MÁRCIO JOSÉ COSTA DE ALBUQUERQUE LIMA JÚNIOR

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                    UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
INSTITUTO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE
Programa de Pós-Graduação em Diversidade Biológica e Conservação nos
Trópicos

MÁRCIO JOSÉ COSTA DE ALBUQUERQUE LIMA JÚNIOR

INFLUÊNCIA DOS HABITATS SOBRE AS ASSEMBLEIAS DE PEIXES DE ÁREAS
MARINHAS COSTEIRAS TROPICAIS DO BRASIL

MACEIÓ - ALAGOAS
JUNHO/2023

MÁRCIO JOSÉ COSTA DE ALBUQUERQUE LIMA JÚNIOR

INFLUÊNCIA DOS HABITATS SOBRE AS ASSEMBLEIAS DE PEIXES DE ÁREAS
MARINHAS COSTEIRAS TROPICAIS DO BRASIL

Dissertação/Tese apresentada ao Programa de
Pós-Graduação em Diversidade Biológica e
Conservação nos Trópicos, Instituto de Ciências
Biológicas e da Saúde. Universidade Federal de
Alagoas, como requisito para obtenção do título
de Mestre em CIÊNCIAS BIOLÓGICAS, área de
concentração em Conservação da Biodiversidade
Tropical.

Orientador(a): Prof(a). Dr.(a) Cláudio L. S.
Sampaio
Coorientador(a): Dr. (a) José A. C. C. Nunes

MACEIÓ - ALAGOAS
JUNHO/2023

Catalogação na fonte
Universidade Federal de Alagoas
Biblioteca Central
Divisão de Tratamento Técnico
Bibliotecária: Taciana Sousa dos Santos – CRB-4 – 2062
L732i

Lima Júnior, Márcio José Costa de Albuquerque.
Influência dos habitats sobre as assembleias de peixe de áreas marinhas
costeiras tropicais do Brasil / Márcio José Costa de Albuquerque Lima
Júnior. – 2023.
63 f. : il. color.
Orientador: Claúdio L. S. Sampaio.
Coorientador: José A. C. C. Nunes.
Dissertação (Mestrado em Ciências Biológicas) – Universidade Federal
de Alagoas. Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde. Programa de PósGraduação em Diversidade Biológica e Conservação nos Trópicos. Maceió,
2023.
Inclui bibliografias.
Anexos: f. 56-63.
1. Habitats estuarinos. 2. Habitats marinhos. 3. Assembleias de peixes. 4.
Peixes – Habitats. 5. Ictiofauna recifal. I. Título.
CDU: 591.9 : 597

___________________________________________________________________________________________________________

PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO (PROPEP)
Av. Lourival Melo Mota, S/N, Tabuleiro do Martins, Maceió - AL, Cep: 57072-970
(82) 32141069 EMAIL: cpg@propep.ufal.br

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM DIVERSIDADE BIOLÓGICA E CONSERVAÇÃO NOS TRÓPICOS
ATA DE DEFESA DE TRABALHO DE CONCLUSÃO
DE PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU
ATA Nº 111
Ata da sessão referente à defesa intitulada “INFLUÊNCIA DOS HABITATS SOBRE AS ASSEMBLEIAS DE PEIXES
DE ÁREAS MARINHAS PROTEGIDAS TROPICAIS DO BRASIL ", para fins de obtenção do título de Mestre em
Ciências Biológicas na área de Biodiversidade, área de concentração Conservação da Biodiversidade Tropical e linha
de pesquisa em Conservação e manejo em ecossistemas tropicais, pelo(a) discente Márcio José Costa de Albuquerque
Lima Júnior (início do curso em 01/04/2021) sob orientação do(a) Prof.(ª) Dr.(ª) Cláudio Luís Santos Sampaio/UFAL.
Ao vigésimo nono dia do mês de maio do ano de 2023 às 09 horas, online, reuniu-se a Banca Examinadora em
epígrafe, aprovada pelo Colegiado do Programa de Pós-Graduação conforme a seguinte composição:
Dr.(a) Presidente – Cláudio Luís Santos Sampaio/UFAL
Dr. (a) – Robson Guimarães dos Santos
Dr. (a) – Carlos Eduardo Leite Ferreira
Dr. (a) – Pedro Henrique Pereira
Tendo o(a) senhor(a) Presidente declarado aberta a sessão, mediante o prévio exame do referido trabalho por parte de
cada membro da Banca, o(a) discente procedeu a apresentação de seu Trabalho de Conclusão de Curso de Pósgraduação stricto sensu e foi submetido(a) à arguição online e avaliação se o trabalho contém produção científica para
gerar um artigo com percentil mínimo de 37,5, conforme comitê de Biodiversidade da CAPES pela Banca Examinadora
que, em seguida, deliberou sobre o seguinte resultado:
(X)

APROVADO.

( )

APROVADO CONDICIONALMENTE, mediante o atendimento das alterações sugeridas pela Banca
Examinadora, constantes em formulários em anexo a esta Ata.

( )

REPROVADO, conforme parecer circunstanciado, registrado no campo Observações desta Ata e/ou
em formulários em anexo a esta Ata., elaborado pela Banca Examinadora.

Observações da Banca Examinadora (caso não inexistam, anular o campo):

Nada mais havendo a tratar, o(a) senhor(a) Presidente declarou encerrada a sessão de Defesa, sendo a presente Ata
lavrada e assinada pelos(as) senhores(as) membros da Banca Examinadora e pelo(a) discente, atestando ciência do
que nela consta.

Dr.(a) - Robson Guimarães dos Santos

Dr. (a) – Carlos Eduardo Leite Ferreira

Dr. (a) – Pedro Henrique Pereira

Dr.(a) - Presidente – Cláudio Luís Santos Sampaio/UFAL

Márcio José Costa de Albuquerque Lima Júnior
(Discente)

Pró-Reitoria de Pesquisa d Pós-Graduação – UFAL

DEDICATÓRIA

Dedico esse mero legado à minha pequena
Pérola. Espero que ela possa crescer e ver que nos
esforçávamos por um mundo melhor, mesmo em
um período difícil da humanidade moderna.

AGRADECIMENTOS
Aos meus grandes amores, Valéria Lopes e Pérola Lima. Sou grato por todo
amor, dedicação, confiança e paciência. Amo vocês de todo o meu ser!
Agradeço aos meus familiares, que nunca me deixaram faltar amor e sempre me
apoiaram. Estes são: Genildo Eduardo, Sandra Lima, Márcio Lima, Thaynara Lima,
Thaane Lima, entre outros tantos especiais. Para minha amada avó, Maria Aparecida,
dedico aqui minha gratidão por ser esse grande exemplo de ser humano. Saiba que seu
exemplo fortalece o meu caráter, e sua bondade me faz ter fé na humanidade. Te amo!
Aos meus bons amigos e amigas com quem pude dividir muitas aventuras,
alegrias em diferentes momentos da vida. A todos estes devo muita consideração e
respeito: Professor Buia, Tiago Albuquerque, Flávio Ferreira, Mário Melo, Sérgio
Ricardo, Valbert Nunes, José de Anchieta, Diogo Azevedo, Raphael Nogueira,
Guilherme Maricato, Dourinaldo Ferreira, Gabriel de Souza, Davi Lobo, Samuel Oliveira,
Júlio Gomes, Carlos Ivanildo, Marcelo Araújo, Felipe Ramalho, Marcele Moura, Ricardo
Miranda, Eduardo Cabeça, Nelsinho, galera da Barra de Jequiá, entre tantos outros
amigos especiais.
Sou extremamente grato aos dois grandes nobres pesquisadores de peixes
recifais do Brasil, professor Cláudio Sampaio (Buia) e José de Anchieta (Zé). Obrigado
por me confiarem mais essa responsabilidade, por todas as oportunidades, orientação e
paciência nesses dois anos de mestrado; vocês são grandes exemplos e fontes de
inspiração para mim. Sou eternamente grato e espero retribuir!
Sou grato ao Projeto Meros do Brasil pelos recursos para a realização da
pesquisa e por todo carinho da equipe. Gostaria de agradecer também ao ICMBio RESEX de Jequiá por todo o suporte e carinho da equipe, em especial para Carol
Barradas, Jhennipher Silva, Sérgio Ricardo, Renan, Jaciel, Sandra Lima, Andrei
Cardoso, Iran Normande, Roque e demais colaboradores.
Projeto Meros do Brasil é patrocinado por meio da Petrobras. Nós agradecemos
ao Programa de Pós-Graduação em Diversidade Biológica e Conservação nos Trópicos
(PPG-DIBICT) da Universidade Federal de Alagoas.

EPÍGRAFE

Eu sou aquele navio, no mar sem rumo e
sem dono. Tenho a miragem do porto para
reconfortar meu sono, e flutuar sobre as
águas da maré do abandono.
(Lenine)

RESUMO
Na costa tropical do Brasil, mosaicos de habitats estuarinos e marinhos se interligam
para formar paisagens altamente biodiversas, influenciando a fauna de peixes. O
conhecimento sobre as relações dessas paisagens entre a composição das assembleias
de peixes é uma ferramenta importante para a eficiência da conservação. O presente
estudo teve como objetivo avaliar a composição das assembleias de peixes em
diferentes habitats estuarinos e marinhos de duas localidades tropicais do Brasil. As
coletas foram desenvolvidas na Reserva Extrativista Marinha da Lagoa do Jequiá (RXJ),
em Jequiá da Praia (AL) e em Porto Seguro (PTS) (BA). Para a obtenção dos dados
sobre as assembleias de peixes foram utilizados vídeos subaquáticos remotos com isca.
Ao todo foram contempladas 80 amostras (40 por localidade), distribuídas
proporcionalmente entre os habitats de manguezal, artificiais estuarinos, recifes
costeiros de arenito e recifes de coral. Foram contabilizadas para a RXJ 21 famílias, 40
táxons e 1180 indivíduos, já para PTS, foram registradas 23 Famílias, 50 táxons de
peixes e 938 indivíduos. A similaridade foi baixa entre as localidades (11%), porém,
foram compartilhadas 29 espécies e 14 famílias entre RXJ e PTS, não havendo
diferenças significativa entre as estruturas das assembleias. RXJ dispôs de similaridade
de 18% entre os seus habitats, enquanto a RXJ obteve o valor de 31%. Fatores abióticos
como profundidade e espacialização dos habitats constituíram importantes agentes
estruturantes entre as assembleias de peixes para RXJ e PTS. Os recifes de coral se
destacaram com maiores valores de riqueza e abundância de espécies de peixes como
esperado, devido a importância desses ambientes para a biodiversidade marinha. Nesse
âmbito, esses resultados são importantes para o conhecimento sobre a estrutura das
assembleias de peixes de RXJ e PTS, sobretudo, para as suas áreas marinhas
protegidas, podendo contribuir no fomento de iniciativas de manejo da ictiofauna recifal
de forma inédita.

