CLAUDJANE BATISTA AMORIM
Dissertação Final_claudjanebamorim.pdf
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
INSTITUTO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE
Programa de Pós-Graduação em Diversidade Biológica e Conservação
nos Trópicos
CLAUDJANE BATISTA AMORIM
AVALIAÇÃO DE MERCÚRIO EM UM MANGUEZAL DE ÁREA PROTEGIDA DO
LITORAL NORTE DE ALAGOAS
MACEIÓ - ALAGOAS
MAIO/2023
CLAUDJANE BATISTA AMORIM
AVALIAÇÃO DE MERCÚRIO EM UM MANGUEZAL DE ÁREA PROTEGIDA DO
LITORAL NORTE DE ALAGOAS
Dissertação/Tese
apresentada
ao
Programa
de
Pós-Graduação
em
Diversidade Biológica e Conservação nos
Trópicos, Instituto de Ciências Biológicas
e da Saúde. Universidade Federal de
Alagoas, como requisito para obtenção
do título de Mestre/Doutor em CIÊNCIAS
BIOLÓGICAS, área de concentração em
Conservação da Biodiversidade Tropical.
Orientador(a): Profa. Dra. Ana
Claudia Mendes
Malhado
Co orientadora: Profa. Dra. Luisa
Maria Diele-Viegas
Profa. Dra. Daniela
Anunciação
MACEIÓ - ALAGOAS
MAIO/2023
Catalogação na fonte
Universidade Federal de Alagoas
Biblioteca Central
Divisão de Tratamento Técnico
Bibliotecária: Taciana Sousa dos Santos – CRB-4 – 2062
A524a
Amorim, Claudjane Batista.
Avaliação de mercúrio em um manguezal de área protegida do litoral
norte de Alagoas / Claudjane Batista Amorim. – 2023.
42 f. : il. color.
Orientadora: Ana Claudia Mendes Malhado.
Coorientadoras: Luisa Maria Diele-Viegas, Daniela Anunciação.
Dissertação (Mestrado em Ciências Biológicas) – Universidade Federal
de Alagoas. Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde. Programa de PósGraduação em Diversidade Biológica e Conservação nos Trópicos. Maceió,
2023.
Inclui bibliografias.
1. Manguezal. 2. Mercúrio. 3. Área de Proteção Ambiental (APA). I.
Título.
CDU: 633.876 : 549.291
DEDICATÓRIA
A todos que de alguma maneira auxiliaram
no meu trabalho, para minha avó Maria José
dos Santos (in memória), aos meus pais,
irmãs e sobrinhas.
AGRADECIMENTOS
À Deus por todas as benções.
Aos meus pais, Claudio e Geilza, por todos os esforços e abdicações que fizeram para
que suas filhas tivessem tudo aquilo que não lhe foram possíveis, amo vocês.
As minhas irmãs Íris, Caroline e Carla, que mesmo longe sempre se fizeram presentes,
amo vocês demais.
Os meus pinguinhos Maynne, Isadora e Isabela, mesmo sem entender vocês são uma
parte fundamental, por qual eu luto e me dedico, várias vezes quando eu pensei em
desistir vocês fizeram eu me reerguer, vocês são tudo para mim.
As minhas avós Neuza, por todo amor, conselhos incentivos para eu continuar a seguir
meus sonhos e Maria (in memoria) por todo cuidado e preocupação.
As minhas amigas de vida Elida, Andreza, Angelica e Luciana pelos pagodes, bolos e
cafés que me proporcionaram para eu não enlouquecer, vocês são extraordinárias,
grata ao universo por ter vocês comigo.
Aos meus amigos que desde a graduação me acompanham nessa jornada acadêmica
Flávio, Valéria e Valberth, obrigada por todas as conversas principalmente as de
desabafos.
Aos amigos que eu fiz durante esse período que compartilharam e compartilham todos
os perrengues que é a vida pós graduando, Amanda, Aline, Ana Caroline, Cacá, Diogo,
Gisele e Lucas, vocês são maravilhosos
Rhaissa por todo carinho e paciência.
As minhas orientadoras Ana Claudia, por ter me recebido tão bem no LACOS21, Luisa
por toda paciência e dedicação, Daniela, por ter aceitado o desafio de coorientar
alguém de uma área de formação diferente da dela.
Ao Prof. Guilherme e seu laboratório LEVE pelo apoio nas coletas e conversas sobre
manguezal que foram fundamentais para o meu trabalho.
Aos estudantes dos LINQA e LUMIAN pelos ensinamentos e técnicas Emerson, Ellen e
Aryanna.
A Fernanda Meló, que foi fundamental para a reta final deste trabalho.
Agradeço a Profª. Milena Dutra, minha orientadora na graduação, sendo umas das
melhores profissionais que eu conheço, obrigada, por confiar e acreditar no meu
potencial.
Todos os funcionários da UFAL que fizeram parte da realização.
A FAPEAL e PELD pelo apoio financeiro.
Agradeço aos bares e cantores de pagode de Maceió por terem me salvado nos
momentos mais críticos deste ciclo, e à Pitu por ter aliviado o estresse dos surtos
acadêmicos.
A todos que fizeram parte da construção desse trabalho meu muito obrigada!
“Meu coração é vermelho, de vermelho vive o coração”.
Uma árvore não é só luz do Sol.
Ela passou pelo adubo,
Pela chuva,
Pela seca,
Pelo vento,
Pelo medo de não conseguir crescer.
Talvez alguém a tenha arrancado do chão
quando estava no meio do caminho...
