No Brasil, de
acordo com o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC, 2000), as
Unidades de Conservação são divididas em dois grupos: as de Proteção Integral, onde é
proibido o uso direto dos recursos naturais; e as de Uso Sustentável, onde é permitido o uso
direto dos recursos, mas de maneira sustentável, pensando nas presentes e futuras gerações.
Uma das maneiras de defender a existência e manutenção de Unidades de
Conservação é através da identificação e valorização das suas características, formas de uso e
formas de valor tangível e intangível (Caldecott & Jepson, 2014; Gamarra et al., 2019). Através
da releitura dos atributos presentes em Unidades de Conservação, com o “Protected Area Asset
Framework” (Estruturação de Ativos em Áreas Protegidas) é possível classificar os bens e
recursos presentes em espaços naturais, em cinco Ativos naturais espaciais: biofísicos, de
infraestrutura, humanos, institucionais e culturais. Além disso, é possível identificar quais as
Práticas de Geração de Valor e os Valores associados a estes Ativos (Jepson et al., 2017;
Gamarra et al., 2019). Especificamente, as Práticas de Geração de Valor são as mais variadas
formas de uso do espaço natural que mudam conforme as características ecossistêmicas das
Unidades de Conservação, sendo relevantes para os processos de gestão (Jepson, 2017;
Gamarra et al., 2019). As práticas geradas no espaço natural desempenham um papel central
na aliança entre conservação ambiental e desenvolvimento sustentável, contribuindo para a
resiliência socioambiental e para a gestão adaptativa de Áreas Protegidas (Jepson et al., 2017).
Portanto, uma gestão mais direcionada, aliadas ao conhecimento científico é essencial para
garantir que as Unidades de Conservação cumpram seus objetivos de proteção, ao mesmo
tempo em que se ajustam às crescentes demandas de um mundo em transformação, marcadas
pelos limites planetários relacionados ao uso do solo e à perda de biodiversidade (Santa Ana et
al., 2021). Além de oferecer uma base mais sólida para decisões estratégicas, a aplicação de
22
metodologias
para reconhecer atividades socioambientais em Áreas Protegidas cria
oportunidades que promovam a efetividade da gestão ambiental, fortalecendo políticas públicas
da natureza a longo prazo (de Araujo & Suriani Affonso, 2022; Ellawanger et al., 2023).
No contexto das Unidades de Conservação, no Brasil, a comunidade científica deve
aumentar o número de estudos com foco na biodiversidade, almejando atuar como líder global
na área ambiental (Ellwanger et al., 2023). O nordeste brasileiro apresenta uma região
conhecida como Centro de Endemismo de Pernambuco (CEP), local com espécies nativas e
serviços ecossistêmicos, englobando porções do bioma Mata Atlântica que é um dos hotspots
da biodiversidade mundial (Ribeiro et al., 2009; Branco et al., 2022). No Estado de Alagoas,
existem Unidades de Conservação que integram o Centro de Endemismo de Pernambuco,
abrigando uma ampla diversidade biológica, diversas práticas socioambientais e diferentes
formas de geração de valor (Lopes et al., 2022). Essas Unidades de Conservação são
regulamentadas pela Lei Federal do Sistema Nacional de Unidades de Conservação da
Natureza (Lei N° 9.985) e incluem categorias de proteção, como as Unidades de Uso
Sustentável,
a
exemplo
das
Áreas
de Proteção Ambiental (APAs). Por meio de
regulamentações específicas, as APAs permitem a realização de práticas sustentáveis com os
recursos naturais (SNUC, 2000).
Com estas considerações, o presente trabalho teve por objetivo analisar o perfil das
Áreas de Proteção Ambiental de Alagoas, apresentando um inventário abrangente das Práticas
de Geração de Valor atualmente em curso e gerando informações de interesse público que
possam contribuir para o planejamento e tomada de decisões. Além disso, buscou testar a
hipótese de que as características ecossistêmicas são fatores determinantes para a
similaridade das Práticas de Geração de Valor entre as Áreas de Proteção Ambiental de
Alagoas.
23
3 Metodologia
3.1 Área de Estudo
O estudo desenvolvido utilizou a metodologia em oito Áreas de Proteção Ambiental do
Estado de Alagoas, Brasil. Esta categoria de Unidade de Conservação está presente na
legislação brasileira do Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC,
2000), caracterizada por áreas naturais tropicais com diferentes formas de uso socioambiental.
Essas áreas incluem a APA de Murici, APA de Santa Rita, APA do Catolé e Fernão Velho, APA
da Serra da Caiçara, APA do Pratagy, APA da Marituba do Peixe, APA da Costa de Corais e
APA de Piaçabuçu. Cada Unidade de Conservação apresenta características ecossistêmicas
únicas, mas também compartilham semelhanças entre si, desde espécies icônicas, recursos
naturais, práticas de lazer e recreação, e práticas de manejo com os recursos naturais (Gatto et
al., 2022). Para descrever as características ecossistêmicas de cada APA foi utilizado o livro
"Alagoas: Unidades de Conservação", por Oliveira et al., 2020 (Tabela 1). O livro escolhido
apresenta extensa descrição das Unidades de Conservação de Alagoas. Além da localidade
pertencer a importante região do Centro de Endemismo de Pernambuco. A seleção destas
áreas (Figura 1) baseou-se na diversidade de ambientes e múltiplas formas de uso, englobando
diferentes biomas e ecossistemas como floresta Atlântica, ambientes marinhos, lagunares,
restinga, manguezais e de caatinga (região semiárida). Algumas informações adicionais foram
coletadas
para
caracterizar
estas
Unidades
de
Conservação.
Denominada
como
‘Características Informáticas das APAs’, para as análises de dados complementares, foram
coletados dados sobre área geográfica, ano de criação, presença ou ausência de planos de
manejo, biomas e as características ecossistemas.
24
Tabela 1 - Informações sobre as Áreas de Proteção Ambiental do Estado de Alagoas.
APAs
Área (ha)
Ano de
Ano do
Criação
Plano de
Biomas
Características Ecossistêmicas
Mata
Remanescentes florestais com tabuleiros,
Atlântica
corpos d’água e áreas lagunares com
Manejo
Catolé e
3.817
1992
2021
Fernão
Velho
Costa dos
manguezais.
405.629,99
1997
2013
Corais
Marinho
Maiores extensões de recifes de coral
Costeiro
costeiros do país, áreas de manguezais e
praias com restingas.
Marituba
18.600
1988
2006
do Peixe
Mata
Matas ciliares com corpos d'água e
Atlântica
planícies de inundação, com um lençol
freático raso, formando assim a Várzea
da Marituba.
Murici
132.833
1997
–
Mata
Remanescentes florestais com tabuleiros
Atlântica
e serras, e corpos d’água com formações
de cachoeiras.
Piaçabuçu
9.107,01
1983
2010
Marinho
Dunas móveis com lagoas naturais que
Costeiro
se formam com as chuvas e elevação de
nível do lençol freático, e áreas de
estuários e praias com restingas.
Pratagy
21.417,51
1998
–
Mata
Remanescentes florestais com corpos
Atlântica e
d’água, trechos de mata nas bordas do
Marinho
tabuleiro, e próximo à foz do rio Pratagy
Costeiro
persiste um pequeno trecho de
manguezal.
Santa Rita
10.230
1984
2022
Mata
Remanescentes florestais com corpos
Atlântica e
d’água, ilhas, estuários, manguezais e ao
Marinho
longo da praia, formam-se calçadas de
Costeiro
recifes.
25
Serra da
103.290,77
2022
Caiçara
–
Caatinga e
Inclui áreas de serra do sertão alagoano,
Mata
representa um ecótono entre os biomas
Atlântica
Caatinga e Mata Atlântica, incluindo
características de áreas úmidas com
corpos d’água e formações de
cachoeiras.
Fonte: Elaborado pelo autor, 2024.
Figura 1 - Distribuição geográfica das Áreas de Proteção Ambiental de Alagoas.