Palavras-chave: BRUV, Conectividade, Conservação, Ecologia, Ictiofauna Recifal.

ABSTRACT
On the tropical coast of Brazil, mosaics of estuarine and marine habitats interconnect to
form highly biodiverse landscapes, influencing the fish fauna. Knowledge about the
relationship between these landscapes and the composition of fish assemblages is an
important tool for effective conservation. The aim of this study was to evaluate the
composition of fish assemblages in different estuarine and marine habitats in two tropical
locations in Brazil. Collections were carried out in the Lagoa do Jequiá Marine Extractive
Reserve (RXJ), in Jequiá da Praia (AL) and in Porto Seguro (PTS) (BA). Remote
underwater videos with bait were used to obtain data on fish assemblages. A total of 80
samples were taken (40 per location), distributed between mangrove, artificial estuarine,
coastal sandstone reef and coral reef habitats. For RXJ, 21 Families, 40 taxa and 1180
individuals were recorded, while for PTS, 23 Families, 50 fish taxa and 938 individuals
were recorded. Similarity was low between the sites (11%), but 29 species and 14
families were shared between RXJ and PTS, with no significant differences between the
structures of the assemblages. RXJ had 18% similarity between its habitats, while PTS
had 31%. Abiotic factors such as depth and habitat spatialization were important
structuring agents between the fish assemblages for RXJ and PTS. Coral reefs stood out
with the highest values of richness and abundance of fish species, as expected given the
importance of these environments for marine biodiversity. In this context, these results
are important for knowledge about the structure of the fish assemblages of RXJ and PTS,
especially for their marine protected areas, and may contribute to the promotion of
initiatives for the management of reef ichthyofauna in an unprecedented way.
Key-word: BRUV, Connectivity, Conservation, Ecological, Reef Ichthyofauna

LISTA DE FIGURAS
Figura 1: Representação da relação entre os habitats estuarinos e marinhos, por meio
da composição das assembleias de peixes.....................................................................11
Figura 2. Representação das áreas de estudo................................................................30
Figura 3. Curvas de rarefação do número de espécies sobre número de indivíduos para
Porto Seguro (BA) e RESEX de Jequiá (AL)...................................................................35
Figura 4. Boxplots de
riqueza (A) e
Nmax (B) por
habitat e
localidades.......................................................................................................................36
Figura 5. Análise de escalonamento multidimensional não-métrico (NMDS) comparando
os locais (A) e os habitats (B)..........................................................................................38
Figura 6. Distribuição das espécies mais frequentes por habitats para Porto Seguro (BA)
e RESEX de Jequiá (AL).................................................................................................39
Figura 7. Proporção em percentagem dos grupos tróficos por habitats para Porto Seguro
(BA) e RESEX de Jequiá.................................................................................................40
Figura 8. Espécies mais abundantes distribuídas por habitats, para Porto Seguro (BA) e
RESEX de Jequiá (AL)....................................................................................................41

LISTA DE TABELAS
Tabela 1. Profundidades observadas por meio dos BRUVs em Porto Seguro e RESEX
de Jequiá.........................................................................................................................33
Tabela 2. Resultado da PERMANOVA para riqueza, abundância e composição da
ictiofauna para as localidades estudadas e seus habitats...............................................34
Tabela 3. Riqueza observada por meio dos BRUVs em Porto Seguro (BA) e RESEX de
Jequiá (AL)......................................................................................................................35

SUMÁRIO
1 Apresentação.............................................................................................................. 10
2 Revisão da literatura .................................................................................................. 11
2.1 Conectividade e Conservação dos Habitat......……………………………………...11
2.2 Caracterização dos Habitats e Relação com a Ictiofauna....................................12
2.3 Baited Remote Underwater Video (BRUV) no Estudo da Ictiofauna……….....…14
2.4 Caracterízação Regional e Conhecimento Sobre a Ictiofauna ............................ 15
Referências .................................................................................................................... 19
3 INFLUÊNCIA DOS HABITATS SOBRE AS ASSEMBLEIAS DE PEIXES DE ÁREAS
COSTEIRAS MARINHAS TROPICAIS DO ATLÂNTICO SUL OCIDENTAL ................. 24
3.1 Resumo .................................................................................................................... 25
3.2 Abstract .................................................................................................................... 26
3.3
Introdução…………………………………………………………………………………......27
3.4 Materiais e Métodos……………………………………………………………...…...…28
3.5
Resultados…………………………………………………………………………………......33
3.6 Discussões……………………………………………………………...………………...43
Agradecimentos………………………………………………………………………………49
Referências .................................................................................................................... 50
4.1 Conclusão Geral.......…………………….…………………………………………........56
Anexos ........................................................................................................................... 57

1 APRESENTAÇÃO
Nos trópicos, habitats estuarinos e marinhos, como manguezais, recifes de
arenito e recifes de coral, se conectam para formar paisagens com grande
biodiversidade (Nagelkerken et al. 2015; Bradley et al., 2017). Espacialmente
segregados e com características abióticas particulares, estes habitats podem possuir
diferentes níveis de sobreposição em suas assembleias de peixes (Reis-Filho et al.,
2019; Araujo et al., 2020). A configuração do habitat, influenciada pela complexidade,
profundidade, distância da costa, salinidade, entre outros, compõem importantes
variáveis estruturantes que ajudam a determinar a composição e abundância da
ictiofauna, e da mesma maneira, pode influenciar na conectividade de larvas e adultos,
bem como no fluxo de energia entre diferentes ecossistemas (Bradley et al., 2017;
Araujo et al., 2020).
Apesar do amplo esforço no desenvolvimento de pesquisas para a compreensão
da relação peixe e habitat, ainda existem lacunas sobre a composição e ecologia das
assembleias de peixes, bem como sobre a conectividade e similaridade entre os habitats
estuarinos e marinhos da costa tropical do Brasil (Ferreira et al., 2004; Pinheiro et al.,
2018; Reis-Filho et al., 2019; Rolim et al., 2022). Tais conhecimentos são essenciais
para a conservação e podem contribuir na construção de estratégias de manejo
eficientes de áreas marinhas protegidas (Rolim et al., 2019; Goetze et al., 2021; Pereira
et al., 2021).
Nesse contexto, esta dissertação é estruturada em um capítulo, onde buscamos
avaliar a composição, riqueza e abundância das assembleias de peixes para os
diferentes habitats estuarinos e marinhos de duas localidades tropicais do Brasil, Jequiá
da Praia (AL) e Porto Seguro (BA). Esperamos também fornecer informações sobre a
caracterização da ictiofauna e a relação peixe e habitat com o intuito de fomentar
estratégias de manejo em áreas marinhas costeiras protegidas.

2

2 REVISÃO DA LITERATURA
2.1 Conectividade e Conservação dos Habitats
A conectividade determina o grau em que uma paisagem facilita ou restringe o
movimento dos organismos entre os habitats, influenciando na manutenção das
populações e em suas dinâmicas (Goodwin, 2003). A conectividade também depende
da capacidade de dispersão dos organismos, sendo caracterizada por aspectos
comportamentais e de estratégia de vida de cada espécie (Olds et al., 2012; Roocker et
al., 2018). Algumas espécies podem depender de múltiplos habitats durante seu ciclo de
vida ou até mesmo ocupá-los temporariamente, transitando sazonalmente ou durante o
dia (Moura et al., 2011; Aschenbrenner et al., 2015; Roocker et al., 2018). Desta forma, a
utilização de múltiplos habitats na paisagem estuarina e marinha pode oferecer
condições favoráveis para a sobrevivência das espécies.

Figura 1: Representação da relação entre os habitats estuarinos e marinhos, por meio da composição das
assembleias. Esquema adaptado de Bradley et al. (2017).

A conectividade dos habitats fornece uma perspectiva importante na ecologia
aquática e especialmente para a conservação (Olds et al., 2012). Mosaicos de manchas
de habitat estão funcionalmente conectados, com as espécies determinando o grau de
similaridade entre os habitats. Alterações na conectividade das paisagens marinhas têm

3

potencial de afetar negativamente a estrutura das assembleias de peixes (Reis-Filhos et
al., 2019). Esse conhecimento por muito tempo não foi incorporado de forma adequada
aos programas de manejo e gestão dos ambientes estuarinos e marinhos. Da mesma
forma, também não foi aplicado em processos de criação de áreas marinhas protegidas
(AMPs), o que resultou em ações para a conservação dos habitats e sua ictiofauna com
eficiência questionável (Moura et al., 2011; Olds et al., 2012).
As AMPs foram criadas em todo o mundo com o objetivo de proteger a
biodiversidade e espécies ameaçados (Claudet et al., 2011; Goetze et al., 2016; Rolim et
al., 2022; Costa el al., 2022). Quando adequadamente planejadas e bem geridas, as
AMPs podem promover a recuperação de populações marinhas exploradas e seus
habitats, assim como melhorar os serviços ecossistêmicos (Claudet et al., 2011; Goetze
et al., 2016; Costa et al., 2022). Por exemplo, AMPs podem contribuir para as áreas
circundantes impactadas por meio do transbordamento de biomassa e de larvas.
Nesse contexto, informações precisas de linha de base para as AMPs, como o
conhecimento sobre estrutura das assembleias de peixes e sua conectividade são
necessárias (Reis-Filho et al., 2019; Rolim et al., 2022), pois podem ajudar na prevenção
de impactos na estrutura das assembleias e nas funções dos ecossistemas, assim como
contribuir na construção de estratégias eficazes de conservação (Miranda et al.,
2020).(Chaves et al., 2010; Goetze et al., 2016 Rolim et al., 2022). Com isso, conhecer
as relações peixe e habitat e a conectividade entre os ambientes deve ser prioridade
para um manejo bem-sucedido da ictiofauna de AMPs.