Mas ela conseguiu alcançar a terra com
suas raízes de novo.
Ela é todo o processo que levou para ser
o que é.
Tudo tem seu papel no nosso
amadurecimento.
Ps. Cada planta cresce no seu tempo.
Pedro Salomão
RESUMO
O manguezal é um ecossistema costeiro singular, responsável por serviços
ecossistêmicos fundamentais para a manutenção e equilíbrio do planeta. A
vegetação de mangue é composta por plantas adaptadas a ambientes salinos
e pantanosos que possuem características únicas para se desenvolver nesse
tipo de ambiente. Destaca-se a espécie Laguncularia racemosa, que possui um
papel relevante como indicador ecológico. No entanto, o ecossistema de
manguezal vem sendo impactado negativamente por atividades antrópicas que
afetam sua funcionalidade e serviços ambientais, levando à perda de área e
consequente perda de produtividade. Através de amostras de sedimento,
raízes e folhas de L. racemosa, analisamos a concentração de Hg em dois
pontos de um manguezal do litoral norte do estado de Alagoas, Brasil,
utilizando o espectrofotômetro de fluorescência atômica e os índices de
geoacumulação (Igeo), risco ecológico (ER) e o de bioconcentração (BCF). O
Igeo indicou que ambos os pontos se encontram no grau de classificação de 01 (não contaminado a moderadamente contaminado), enquanto o índice BCF
indicou baixa bioconcentração tanto nas raízes quanto nas folhas. Apesar de
positivos, estes resultados não descartam a possibilidade de um aumento na
concentração de Hg em futuras coletas, visto que o mercúrio é um metal
bioacumulador.
Palavras-chave: Manguezais. Mercúrio. Área de proteção.
ABSTRACT
The mangrove is a unique coastal ecosystem that provides fundamental
ecosystem services for the maintenance and balance of the planet. The
mangrove vegetation consists of plants adapted to saline and swampy
environments that have unique characteristics to thrive in such conditions. The
Laguncularia racemosa species stands out, playing a relevant role as an
ecological indicator. However, the mangrove ecosystem has been negatively
impacted by anthropogenic activities that affect its functionality and
environmental services, leading to the loss of area and consequent loss of
productivity. We analyzed the concentration of Hg in two points of a mangrove
swamp on the northern coast of the state of Alagoas, Brazil, using sediment,
roots, and leaves of L. racemosa, through the atomic fluorescence
spectrophotometer and the geoaccumulation (Igeo), ecological risk (ER), and
bioconcentration (BCF) indices. The Igeo indicated that both points are
classified in the range of 0-1 (non-contaminated to moderately contaminated),
while the BCF index indicated low bioconcentration in both roots and leaves.
Although positive, these results do not rule out the possibility of an increase in
Hg concentration in future collections, as mercury is a bioaccumulative metal.
Key-word:
Mangroves.
Mercury.
Protected
area.
LISTA DE FIGURAS
Figura 01- Mapa de localização da área de estudo e pontos de coleta.
Figura 02- Concentração de mercúrio na folha (verde), raiz (marrom) e
sedimento (vermelho) nos pontos mais próximo (21 km) e mais distante (37 km)
em relação à usina açucareira.
LISTA DE TABELAS
Tabela 01- Programa do forno de micro-ondas para digestão das amostras de
sedimento.
Tabela 02- Programa do forno de micro-ondas para digestão das amostras de
folha e raiz.
Tabela 03- Classificação do Índice de Geoacumulação (Igeo)
Tabela 04- Grau de Potencial Risco Ecológico (Er).
Tabela 05- Média da concentração de Hg encontrados no ponto 01 e 02
Tabela 06- Coeficientes de regressão e estatísticas do modelo GLM que
relaciona a concentração de mercúrio ao tipo de amostra (folha, raiz e
sedimento) e à distância da coleta em relação à usina açucareira em
manguezal do Rio Manguaba, Alagoas, Brasil.
Tabela 07- Média dos índices encontrados nos sedimentos dos pontos 01 e 02
Tabela 08- Média do índice de bioacumulação das raízes e folhas no ponto 01
e 02
SUMÁRIO
1 Apresentação .................................................................................................................11
Erro! Indicador não definido.
Referências ......................................................................................................................12
2 Revisão da literatura .................................................. ....................................................
Erro! Indicador não definido.13
2.1 Manguezais ................................................................................................................13
2.2 Metais não essenciais potencialmente tóxicos...........................................................15
Referências ......................................................................................................................18
3 AVALIAÇÃO DE MERCÚRIO EM UM MANGUEZAL DE ÁREA PROTEGIDA
DO LITORAL NORTE DE ALAGOAS.........................................................................21
3.1 Introdução ..................................................................................................................22
3.2 Metodologia................................................................................................................24
3.3 Resultado e discussão ................................................................................................29
3.4 Conclusão ..................................................................................................................36
Referências ......................................................................................................................36
11
1. Apresentação
Os manguezais são ecossistemas costeiros únicos, encontrados em regiões
tropicais e subtropicais ao redor do mundo. Eles são caracterizados por uma
vegetação densa, principalmente arbórea, capaz de sobreviver em ambientes
salinos e lamacentos. As árvores de mangue são adaptadas para sobreviver
em condições difíceis, como altas temperaturas, salinidade e inundação diária.
Elas também têm raízes aéreas que permitem a troca de gases com a
atmosfera e ajudam a estabilizar o solo (SARKER et al., 2015). Uma das
espécies mais importantes de árvore de mangue é Laguncularia racemosa, que
possui um papel relevante como indicador ecológico (PIMENTEL et al., 2023).