Legenda: Seis Áreas de Proteção Ambiental em esfera estadual: 1 Caiçara; 2 Marituba do Peixe; 3 Catolé
e Fernão Velho; 4 Santa Rita; 5 Murici; 6 Pratagy. Duas Áreas de Proteção Ambiental em esfera federal: 1
Costa dos Corais; 2 Piaçabuçu.
3.2 Identificação das Práticas de Geração de Valor
Interligando os três pilares da Estruturação de Ativos proposta por Jepson et al., (2017),
as Práticas de Geração de Valor consistem em diferentes formas de uso do espaço natural.
Estas práticas são realizadas pelos atores sociais com os ativos naturais das Unidades de
26
Conservação. Esses ativos que incluem recursos naturais, culturais e sociais, são manejados e
por meio dessas práticas geram múltiplos benefícios. O "valor" resultante dessas práticas pode
ser capturado de diversas maneiras: pelos grupos de beneficiários, como na melhoria da
geração de renda para os empresários, no bem-estar e na qualidade de vida para turistas e
comunidades locais, ou pela própria Área Protegida, que obtém ganhos em valores ecológicos
por meio da adoção de práticas conservacionistas (Figura 2).
Fonte: Adaptado de Jepson et al., 2017.
Figura 2 - Representação criada da Estruturação de Ativos em Áreas Protegidas com base no artigo
Jepson et al. (2017).
Para identificar as Práticas de Geração de Valor, foi elaborado um questionário com o
potencial de complementar a metodologia do Asset Framework, proposta por Jepson e
colaboradores em 2017. Esse questionário foi aplicado aos gestores das Áreas de Proteção
Ambiental do estado de Alagoas. Sua elaboração considerou as formas de uso dos recursos
27
naturais em Unidades de Conservação com características ecossistêmicas de áreas naturais
tropicais, permitindo sua adaptação para outras áreas naturais com características distintas.
A lista de Práticas de geração de Valor do questionário (Anexo 1) foi elaborada a partir
de revisão de literatura de artigos relacionados a Uso Público em Unidades de Conservação,
consultas na plataformas, Sistema de Análise e Monitoramento de Gestão - SAMGe
(http://samge.icmbio.gov.br/),
e
na
plataforma
do
Instituto
Socioambiental
-
ISA
(https://uc.socioambiental.org/), e os planos de manejo das APAs que apresentam este
documento de gestão.
A busca pelos artigos científicos foi realizada pelas plataformas Scopus e Web Of
Science, através da consulta pelo portal Periódicos CAPES com o filtro para artigos sobre
“environmental science” e com a utilização das seguintes palavras chaves: "Uses", "Natural
Resources", "Public Use", "Protected Area", Conservation Units", "Land Use", "Environmental
Activities", "Environmental Practices" e "Ecosystem Services". Enquanto que a busca nas
plataformas ISA e SAMGe, foi feita selecionando as Unidades de Conservação na caixa de
busca dos sites, e então identificando as atividades realizadas na região. As plataformas
também disponibilizam dados complementares referentes à hectares das Unidades de
Conservação, ano de criação, presença ou ausência de planos de manejo e conselho gestor.
Enquanto que nos planos de manejo, o levantamento das atividades foram obtidos nos
capítulos que disponibilizam dados sobre os usos públicos.
Com
o
material
disponível,
foi
elaborada
uma
lista
prévia com atividades
socioambientais praticadas por diferentes frequentadores de Unidades de Conservação, como:
moradores, empresários, pesquisadores, estudantes, turistas e os próprios gestores. A lista
reúne atividades que durante sua prática ou após podem gerar valor, para a Unidade de
Conservação, para os atores socioambientais ou para ambos. O questionário também coletou
informações precisas quanto a experiência profissional dos gestores, sua área de formação,
tempo de gerência na Unidade de Conservação atual, o que acham necessário para evitar ou
diminuir as atividades impactantes, e o que poderia melhorar suas condições de trabalho.
A lista de práticas foi organizada semelhante às formas de uso dos planos de manejo e
SAMGe, em categorias como: atividades comerciais, atividades educacionais, atividades da
gerência, atividades relacionadas a lazer esportivo, atividades relacionadas a lazer recreativo e
atividades relacionadas ao uso dos recursos naturais. Sendo a categoria Lazer, separadas em
Lazer Esportivo e Lazer Recreativo. Cada categoria de uso foram organizadas com práticas que
se assemelham ao perfil ecossistêmico de cada APA, totalizando 72 atividades, para os
gestores identificarem se percebem as atividades como:
28
1 - A prática não ocorre na Unidade de Conservação;
2 - Não reconhece a ocorrência desta prática;
3 - Reconhece a ocorrência desta prática, mas não seu potencial de gerar valor;
4 - Reconhece como uma prática de geração de valor.
Quanto às autorizações necessárias para desenvolver a pesquisa, antes de iniciar as
entrevistas com os gestores das Áreas de Proteção Ambiental de Alagoas, o projeto foi
submetido na Plataforma Brasil, para apreciação da comissão de ética da Universidade Federal
de Alagoas. Após a submissão do projeto, o estudo foi aprovado na data 04 de Abril de 2024
com o CAAE: 76261223.9.0000.5013. Este estudo também possui aprovação do Sistema de
Autorização
e
Informação
em
Biodiversidade (SISBIO n. 93877-1). As entrevistas foram
acompanhadas de Termo de Consentimento Livre e Esclarecido - TCLES e os gestores a
qualquer momento poderiam desistir de participar, caso quisessem.
Os gestores foram convidados por e-mail, no qual foram apresentados o principal
objetivo do estudo, além das condições impostas pela comissão de ética da Universidade
Federal de Alagoas. As entrevistas foram realizadas entre 27 de maio e 10 de julho de 2024. As
entrevistas com os gestores das APAs estaduais foram realizadas presencialmente no Instituto
do Meio Ambiente de Alagoas- IMA, localizado na cidade de Maceió. O gestor da APA de
Piaçabuçu foi entrevistado presencialmente, na sede do ICMbio da cidade de Piaçabuçu, e o
gestor da APA Costa dos Corais foi entrevistado virtualmente pela plataforma Meet do Google
por questões de compatibilidade de agendas.
3.3 Análise dos dados
As respostas obtidas no questionário foram organizadas em planilhas no Excel para o
cálculo de porcentagem, e as demais análises dos dados. Inicialmente, para determinar a
ordem decrescente das áreas com mais Práticas de Geração de Valor percebidas pela gestão,
foi criado um gráfico com a porcentagem das APAs que apresentaram o maior número de
práticas reconhecidas.
Com os dados também foi possível realizar técnicas multivariadas. A criação de uma
matriz de presença e ausência de Práticas de Geração de Valor, permitindo comparar as
Unidades de Conservação, identificando aquelas que apresentam práticas semelhantes entre
si. Para isto foi utilizado o índice de Dice-Sorensen (dendograma de similaridade), por meio do
método UPGMA (Unweighted Pair Group Method with Arithmetic Mean), reunindo as APAs que
têm maior similaridade entre elas. A análise descrita foi utilizando o software estatístico
29
Paleontological Statistics (PAST), versão 4.17 (Hammer et al., 2001). O Método UPGMA de
agrupamento hierárquico foi usado para comparar e agrupar as APAs com base em suas
práticas compartilhadas. O cálculo do índice de Dice-Sørensende é baseado em uma fórmula
que considera os itens comuns entre dois conjuntos, índice variável de 0 a 1:
0: nenhum item em comum.
1: conjuntos completamente idênticos.
Para avaliar o efeito das características informativas de cada APA no número de práticas
geradoras de valores identificadas, foi construído um modelo linear generalizado com
distribuição poisson. Para isto, o número de Práticas Geradoras de Valor foi inserido como
variável resposta e as variáveis presença de plano de manejo, presença de conselho gestor
ativo, ano de criação da UC e frequência de monitoramento das APAs foram utilizadas como
preditoras.
Em relação ao efeito das características dos gestores no número de práticas geradoras
de valor identificadas em cada APA, também foi construído o modelo linear generalizado com
distribuição poisson. Neste caso, o número de práticas geradoras de valor foi inserido como
variável resposta e as variáveis escolaridade do gestor, tempo na gestão atual, meses de
experiência com gestão ambiental e experiência anterior como gestor de UC foram utilizadas
como preditoras.