2.2 Caracterização dos Habitats e Relação com a Ictiofauna
Ecossistemas estuarinos e marinhos, como os manguezais, recifes costeiros de
arenito e recifes de coral, constituem zonas de biodiversidade de grande importância
socioeconômica, prestando serviços, como: pesca, lazer, segurança alimentar, turismo e
proteção costeira (Correia, Sovierzoski, 2005; Bradley et al., 2017; Costa et al., 2022).
Para a ictiofauna estuarina e marinha, estes ambientes representam áreas de berçários
e/ou de desenvolvimento ontogenético e habitats permanentes de muitas espécies

4

(Berkström et al., 2012; Bradley et al., 2017; Rooker et al., 2018). Há muito tempo é
estudada a influência desses habitats estuarinos e marinhos sobre as estruturas das
assembleias de peixes, porém, ainda não é claro o quanto estão conectados
ecologicamente e suas similaridades em muitos ecossistemas tropicais. Fatores que
potencialmente geram essas influências são altamente associados aos parâmetros
ambientais e relações ecológicas de cada habitat, como por exemplo tipo de substrato,
complexidade, profundidade, estrutura trófica, entre outros fatores. (Chaves et al., 2010;
Reis-Filho et al., 2019; Rolim et al., 2022).
Os recifes de coral são formados por construções calcárias, constituídas
principalmente de esqueletos de corais, somadas a outras estruturas de origem orgânica
(Correia, 2011; Laborel et al., 2019). Dependem de fatores físico-químicos para sua
formação e manutenção, como temperatura, salinidade, turbidez, pH, oxigênio dissolvido
e nutrientes (Castro, Pires 2001; Costa et al., 2022). Os recifes de coral formam-se em
áreas do fundo marinho que existam condições ecológicas adequadas para o
crescimento de corais e outros invertebrados. Estes ambientes representam
ecossistemas com grande biodiversidade e estão entre os habitats marinhos com maior
riqueza de espécies (Laborel et al., 2019; Costa et al., 2022). A ictiofauna recifal possui
alta diversidade e estreita relação com o seu ambiente, sendo as estruturas das
comunidades impulsionadas por múltiplos fatores, como profundidade, exposição às
ondas, latitude e estrutura bentônica (Pereira et al., 2014; Pinheiro et al., 2018; Floeter et
al., 2023).
Normalmente localizados próximos e paralelos à linha da costa, os recifes de
arenito são resultantes da consolidação de antigas praias ou bancos de areia, devido à
sedimentação com carbonato de cálcio ou óxido de ferro. A extensão desses recifes
depende da inclinação do fundo marinho e da intensidade do crescimento dos corais,
que podem contribuir em sua expansão (Correia, 2011; Correia, Sovierzoski, 2008). Os
recifes de arenito, geralmente localizados em frente a saídas de rios, estuários e lagoas
costeiras, podem representar habitats de transição, compartilhando semelhanças na
composição da ictiofauna dos recifes de coral e manguezais, e representando um

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importante elo da conectividade estuarina e marinha na costa brasileira (Moura et al.,
2011; Aschenbrenner et al., 2015). Assim, suas assembleias de peixes estão
estreitamente relacionadas às características ecológicos particulares e configuração
deste habitat, sendo adaptadas aos fatores abióticos costeiros, como turbidez, variação
de salinidade, descarga de sedimento e nutrientes (Bradley et al., 2017).
Os manguezais têm distribuição circumtropical, sendo mais desenvolvidos
próximos à Linha do Equador (Schaeffer-Novelli, 2002). Representam um sistema
ecológico costeiro tropical, localizados em terrenos baixos, relacionados a fozes dos rios
e estuários (Giri et al., 2011). Constituem um ecótono, com solo inundado pelas
variações das marés, e consequentemente com salinidade variável entre os períodos de
maré (Correia e Sovierzoski, 2005). A amplitude da maré determina a renovação das
águas superficiais e intersticiais, continentais e marinhas, contribuindo na oxigenação,
transporte de nutrientes e dispersão das larvas de peixes (Friess, 2016). Os manguezais
funcionam como áreas de alimentação para peixes marinhos adultos, que conseguem
resistir às variações de salinidade, e de berçário para juvenis de espécies em
desenvolvimento ontogenético (Moura et al., 2011; Aschenbrenner et al., 2015; Rooker
et al., 2018). As demais espécies são residentes, distribuindo-se somente nesse habitat
e utilizando-o em todo o seu ciclo de vida.

2.3 Baited Remote Underwater Video (BRUV) no Estudo da Ictiofauna
O Baited Remote Underwater Video (BRUV), ou vídeo subaquático remoto com
isca, representa um método eficaz na coleta de dados sobre a composição das
assembleias, sendo amplamente popular nas últimas décadas em todo mundo (Cappo
et al., 2001; Reis-Filho et al., 2019; Laglois et al., 2020; Meeuwig, 2021). Filmagens
obtidas por meio do BRUV podem fornecer dados sobre riqueza, abundância, tamanho
dos peixes, biomassa e composição grupos tróficos. Além disso, os BRUVs são capazes
de gerar informações valiosas sobre o ambiente, podendo ser usadas para categorizar o
tipo de habitat e determinar sua complexidade estrutural (Cappo et al., 2011; Langlois et
al., 2020; Rolim et al., 2022). As imagens coletadas também podem ser utilizadas para

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foto-identificação (foto-ID) de indivíduos, ampliando ou trazendo novos dados sobre
aspectos ecológicos das espécies e uso do habitat (Reis-Filho et al., 2019; Rolim et al.,
2019; Meeuwig et al., 2021).
Os BRUVs são conhecidos por produzirem estimativas menos tendenciosas de
riqueza de espécies e abundância relativa em comparação aos demais métodos não
invasivos (Langlois et al., 2020; Meeuwig et al., 2021). A capacidade de poder amostrar
habitats e profundidades de difícil acesso constitui uma valiosa vantagem. Entretanto,
apesar de sua ampla aplicabilidade, o rastro olfativo produzido pela isca pode gerar viés
no resultado, tendendo a atrair grupos tróficos com maior afinidade, a depender da
dispersão do mesmo por fatores de corrente, amplitude de maré e proximidades dos
BRUVs entre sítios (Reis-Filho et al., 2019; Rolim et al., 2019; Langlois et al., 2020;
Meeuwig et al., 2021).
Os BRUVs podem ser empregados para a avaliação e compreensão sobre a
qualidade, conectividade e similaridades dos habitats, sendo amplamente aplicados
para aferir a eficiência de AMPs (Whitmarsh et al., 2017; Rolim et al., 2019; Langlois et
al., 2020). O conhecimento gerado por meio dos BRUVs pode contribuir para estratégias
de conservação da ictiofauna e estabelecimento de linhas de base para unidades de
conservação, sobretudo para espécies ameaçadas de extinção e importantes
economicamente para a pesca (Reis-Filho et al., 2019). Além dessas possibilidades, as
imagens podem ser utilizadas em programas de divulgação cientifica, atraindo a atenção
da sociedade para os habitats e AMPs.

2.4 Caracterização Regional e Conhecimento Sobre a Ictiofauna
No Atlântico Sul ocidental, na plataforma continental do Brasil, existem áreas que
possuem características abióticas e bióticas específicas, que influenciam a estrutura das
assembleias de peixes (Pinheiro et al., 2018; Pereira et al., 2021). Diversos ambientes
recifais são distribuídos em latitudes tropicais sobre a plataforma continental, como
recifes de coral, arenito, rochosos, rodolitos e artificiais (Castro, Pires, 2001; Laborel et
al., 2019). Estes recifes podem sofrer com a influência direta ou indireta do continente,

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principalmente em razão da contribuição de grandes rios, que descarregam uma
quantidade considerável de nutrientes, sedimentos e água doce (Moura et al., 2016).
Alguns desses rios podem representar barreiras geográficas, juntamente com
características ambientais específicas e ecológicas, limitando o fluxo de genes entre as
comunidades recifais (Peluso et al., 2018; Laborel et al., 2019), gerando isolamentos
parciais da biodiversidade e taxas relevantes de endemismo (Castro, Pires, 2001).
Nos trópicos, sobre a plataforma continental, entre os estados do Pará e Alagoas,
encontra-se uma destas áreas, denominada de sub-província Norte e Nordeste. Do
início da costa da Bahia até o sul de Santa Catarina, está localizado o agrupamento da
sub-província Leste e Sudeste-Sul, contemplando zonas tropicais e subtropicais da
costa brasileira (Pinheiro et al., 2018). Estas duas sub-províncias são separadas por
meio do filtro gerado pela Corrente do Brasil em conjunto com a descarga de água doce
do Rio São Francisco, dificultando a passagem de organismos recifais e resultando em
dissimilaridades da composição das espécies entre os dois agrupamentos geográficos
(Castro, Pires, 2001; Peluso et al., 2018; Pinheiro et al., 2018; Floeter et al., 2023).
Apesar das diferenças biogeográficas, as duas sub-provincias costeiras
compartilham 240 espécies de peixes recifais (Pinheiro et al., 2018). A área Leste e
Sudeste-Sul, especialmente na sua porção tropical, possui a maior riqueza e representa
um centro de endemismo da costa brasileira, devido à uma zona de transição entre
águas quentes e frias e da sua diversidade de habitats, que abriga tanto espécies
tropicais quanto subtropicais (Floeter et al., 2007; Pinheiro et al., 2015).
Inserida na sub-província Norte-Nordeste, a costa alagoana tem aproximadamente
230 km de extensão, abrigando estuários que se destacam por suas grandes áreas de
manguezal, como o do Rio São Francisco e das lagoas de Jequiá, Roteiro, Mundaú e
Manguaba (Correia, Sovierzoski, 2008). Dispõe também de numerosos e extensos
recifes de coral e de arenito, além de um vasto histórico de naufrágios (Correia, 2011;
Sampaio, Pinto, 2019).
O litoral norte de Alagoas e parte do central, recebem grande atenção dos
gestores públicos, sociedade e cientistas, por contemplar a maior porção da Áreas de