Os manguezais são importantes para a biodiversidade, pois abrigam muitas
espécies de animais, como peixes, crustáceos, aves e mamíferos (ROG;
CLARKE; COOK, 2017). Eles também são importantes para os seres humanos,
pois fornecem recursos naturais como madeira, carvão, peixe e marisco
(KRISTININGRUM et al., 2020). No entanto, os manguezais estão enfrentando
sérios problemas causados por atividades antrópicas, como a poluição, o
desmatamento
e
a
urbanização.
A
ação
humana
está
afetando
a
funcionalidade e os serviços ambientais oferecidos pelo manguezal, levando à
perda de área e à consequente perda de produtividade (LACERDA et al.,
2019).
Outro problema enfrentado pelos manguezais é a contaminação por
mercúrio. O mercúrio é um metal tóxico que pode ser encontrado em muitas
atividades humanas, como mineração, indústria de cloro e produção de
eletrônicos (DIARRA & PRASAD, 20210. Quando o mercúrio é liberado no
meio ambiente, ele pode se acumular em organismos vivos, incluindo peixes e
mariscos encontrados nos manguezais. A ingestão de mercúrio pode causar
uma série de problemas de saúde, incluindo danos ao sistema nervoso,
problemas cognitivos, problemas de desenvolvimento e até mesmo morte
(BAHT et al.,2019). Por isso, é importante que as atividades humanas sejam
monitoradas e regulamentadas para minimizar a contaminação por mercúrio
nos manguezais e em outros ecossistemas.
12
Assim, o objetivo deste trabalho foi avaliar o grau de contaminação de Hg
através da sua concentração e índices de impactos ambientais em um
manguezal localizado dentro de uma APA no litoral norte de Alagoas, Brasil.
REFERÊNCIAS
ROG, Stefanie M.; CLARKE, Rohan H.; COOK, Carly N. More than marine:
revealing the critical importance of mangrove ecosystems for terrestrial
vertebrates. Diversity and Distributions, v. 23, n. 2, p. 221-230, 2017.
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toxicity and their harmful effects on living organisms–a review. International
Journal of Medical Science And Diagnosis Research, v. 3, n. 1, p. 106-122,
2019.
13
2 REVISÃO DA LITERATURA
2.1 Manguezais
O manguezal é um ecossistema costeiro característico das regiões
tropicais e subtropicais, situado na transição entre a zona de maré e terrestre,
sendo formado por árvores que crescem em solos lodosos e salobras
(SCHAEFFER-NOVELLI, 1995). Mundialmente o manguezal cobre uma área
de cerca de 150.000 km² distribuída em 118 países, com a maior concentração
no sudeste da Ásia, África e América do Sul. A distribuição global dos
manguezais é influenciada por vários fatores, como a temperatura da água do
mar, as correntes oceânicas e a topografia costeira. O Brasil ocupa a terceira
colocação
entre
os
países
com
maior
área
de
manguezais,
com
aproximadamente 14.000 km², localizados principalmente nas regiões Norte e
Nordeste (ICMBio, 2018).
As características físico-químicas do manguezal são únicas para as
espécies que habitam esse ecossistema (ZEPPILLI et al., 2018). As plantas de
mangue são capazes de crescer em solos anaeróbicos e com alta
concentração de salinidade, além de possuírem raízes aéreas que permitem a
respiração (HAMALTON & SAHANA, 2022). Tais plantas fornecem abrigo e
alimento para os animais que vivem no manguezal, os quais também possuem
adaptações fisiológicas e comportamentais para sobreviver em um ambiente
que apresenta variações extremas de temperatura, salinidade e umidade
(PRINCIPE et al., 2018). Estes animais, por sua vez, ajudam na polinização e
na dispersão das sementes das plantas (PALMER & WOINARSKI, 1999).
Desta forma, as interações ecológicas nesse ecossistema são
complexas e importantes para a manutenção da sua biodiversidade
(O’CONNELL et al, 2022). Os manguezais abrigam muitas espécies animais e
vegetais endêmicas e ameaçadas de extinção (ADLA et al., 2022). Além disso,
atuam como berçários naturais, fornecendo habitats ideais para espécies de
peixes e crustáceos (SILVA et al., 2021). Esses habitats são vitais para a
reprodução,
crescimento
e
sobrevivência
dessas
espécies,
que
são
fundamentais para a pesca comercial e a segurança alimentar de muitas
comunidades costeiras (BRASIL, 2018; COPERTINO et al., 2017).
14
A vegetação de manguezais é constituída principalmente por três tipos
de plantas: mangue vermelho (Rhizophora spp.) com oito espécies descritas,
mangue preto (Avicennia spp.) que possui oito espécies descritas e mangue
branco, com apenas uma espécie descrita (Laguncularia racemosa). Cada uma
dessas espécies ocupa ambientes relativamente diferentes dentro do
manguezal. O mangue vermelho, que recebe esse nome popular por conta de
sua madeira avermelhada, cresce em áreas mais próximas à água.O mangue
branco é encontrado em áreas mais elevadas e apresenta uma rede densa de
raízes aéreas que lhes permitem capturar nutrientes do solo e do ar. Já os
mangue preto é encontrado em áreas mais secas e arenosas, onde suas raízes
são capazes de armazenar água para períodos de seca, e possuem glândulas
de exclusão de sal (SOUZA et al., 2018).