Para avaliar o efeito das características informativas das APAs na composição das
práticas geradoras de valor, foi construído um modelo linear baseado em distância (DistLM).
Para este modelo utilizamos uma matriz de similaridade das práticas geradoras de valor entre
as APAs, baseada na distância de jaccard, e as variáveis presença de plano de manejo,
presença de conselho gestor ativo, ano de criação da Unidade de Conservação e frequência de
monitoramento da UC foram utilizadas como preditoras.
O mesmo modelo linear baseado em distância (DistLM) foi utilizado para ver a
composição das práticas geradoras de valor em cada APA. Porém, as variáveis escolaridade do
gestor, tempo na gestão atual, meses de experiência com gestão ambiental e experiência
anterior como gestor de Unidades de Conservação foram utilizadas como preditoras. Para os
modelos lineares baseados em distância utilizamos a função adonis2, do pacote Vegan
(Oksanen et al., 2024). Todas as análises foram realizadas no ambiente R (R Core Team,
2023).
Por fim, as percepções dos gestores sobre as medidas para reduzir as atividades
negativas e suas condições de trabalho foram organizadas em uma nuvem de palavras,
30
possibilitando a identificação dos termos mais mencionados por cada gestor. A análise resultou
em uma lista hierárquica das palavras mais recorrentes para ambas as questões.
4 Resultados
A lista de práticas socioambientais do questionário, inclui 72 atividades que variam
conforme as características ecológicas de cada Área de Proteção Ambiental, e puderam ser
reconhecidas pela gestão das Unidades de Conservação (Anexo 6). A Área de Proteção
Ambiental com mais Práticas de Geração de Valor identificadas foi a Costa dos Corais, com
61% do total das Práticas de Geração de Valor, enquanto Santa Rita possui o menor número,
com apenas 34% de práticas identificadas (Figura 3).
Figura 3 - Quantidade de Práticas de Geração de Valor (PVG) identificadas.
Legenda: Número de Práticas de Geração de Valor (PGV) e código para as Áreas de Proteção Ambiental
de Alagoas. CC - Costa dos Corais; MP - Marituba do Peixe; PTG - Pratagy; SC - Serra da Caiçara; CFV
- Catolé e Fernão Velho; PÇÇ - Piaçabuçu; MC - Murici; SR - Santa Rita.
As práticas reconhecidas em comum pelos gestores que participaram das entrevistas,
estão representadas nas tabelas 2 e 3. Considerando todas as oito APAs analisadas, foram
identificadas sete Práticas de Geração de Valor compartilhadas entre elas. As seis APAs
estaduais (protegidas pelo IMA) apresentaram nove práticas em comum. Enquanto as APAs
31
marinhas (e protegidas em esfera federal pelo ICMBio) compartilharam 26 Práticas de Geração
de Valor em comum (Tabela 3).
Tabela 2 - Práticas de Geração de Valor comuns a todas as APAs e nas APAs estaduais.
Práticas em comum nas oito APAs
Práticas em comum nas APAs estaduais
Pesquisas acadêmicas com fatores bióticos e
abióticos;
Pesquisas acadêmicas com fatores bióticos e
abióticos;
Fiscalização;
Realização de aulas de campo;
Monitoramento;
Realização
ambiental;
Realização de estudos
empresas/indústrias;
ambientais
de
atividades
de
educação
para
Fiscalização;
Reuniões de funcionários e/ou conselho gestor;
Monitoramento;
Apreciar a paisagem;
Realização de estudos
empresas/indústrias;
ambientais
para
Aproveitar dia ensolarado;
Reuniões de funcionários e/ou conselho gestor;
Apreciar a paisagem;
Aproveitar dia ensolarado.
32
Tabela 3 - Práticas de Geração de Valor em comum nas duas APAs marinhas e federais.
Práticas de Geração de Valor em comum nas APAs federais.
Pesquisas acadêmicas com fatores bióticos e
abióticos;
Reuniões com políticos locais;
Realização de atividades de ecoturismo;
Contratação de terceiros para realização de
tarefas;
Palestras e apresentações relacionadas a apa;
Capacitação para funcionários;
Realização de aulas de surf;
Esportes com prancha de surf;
Observar e fotografar a vida selvagem;
Correr ao ar livre;
Coleta de dados para pesquisas;
Apreciar a paisagem;
Fiscalização;
Banho de mar, cachoeira, rio e lagoa;
Monitoramento;
Práticas religiosas;
Realização de estudos
empresas/indústrias;
ambientais
para
Caminhar/passeio;
Fazer trilhas;
Reuniões de funcionários e/ou conselho gestor;
Construção ou manutenção em trilhas;
Visitar monumentos naturais ou históricos, e/ou
infraestruturas;
Construção/reparação de sede ou alojamento;
Aproveitar dia ensolarado;
Reuniões com líderes de associações;
Catar marisco;
Com base nas percepções dos gestores, foram identificadas as práticas primárias
responsáveis pela maior parte da geração de valor financeiro em cada APA. Além disso, foram
detalhadas outras práticas secundárias de valor econômico que também ocorrem nessas
unidades. A distinção entre práticas primárias e secundárias ressalta a diversidade de
interações socioeconômicas com os recursos naturais presentes em cada APA (Tabela 4).
33
Tabela 4 - Principal e outras práticas geradoras de valor econômico percebidas pela gestão.
APAs
Práticas primárias
Práticas secundárias
Santa Rita
Turismo
Pesca;
Agricultura
Pratagy
Agricultura
Pesca;
Turismo.
Murici
Agricultura
Pecuária.
Marituba do
Peixe
Pesca
Extrativismo vegetal;
Especulação imobiliária.
Catolé e
Fernão Velho
Captação de água
Agricultura;
Pesca;
Turismo;
Pecuária;
Comércio na área urbana.
Caiçara
Agricultura
Pecuária;
Produção de carvão (ilegal).
Costa dos
Corais
Turismo
Pesca;
Agricultura.
Piaçabuçu
Turismo
Pesca
Outras práticas presentes na lista (Anexo 6), não foram reconhecidas como geradoras
de valor para as unidades. Nas APAs estaduais, apenas o mergulho foi citado como não
ocorrente. Por outro lado, esta prática foi reconhecida nas APAs federais, com exceção da APA
de Piaçabuçu. O luau foi outra prática não reconhecida por cinco APAs estaduais, mas
percebida como importante para geração de valor na APA da Caiçara. Nas APAs federais a
única prática que os gestores não reconheceram foi a aquicultura.
As práticas identificadas como existentes nas APAs, mas não como geradoras de valor
foram interpretadas como pressões socioambientais por parte dos gestores, sendo motivo de
34
fiscalização e/ou monitoramento. As práticas com essa característica em comum entre as
unidades foram “Churrasco e beber” e “Pecuária”, ambas interpretadas como pressões em
cinco APAs estaduais. Nas APAs federais a quantidade de práticas percebidas como pressões
foram maiores, englobando a Venda de artesanatos; Venda de alimentos e bebidas; Venda de
produtos para turistas; Aluguel de artefatos para lazer; Caça esportiva e Churrasco e beber.
O dendrograma construído de acordo com a análise de similaridade de Práticas de
Geração de Valor entre as Unidades de Conservação revelou diferentes grupos (Figura 4). O
grupo A inclui apenas a APA de Santa Rita. O grupo B é dividido em vários subgrupos. O
subgrupo B1 é composto somente pela APA Marituba do Peixe e o subgrupo B2 tem mais
subdivisões, o subgrupo B.2.1 inclui duas partes, a primeira parte com a APA do Pratagy
(B.2.1.1), e a segunda parte com o subgrupo B.2.1.2 inclui duas outras APAs: o B.2.1.2.1 com a
APA de Murici e Serra da Caiçara; e a APA Catolé e Fernão Velho que forma um grupo
individual chamado B.2.1.2.2. O subgrupo B.2.2 é composto pela APAs Costa dos Corais e
Piaçabuçu, e apresenta uma similaridade de 70%. Entretanto, o subgrupo com maior
similaridade foi composto pelas APAs de Murici e Serra da Caiçara, com similaridade superior a
80%.