8

Proteção Ambiental da Costa dos Corais (APACC) (Castro; Pires, 2001; Costa et al.,
2022), com 120 km de extensão, representa a maior área marinha costeira protegida do
Brasil. Nas últimas décadas os estudos voltados aos peixes recifais aumentaram nessa
região, sendo listadas 325 espécies de peixes recifais e gerados conhecimentos sobre
distribuição, relação da ictiofauna com a ambiente, potencial de dispersão, grupos
tróficos/funcionais e conservação na APACC (Pereira et al., 2021).
O litoral sul de Alagoas é influenciado pelo aporte de água doce do Rio São
Francisco e das três maiores lagunas do estado, sendo considerado por muito tempo um
grande deserto recifal (Castro, Pires, 2001), permanecendo pouco estudado. Contudo,
essa região apresenta numerosos e complexos ambientes recifais recentemente
conhecidos e mapeados (Sampaio, Pinto, 2019; Lima-Júnior, et al., 2022). Assim como
representa uma área prioritária para a conservação de espécies recifais ameaçadas de
extinção, como o mero (Epinephelus itajara), o sirigado (Mycteroperca bonaci)
(Lima-Júnior et al., 2023), e alvo dos Planos de Ação Nacionais para a Conservação dos
Ambientes Recifais (PAN Corais) e para a Conservação de Elasmobrânquios Marinhos
Ameaçados de Extinção (PAN Tubarões).
Rico em recursos pesqueiros, o litoral sul representava uma zona de pesca
tradicional (Sampaio, Oliveira, 2016; Lima-Júnior et al., 2022; 2023). Nesse contexto, a
Reserva Extrativista Marinha da Lagoa do Jequiá (RESEX de Jequiá), localizada no
litoral sul, criada para assegurar o território pesqueiro, o modo de vida das comunidades
tradicionais extrativistas, o uso sustentável e a conservação dos recursos naturais. Com
uma área de 10.203,90 ha, esta unidade de conservação protege ecossistemas
marinhos-costeiros, como laguna, manguezais, restingas, praias, cordões litorâneos,
recifes costeiros de arenito e coral. Porém pouco se sabe sobre a composição e ecologia
dos peixes destes locais, bem como sobre a conectividade entre diferentes habitats
(ICMBio, 2023).
O Estado da Bahia, inserido na sub-província Leste e Sudeste-Sul, apresenta o
maior litoral do Brasil, com 1.188 km de extensão. Abriga a maior e mais rica ictiofauna
recifal do Atlântico Sudoeste, o que pode ser atribuída à sua longa costa e sua

9

diversidade de habitats, assim como a presença dos maiores bancos de recifes de coral
e rodolitos (Pinheiro, et al., 2018; Laborel et al., 2019; Floater et al., 2023).
Localizado a 100 km ao norte do Banco dos Abrolhos está o banco recifal Royal
Charlotte, o segundo maior do Atlântico Sudoeste tropical. Apesar da importância e
proximidade com Abrolhos, seus habitats são pouco conhecidos pela ciência (Negrão et
al., 2021; Santo et al., 2021). O banco Royal Charlotte representa um grande e
diversificado leito de rodolitos, sendo o terceiro maior do Atlântico Sul (Francini-Filho et
al., 2018; Negrão et al., 2021). Apresenta, também, ecossistemas de recifes de coral,
que contribuem para a conectividade entre diferentes ambientes da plataforma
continental, como recifes costeiros (Negrão et al., 2021). A ictiofauna do banco Royal
Charlotte possui elevada diversidade trófica, representando uma característica
importante de estabilidade e resiliência ambiental (Santos et al., 2021).
Os recifes de Porto Seguro, especialmente o Recife de Fora, sofrem com a
influência continental, dos recifes de rodolito e do Royal Charlotte (Chaves et al., 2010;
Negrão et al., 2021). O Recife de Fora constitui uma área complexa de recife de coral,
sendo a mais importante da costa de Porto Seguro. Está localizado ao largo da cidade, à
3,4 km da costa, abrangendo uma área aproximada de 20 km 2, sendo protegido por um
parque marinho municipal desde 1997. Outros recifes, mais próximos da costa de Porto
Seguro são mais afetados pelas descargas fluviais, devido a contribuição do rio
Buranhém. Apesar de sua importância histórica, turística e para a pesca artesanal,
estudos sobre a ictiofauna recifal são recentes, assim como a respeito da importância
dos habitats costeiros e dos recifes de coral (Chaves et al., 2010), necessitando ser
ampliados para melhorar o conhecimento da composição das assembleias de peixes e
para fomento de medidas voltadas a conservação.

10

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15

INFLUÊNCIA DOS HABITATS SOBRE AS ASSEMBLEIAS DE PEIXES EM ÁREAS
COSTEIRAS MARINHAS TROPICAIS DO ATLÂNTICO SUL OCIDENTAL

Márcio J.C.A. Lima Júnior1,2,3, José A.C.C. Nunes3, Tiago Albuquerque2,3 and Cláudio L.
S. Sampaio1,2,3

1Programa de Pós-graduação em Diversidade Biológica e Conservação nos Trópicos,

ICBS, Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Av. Lourival Melo Mota, s/n, Tabuleiro
do Martins, 57072-900 Maceió, AL, Brazil.
2Laboratório de Ictiologia e Conservação, Universidade Federal de Alagoas, Unidade

Educacional Penedo, Av. Beira Rio, s/n, Centro Histórico, 57200-000 Penedo, AL, Brazil.
3Instituto Meros do Brasil, Rua Benjamin Constant, 67, 80.060-020 Curitiba, PR, Brazil.

16

Resumo
No Atlântico Sul ocidental, mosaicos de habitats estuarinos e marinhos se conectam para
formar paisagens altamente produtivas e de elevada biodiversidade, como os mangues e
ambientes recifais. Conhecer o nível de conectividade entre essas paisagens, por meio
da estrutura da ictiofauna, representa uma importante ferramenta para estratégias de
conservação eficientes. O presente estudo teve como objetivo avaliar a composição das
assembleias de peixes para os diferentes habitats estuarinos e marinhos de duas
localidades tropicais do Brasil, com características latitudinais diferentes e com a
presença de áreas marinhas protegidas. As coletas foram desenvolvidas na Reserva
Extrativista Marinha da Lagoa do Jequiá (AL) e em Porto Seguro (BA), sendo utilizados
vídeos subaquáticos remotos com isca para a obtenção dos dados sobre a ictiofauna. Ao
todo foram contempladas 80 amostras (40 por localidade), distribuídas entre os habitats
de mangue, artificiais dentro do estuário, recifes costeiros de arenito e recifes de coral.
Foram registradas para RESEX de Jequiá (RXJ) 21 Famílias, 40 táxons de peixes e 1180
indivíduos, enquanto para Porto Seguro (PTS), registrou-se 23 Famílias, 50 táxons e 938
indivíduos. A similaridade foi baixa entre as localidades (11%), porém, compartilharam 29
espécies e 14 famílias entre RXJ e PTS, não havendo diferenças significativa nas
estruturas das assembleias. RXJ obteve o valor baixo de 18% entre os seus habitats,
enquanto PTS dispôs de similaridade de 31%. Os recifes de coral se destacaram
significativamente, apresentando maiores valores de riqueza e abundância. Fatores
abióticos como profundidade e espacialização dos habitats constituíram importantes
fatores estruturantes entre as assembleias de peixes. Os recifes de coral se destacaram
com maiores valores de riqueza e abundância de espécies de peixes como esperado,
devido a importância desses ambientes para a biodiversidade marinha e contribuição da
conectividade. Nesse âmbito, esses resultados são importantes para o conhecimento
sobre a estrutura das assembleias de peixes do Atlântico Sul Ocidental, sobretudo, para
as áreas marinhas protegidas abordadas, podendo contribuir no fomento de iniciativas de
manejo da ictiofauna recifal de forma inédita, visando contemplar a conectividade e
interdependência entre os habitats.
Palavras-chave: BRUV, Ecologia, Conservação, Ictiofauna.

17

Abstract
In the western South Atlantic, mosaics of estuarine and marine habitats connect to form
highly productive and biodiverse landscapes, such as mangroves and reef environments.
Knowing the level of connectivity between these landscapes, through the structure of the
ichthyofauna, is an important tool for efficient conservation strategies. The aim of this
study was to assess the composition of fish assemblages for the different estuarine and
marine habitats of two tropical locations in Brazil, with different latitudinal characteristics
and the presence of marine protected areas. The collections were carried out in the Lagoa
do Jequiá Marine Extractive Reserve (AL) and in Porto Seguro (BA), using remote
underwater videos with bait to obtain data on the ichthyofauna. A total of 80 samples were
taken (40 per location), distributed between mangrove habitats, artificial habitats within
the estuary, coastal sandstone reefs and coral reefs. For Jequiá Reserve (RXJ), 21
Families, 40 fish taxa and 1180 individuals were recorded, while for Porto Seguro (PTS),
23 Families, 50 taxa and 938 individuals were recorded. Similarity was low between the
sites (11%), but they shared 29 species and 14 families between RXJ and PTS, with no
significant differences in the structures of the assemblages. RXJ had a low value of 18%
between its habitats, while PTS had a similarity of 31%. Coral reefs stood out significantly,
with the highest values for richness and abundance. Abiotic factors such as depth and
habitat spatialization were important structuring factors between the fish assemblages.
Coral reefs stood out with higher fish species richness and abundance values, as
expected, due to the importance of these environments for marine biodiversity and the
contribution of connectivity. In this context, these results are important for knowledge
about the structure of fish assemblages in the Western South Atlantic, especially for the
marine protected areas covered, and may help to promote initiatives to manage reef fish
in an unprecedented way, with a view to taking into account the connectivity and
interdependence between habitats.
Keywords: BRUV, Ecological, Conservation, Ichthyofauna.

18

Running Head
Influência dos habitats sobre a ictiofauna
Introdução
Nas zonas tropicais do Atlântico Sul Ocidental, mosaicos de habitats estuarinos e
marinhos se interligam para formar paisagens altamente produtivas e com elevada
biodiversidade (Nagelkerken et al. 2015; Bradley et al., 2017). Estes habitats são
espacialmente segregados e com características abióticas particulares, porém suas
assembleias peixes podem possuir níveis de sobreposição, o que leva à formação de
redes funcionais complexas e integradas, que se conectam de forma interdependente,
construindo intrínsecos nichos ecológicos (Berkström et al., 2013; Bradley et al., 2017;
Reis-Filho et al., 2019). Dessas configurações de habitats também surgem importantes
mecanismos de seleção e estruturação das assembleias de peixes, assim como
condicionante para possíveis padrões de conectividade (Bradley et al., 2017; Cox et al.,
2016; Reis-Filho et al., 2019; Araujo et al., 2020).
Inseridos nesse mosaico tropical, os estuários possuem assembleias de peixes
compostas principalmente por jovens de espécies marinhas e poucas residentes ou
visitantes ocasionais (Reis-Filho et al, 2010; Sampaio et al., 2015). Nos estuários, os
ecossistemas de manguezal funcionam como importantes berçários para larvas e
alevinos trazidos pelas correntes e marés, assim como constituem também o destino ou
rota de migração para fins reprodutivos de muitas espécies (Aschenbrenner et al., 2015;
Roocker et al., 2018). Os ricos recifes costeiros, de arenito e de coral, também cumprem
o importante papel de berçário para espécies exclusivamente marinhas ou para os
peixes ainda imaturos que passam suas fases iniciais nos estuários e posteriormente
migram para locais mais profundos (Moura et al., 2011; Aschenbrenner et al., 2015;
Sampaio et al., 2015).