Culturalmente, comunidades tradicionais utilizam os manguezais para a
realização de tradições e crenças religiosas, além de o utilizarem para a
produção de remédios naturais (NABEELAH BIBI et al., 2019). Além disso,
também são importantes num contexto socioeconômico, servindo de sustento
financeiro para comunidades pesqueiras que se alimentam das espécies
nativas e promovem atividades turísticas nesses ambientes.
No Brasil, a lei de proteção aos manguezais nº 11.428/2006 (Brasil,
2006) estabelece proteção e recuperação para este ecossistema. Em 25 de
maio de 2012 foram incluídos no Código Florestal Brasileiro segundo a lei nº
12.651 (Brasil, 2012), sendo considerados Áreas de Preservação Permanente
(APP), onde é proibido desmatar, explorar economicamente e promover
intervenções que alterem seu funcionamento e benefícios oferecidos.
Apesar desse arcabouço de proteção legal, nas últimas décadas os
manguezais
vêm
perdendo
área
globalmente
devido
a
urbanização,
desenvolvimento industrial, agricultura, aquicultura, super exploração de
produtos florestais, poluição causada pelos descartes indevidos de resíduos e
mudanças climáticas (FERREIRA & LACERDA, 2018). A perda de área
impacta não só a biodiversidade local, mas tem efeitos na qualidade de vida
das comunidades costeiras que utilizam esse ecossistema para sua
subsistência, visto que eles praticam a pesca artesanal, a coleta de moluscos e
crustáceos, sendo atividades que dependem dos manguezais (SANTOS et al.,
2017).
Além
disso,
os
manguezais
são
contaminados
por
metais
15
potencialmente tóxicos, que quando bioacumulados causam impactos muitas
vezes irreversíveis ao organismo afetado.
2.2 Metais não essenciais potencialmente tóxicos
Dentre os metais mais prejudiciais para os ecossistemas costeiros está o
mercúrio (Hg), elemento químico que pertence à família dos metais de
transição e é considerado um elemento potencialmente tóxico, tendo alta
capacidade de conduzir eletricidade e calor (WUANA & OKIEIMEN, 2011).
Apresenta tensão superficial maior que outros elementos, tendo como principal
característica a volatilidade e a facilidade em evaporar (WUANA & OKIEIMEN,
2011).
O mercúrio inorgânico não contém ligações químicas entre mercúrio e
carbono. Dentre os mercúrios inorgânicos estão o mercúrio elementar, que é
usado em termômetros e barômetros; o mercúrio divalente, que é um íon de
mercúrio encontrado em fontes naturais e em alguns produtos químicos; o
cloreto de mercúrio, utilizado em produtos como baterias e alguns cosméticos;
e o dióxido de mercúrio, junção do mercúrio e oxigênio utilizada na fabricação
de dispositivos elétricos e produtos químicos (BHAN & SARKAR, 2005)
O mercúrio orgânico é a combinação de mercúrio ligado a átomos de
carbono. Podem ser encontrados na forma de metilmercúrio, que é a
conversão microbiológica do mercúrio inorgânico em água doce, salgada ou
solo; etilmercúrio, que é um composto sintético, utilizados em produtos
agrícolas (fungicidas) e marcenaria (conservantes de madeiras) (GONGREN et
al., 2008); fenilmercúrio, usado em alguns produtos eletrônicos; e o metoxietil
mercúrio, um composto sintético que indústrias utilizam como pesticidas e
herbicidas (OKRIKATA & NWOSU, 2023).
As principais fontes de contaminação por mercúrio são a mineração de
ouro e o uso na agricultura. Durante a mineração do ouro, o mercúrio é
utilizado para separar o ouro dos outros minerais (DIAZ et al., 2020), sendo
liberado no solo durante o processo, podendo chegar aos rios e oceanos.
Alguns herbicidas que contêm Hg em sua fórmula são utilizados na agricultura
e assim acabam contaminando de forma direta o solo, apesar de serem
proibidos em vários países e ter uma regulamentação bem rigorosa (REZENDE
et al., 2022).
16
Indústrias que produzem cloro e soda cáustica podem contaminar o
ambiente
com
mercúrio
através
de
emissões
atmosféricas,
descarte
inadequado dos resíduos gerados e vazamentos e derramamentos das
tubulações de produção (OKRIKATA & NWOSU, 2023). O descarte
inadequado de resíduos sólidos como lâmpadas fluorescentes, termômetros,
pilhas e baterias que contém mercúrio em sua composição contaminam o solo
e a água (XIONG et al., 2019). Na queima de combustíveis fósseis de carvão e
petróleo, o Hg é liberado no ambiente através do ar, e pode se acumular em
corpos d’águas e solos, se transformando em metilmercúrio (SINGH et al.,
2023).
O metilmercúrio é a forma mais tóxica do mercúrio e, devido ao seu
potencial de acumulação ao longo da cadeia trófica, ele é considerado um
problema de saúde pública (MUÑOZ et al., 2023). A contaminação por
metilmercúrio em humanos pode causar danos ao sistema nervoso central,
principalmente em fetos e crianças, afetando seu desenvolvimento cognitivo e
motor e podendo causar problemas cardíacos e renais (JANNETTO et al.,
2023).
Devido à alta toxicidade do mercúrio, em 2017 entrou em vigor a
Convenção de Minamata, que estabelece medidas para a redução da sua
concentração no meio ambiente. Tais medidas englobam a proibição de
extração de mercúrio metálico e regulamentação da quantidade de mercúrio
em produtos que o utilizam, além de medidas que protegem a saúde humana
(MINAMATA, 2023).