Figura 4 - Dendrograma de similaridade de Práticas de Geração de Valor entre as Áreas de Proteção
Ambiental.
Legenda: Código para as Áreas de Proteção Ambiental de Alagoas. CC - Costa dos Corais; MP Marituba do Peixe; PTG - Pratagy; SC - Serra da Caiçara; CFV - Catolé e Fernão Velho; PÇÇ Piaçabuçu; MC - Murici; SR - Santa Rita.
35
Com os dados da Tabela 5, é possível visualizar as informações coletadas para as
análises no software R. Os dados abrangem diferentes aspectos relacionados ao perfil dos
gestores e à gestão das Áreas de Proteção Ambiental em Alagoas, como o grau de
escolaridade dos participantes, seguido da experiência profissional na área de Gestão
Ambiental. Outro dado relevante coletado foi o tempo de atuação dos gestores na unidade
específica que administram atualmente.
Além disso, apresenta a frequência com que ocorrem monitoramentos de atividades
conflitantes dentro das Unidades de Conservação. Estes resultados indicaram que, em algumas
APAs, essa frequência é semelhante, identificando padrões de fiscalização e controle.
Tabela 5- Características informativas do questionário, relacionadas a gerência das Áreas de Proteção
Ambiental de Alagoas.
Característic
as da
Gestão /
APAs de
Alagoas
Grau
Escolar
Qual área de
formação?
Quantos anos
Quanto tempo
de experiência como membro da
você tem na
gestão da Área de
área de
Proteção
Gestão
Ambiental gerida?
Ambiental?
Trabalhou na
gestão de
alguma Área
Protegida
anteriormente
?
Com que
frequência
ocorre
monitoramento
de atividades
conflitantes?
Apa de
Santa Rita
Mestrado
Geografia
12 anos
2 meses
Sim
A cada 15 dias
Apa do
Pratagy
Superior
Geografia
7 meses
7 meses
Não
A cada 15 dias
Apa de
Murici
Superior
Ciências
Biológicas
4 meses
4 meses
Não
Uma vez por
semana
Apa da
Marituba do
Peixe
Superior
Engenharia
Florestal
1 ano e meio
1 ano e meio
Não
Uma vez por
semana
Apa do
Catolé e
Fernão
Velho
Doutorado
Geociências
7 anos
4 meses
Não
A cada 15 dias
Apa Serra
da Caiçara
Mestrado
Geografia
1 ano e 4
meses
1 ano e 4 meses
Não
A cada 15 dias
Apa Costa
dos Corais
Mestrado
Oceanografia
22 anos
14 anos
Sim
A cada 15 dias
Apa de
Piaçabuçu
Superior
Direito
40 anos
1 ano
Sim
Quase todos os
dias
36
Sobre a frequência de monitoramento, o questionário incluiu perguntas sobre a
regularidade com que os gestores estão presentes nas APAs sob sua administração e se a
comunidade local percebe essa presença de forma acessível. Os gestores declararam que, em
quatro APAs (APA de Murici, APA Fernão Velho e Catolé, APA Serra da Caiçara e APA Costa
dos Corais), a comunidade está parcialmente satisfeita com sua presença. Por outro lado, os
gestores das outras quatro APAs (APA de Santa Rita, APA do Pratagy, APA de Marituba do
Peixe e APA de Piaçabuçu) relataram que a comunidade não está satisfeita com a presença
deles nas áreas protegidas.
Quanto aos efeitos das características informativas das Unidades de Conservação e das
características dos gestores em relação às Práticas Geradoras de Valor, os modelos lineares
mostraram que nem as características descritivas das unidades (g.l. = 3, p= 0.78) nem as
características dos gestores (g.l. = 2, p= 0.27) influenciaram no número de práticas geradoras
de valor identificadas em cada APA. Da mesma forma, as características informativas das
Unidades de Conservação (g.l. = 3, F = 1.0193, p = 0.4385) e as características dos gestores
(g.l. = 5, F = 1.8218, p = 0.074) também não foram boas preditoras da composição das práticas
geradoras de valor encontradas em cada APA.
As respostas dos gestores sobre a necessidade de evitar ou reduzir as atividades
identificadas como negativas, assim como sobre possíveis formas de melhorarem suas
condições de trabalho, foram representadas no gráfico de nuvem da Figura 6. As respostas
foram semelhantes entre as questões e entre os gestores, destacando a necessidade de mais
fiscalização, monitoramento, transportes e recursos, entre outros fatores.
37
Fonte: Elaborado pelo autor, 2024.
Figura 5 - Nuvem de palavras representando a opinião dos gestores das Áreas de Proteção Ambiental de
Alagoas, sobre as necessidades e melhorias para a gestão.
38
5 Discussão
O reconhecimento de Práticas de Geração de Valor envolve atividades conduzidas por
diversos atores socioambientais, sendo as principais práticas identificadas aquelas que
envolvem a participação de turistas, os próprios gestores, empresários e moradores locais. O
valor tanto tangível quanto intangível, gerado durante ou após essas práticas, beneficia tanto os
atores socioambientais quanto a Unidade de Conservação. Esse valor abrange aspectos
sociais, como bem-estar e qualidade de vida; econômicos relacionados à geração de renda; e
ecológicos relacionados a práticas conservacionistas (Lessa et al., 2021).
As Práticas de Geração de Valor comuns nas oito APAs estão relacionadas a atuação da
própria gerência como fiscalização e monitoramento; práticas educativas como realização de
estudos ambientais e reuniões com funcionários ou conselho gestor; lazer e recreação como
apreciar a paisagem e aproveitar dia ensolarado. Durante sua realização, estas práticas não
implicam no consumo direto dos recursos naturais, conforme previsto na lei do SNUC 2000.
Investir nestas práticas pode contribuir para uma gestão mais efetiva e direcionada, visto que
elas agregam valor tanto à própria gerência quanto às Unidades de Conservação (Ardoin et al.,
2020). As APAs protegidas em esfera estadual reconheceram outras duas Práticas de Geração
de Valor em comum: a realização de aulas de campo e a realização de atividades de educação
ambiental. A presença dessas duas práticas adicionais entre as APAs estaduais destaca a
ênfase na promoção de ações educativas. Além disso, essa padronização pode indicar um
compromisso reforçado com a educação ambiental e a disseminação do conhecimento sobre
conservação, promovendo maior engajamento da comunidade e contribuindo para a
sustentabilidade a longo prazo (de Carvalho et al., 2021). Além disso, geram valor intangível
para as pessoas que buscam espaços naturais como forma de melhorar a saúde mental e a
qualidade de vida (Nogueira et al., 2022).
O número de Práticas de Geração de Valor identificadas em comum nas duas APAs
protegidas em esfera federal foi, significativamente maior, totalizando 26 práticas. Esse
resultado evidencia uma maior convergência nas atividades realizadas nessas unidades,
refletindo a similaridade ecossistêmica entre elas, uma vez que ambas estão inseridas em
ambientes marinho-costeiros. As APAs Costa dos Corais e Piaçabuçu apresentam 70% de
similaridade, formando o segundo maior grupo de UCs com práticas em comum, especialmente
relacionadas ao turismo, à pesca e à gestão.