19

Os habitats artificiais, como naufrágios, piers e enrocamentos, são amplamente
distribuídos e estudados em ambientes marinhos, normalmente têm como propriedades
alta complexidade estrutural e superfície rígida (Correia et al., 2018). Estas
características proporcionam o surgimento de um rico ecossistema, sendo atrativos para
peixes que buscam alimento e abrigo. Entretanto, os substratos artificiais podem
competir com os ambientes naturais na seleção de habitats pelas espécies, e são portas
de entrada para espécies exóticas (Miranda et al., 2020).
Apesar do amplo esforço no desenvolvimento de pesquisas, muitos ambientes
estuarinos e marinhos tropicais do Atlântico Sul ocidental permanecem desconhecidos
(Freitas et al., 2020) e desprotegidos. Ainda existem lacunas de conhecimento sobre a
composição e ecologia das assembleias de peixes, bem como sobre a conectividade
entre os habitats. Nesse âmbito, acessar essas lacunas é essencial para a conservação,
sobretudo para espécies ameaçadas de extinção e importantes para a pesca, pois por
meio do conhecimento, a construção de estratégias de manejo pode ser mais eficiente
em áreas marinhas protegidas AMPs (Olds et al., 2011; Goetze et al., 2021).
Nesse contexto, buscamos avaliar a composição, riqueza, abundância e
conectividade das assembleias de peixes para os diferentes habitats estuarinos e
marinhos de duas localidades tropicais do Brasil, localizadas em latitudes diferentes.
Avaliamos a composição das assembleias de peixes e a associação destas com habitats
naturais (recifes de corais e areníticos) e artificiais, bem como estuarinos (manguezais).
Buscamos também fornecer informações sobre a caracterização da ictiofauna de AMPs
para fomentar o manejo e a conservação nestes locais. Foi considerada como hipótese
que a composição e conectividade entre as assembleias seriam influenciadas pela
configuração dos habitats.

Materiais e Métodos
Área de Estudo
O estudo foi realizado em duas localidades do Nordeste do Brasil, buscando
contemplar características semelhantes, como a presença dos mesmos ecossistemas,

20

habitats, gradiente de profundidade, clima tropical húmido (litorâneo) e presença de
AMPs. Encontrando-se nas sub-províncias Norte e Nordeste (Pinheiro et al., 2018),
selecionamos o município de Jequiá da Praia (AL), que contempla o estuário do rio
Jequiá, recifes costeiros de arenito e recifes de coral da Reserva Extrativista Marinha
Lagoa do Jequiá (RESEX de Jequiá) (Fig. 1). Escolhemos também o município de Porto
Seguro (BA), localizada a aproximadamente 780 km de distância de Jequiá, na
sub-província Leste e Sudeste-Sul (Pinheiro et al., 2018), com o rio Buranhém, recifes
costeiros e o Parque Natural Municipal Recife de Fora (Chaves et al., 2010).
O município de Jequiá da Praia (AL) abriga a RESEX de Jequiá (RXJ), AMP que
contempla aproximadamente 102,039 km2, com um mosaico de ecossistemas marinhos,
entre estuarinos e recifais. Esses ambientes possuem papéis fundamentais para a
produtividade e manutenção dos recursos pesqueiros, fazendo da pesca artesanal e do
turismo importantes atividades econômicas locais (Correia, Sovierzoski, 2008; Correia,
2011; Sampaio et al, 2015). Esta AMP, localizada no Litoral Sul de Alagoas, região
influenciada pelo Rio São Francisco e por complexos lagunares, com manguezais
ocupando áreas relevantes ao longo da costa (Correia, Sovierzoski, 2008; Sampaio,
Pinto, 2019), com importantes áreas de recifes de coral e arenito ao longo da linha da
praia e com muitas formações submersas pouco exploradas e conhecidas pela ciência.
O rio Buranhém, conhecido também como Rio Porto Seguro (PTS), atravessa os
estados de Minas Gerais e Bahia, percorrendo 128 km no estado da Bahia, até sua foz
no Oceano Atlântico, formando um estuário com 12 km de extensão, com manguezais e
espécies estuarinas características (Azevedo et al., 2016). O rio está no centro do
triângulo turístico do Sul da Bahia, que envolve Arraial da Ajuda, Trancoso e Porto
Seguro, abrangendo uma área de 377,8 km². O Parque Natural Municipal Recife de Fora
encontra-se na baía de Porto Seguro, a cerca de 3,4 km da costa, com área de 19,68
km2, que contempla um recife principal e muitas formações submersas próximas
(Chaves et al., 2010). Esta área está no Banco Recifal Royal Charlotte, possuindo um
histórico de atividades de visitação turísticas e pesca, sendo transformado em Parque

21

Natural Municipal em 1997 (MMA, 2006), com objetivo de conservar a grande
biodiversidade local.

Figura 2: Representação das áreas da Reserva Extrativista Marinha Lagoa do Jequiá (AL) (A) e Porto
Seguro (BA) (B). Em destaque C (AL) e D (BA) estão manchas diferenciadas por cores que caracterizam
os habitats amostrados. Os habitats artificiais não foram representados no mapa pois estão inseridos na
área de manguezal.

Coleta de dados
As coletas foram realizadas entre novembro (2021) e março (2023), contudo, os
esforços de campo foram intensificados nos verões (dezembro-março) devido às
melhores condições ambientais, especialmente pela maior transparência da água. Para
a obtenção dos dados foi utilizado o Baited Remote Underwater Video (BRUV), método
com alto poder de replicabilidade e pouco invasivo (Reis-Filho et al., 2019; Langlois et

22

al., 2020; Meeuwig, 2021), sendo ideal em AMPs. Filmagens obtidas por meio do BRUV
podem fornecer dados sobre riqueza, abundância e tamanho (comprimento do corpo) de
espécies, sendo importante para a avaliação da estrutura das assembleias de peixes e
compreensão de parâmetros ecológicos relacionados a conectividade dos habitats
(Reis-Filho et al., 2019; Rolim et al., 2019).
Nos BRUVs foram utilizadas câmeras digitais de alta definição, dispondo de
lentes “grande angular” e distância focal fixa para obtenção das amostras. Os “sacos” de
isca foram preenchidos com aproximadamente 800 g de sardinha triturada (Sardinella
spp.) para cada amostra. Os BRUVs foram dispostos durante o dia, entre as 7h e 15h,
permanecendo submersos durante o tempo de 40 minutos (cada BRUV), sendo
distribuídos entre 12 sítios (3 sítios por habitat) por localidade. Foram realizadas três
réplicas de BRUV aleatórias para cada sítio, dispostas a uma distância mínima de 150
m, mantendo assim a independência entre estas e evitando sobreposição das trilhas
olfativas (Cappo et al., 2001; Rolim et al., 2022).
Os habitats foram classificados em: manguezais, artificiais estuarinos (píer,
pontes e enrocamentos), recifes costeiros de arenito e recifes de coral. Espacialmente,
os manguezais e os habitats artificiais se encontram no estuário, enquanto os recifes
costeiros de arenito estão no ambiente marinho, sofrendo influência direta do estuário.
Os recifes de coral encontram-se mais afastados da costa e da influência do estuário.
Ao todo foram utilizadas 80 amostras válidas de BRUV, sendo distribuídas 40 por
localidade, entre os habitats de manguezais (n=10), artificiais estuarinos (n=10), recifes
costeiros de arenito (n=10) e recifes de coralíneos (n=10). Os sítios de cada habitat
foram selecionados aleatoriamente sendo observados dados de configuração, como
distância do estuário, por meio do georreferenciamento dos pontos. Dados de
profundidade foram coletados por meio de sondas marítimas de navegação ou
marcações métricas nos cabos de boias dos BRUVs, que também serviram para aferir a
visibilidade vertical. A amplitude da maré também foi registrada durante as coletas.
Os vídeos foram analisados por apenas uma pessoa, evitando assim a indução
de erro do amostrador, porém, na existência de dúvidas sobre classificação taxonômica,

23

foram consultados especialistas. Para analisar a estrutura das assembleias de peixes foi
buscada a identificação do menor nível taxonômico possível. O número máximo (MaxN)
de indivíduos (proxy de abundância) de uma dada espécie foi obtido através da
contagem do número de peixes daquele determinado táxon num mesmo frame do vídeo
(imagem pausada) (Priede et al., 1994; Harvey et al., 2013; Reis-Filho et al., 2019;
Laglois et al., 2020), representando uma medida conservadora usada para evitar a
contagem repetida de indivíduos. Peixes que se aproximaram dos sacos de iscas do
BRUV tiveram seus comprimentos totais estimados e categorizados em classes de
tamanho para a identificação de jovens e adultos. Os peixes também foram classificados
em grupos tróficos como macro-carnívoros (CAR), herbívoros (HERB), planctívoros
(PLAN), onívoros (OMNI), comedores de invertebrados sésseis (SINV) e comedores de
invertebrados móveis (MINV) de acordo com a literatura (Ferreira et al., 2004; Floeter et
al., 2023). Para o status de ameaça as espécies foram consideradas a última
atualização da lista vermelha (MMA, 2018)

Análises de dados
Foi utilizado o teste de Shapiro-Wilk com objetivo de avaliar a normalidade da
distribuição dos dados. A análise de variância (ANOVA) foi utilizada para identificar
diferenças entre a riqueza dos habitats.

Análises de porcentagem de similaridades

(SIMPER) forma realizadas para identificar a contribuição de cada espécie para a
formação das assembleias entre os habitats e localidades (Gotelli, Ellison, 2012).
Também foi empregado Chao 2 para estimar a riqueza total para cada habitat, este
indicador é baseado em incidência das espécies, fazendo uso dos dados de
presença/ausência levando em consideração a distribuição das espécies entre
amostras. A análise de rarefação da riqueza sobre o número de indivíduos também foi
empregada, permitindo calcular o número esperado de espécies em cada habitat por
localidade, tendo como base comparativa um valor em que todas as amostras atinjam
um tamanho padrão (Gotelli, Colwell, 2001).