Todos os materiais e substâncias que contêm em sua composição Hg
são potencialmente tóxicos e bioacumulam facilmente, apresentando um alto
risco à biodiversidade (LOZANO et al., 2023). A bioacumulação nos
organismos causa efeitos diferentes e pode levar à consequências graves a
curto e longo prazo tanto para os ecossistemas como para os seres humanos
(LOVETT et al., 2009).
Para monitorar esse tipo de contaminação no ambiente, são utilizados
alguns índices de avaliação de risco que levam em consideração fatores de
concentração detectados nas amostras coletadas (GROS et al., 2010). A partir
desses fatores é avaliado o risco que a contaminação representa ao
ecossistema. Estes índices são ferramentas que auxiliam na identificação e
17
medição de riscos ao ambiente. Alguns dos índices mais utilizados para avaliar
a contaminação do solo são o Índice de Geoacumulação (Igeo) e o Índice de
risco ecológico potencial (RI). Para a avaliação de contaminação de plantas é
utilizado o Fator de bioacumulação (BCF).
O Igeo foi criado por Muller (1969) como uma ferramenta para avaliar a
contaminação por metais potencialmente tóxicos em solos e sedimentos,
baseando-se na comparação das concentrações de metais potencialmente
tóxicos e na concentração de um valor referência. Solos e sedimentos com
valores de Igeo abaixo de zero são considerados não contaminados; valores
entre 0 e 1 são considerados não contaminados a moderadamente
contaminados; entre 1 e 2 moderadamente contaminados; entre 2 e 3
moderadamente a fortemente contaminados; entre 3 e 4 fortemente
contaminados; e entre 4 e 5 fortemente contaminado (FERREIRA et al., 2022).
O Fator de Risco Ecológico é utilizado para avaliar o risco ambiental de
um determinado metal (Hakanson 1980). Este índice classifica o elemento
químico em cinco categorias: baixo, moderado, considerável, alto e muito alto
(FERREIRA et al., 2022).
O Fator de Bioacumulação (BCF) é usado desde meados de 1950 para
avaliar o nível de concentração de metais em plantas, importante para avaliar
os efeitos que a contaminação causa na vegetação estudada. Valores maiores
que 1 indicam alta bioacumulação (USMAN et al., 2019).
Dessa forma ao utilizar esses índices, é possível obter informações
precisas sobre os riscos associados a uma determinada atividade, incluindo a
probabilidade de ocorrência e a magnitude do impacto ambiental. Além disso,
os índices de avaliação de risco também são úteis para a elaboração de
políticas e normas de proteção ambiental, fornecendo uma base sólida para a
tomada de decisões em relação à gestão de riscos ambientais.
18
REFERÊNCIAS
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21
3 AVALIAÇÃO DE MERCÚRIO EM UM MANGUEZAL DE ÁREA
PROTEGIDA DO LITORAL NORTE DE ALAGOAS
MERCURY EVALUATION IN A MANGROVE SWAMP OF A PROTECTED
AREA ON THE NORTHERN COAST OF ALAGOAS
Amorim, C.B., Anunciação, D.S., Mello,F., Freire, E.S., Santos, J.C.C.,
Malhado, A. C., Diele-Viegas, L.M.
Resumo: O manguezal é um ecossistema costeiro singular, cuja dinâmica está
associada à manutenção e equilíbrio do planeta. A vegetação de mangue é
composta por plantas adaptadas a ambientes salinos e pantanosos que
possuem características únicas para se desenvolver nesse tipo de ambiente.
Destaca-se a espécie Laguncularia racemosa, que possui um papel relevante
como indicador ecológico. No entanto, o ecossistema de manguezal vem sendo
impactado negativamente por atividades antrópicas que afetam sua
funcionalidade e serviços ambientais, levando à perda de área e consequente
perda de produtividade. Foi selecionado um manguezal do litoral norte do
estado de Alagoas, Brasil, para avaliação de índices de geoacumulação (Igeo),
risco ecológico (ER) e o de bioconcentração (BCF) por meio da determinação
de Hg em amostras de sedimento, raízes e folhas de L. racemosa. As amostras
foram submetidas à digestão ácida e, em seguida, à análise por espectrometria
de fluorescência atômica com vapor frio (CV AFS). Os teores máximos de Hg
nas amostras de sedimento, raízes e folhas foram, respectivamente, 0,20; 0,19
e 0,11 mg/kg. O Igeo indicou que ambos os pontos encontram-se no grau de
classificação de 0-1 (não contaminado a moderadamente contaminado),
enquanto o índice BCF indicou baixa bioconcentração tanto nas raízes quanto
nas folhas. Os resultados evidenciaram que o ecossistema estudado pode ser
atribuído como ambiente relevante e remoto em termos de contaminação por
Hg servindo de referência para estudos de monitoramento futuros. Entretanto,
há que se considerar a necessidade de realização de um monitoramento a
longo prazo de forma a inferir sobre a qualidade desse ambiente quanto aos
potenciais riscos de exposição ao Hg.
Palavras-chave: ecossistemas
Laguncularia racemosa.
costeiros;
contaminação;
fitorremediação;
Abstract: The mangrove is a unique coastal ecosystem whose dynamics are
associated with the maintenance and balance of the planet. The mangrove
vegetation is composed of plants adapted to saline and marshy environments
that have unique characteristics to develop in this type of environment. The
species Laguncularia racemosa stands out, which has a relevant role as an
ecological indicator. However, the mangrove ecosystem has been negatively
impacted by anthropogenic activities that affect its functionality and
environmental services, leading to area loss and consequent loss of
productivity. A mangrove swamp on the northern coast of Alagoas State, Brazil,
was selected for evaluation of geoaccumulation index (Igeo), ecological risk
(ER) and bioconcentration index (BCF) through the determination of Hg in
sediment samples, roots and leaves of L. racemosa. The samples were
submitted to acid digestion and then to analysis by cold vapor atomic
22
fluorescence spectrometry (CV AFS). The maximum Hg contents in the
sediment, root and leaf samples were 0.20; 0.19 and 0.11 mg/kg, respectively.