39
As Áreas de Proteção Ambiental de Alagoas apresentam uma diversidade de praticas
econômicas primárias e secundárias que podem contribuir para a geração de renda local como
turismo, agricultura e pesca. No caso do turismo, essa atividade se destaca como primária em
diversas APAs, incluindo Santa Rita, Costa dos Corais e Piaçabuçu. Além disso, segundo a
Marinha do Brasil em 2021, Unidades de Conservação litorâneas atingiram recordes de
visitação. No entanto, a prática “Churrasco e beber” ligada ao turismo, foi amplamente
percebida pelos gestores como pressão socioambiental. Alguns dos principais impactos incluem
geração excessiva de resíduos, risco de incêndios, degradação do solo e vegetação, poluição
sonora e perturbação da fauna e aumento da demanda de madeira. Devido a esses impactos,
fiscalizações e monitoramentos constantes são necessários para mitigar danos, garantir o
cumprimento das normativas ambientais e promover um turismo mais sustentável. As APAs
com plano de manejo, todas descrevem sobre turismo desordenado, mas apenas as APAs
Costa dos Corais e Piaçabuçu caracterizam a prática de “Churrasco e beber” como proibida. De
acordo com as “NORMAS GERAIS PARA A APA COSTA DOS CORAIS” está descrito “proibido
o consumo de bebidas e alimentos nas piscinas naturais do ambiente recifal, bem como o
descarte de resíduos neste ambiente”, e a APA de Piaçabuçu nas “Normas Gerais” da “ZONA
DE TURISMO ECOLÓGICO’’ informa a proibição da utilização de churrasqueiras na unidade
(ICMBio, 2021 & ICMBio, 2010).
Estudos indicam que a adoção de práticas de turismo
sustentável, como a definição de limites de visitação e a implementação de programas de
educação ambiental para turistas desempenham um papel fundamental para mitigar os
impactos ambientais (Scheyvens & Hughes, 2019). Além disso, o desenvolvimento de modelos
de turismo sustentável, como o ecoturismo, tem se mostrado uma estratégia eficaz para
conciliar a conservação ambiental com o desenvolvimento socioeconômico local (Ola et al.,
2019).
Nas APAs Pratagy e Catolé e Fernão Velho, o turismo é considerado uma prática
secundária, mesmo que Pratagy apresente uma porção litorânea em sua área geográfica. Isso
ocorre porque essa unidade é predominantemente caracterizada por remanescentes de Mata
Atlântica, assim como Catolé e Fernão Velho (Oliveira et al. 2020).
Ainda no contexto de práticas primárias, a agricultura e a pesca, são as atividades
econômicas predominantes em APAs como Pratagy, Murici, Marituba do Peixe e Serra da
Caiçara. Embora essas práticas estejam intimamente relacionadas à subsistência das
comunidades locais, elas coexistem com indústrias de grande porte na região como as de cana
de açúcar, coco e milho (Oliveira et al. 2020). Apesar de essenciais para a economia local,
essas atividades podem representar ameaças à sustentabilidade dos recursos naturais se
40
praticadas de forma intensiva (Almaliki et al., 2023). Interpretadas como primária e secundária
pelos gestores, elas também são vistas como pressões ambientais quando executadas
inadequadamente (da Rocha et al., 2025). Isso reforça a necessidade de investimentos nas
práticas de gestão, garantindo que fiscalizações e monitoramentos sejam eficazes na
prevenção de excessos nessas atividades.
Algumas das práticas do questionário foi pensada na organização das Áreas Protegidas
de todo território brasileiro e também de países tropicais. Algumas das práticas percebidas
como negativas podem ser percebidas como positivas em outras áreas naturais, um exemplo
são as práticas esportivas com fauna. Lembrando que de acordo com o Art. 2° da Lei de
Proteção à Fauna no Brasil (Lei N° 5,197) é proibido o exercício da caça profissional, entretanto
a caça esportiva ainda é uma atividade comum e culturalmente difundida no país (Bragagnolo et
al., 2019). Além disso, existem projetos de manejo de fauna silvestre, como o controle
populacional do javali (Sus scrofa), uma espécie da família Suidae, exótica e invasora no
território brasileiro. No entanto, a presença de práticas de caça é comum em áreas protegidas
como os Parques Nacionais brasileiros, mesmo que outras formas de caça sejam consideradas
ilegais desde 1967, conforme estabelecido pela Lei de Proteção à Fauna (Almeida, 2021; da
Rocha et al., 2025). No contexto das APAs de Alagoas por não existir a presença de javalis, a
seguinte prática foi interpretada como negativa pelos gestores entrevistados. As práticas ilegais
são comuns e requer fiscalização e monitoramento constantes, além da presença do comércio
ilegal de carvão na APA Serra da Caiçara, a existencia da caça foi reconhecida na maioria das
APAs de Alagoas, exceto na APA de Catolé e Fernão Velho. As práticas presenciais de
fiscalização e monitoramento realizadas pela gerência podem ser aprimoradas com o auxílio de
tecnologias, aumentando a eficácia na proteção da biodiversidade. O uso de ferramentas como
sensores remotos, câmeras de monitoramento, drones e sistemas de geoprocessamento
permite um acompanhamento mais preciso e eficiente das áreas protegidas, contribuindo para a
detecção de atividades ilegais, a gestão de recursos naturais e a tomada de decisões
estratégicas (Buchman et al., 2023).
Na análise de similaridade, o Índice de Dice-Sørensen é uma métrica de similaridade
que mede o grau de sobreposição entre conjuntos de dados, permitindo visualizar as práticas
realizadas em diferentes áreas. A APA de Santa Rita se destaca por estar mais distante dos
outros grupos, indicando um menor compartilhamento de práticas de geração de valor com as
demais Unidades de Conservação. Esse resultado está relacionado ao número reduzido de
Práticas de Geração de Valor em comum identificadas na APA, sendo que o turismo foi
apontado como principal prática geradora de recursos financeiros na região. Um dos Ativos
41
naturais de maior destaque da APA de Santa Rita é o complexo lagunar Mundaú-Manguaba
com suas ilhas, caracterizado pela sua diversidade biológica e belezas cênicas (Wanderley et
al., 2020). O turismo local busca esta localidade para promover passeios com embarcações,
sendo um dos mais conhecidos a Rota das Lagoas e Ilhas, característico como único para
região (Sousa, 2024).
O Estado de Alagoas apresenta uma área geográfica de 27.830,66 km² (IBGE, 2022),
sendo o segundo menor estado brasileiro, consideravelmente pequeno em comparação a
outros estados do Brasil. Com esta observação podemos discutir que, mesmo as Áreas de
Proteção Ambiental de Murici e Serra da Caiçara, apresentem certa distância geográfica, esse
fator não interfere na similaridade entre suas práticas de geração de valor, sendo superior a
80%, especialmente em virtude das características ecossistêmicas compartilhadas entre as
áreas, como corpos d’água, serras, formações rochosas e cachoeiras, conforme descrito por
Oliveira et al. (2020). Os biomas que compõem as áreas naturais são Mata Atlântica para a APA
de Murici e Caatinga para a APA Serra da Caiçara, porém as principais práticas que corroboram
com a similaridade entre elas estão práticas de ecoturismo e educacionais de turistas e da
própria gerência (Anexo). Outras Unidades de Conservação associadas às APAs de Murici e
Serra da Caiçara, com mais de 70% de similaridade, incluem a APA do Catolé e Fernão Velho,
e a APA do Pratagy, com mais de 65% de similaridade. As características ecossistêmicas
comuns entre essas Unidades de Conservação incluem remanescentes florestais com corpos
d'água, tabuleiros e serras, áreas propícias para práticas de ecoturismo, como trilhas
ecológicas, conforme descrito por Oliveira et al. (2020).
A APA da Marituba do Peixe se destaca como a segunda Unidade de Conservação com
mais práticas de geração de valor identificadas. No entanto, ela se posiciona de forma isolada
no dendrograma de similaridade. Esse fato pode estar relacionado às suas características
ecossistêmicas singulares, como a presença de extensas várzeas, áreas alagadiças. Além
disso, é a única APA que abriga grandes empreendimentos do agronegócio de coco,
especificamente no município de Feliz Deserto (Tribuna do Sertão, 2024). Outro ponto relevante
é que, enquanto nas demais APAs a agricultura e a pecuária são vistas predominantemente
como pressões ambientais, na APA Marituba do Peixe essas práticas são percebidas como
Práticas de Geração de Valor. Esse exemplo reflete a diversificação das práticas locais, que,
além de serem numerosas, se distinguem das atividades realizadas em outras Áreas de
Proteção Ambiental.
A experiência acumulada e o conhecimento técnico são essenciais para enfrentar
desafios como a resolução de conflitos, a implementação de práticas conservacionistas
42
adequadas e o manejo adaptativo das Unidades de Conservação, contribuindo para o
cumprimento de seus objetivos de proteção ambiental (Bennett et al., 2014; Zago et al., 2018).