24

A Correlação de Pearson foi aplicada para investigar relação entre a abundância
(Nmax) e profundidade. Possíveis diferenças na riqueza (número de espécies por
amostra) e abundância univariada (Nmax total/amostra) foram testadas utilizando
PERMANOVA com distância euclidiana e dois fatores (local, fator fixo e habitat, fator
randômico, aninhado a local). A composição da ictiofauna (matriz de abundância
multivariada) foi testada utilizando PERMANOVA com matriz de similaridade de
Bray-Curtis e com mesmo design (local, fator fixo e habitat, fator randômico, aninhado a
local). A mesma matriz de similaridade (Bray-Curtis), foi utilizada na análise de
escalonamento dimensional não-métrico (NMDS), comparando a composição entre os
locais e habitats. Para todos os testes foi adotada confiança de 95%.

Resultados
Características ambientais
A profundidade média observada da RESEX de Jequiá (RXJ) foi de 3m (DP=2,3),
com mínima de 1 m e máxima de 10m (Tabela 1). Para Porto Seguro (PTS) a média foi
de 3,6m (DP=2,9), com mínima de 1m e máxima de 13m. As profundidades dos recifes
de coral foram diferentes (F=16,88, df=28,71, p<0,01) nas duas localidades, quando
comparadas aos outros habitats, havendo também correlação significativa entre
profundidade e as abundâncias (Nmax) observadas (r=0,39; p<0,01). Para a amplitude
de maré, a média encontrada para RXJ foi de 1,8 m (DP= 0,3) e para PTS de 1,2m
(DP=0,4).
Tabela 1: Profundidade observada por meio dos BRUVs na RESEX de Jequiá (AL) e em Porto Seguro
(BA). profundidade mínima (Prof. mín.); profundidade máxima (Prof. Máx); profundidade média das
amostragens (Prof. média) e desvio padrão (DP). Habitats que apresentaram diferença significativa por
meio da ANOVA (F=16,88, df=28,71, p<0,001) e teste TUKEY (*).

25

Porto Seguro
HABITATS
Prof. mín.
Prof. máx.
Manguezal
1,3
1,8
Artificial Estuarino
1,5
2
Recifes de Costeiros
1,9
6
Recifes de Coral
1,6
13

Prof. média (DP)
1,5 (0,18)
1,8(0,2)
3,8 (1,3)
7 (3,5)*

Prof. mín.
1
1
1
5

Resex de Jequiá
Prof. máx. Prof. média (DP)
2
1,3 (0,42)
5
2,3 (1,3)
5
2,2 (1,0)
10
6,2 (1,9)*

Riqueza e abundância (Nmax) entre localidades de habitats
Foram registradas 21 Famílias, 40 táxons (média= 4,6; DP=3,8) e 1.180
indivíduos para a RXJ e 23 famílias, 50 táxons (média= 5,7; DP=4,2) de peixes e 938
indivíduos para PTS. As Famílias mais ricas foram Labridae (6 spp.), Haemulidae (5
spp.) e Lutjanidae (5 spp.) para as duas localidades. Não houve diferenças nas
abundâncias (Nmax) e nas riquezas entre RXJ e PTS (Tab. 2), porém a similaridade foi
de 11%. Os recifes de coral se destacaram significativamente, apresentando maiores
riquezas e abundâncias nas duas localidades (Figs. 3 e 4) (ANOVA: F=15,99, df=29,14,
p<0,001). Por meio da análise multivariada foram identificadas diferenças na riqueza e
abundância entre os habitats (Tab. 2), tanto localmente como entre RXJ e PTS (Tab. 2).
O estimador Chao 2 indicou riquezas esperadas superiores ao encontrado para a
maioria dos habitats (anexo 1).
Tabela 2: Resultado da PERMANOVA para Riqueza (Richness), abundância (Nmax) e composição da
ictiofauna para as localidades (Local) de Porto Seguro (BA) e RESEX de Jequiá (AL) e seus respectivos
habitats amostrados.

26

Tabela 3: Riqueza observada por meio dos BRUVs em Porto Seguro (BA) e RESEX de Jequiá (AL).
Número total de espécies registradas (S total); média de riqueza das amostragens (S média) e desvio
padrão (DP). Habitats que apresentaram diferença por meio da ANOVA (F=15,99, df=29,14, p<0,001) e
teste TUKEY (*).

HABITATS
Manguezal
Artificial Estuarino
Recifes de Costeiro
Recifes de Coral

S total
4
10
31
38

Porto Seguro
S média (DP)
1,7 (0,9)
2,6 (0,9)
7,2 (3,1)*
10,4 (2,8)*

Resex de Jequiá
S total
S média (DP)
10
2,1 (1)
9
2,4 (0,96)
19
4,7 (2,3)*
26
9,3 (4,4)*

27

Figura 3: Curvas de rarefação do número de espécies sobre número de indivíduos para Porto Seguro
(BA) e RESEX de Jequiá (AL).

28

Figura 4: As localidades de Porto Seguro (BA) e RESEX de Jequiá (AL) estão separadas por cores. Os
boxplots de riqueza (A) e Nmax (B) por habitat apresentam os limites máximo e mínimo (extremidades
superior e inferior). No intervalo interquartílico estão o terceiro e primeiro quartis nos limites dos “boxes” e a
linha horizontal mais centralizada representa a mediana. Os pontos representados fora dos boxplots
representam “outliers”, dados encontrados fora do padrão observado.

29

Composição das assembleias
As localidades compartilharam 29 espécies e 14 Famílias, não havendo
diferenças em suas assembleias (Fig. 5). Os táxons mais abundantes para o estudo,
ocorrendo nas duas localidades, foram Haemulon aurolineatum (n=529; média= 6,6),
Anchoa sp. (n=399; média= 4,99), Acanthurus coeruleus (n=371; média=4,63),
Stegastes fuscus (n=63; média=1,05), Lutjanus jocu (n=76; média= 0,95) e Caranx latus
(n=76; média=0,95). Apenas duas espécies foram registradas em todos os habitats,
sendo Gymnothorax funebris e L. jocu, com esta última apresentando a maior frequência
(47% das amostras) para RXJ e PTS.
A RXJ dispôs de similaridade de 18% entre os habitats, enquanto PTS obteve
31%. As espécies que mais contribuíram para a similaridade entre os habitats RXJ foram
L. jocu (36%), Cephalopholis fulva (19%), Caranx latus (7%). Estas espécies também
representaram bons indicadores da conectividade entre os ambientes, distribuindo-se
em diferentes habitats (Fig. 6). Para PTS, Sphoeroides testudineus (46%), Lutjanus jocu
(15%) e Haemulon aurolineatum (13%), foram as espécies que apresentaram maiores
contribuições para similaridades entre os habitats. Com relação às ocorrências das
espécies nas duas localidades, os recifes de coral também se destacaram com as
maiores frequências, apresentando 51,4% para RXJ e 47,7% para PTS. Os recifes
costeiros apresentaram 25,4% (RXJ) e 33,3% (PTS), artificiais 12,4% (RXJ) e 11,1%
(PTS), e manguezais 11,4% (RXJ) e 7,87% (PTS).
Os recifes de arenito e de coral compartilharam 12 espécies na RXJ e 22 em PTS.
Ao todo 28 táxons ocorreram somente nos ambientes recifais (coral e arenito) em RXJ e
39 em PTS, com destaques para as Famílias que foram exclusivas destes, como
Acanthuridae, Haemulidae e Labridae. Na RXJ, as espécies que conectaram foram L.
jocu, C. latus, G. funebris, Anchoa sp. e Mugil sp. Em PTS cinco espécies conectaram o
ambiente estuarino (manguezais e artificiais) aos habitats recifais, sendo estas L. jocu,
Sphoeroides greeleyi, G. funebris, Mugil sp. e Eugerres bralilianus. No estuário da RXJ,
Centropomus spp. foi especialista de habitat, sendo registrada somente nos
manguezais, com o restante das espécies possuindo comportamento generalistas na

30

seleção dos habitats estuarinos. Em PTS apenas C. latus, L. jocu e S. testudineus se
distribuíram entre os manguezais e habitats artificiais estuarinos, com Sciades sp.
ocorrendo exclusivamente no manguezal e as outras seis espécies observadas apenas
nos ambientes artificiais.

Figura 5: Análise de escalonamento multidimensional não-métrico (NMDS) comparando os locais (A) e os
habitats (B) utilizando índice de similaridade de Bray-Curtis.

31

Figura 6: Distribuição das espécies mais frequentes por habitats para Porto Seguro (BA) e RESEX de
Jequiá (AL). No gráfico acima, cores mais quentes (próximas do vermelho) representam maiores
frequências das espécies entre as amostras.

Composição trófica
Nos recifes de coral da RXJ, os herbívoros representaram 74,9% dos registros,
sendo os carnívoros o segundo grupo mais abundante, com 15,9%. Os planctívoros se
destacaram nos recifes de arenito (71,4%) e nos habitats artificiais estuarinos (53,2%).
Nos manguezais, os carnívoros tiveram maior destaque com 91,8% das observações.
Para os recifes de coral de PTS os peixes herbívoros (31,5%) e os planctívoros (45,3%)
foram os grupos tróficos mais abundantes (Fig. 7), porém nos recifes de arenito a
proporção de herbívoros foi menor, dando espaço aos comedores de invertebrados
móveis. Nos estuários, os grupos que predominaram foram os carnívoros e os
comedores de invertebrados móveis para PTS (Fig. 7).

32

Figura 7: Proporção em percentagem dos grupos tróficos por habitats para Porto Seguro (BA) e RESEX de
Jequiá. Categorias tróficas dos peixes: macro-carnívoro (CAR); herbívoro (HERB); comedor de
invertebrados móveis (MINV); ovívoro (OMNI); planctívoro (PLAN); comedor de invertebrado sésseis
(SINV).