The Igeo indicated that both sites are in the classification grade of 0-1 (not
contaminated to moderately contaminated), while the BCF index indicated low
bioconcentration in both roots and leaves. The results showed that the studied
ecosystem can be assigned as a relevant and remote environment in terms of
Hg contamination serving as a reference for future monitoring studies. However,
the need for long-term monitoring should be considered in order to infer on the
quality of this environment regarding the potential risks of Hg exposure..
Key-words: coastal ecosystems; contamination; phytoremediation; Laguncularia
racemosa.
1. INTRODUÇÃO
Os manguezais são ecossistemas costeiros singulares, responsáveis por
serviços ecossistêmicos fundamentais para a manutenção e equilíbrio do
planeta (SCHAEFFER-NOVELLI, 1995). Além disso, abrigam uma grande
diversidade de peixes e crustáceos de elevada importância econômica e social,
propiciando sustento de comunidades humanas tradicionais e daqueles
vinculados direta e indiretamente à utilização dos seus recursos (SANTOS et
al., 2021).
A vegetação de mangue é altamente adaptada a essas condições
ambientais extremas, que incluem altos níveis de salinidade, mudanças rápidas
de maré, baixos níveis de oxigênio e altas concentrações de metais não
essenciais potencialmente tóxicos (DAS et al., 2016). Essas plantas
desenvolveram adaptações fisiológicas, morfológicas e anatômicas que lhes
permitem sobreviver e prosperar nesses ambientes desafiadores (KUMAR et
al., 2020).
Os manguezais se estabelecem ao longo de toda a costa brasileira,
onde predominam três espécies de plantas: Rhizophora mangle L. (mangue
vermelho), a Laguncularia racemosa L. (mangue branco) e Avicennia
schaueriana Stapft & Leechm (MATIAS & SILVA, 2017). Essa baixa
diversidade florística de espécies arbóreas se deve às condições abióticas às
quais o ecossistema está submetido, uma vez que poucas espécies estão
adaptadas para sobreviver em um ambiente com essas características
(SANTOS, 2009).
Apesar da sua importância, esse ecossistema vem sendo impactado
negativamente por atividades antrópicas levando a uma perda de área e
23
consequente diminuição de produtividade, que afetam sua funcionalidade e
serviços ambientais (MACFARLANE e BURCHETT, 2001). As atividades que
mais impactam os manguezais incluem a agricultura, aquicultura, indústria e o
descarte incorreto de esgoto doméstico (ARAÚJO et al., 2020; LEE et al.,
2014). Essas atividades escoam metais que chegam ao manguezal, podendo
prejudicar o metabolismo das plantas e afetar a resiliência do ecossistema
(FREITAS et al., 2009).
O mercúrio (Hg) é um metal não essencial potencialmente tóxico, que
tem como principais características sua alta toxicidade, bioacumulação e
volatilidade (SHAHID et al., 2020). O acúmulo de Hg afeta o crescimento das
plantas e induz o estresse oxidativo em células e tecidos vegetais, o
rompimento da membrana lipídica, alterações na pigmentação da planta e o
aumento da produção de metabólitos. (DAS et al., 2016; HE et al., 2014). Seu
efeito de bioacumulação ainda permite que a sua toxicidade aumente ao longo
da cadeia trófica (FELIX et al., 2022).
No litoral de Alagoas, a degradação dos manguezais está diretamente
relacionada à poluição pela ampliação da rede hoteleira e às atividades
turísticas, além da grande expansão da monocultura de cana-de-açúcar e coco
(CORREIA & SOVIERZOSKI, 2008). No entanto, além do fato dos manguezais
serem considerados áreas de preservação permanente (APP), de acordo com
a Lei Federal nº 12.651/2012 (Código Florestal) (BRASIL, 2012), com limites de
uso, os manguezais de grande parte do litoral alagoano estão dentro uma Área
de Proteção Ambiental Costa dos Corais (APA) e, por consequência, precisam
ser monitorados e preservados.
Avaliar a contaminação de mercúrio em manguezais é fundamental para
a identificação de potenciais riscos à saúde humana e ao meio ambiente.
Sendo assim, o objetivo deste trabalho consistiu em avaliar o grau de
contaminação de Hg através da sua concentração e índices de impactos
ambientais em um manguezal localizado dentro de uma APA no litoral norte de
Alagoas, Brasil.
24
2. METODOLOGIA
2.1 Área de estudo
O manguezal avaliado neste estudo está localizado no rio Manguaba
(Figura 01), próximo ao município de Porto de Pedras (-09º 09’ 29” S; 35º 17’
46” W), situado no litoral Norte do estado de Alagoas, Brasil. O município faz
parte da Área de Proteção Ambiental Costa dos Corais – APACC, uma
Unidade de Conservação de Uso Sustentável (ICMBio, 2013) e está há 110 km
da capital Maceió, tendo 257,105 km em extensão territorial e uma população
estimada em 7.618 habitantes (IBGE, 2021).