Essas características variam entre os gestores das Áreas de Proteção Ambiental (APAs) de
Alagoas, refletindo diferenças em formação acadêmica multidisciplinar, experiência e
desempenho administrativo.
A relação entre o tempo de experiência na gestão ambiental e a capacidade de tomada
de decisão é particularmente importante em situações de interesses conflitantes, como disputas
sobre o uso da terra ou em áreas submetidas a intensa pressão humana (Young et al., 2014;
Geldmann et al., 2019). Gestores com maior experiência profissional na área sob sua
administração tendem a adquirir um conhecimento mais profundo sobre o território e as
dinâmicas sociais locais, o que favorece uma gestão mais eficiente e adaptativa (Hockings et
al., 2000; Ardoin et al., 2020). No entanto, as características dos gestores (como formação
acadêmica, tempo de experiência e atuação na UC) não tiveram um efeito significativo sobre o
número total ou a composição das Práticas Geradoras de Valor identificadas em cada uma
delas. Da mesma forma, as características informativas das APAs analisadas (como área, ano
de criação, existência de conselho gestor ou plano de manejo) também não tiveram efeito
significativo, mas não significa que tais fatores sejam irrelevantes.
Esses achados indicam que outros fatores, não considerados nos nossos modelos,
podem ser mais relevantes para determinar quais práticas são implementadas e reconhecidas
nas APAs. Eles podem indicar que as práticas geradoras de valor surgem de dinâmicas mais
complexas, possivelmente relacionadas a fatores externos, como demandas socioeconômicas
locais, políticas públicas ou características culturais das comunidades do entorno. Isso sugere
que estratégias de gestão focadas exclusivamente nas características das APAs ou dos
gestores podem não ser suficientes para impulsionar a geração de valor, sendo necessário
considerar outros aspectos contextuais e estruturais. Recomenda-se para estudos futuros
análises complementares para explorar outros fatores explicativos, como a interação entre os
atores sociais, políticas ambientais vigentes ou a influência de iniciativas externas, como
projetos de financiamento e incentivos à sustentabilidade.
Os gestores também desempenham um papel relevante na implementação de práticas
educacionais com a comunidade local, sendo que das oito APAs, duas não conseguiram
organizar este tipo de atividade no seu período de gestão. As demais APAs realizam estas
atividades com frequências variadas. Este tipo de envolvimento das comunidades locais na
gestão de Unidades de Conservação tem se mostrado uma estratégia eficaz para alinhar os
43
interesses econômicos aos objetivos de conservação, promovendo uma gestão participativa e
inclusiva (Kremen & Merenlender 2018; Naidoo et al., 2019). Santos et al., (2021) enfatizam a
importância da educação ambiental de forma contínua, propondo um modelo permanente e
coletivo para a formação de cidadãos mais conscientes e preparados para resolver problemas
ambientais. Este modelo visa formar cidadãos aptos a resolver problemas ambientais, ao
promover práticas educativas constantes nas escolas, associadas aos resíduos, ao cultivo de
hortas e a interação entre estudantes e natureza. A abordagem busca integrar a prática
educativa no cotidiano das escolas, formando uma rede de aprendizado constante que favorece
a resolução de questões ecológicas.
A frequência de membros da gestão nas APAs, para monitoramento de atividades
conflitantes e outras tarefas administrativas, é um aspecto fundamental, mas muitos gestores
relatam dificuldades em obter a aceitação da comunidade local. A percepção dos gestores
sobre a aceitação da Unidade de Conservação pela comunidade local foi divergente. A metade
deles afirmou que a comunidade não está satisfeita, enquanto outros afirmaram que a
comunidade está parcialmente contente. A inclusão de práticas educativas pela gestão em
Unidades de Conservação é uma atividade amplamente reconhecida como fundamental para o
sucesso da conservação, e aliadas ao fortalecimento da fiscalização e da participação
comunitária, principalmente em Áreas de Proteção Ambiental, onde as interações entre a
comunidade local e os gestores são frequentes (Ardoin et al., 2020).
No entanto, a percepção da comunidade local aos serviços fornecidos pelas Unidades
de Conservação nem sempre é imediata ou positiva. Estas percepções sobre a utilidade e os
benefícios das áreas naturais podem variar amplamente, influenciadas por fatores como o nível
de participação local na tomada de decisões, impactos econômicos percebidos e comunicação
eficaz entre gestores e moradores (Bennett et al. 2014). De fato, Unidades de Conservação que
oferecem benefícios tangíveis às comunidades locais, como ecoturismo ou acesso gerenciado a
recursos, tendem a gerar maiores facilidades e suporte (Serenari et al. 2020). No entanto, a
mera existência de uma área protegida, sem a percepção de tais benefícios, pode ser vista
como uma imposição externa, criando uma barreira entre a comunidade e os objetivos de
conservação (Serenari et al., 2020). Nesse sentido, atividades educacionais são uma
ferramenta eficaz para promover maior compreensão da importância das UCs e como elas
podem beneficiar a comunidade a longo prazo (Ardoin et al., 2020).
Portanto, estratégias para melhorar esta relação com a comunidade local contribui para
o aumento da conscientização ambiental, e faz com que a comunidade possa sentir-se como
parte da gestão e pertencente à área protegida, De acordo com GovBrasil (2025), os conselhos
44
gestores em Unidades de Conservação, são as melhores estratégias para integrar a
comunidade local à gestão de espaços naturais (Paes et al., 2025). Esta solução torna-se
crucial para as três APAs de Alagoas sem conselho gestor. Além disso, APAs que realizam
atividades educacionais com mais frequência podem estar criando um ambiente mais propício à
acessibilidade da comunidade local.
Nosso estudo ressalta a importância de uma abordagem diversificada no estudo das
Unidades de Conservação, que envolva continuamente os diferentes atores socioambientais,
como gestores, moradores, empresários e turistas. A criação de um questionário que interage
com os tipos de práticas realizadas em áreas naturais, promove uma metodologia diversificada
para uma maior compreensão entre as pessoas e os espaços naturais, incentivando a
valorização e a conservação dessas áreas. Quanto à gestão, não deve seguir um modelo único
e padronizado, mas sim adotar estratégias variadas para atender às diferentes necessidades
ecológicas, sociais e econômicas. Isso implica reconhecer a complexidade e a diversidade dos
contextos analisados, levando em consideração fatores como características ecossistêmicas,
práticas
socioambientais,
necessidades
econômicas
e
especificidades
culturais
das
comunidades locais. Porém, a falta de recursos para a conservação ambiental é um dos fatores
que prejudica a efetividade da gestão. A limitação de recursos financeiros representa um dos
maiores desafios para as Unidades de Conservação, dificultando a execução de planos de
manejo eficientes e a manutenção de equipes adequadas para atender às necessidades dessas
áreas (Albuquerque et al., 2024). As práticas da própria gestão e as iniciativas educacionais
dependem do apoio de setores econômicos que reconhecem o valor das áreas naturais. A
obtenção de financiamento pode ser viabilizada por meio de diversos mecanismos, como swaps
de dívida por natureza, fundos financeiros para conservação, mercados e sistemas de
pagamento por serviços ecossistêmicos, além de títulos de impacto ambiental (Cosma, 2023). A
diversidade
na
gestão
pode
incluir estratégias atuais e adaptativas às condições
socioambientais das áreas protegidas. Essa abordagem personalizada valoriza a existência e a
resiliência política dessas APAs, podendo fortalecer a governança local, e assegurar seus
objetivos de conservação a longo prazo (Barkley et al., 2023).
45
6 Conclusões
Este estudo destacou a percepção dos atores sociais envolvidos na gestão das APAs
em Alagoas sobre as Práticas de Geração de Valor. Os resultados evidenciam a relevância
dessas práticas na sustentabilidade socioeconômica e ambiental das áreas protegidas, bem
como os desafios para sua implementação efetiva. Observa-se a necessidade de maior suporte
institucional, financeiro e técnico para que essas práticas sejam amplamente monitoradas,
disseminadas e efetivas.