O peixe planctívoro Anchoa sp., foi o mais abundante (n=399; média=10,23) da
RXJ, sendo ausente somente nos recifes de coral, assim como o macro-carnívoro C.
latus (n=56; média=1,4). Herbívoros como Acanthurus coeruleus (n=340; média=8,5), A.
bahianus (n=69; média=1,7) e Sparisoma axillare (n=26; média=0,65) se destacaram
nos recifes de coral, sendo C. fulva a espécie macro-carnívora com maior número (n=52;
média= 1,3) neste habitat. L. jocu ocorreu em todos os habitats, porém foi mais
abundante nos estuários, sobretudo nos manguezais (n=22; média=2,2).
O peixe mais abundante em PTS foi H. aurolineatum (n=528; média=13,2), nos
recifes de arenito e de coral, sendo observados muitos indivíduos em fase planctívora
(jovens). Stegastes fuscus (n=56; média=1,4) e A. coeruleus (n=31; média=0,78), foram
os herbívoros mais abundantes nos recifes arenito e coral, assim como o onívoro
Abudefduf saxatilis (n=44; média=1,1). O invertívoro Sphoeroides testudineus (n=34;
média=0,85)

teve

destaque

nos

habitats

estuarinos,

assim

como

o

peixe

macro-carnívoro L. jocu (n=22; média=0,55). L. synagris (n=17; média= 0,45) foi o
macro-carnívoro mais abundante dos recifes de coral de PTS.

33

Figura 8: Espécie mais abundantes (MaxN) distribuídas por habitats, para Porto Seguro (BA) e RESEX de
Jequiá (AL).

Espécies comerciais e ameaçadas de extinção
Dos táxons registrados, 36% (n=18) para PTS e 48% (n=19) para RXJ
representam recursos pesqueiros comerciais ou de subsistência. Destacamos as
Famílias com ampla importância econômica para os trópicos, como Carangidae,
Centropomidae, Engraulidae, Epinephelidae, Gerreidae, Labridae, Lutjanidae e
Mugilidae. Espécies ameaçadas de extinção também foram registradas para os habitats
recifais, como, Epinephelus morio e Mycteroperca bonaci em PTS e Microspathodon
chrysurus, Sparisoma axillare e S. frondosum para RXJ e PTS. Para os habitats
estuarinos, foi registrada apenas Lutjanus cyanopterus na RXJ. Todas estas espécies
encontram-se “vulneráveis (VU)” pela lista vermelha nacional.

34

Discussão
Características ambientais
As configurações dos habitats, tendo como seus principais agentes a
espacialização dos ambientes e profundidade, de fato influenciaram no grau de
similaridade entre os ambientes, contribuindo na definição de padrões de composição
(Berkström et al., 2012). As áreas costeiras, sobretudo zonas ecótonas, como os
manguezais e os ambientes artificiais estuarinos abordados em nosso estudo recebem
uma descarga maior de sedimentos, nutrientes e de água doce. Os recifes costeiros de
arenito, também são influenciados com esses fatores, porém em menor proporção. As
profundidades nas duas localidades amostradas foram diferentes entre os recifes de
coral e os demais habitats, apresentando relações positivas quando correlacionadas à
abundância (Reis-Filho et al., 2019; Goetze et al., 2021; Rolim et al., 2022). Ao final,
tanto a profundidade quanto a espacialização dos habitats são fatores estruturantes e
inferem na composição, riqueza e na abundância das assembleias, tendo reflexo em
nossos resultados, assim como observado em outros estudos (Rolim et al 2022).

Riqueza, abundância e composição
As localidades foram semelhantes em seus parâmetros estruturais (riqueza e
abundância), compartilhado 29 espécies e revelando que estão conectadas, apesar de
apresentarem características biogeográficas diferentes (Pinheiro et al., 2018). Contudo,
acreditamos que a baixa similaridade entre as localidades influenciou nos padrões de
composição e conectividade entre os habitats. Com exceção de G. funebris e L. jocu, as
espécies que contribuíram para maior ligação entre os habitats foram distintas para RXJ
e PTS, o que pode estar relacionado as diferenças na composição das assembleias
latitudinalmente (Ferreira et al., 2004; Floeter et al., 2023).
Os recifes costeiros, de arenito e os de coral, apresentaram os maiores valores de
riqueza quando comparados aos habitats estuarinos, estando de acordo com a literatura
(Olds et al., 2011; Goetze et al., 2021). Esta maior riqueza era esperada, pois esses
habitats estão inseridos nos ecossistemas aquáticos de maior biodiversidade no mundo

35

(Adey, 2000; Floeter et al., 2023). Peixes recifais geralmente apresentam estreita
relação com o habitat, como é o caso das Famílias Acanthuridae, Haemulidae, Labridae
e Pomacanthidae (Nunes et al., 2013; Araújo et al., 2020; Pereira et al., 2021), que
ficaram restritas espacialmente aos recifes (Reis-Filho et al., 2019; Rolim et al., 2022).
Ainda que os habitats recifais amostrados nas duas localidades tenham
compartilhado muitas famílias e espécies, os recifes costeiros de arenito apresentaram
composições diferentes quando comparado aos recifes de coral. Este fato pode estar
relacionado com características espaciais estruturantes, como a influência do estuário e
a profundidade, agindo na seleção do habitat por espécies que se adequem a estas
condições (Reis-Filhos et al., 2010; Pereira et al., 2018; Araújo et al., 2020).
Os manguezais, por se tratarem de ambientes ecótonos, não possuem grande
riqueza quando comparados com os habitats recifais, contudo, era esperada uma maior
abundância para esses ambientes, o que pode estar relacionado com a relação positiva
na profundidade encontrada nos sítios (Pereira et al., 2018; Reis-Filhos et al., 2019).
Apesar desses resultados, o papel dos manguezais na estruturação da fauna recifal é
indispensável e vital para inúmeras espécies (Aschenbrenner et al., 2016; Roocker et al.,
2018), representando habitats chaves, considerados berçários para inúmeros peixes
recifais,

sobretudo

para

espécies

ameaçadas

de

extinção

e

importantes

economicamente, como os Lutjanidae, que utilizam as raízes do mangue para o
desenvolvimento de seus jovens, devido à alta disponibilidade de abrigo e alimento,
como pequenos crustáceos (Roocker et al., 2018; Moura et al., 2011).
Os habitats estuarinos apresentaram poucas diferenças entre suas composições.
Na RXJ, os táxons se distribuíram por mais habitats, porém em PTS a maioria das
espécies registradas foram observadas somente nos ambientes artificiais, em especial
predadores de invertebrados móveis, assim como observado por Pereira et al. (2016)
em estruturas semelhantes. Os habitats artificiais, assim como os naturais, podem ser
atrativos para as espécies, devido sua complexidade e influência de outros fatores
antrópicos (Pereira et al., 2016; Correia et al., 2018; Miranda et al., 2020). Além disso,
associações interespecíficas entre predadores e presas também podem estar

36

estreitamente relacionadas ao uso e seleção desses habitats (Stankwich, Blumstein et
al., 2005; Nunes et al., 2015), pois peixes jovens optam por estruturas complexas em
busca de refúgio, podendo ser oferecido por ambientes artificiais (Freitas et al., 2017;
Roocker et al., 2018).
Em nosso estudo, os habitats artificiais foram representados por piers, pontes e
enrocamentos, estruturas onde ocorrem normalmente desembarques de pescado e
descartes de rejeito da pesca e resto de comida. Mesmo sendo atrativos, esses habitats
não apresentam a qualidade dos refúgios, micro-habitats e disponibilidade de recursos
alimentares ofertado pelos manguezais (Aschenbrenner et al., 2016; Goetze et al.,
2021). Além disso, essas estruturas artificiais podem promover efeitos negativos nas
taxas de crescimento dos peixes, a depender do tipo de materiais de que são
constituídos e da disponibilidade de luz no ambiente (Pereira et al., 2016). Apesar da
semelhança das assembleias desses ambientes, esses dados podem indicar o
“sequestro” de fauna dos manguezais para os habitats artificiais atraídos para a
estrutura recém-implantada a partir de habitats naturais próximos (Pereira et al., 2016).
O BRUV é um método de fácil operação, capaz de amostrar uma ampla gama de
espécies, variedade de habitats e profundidades, operar com baixa visibilidade e tempo
por muitas vezes superior ao de um mergulhador científico (Goetze et al., 2021; Rolim et
al., 2022). Outro ponto positivo do BRUV foi o de permitir o acesso de áreas onde o
mergulho científico seria inviável, devido as condições oceanográficas adversas. Os
BRUVs foram aplicados de forma inédita no litoral sul de Alagoas, demonstrando ser
eficientes e versáteis, amostrando as variáveis esperadas e uma grande diversidade de
grupos tróficos, como peixes herbívoros, planctívoros e espongívoros. Além disso, o
número dos táxons identificados no estudo representa bem a ictiofauna catalogada para
RXJ e PTS (Chaves et al., 2010; Pereira et al., 2021).

Composição trófica
Nos recifes de coral da RXJ, os herbívoros, foram os que mais contribuíram para
a abundância, com destaque para as espécies Acanthurus coeruleus, A. bahianus e

37

Sparisoma axillare. Esse resultado está de acordo com a literatura para estes ambientes
recifais (Araújo et al., 2020), sendo os peixes herbívoros importantes agentes na
manutenção dos recifes de coral (Ferreira et al., 2004; Pereira et al., 2021),
correlacionados com maior biomassa de algas turf e, consequentemente, produção de
detritos nos trópicos (Ferreira et al., 2004). Em PTS a composição nos recifes de coral
foi diferente da encontrada em RXJ, herbívoros (A. coeruleus, S. fuscus) dividiram
espaço nos recifes costeiros de arenito e os de coral com os planctívoros, representados
por peixes jovens de H. aurolineatum. O gênero Haemulon spp. é abundante na região
de PTS (Ferreira et al., 2004; Chaves et al., 2010), representado por predadores de
invertebrados móveis, que também tiveram destaque nos recifes costeiros. A. coeruleus,
não ingere detritos como os outros Acanthuridae (Dias et al., 2001) e a maioria dos
herbívoros da Família Labridae, foram abundantes em RXJ e menos abundantes em
PTS (Ferreira et al., 2004; Chaves et al., 2010), como observado nos resultados.
Em PTS, os macros carnívoros representaram menos de 10% da abundância
para os recifes de coral, sendo L. synagris e L. chrysurus os principais representantes,
semelhantes a outros trabalhos para essa latitude (Chaves et al, 2010; Rolim et al.,
2022). Os Epinephelidae comuns para a região também foram registrados pelos BRUVs,
como Epinephelus morio e Mycteroperca bonaci (Ferreira et al., 2004). Embora a
organização da estrutura trófica dos recifes de coral de RXJ e PTS sigam o padrão de
suas sub-províncias (Ferreira et al., 2004; Pinheiro et al., 2018; Floater et al., 2023), foi
notada a ausência de muitos macro-carnívoros e de grandes herbívoros nas
amostragens, indicando que mesmo pouco conhecidos e protegidos esses recifes,
sofrem com impactos antrópicos, em particular a pesca.
Nos habitats de manguezais, artificiais e recifes costeiros, os planctívoros e
macro-carnívoros revesaram-se na abundância para RXJ. Nesses ambientes, os
macro-carnívoros, Carangidae e Lutjanidae e os planctívoros Engraulidae foram os mais
abundantes, destacando a conectividade e similaridade entre os habitats (Roocker et al.,
2018). A Família Engraulidae, foi representada por Anchoa sp., com importante papel na
cadeia trófica desses ambientes, servindo de alimento para macro-carnívoros. Nos