A bacia hidrográfica do rio Manguaba é considerada a mais importante
do litoral norte alagoano, interligando as cidades de Porto Calvo, Japaratinga e
Porto de Pedras. Este rio já foi muito utilizado para o fluxo de mercadorias e
comércio entre portugueses e holandeses e, atualmente, além da irrigação de
lavouras de cana-de-açúcar, é uma fonte de recursos naturais como peixes e
mariscos, além da água de abastecimento das cidades por onde passa,
revelando assim seu potencial socioeconômico para a população local
(COUTINHO et al., 2022). A coleta foi feita em dois pontos do manguezal,
sendo o primeiro localizado a 21 km e o segundo a 37 km de distância de uma
usina açucareira (Figura 01).
Figura 01- Mapa de localização da área de estudo e pontos de coleta.
25
Fonte: Elaborado por Rosy Valéria Lopes, exclusivamente para este trabalho
(2023).
2.2 Amostragem
A amostragem foi realizada no mês de junho de 2022 e para cada ponto
de coleta, foi delimitada uma parcela triangular onde foram coletadas amostras
de sedimento, raiz e folhas de indivíduos de Laguncularia racemosa (L.)
Gaertn. f.. As amostras foram coletadas em triplicata, a uma distância de 10 m
entre si, totalizando dezoito amostras.
A coleta do sedimento (n=3) ocorreu próximo à raiz da árvore. O
sedimento abaixo de 15 cm de profundidade foi coletado com o auxílio de um
trado, homogeneizado em uma bandeja de polietileno e as amostras obtidas
foram acondicionadas em sacos de polietileno para transporte até o laboratório.
A L. racemosa é uma espécie da família Combretaceae, conhecida
como mangue branco, devido a sua característica de apresentar casca externa
branca e lisa. Além disso, suas folhas jovens são brancas, o que contribui para
o nome popular. A espécie foi selecionada por ser considerada uma espécie
bioindicadora de manguezais poluídos (KUMARI et al., 2020).
Foram coletadas 1 amostra de raiz e 20 unidades de folhas de L.
racemosa da mesma árvore. Foi determinada uma área de 10 cm de diâmetro
por 10 cm de profundidade para a coleta das raízes, as quais foram lavadas
com água deionizada, e, assim como as folhas, acondicionadas em sacos de
polietileno e mantidas sob refrigeração até a etapa de tratamento das amostras
(RODRIGUES et al., 2013).
Por fim, foram aferidos também os seguintes parâmetros físico-químicos
da água: temperatura (ºC), oxigênio dissolvido, pH e condutividade com o
auxílio de uma sonda multiparâmetros AK88-AKSO.
2.3 Tratamento das amostras
Em laboratório, foi usado o liofilizador (Terroni LS300, São Carlos,
Brasil) para secar as amostras de raiz e folha, para posterior tratamento. O
sedimento foi seco em bandejas de polietileno à temperatura ambiente por
26
cerca
de
3
a
4
dias.
Após
secagem,
as
amostras
foram
trituradas/homogeneizadas e acondicionadas em dessecador até a etapa de
digestão. Com o auxílio de um micro-ondas com cavidade, Milestone (Ethos
One, Sorisole, Itália), as amostras foram submetidas a uma digestão ácida para
eliminação da matéria orgânica e compatibilização da matriz com a técnica
analítica que seria utilizada para determinar a concentração de mercúrio. O
procedimento de digestão, adaptado de Rodrigues et al. (2014), envolveu a
pesagem de 0,500 g da amostra no frasco de teflon, adição de 6,0 mL de HNO 3
concentrado (14,4 mol L-1) e 2,0 mL de H2O2 30 % (v/v) e, em seguida, os
frascos vedados foram submetidos à radiação de micro-ondas de acordo com
os programas de aquecimento expressos nas Tabelas 01 e 02, a depender do
tipo de amostra.
A determinação de mercúrio nas amostras digeridas foi realizada, em
triplicata, no espectrômetro de fluorescência atômica com vapor frio (CV AFS)
(PS Analytical, modelo 10.025 Millenium Merlin, Reino Unido). Em 4 mL de
amostra, foram adicionados 5 mL de ácido clorídrico a 25%, 50 μL de uma
solução mista (mix) de brometo/bromato de potássio, 0,1/0,017 mol L-1, e 40 μL
de ácido ascórbico, 12% (m/v). Em seguida, as amostras foram avolumadas
com água ultrapura, condutividade de 18,2 MΩ, obtida a partir do sistema
Gehaka (São Paulo, Brasil) para um balão de 25 mL e então submetidas à
análise espectrométrica.
Tabela 01. Programa do forno de micro-ondas para digestão das amostras de
sedimento.
Etapa
Tempo (min)
Potência (W)
Temperatura (ºC)
1
10
1000
0 - 100
2
02
1000
100
3
08
1000
100 - 180
4
08
1000
180 - 100
5
08
1000
Ventilação
Fonte: Adaptado de Rodrigues et al. (2013).
Tabela 02. Programa do forno de micro-ondas para digestão das amostras de
folha e raiz.
27
Etapa
Tempo (min)
Potência (W)
Temperatura (ºC)
1
15
1000
0 - 100
2
10
1000
100
3
10
1000
100 - 180
4
10
0
Ventilação
Fonte: Adaptado de Rodrigues et al. (2013).