Neste contexto, nosso resultado contribui ao fornecer subsídios para a formulação de
estratégias que reforcem a realização de Práticas de Geração de Valor nas APAs de Alagoas,
alinhando conservação ambiental e desenvolvimento sustentável. Os dados também
apresentam práticas que foram percebidas como negativas e que demandam fiscalização e
monitoramento, direcionando informações para implementação de medidas administrativas, e
assim mitigar impactos adversos.
Futuras pesquisas podem aprofundar a análise sobre a efetividade dessas práticas e
sua relação com diferentes modelos de gestão em Unidades de Conservação, auxiliando na
construção de políticas públicas mais eficazes e inclusivas. Os dados evidenciam semelhanças
na percepção dos gestores sobre as práticas que ocorrem nas Áreas de Proteção Ambiental, e
seu reconhecimento é essencial para conciliar os objetivos de conservação ambiental com às
necessidades socioeconômicas das comunidades locais. Esta compreensão das dinâmicas
socioambientais por meio da Estruturação de Ativos permite identificar oportunidades que
integram os recursos naturais aos interesses sociais, evidenciando por que a sociedade busca
as Unidades de Conservação. Esta metodologia pode ser aplicada ou adaptada a outras
Unidades de Conservação com a presença de atores sociais, como gestores, moradores,
empresários e turistas. Além disso, o questionário criado complementa o modelo de
Estruturação de Ativos em Áreas Protegidas existente na literatura, enriquecendo estudos sobre
gestão ambiental e a importância das Unidades de Conservação.
46
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51
APÊNDICES ou ANEXOS
Anexo 1 - Questionário de Práticas de Geração de Valor
Questionário de percepções de Práticas de Geração de Valor pela
Proteção Ambiental de Alagoas.
gestão das Áreas de
Mestranda: Alicia Helena Torres da Rocha
Orientador: Dr. Jairo Lizandro Schmitt
•
O objetivo e finalidade do estudo é desenvolver um inventário abrangente das Práticas
de Geração de Valor atualmente em curso nas Áreas de Proteção Ambiental (APAs) de
Alagoas, a partir da percepção dos gestores. Este estudo tem a finalidade de fornecer
informações relevantes que possam contribuir para o planejamento, tomada de decisões e
disponibilidade de mais informações acerca de áreas de relevante interesse ecológico e
socioambiental.
O estudo será conduzido por meio do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE),
aplicado para a segurança de todos, seguido de entrevistas realizadas com membros da gestão
das oito Áreas de Proteção Ambiental do estado de Alagoas, as quais serão estruturadas e
aplicadas por meio de questionário.
1 – Seu nome completo:
2- E-mail para contato:
3 - Selecionar Área de Proteção Ambiental que gerência:
( ) Catolé e Fernão Velho
( ) Marituba do Peixe
( ) Murici
( ) Pratagy
( ) Santa Rita
( ) Serra da Caiçara
( ) Piaçabuçu
( ) Costa dos Corais
4 - Grau de escolaridade:
( ) Fundamental incompleto
( ) Fundamental completo
( ) Ensino Médio incompleto
52
( ) Ensino Médio completo
( ) Superior incompleto
( ) Superior completo
( ) Pós-graduação — Mestrado
( ) Pós-graduação — Doutorado ou mais
5 - Qual área de formação, caso tenha respondido SUPERIOR OU MAIS?
6 - Quantos anos de experiência você tem na área de Gestão Ambiental?
7 - Quanto tempo como membro da gestão da Área de Proteção Ambiental gerida?
8 - Possui alguma outra função empregatícia?
( ) Não
( ) Coordenador(a) de uso público ou chefe de uso público
( ) Coordenador(a) de outra área
( ) Administrativo
( ) Técnico(a)
( ) Guarda-parque
( ) Chefe/coordenador(a)/gerente de Unidades de Conservação
( ) Analista ambiental
( ) Gestor(a) ou chefe substituto do parque
( ) Fiscalização/Monitoramento
Outro:____________________
9 - A Área Protegida possui sede própria?
( ) Nenhuma
( ) Apenas uma sede
( ) Mais de uma sede
10 - Trabalhou na gestão de alguma Área Protegida anteriormente?
( ) Sim
53
( ) Não
11 - Caso tenha respondido SIM, quantas?
12 - Com que frequência ocorre monitoramento de atividades conflitantes?
( ) Não ocorre
( ) Uma vez por mês
( ) A cada 15 dias
( ) Três vezes por mês
( )Uma vez por semana
Outro:________________
13 - Qual principal atividade econômica que ocorre na APA gerida?
( ) Pesca
( ) Turismo
( ) Agricultura
( ) Extrativismo vegetal de espécies nativas
Outro:_____________________
14 - Além da principal atividade econômica, quais outras atividades ocorrem?
15 - A gestão realiza aulas, palestras e/ou oficinas com a comunidade local (moradores,
pescadores e comerciantes)?
( ) Não
( ) Sim
Sim? Com que frequência:____________________
16 - A comunidade local está contente com a existência de uma Área Protegida na região?
Reconhecimento de Práticas de Geração de Valor relacionadas a atividades
comerciais.
Selecione a opção que melhor descreve as atividades que ocorrem ou não na Área de Proteção
Ambiental que você gerencia.
17 - Venda de passeios em embarcações (catamarã, jangada, barco, lancha etc.)
54
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
18 - Venda de frutos da localidade
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
19 - Venda de artesanatos
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
20 - Vendas de artefatos para esportes aquáticos
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
21 - Vendas de aulas de mergulho
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
22 - Ensaio fotográfico
55
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
23 - Vendas de aulas de surf
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
24 - Vendas de passeios em trilhas
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
25 - Empresas em atividades (Estadias e restaurantes)
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
26 - Venda de alimentos e bebidas (comerciantes, mercadinhos, feiras etc.).
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
27 - Venda de produtos para turistas (chapéus, canga, roupas de banho, vestimentas etc.)
( ) Não ocorre a seguinte prática
56
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
28 - Aluguel de artefatos para lazer (boia, pranchas, passeios, cadeiras, mesas, guarda-sol
etc.).
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
Reconhecimento de Práticas de Geração de Valor relacionadas a atividades
educacionais.
29 - Pesquisas acadêmicas com fatores bióticos e abióticos (biodiversidade e fatores físicos e
químicos do ambiente)
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
30 - Pesquisas socioambientais com comunidades locais e outras pessoas associadas a APA
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
31 - Realização de aulas de campo
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
32 - Realização de atividades de ecoturismo
57
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
33 - Realização de atividades de educação ambiental (realizadas por escolas, empresas,
associações de comunidades locais etc.).
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
34 - Palestras e apresentações relacionadas a APA (feitas por instituições educacionais para
diferentes grupos de pessoas em escolas, estadias, restaurantes/empresas etc.).
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
35 - Eventos ou locais para limpeza e coleta de lixo (ambientes terrestres ou aquáticos).
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
36 - Realização de aulas de mergulho
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
58
37 - Realização de aulas de surf
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
38 - Observar e fotografar a vida selvagem
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
39 - Coleta de dados para pesquisas
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
40 - Oficinas/minicursos educacionais para comunidades locais
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
Reconhecimento de Práticas de Geração de Valor relacionadas as atividades da
gerência.
41 - Fiscalização
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
59
42 - Restauração de áreas degradadas
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
43 - Monitoramento
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
44 - Realização de estudos ambientais para empresas/indústrias
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
45. Reuniões de funcionários e/ou conselho gestor (relacionados entre a própria gestão)
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
46. Projetos de conservação com a área ou comunidades locais (projetos realizados ou em
andamento)
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
47. Construção ou manutenção em trilhas
60
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
48. Construção/reparação de sede ou alojamento
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
49. Reuniões com líderes de associações
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
50. Reuniões com políticos locais
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
51. Contratação de terceiros para realização de tarefas
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
52. Capacitação para funcionários
( ) Não ocorre a seguinte prática
61
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
Reconhecimento de Práticas de Geração de Valor relacionadas a lazer esportivo.
53.
Esportes com bola (vôlei, futebol, handebol, campinho etc.)