38

manguezais os Lutjanidae, que possuem grande importância para pescadores
artesanais nos trópicos (Bastos et al., 2022) e representados em nosso estudo por L.
cyanopterus, L. jocu, L. alexandrei, L synagris, foram os responsáveis por mais de 70%
da abundância de macro-carnívoros encontrados nesse habitat na RXJ, em fase juvenil.
As espécies da Família Lutjanidae, observadas em nosso trabalho, selecionam os
manguezais em suas fases iniciais de vida (Moura et al., 2011) e posteriormente passam
por transições ontogenéticas, migrando posteriormente em direção aos recifes rasos e
profundos (Moura et al., 2011; Roocker et al., 2018; Reis Filho et al., 2019). Nesses
movimentos ontogenéticos, as espécies tendem a ocupar e distribuírem-se por habitats
e ecossistemas distintos, que podem possuir variações nos parâmetros abióticos
(Nagelkerken et al., 2000; Aschenbrenner et al., 2015). Essas espécies constituem elos
estruturantes na conexão entre os habitats, possuindo funções ecológicas relevantes
nas assembleias estuarinas e recifais (Floeter et al., 2023). Essas características não
são restritas aos Lutjanidae, outras espécies de Epinephelidae, Carangidae e
Centropomidae, por exemplo, também podem possuir esses atributos e contribuir na
conectividade entre habitats (Ferreira et al., 2004).

Conservação e Manejo
A biodiversidade recifal da RXJ por muito tempo foi negligenciada e inexplorada,
seja por falta de interesse de pesquisadores ou pela crença de que a região fosse um
grande deserto recifal (Castro, Pires 2001; Sampaio; Pinto 2019), apesar dos
desembarques artesanais de numerosas espécies recifais. Destacamos nesse estudo o
ineditismo no levantamento da ictiofauna recifal nessa AMP e na região. Já os recifes de
coral de PTS são conhecidos por sua grande riqueza e endemismo (Ferreira et al., 2004;
Chaves et al., 2010; Pinheiro et al., 2018; Negrão et al., 2021). Como observado em
nosso estudo, as assembleias de peixes dos manguezais, recifes costeiros de arenito e
coral, se relacionam, apesar das diferenças encontradas entre RXJ e PTS. As
composições das assembleias revelam a contribuição da conectividade na estruturação,
formando uma rica e abundante ictiofauna nos recifes de coral RXJ e PTS. Esse

39

conhecimento é de suma importância para a gestão de AMPs e medidas de
conservação adequadas (Reis-Filho et al., 2019).
A conectividade entre os habitats é determinada pela capacidade dos organismos
se moverem entre os diferentes ambientes, gerando efeitos sobre os processos
ecológicos e na caracterização das estruturas das assembleias (Goodwin, 2003;
Aschenbrenner et al., 2016). Em nosso estudo destacamos alguns táxons como
principais

representantes da

conectividade

e

similaridade

entre

os

habitats,

corroborando a ligação entre os ambientes estuarinos e marinhos (Roocker et al., 2018).
Esse conhecimento sobre a conectividade e estruturas das assembleias precisa ser
utilizado para a eficiência de um manejo adequado e para conservação efetiva da
ictiofauna recifal (Rolim et al., 2019; Miranda et al., 2020; Floater et al., 2023).
De modo geral, os habitats naturais observados são igualmente relevantes para a
conservação, porém medidas de manejo e gestão normalmente não são direcionadas de
forma semelhantes. Como por exemplo em PTS, apenas os recifes de coral amostrados
em nosso estudo estão em uma AMP (MMA, 2006). É importante levar em consideração
que os habitats estão conectados e que para conservação de espécies que dependem
de múltiplos habitats como, por exemplo, L. jocu, esse tipo de desenho de AMP é pouco
eficiente. Em RXJ a abordagem multi-habitat foi utilizada quando a AMP foi criada,
contemplando a conectividade local e ecossistemas lagunares, estuarinos e marinhos
(ICMBio, 2023). Essa AMP possui um desenho adequado para a manutenção da
conectividade entre os habitats, entretanto ações voltadas ao conhecimento da
ictiofauna desses ambientes são recentes, sendo iniciadas por meio desse estudo.
Também é importante destacar, que mais de 1/3 das espécies registradas em
PTS e RXJ representam recursos pesqueiros. Espécies ameaçadas de extinção,
fundamentais para a estruturação das assembleias e manutenção dos habitats, também
foram registradas. Embora toda área de estudo de RXJ e os ambientes recifais de PTS
representem AMPs, esses grupos de peixes, alvos de pescarias, não possuem nenhuma
estratégia de manejo ou recuperação nesses locais. Nesse contexto, é destacada a
necessidade de direcionar esforços visando a manutenção das populações destas

40

espécies, por meio de proteção de seus habitats e da conectividade, pois estes
ambientes sofrem com o constante aumento da pressão antrópica, como fragmentação,
degradação, turismo desordenado e sobrepesca, o que consequentemente causa
interferência negativa em dinâmicas populacionais e nas estruturas das assembleias de
peixes (Olds et al., 2011; Reis-Filho et al., 2019; Goetze et al., 2021).
Fatores abióticos como profundidade e espacialização dos habitats estuarinos e
marinhos, constituíram importantes fatores estruturantes entre as assembleias de
peixes, entre RXJ e PTS. A depender da localidade, a similaridade entre os diferentes
habitats variou entre 18-31%, indicando a influência da conectividade na composição da
ictiofauna. Os recifes de coral se desatacaram na riqueza e abundância, porém, esse
fato não diminui a importância dos demais habitats naturais, que são ecologicamente
vitais para a manutenção das populações de peixes recifais. Os resultados observados
para os habitats artificiais estuarinos podem indicar o “sequestro” de fauna dos
manguezais, contudo, são necessárias futuras investigações.
O conhecimento sobre a estrutura das assembleias de peixes das duas
localidades, sobretudo, das AMPs, é importante para o fomento de iniciativas de manejo
eficiente da ictiofauna. Além disso, recomendamos que devam ser pensadas medidas de
manejo voltadas à peixes importantes economicamente, assim como a aplicação de
planos de recuperação para as espécies ameaçadas de extinção, dentro das AMP, com
abordagens que contemplem a conectividade entre os habitats.

Agradecimentos
Agradecemos ao Projeto Mero do Brasil. Agradecemos ao Patrocínio da Petrobras por
meio do programa Petrobras Socioambiental. Agradecemos à Universidade Federal de
Alagoas, Programa de Pós-Graduação em Diversidade Biológica e Conservação nos
Trópicos (PPG-DIBICT) e Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível
Superior (CAPES). Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (FAPEAL),
Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos de Alagoas (SEMARH
- AL) e Reserva Extrativista Marinha da Lagoa do Jequiá - Instituto Chico Mendes de

41

Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Este estudo foi aprovado pelo Sistema
Nacional de Informação Sobre Biodiversidade (SISBIO), permit: 79697-1 and 15080-9.

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47

4 Conclusão Geral
A diferença latitudinal não foi relevante, apesar das características intrínsecas de
cada localidade. Fatores abióticos como profundidade e espacialização dos habitats
estuarinos e marinhos, constituíram importantes fatores estruturantes entre as
assembleias de peixes entre RXJ e PTS. A depender da localidade, a similaridade entre
os diferentes habitats variou entre 18-31%, indicando a influência da conectividade na
composição da ictiofauna e estruturação das assembleias.
Os recifes de coral se destacaram na riqueza e abundância, porém, esse fato não
diminui a importância dos demais habitats naturais, que são ecologicamente vitais para a
manutenção das populações de peixes recifais, que dependem da conectividade. Os
resultados observados para os ambientes artificiais estuarinos podem indicar o
“sequestro” de fauna dos manguezais, contudo, são necessárias futuras investigações.
O conhecimento sobre a estrutura das assembleias e caracterização da ictiofauna
das duas localidades, sobretudo, das AMPs, é importante para o fomento de iniciativas
de manejo eficiente da ictiofauna. Além disso, recomendamos que medidas de manejo
também devam ser pensadas voltadas aos peixes importantes economicamente, assim
como a aplicação de planos de recuperação para as espécies ameaçadas de extinção,
dentro das AMPs, com abordagens que contemplem conectividade entre os habitats.

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ANEXOS

Anexo 1: Estimador de riqueza Chao 2 (linha azul) e número de táxons (linha amarela) observados nas
amostragens para os habitats da Resex de Jequiá (AL) e Porto Seguro (BA).

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50

Anexo 2: Locais onde foram realizadas as amostragens na Reserva Extrativista Marinha da Lagoa do
Jequiá - Alagoas.

Anexo 3: Registros das espécies por meio dos BRUVs na Reserva Extrativista Marinha da Lagoa do
Jequiá - AL.

51

Anexo 4: Registros das espécies por meio dos BRUVs em Porto Seguro - BA.

52

Anexo 5: Registros das coletas de BRUVs na Reserva Extrativista Marinha da Lagoa do Jequiá - AL, entre
os anos de 2021 e 2023.

53

Anexo 6: Projeto do BRUV de PVC produzido e utilizado nas coletas pelo Laboratório de Ictiologia e
Conservação (LIC) - UFAL.

54

55

Anexo 7: Autorização para atividades com finalidades científicas nas áreas contempladas pelo estudo.

Anexo 8: Autorização para atividades com finalidades científicas nas áreas contempladas pelo estudo.

56