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
54. Esportes com prancha de surf
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
55. Ciclismo e motociclismo
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
56. Natação
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
57. Mergulho
( ) Não ocorre a seguinte prática
62
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
58. Kayak
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
59. Canoagem
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
60. Correr ao ar livre
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
61. Tirolesa
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
62. Esportes verticais (Happel)
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
63
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
63. Pesca esportiva
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
64. Caça esportiva
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
Reconhecimento de Práticas de Geração de Valor relacionadas a lazer recreativo.
65. Acampar
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
66. Apreciar a paisagem
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
67. Banho de mar, cachoeira, rio e lagoa
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
64
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
68. Celebração e eventos
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
69. Churrasco e beber
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
70. Luau
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
71. Práticas religiosas
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
72. Caminhar/passeio
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
65
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
73. Yoga/meditar
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
74. Fazer trilhas
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
75. Visitar monumentos naturais ou históricos, e/ou infraestruturas (mirante, sede etc.).
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
76. Aproveitar dia ensolarado (captação de vitamina D/estética)
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
Reconhecimento de Práticas de Geração de Valor relacionadas ao uso dos recursos
naturais.
77 .
Coleta de frutos
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
66
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
78. Coleta de plantas medicinais
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
79. Pesca artesanal
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
80. Agricultura (Plantio de recursos vegetais para consumo e venda)
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
81. Mineração
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
82. Coleta de plantas ornamentais
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
67
83. Pecuária
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
84. Aquicultura (criação de fauna aquática)
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
85. Coleta de matéria prima para artesanato
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
86. Catar marisco
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
87. Coletar madeira
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
88. Caça de subsistência
68
( ) Não ocorre a seguinte prática
( ) Não reconhece a existência desta prática
( ) Reconhece a existência desta prática, mas não como valor
( ) Reconhece como uma prática de geração de valor
89. O que você acharia necessário ocorrer para evitar ou diminuir as atividades identificadas
como negativas?
90. Você sente falta de algo em suas condições de trabalho que poderia melhorar?
Não ( ) . Sim, quais?
Tabela 6 - Características informativas das Áreas de Proteção Ambiental de Alagoas e organização das
práticas percebidas pela gestão. As práticas seguem a ordem de identificação: 1 - Não ocorre a seguinte
prática; 2 - Não reconhece a existência desta prática; 3 - Reconhece a existência desta prática, mas não
como valor; 4 - Reconhece como uma prática de geração de valor.
Apa
do
Apa
Apa
de
Apa
da Catolé e
Costa
Santa
Apa
do Apa
de Marituba Fernão
Apa
da dos
Rita
Pratagy Murici
do Peixe Velho
Caiçara
Corais
Questionário
Apa
de
Piaçabuç
u
Plano de manejo
x
x
x
x
x
Conselho gestor
x
x
x
x
x
Ano de Criação
1984
1998
1997
1988
1992
2022
1997
1983
Venda de passeios em
embarcações
3
4
1
1
1
1
4
3
Venda de
localidade
2
3
2
4
4
4
1
2
2
4
2
4
2
4
3
3
Vendas de artefatos
para esportes aquáticos 1
2
1
4
4
1
3
1
Vendas de
mergulho
1
2
1
1
1
1
4
1
2
4
2
2
4
4
4
3
Vendas de aulas de surf 4
2
1
1
1
1
3
4
Vendas de passeios em
trilhas
2
3
3
2
4
4
4
3
Empresas em atividades
hoteleira
3
4
3
4
3
3
4
3
Venda de alimentos e
bebidas
4
4
3
4
3
3
3
3
frutos
da
Venda de artesanatos
aulas
Ensaio fotográfico
de
69
Venda de produtos para
turistas
4
4
2
1
1
4
3
3
Aluguel de
para lazer
2
4
2
1
1
1
3
3
Pesquisas acadêmicas
com fatores bióticos e
abióticos
4
4
4
4
4
4
4
4
Pesquisas
socioambientais
com
comunidades locais e
outras
pessoas
associadas a APA
4
2
2
4
2
2
4
2
Realização de aulas de
campo
4
4
4
4
4
4
4
2
Realização
de
atividades de ecoturismo 2
4
4
1
4
4
4
4
Realização
de
atividades de educação
ambiental
4
4
4
4
4
4
4
2
Palestras
apresentações
relacionadas a APA
2
4
4
4
4
4
4
4
Eventos ou locais para
limpeza e coleta de lixo 4
4
1
4
4
2
4
1
Realização de aulas de
mergulho
1
2
1
1
1
1
4
1
Realização de aulas de
surf
4
2
1
1
1
1
4
4
Observar e fotografar a
vida selvagem
2
4
4
4
4
4
4
4
Coleta de dados para
pesquisas
2
4
4
4
4
4
4
4
Oficinas/minicursos
educacionais
para
comunidades locais
1
2
4
4
1
4
4
1
Fiscalização
4
4
4
4
4
4
4
4
Restauração de áreas
degradadas
4
4
4
1
4
4
4
1
Monitoramento
4
4
4
4
4
4
4
4
Realização de estudos
ambientais
para
empresas/indústrias
4
4
4
4
4
4
4
4
artefatos
e
70
Reuniões
funcionários
conselho gestor
de
e/ou
4
4
4
4
4
4
4
4
Projetos de conservação
com
a
área
ou
comunidades locais
1
2
1
2
2
1
4
1
Construção
ou
manutenção em trilhas 1
2
4
1
4
4
4
4
Construção/reparação
de sede ou alojamento
4
1
1
4
1
1
4
4
Reuniões com líderes de
associações
1
4
4
1
4
4
4
4
Reuniões com políticos
locais
1
1
4
1
4
4
4
4
Contratação de terceiros
para
realização
de
tarefas
1
1
1
2
1
1
4
4
Capacitação
funcionários
2
1
4
1
1
1
4
4
1
4
4
4
4
4
3
4
Esportes com prancha
de surf
1
2
1
1
1
1
4
4
Ciclismo e motociclismo 1
4
2
4
4
4
3
4
Natação
1
1
2
4
3
1
3
1
Mergulho
1
1
1
1
1
1
4
3
Kayak
2
2
2
1
1
1
4
1
Canoagem
1
2
4
4
1
1
4
1
Correr ao ar livre
4
4
2
4
4
4
4
4
Tirolesa
1
2
2
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
4
1
1
Pesca esportiva
3
3
2
4
2
1
2
4
Caça esportiva
3
3
3
3
1
3
3
3
Acampar
3
3
4
2
1
4
1
1
Apreciar a paisagem
4
4
4
4
4
4
4
4
Banho
de
mar,
cachoeira, rio e lagoa
4
4
4
4
3
4
4
4
para
Esportes com bola
Esportes
(Happel)
verticais
71
Celebração e eventos
2
2
4
4
4
4
3
1
Churrasco e beber
3
3
3
4
3
3
3
3
Luau
2
2
2
2
2
4
1
1
Práticas religiosas
4
4
2
4
4
4
4
4
Caminhar/passeio
4
4
4
2
4
4
4
4
Yoga/meditar
2
2
2
2
4
2
2
1
Fazer trilhas
2
4
4
4
4
4
4
4
Visitar
monumentos
naturais ou históricos,
e/ou infraestruturas
1
4
4
1
4
4
4
4
Aproveitar
ensolarado
4
4
4
4
4
4
4
4
4
4
4
4
3
4
1
3
2
4
4
4
3
4
1
1
Pesca artesanal
4
4
2
4
3
1
4
3
Agricultura
4
4
3
4
3
3
1
3
Mineração
3
3
1
3
3
3
1
1
2
4
3
4
2
3
1
1
Pecuária
3
3
3
4
3
3
1
3
Aquicultura
2
2
2
4
3
3
2
2
Coleta de matéria prima
para artesanato
2
2
2
4
2
3
4
1
Catar marisco
4
4
1
1
4
1
4
4
Coletar madeira
3
2
3
3
3
3
3
4
Caça de subsistência
3
3
1
3
2
3
1
3
dia
Coleta de frutos
Coleta
de
medicinais
Coleta
de
ornamentais
plantas
plantas