2.4 Impacto de risco ambiental
2.4.1 Índice de geoacumulação (Igeo)
O Igeo foi usado para determinar a intensidade do grau de
contaminação de Hg no sedimento (Tabela 03) e foi calculado segundo a
equação de Muller (1969):
Equação (1)
Igeo= log2 cn1,5* bn
No qual cn é a concentração do metal encontrado na amostra, 1,5 é o
fator de correção de efeitos e bn a concentração referência, 0,12 mg/kg ,
-1
baseado em Araújo et al., 2021, que quantificou metais encontrados em um
manguezal do litoral norte de Pernambuco.
Tabela 03. Classificação do Índice de Geoacumulação (Igeo)
Grau
Classe Intensidade
<0
0
Não contaminado
0-1
1
Não contaminado a moderadamente contaminado
1-2
2
Moderadamente contaminado
2-3
3
Moderadamente a fortemente contaminado
3-4
4
Fortemente contaminado
4-5
5
Fortemente a extremamente contaminado
>5
6
Extremamente contaminado
Fonte: Muller (1969).
28
2.4.2 Índice de Risco Ecológico (ER)
Esse índice foi utilizado para avaliar a saúde do ecossistema e a
existência de algum risco ecológico iminente por contaminação de Hg
(HAKANSON, 1980).
Equação (2)
Er= Thg . Fi
Onde Er é o valor equivalente ao risco ecológico, Thg é o valor a
concentração referência, cujo valor usado foi de 0,12mg/kg
-1
com base no
artigo de Araújo e colaboradores (2021), que fez uma quantificação em um
manguezal do litoral norte de Pernambuco e Fi valor da concentração mg/kg .
-1
Tabela 04. Grau de Potencial Risco Ecológico (Er).
Er
Potencial Risco Ecológico
<40
Baixo
40-80
Moderado
80-160
Considerável
160-320
Alto
>320
Muito Alto
Fonte: Hakanson (1980).
Fator de Bioconcentração (BCF)
Esse índice é usado para determinar a capacidade das plantas de
acumular metais não essenciais potencialmente tóxicos nas raízes ou folhas
em relação às concentrações de metais pesados nos sedimentos (OOST et al.,
2003). Valores <1 indicam bioconcentração de metais (DALLINGER, 1993).
Equação (3)
BCF= concentração de planta/concentração do sedimento
2.5 Análise estatística
Para a análise dos dados obtidos neste estudo, foi utilizado um modelo
linear generalizado (GLM), técnica amplamente utilizada para modelar a
29
relação entre variáveis independentes e dependentes em dados que não
seguem uma distribuição normal. Neste estudo, testamos a relação entre a
concentração de mercúrio (variável resposta), o tipo de amostra (sedimento,
raiz e folha), a distância em relação à usina açucareira e a interação entre as
duas variáveis preditoras. O modelo considerou a função de distribuição da
família Gaussiana devido à variável resposta (i.e., concentração de Hg) ser do
tipo quantitativa contínua, e função de ligação identity, uma vez que este é um
modelo linear padrão (Da Silva et al., 2022). A análise foi desenvolvida através
da função GLM do stats, pacote base do ambiente estatístico R, versão 4.2.1
(R Core Team 2022).
3.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A interação dos metais com o sedimento depende de aspectos físico-
químicos como o estado redox, teor de matéria orgânica, salinidade,
temperatura, pH, granulometria, dentre outros parâmetros do ambiente natural
(ZHAO et al. 2014). Daí a importância de se determinar os parâmetros físicoquímicos numa amostragem de campo. A Tabela 05 apresenta dos dados dos
parâmetros aferidos na amostragem. De acordo com os dados obtidos, podese inferir que o corpo d’água do ecossistema em estudo encontra-se dentro dos
limites estabelecidos para águas salobras de classe 1, a qual foi utilizada a
título de comparação com o presente trabalho.
Tabela 05- Características físico-químicas dos pontos de coleta
Ponto 01
Ponto 02
Oxigênio Dissolvido (DO)
6,72
6,68
pH
6,39
6,42
Condutividade
0,55
0,57
Salinidade
2,98
3,09
Temperatura (Cº)
24,8
24,6
A Tabela 06 apresenta os resultados analíticos de concentração de Hg
nas amostras do manguezal, seus respectivos desvios padrão e desvios
padrão relativos. De acordo com esses dados, se verifica que a concentração
30
de Hg variou no sedimento entre 0,18 e 0,20 mg/kg, valores abaixo do limite de
0,3 mg/kg estabelecido pelo CONAMA para material a ser dragado
(Brasil,2012). Nas raízes e folhas as concentrações de Hg variaram entre 0,15
e 0,19 mg/kg, 0,09 e 0,11 mg/kg, respectivamente.
Tabela 06. Média da concentração de Hg encontrado nos pontos de
amostragem 01 e 02
RSD
Ponto
Concentração
(mg/kg)
(%)
02
(mg/kg)
(%)
A1
0,2037±0,0016
0,80
A1
0,1844± 0,0005
0,29
Sedimento A2
0,1999± 0,0014
0,70
A2
0,1896± 0,0028
1,50
A3
0,2020±0,0020
0,98
A3
0,2055± 0,0011
0,56
A1
0,1900±0,0027
1,42
A1
0,1515± 0,0010
0,66
A2
0,1974± 0,0066
3,33
A2
0,1642± 0,0057
3,44
A3
0,1976± 0,0047
2,39
A3
0,1680± 0,0059
3,41
A1
0,0952± 0,0009
0,93
A1
0,1122± 0,0059
5,22
A2
0,0913± 0,0017
1,89
A2
0,1170± 0,0003
0,23
A3
0,0923± 0,0012
1,26
A3
0,1097±0,0022
1,99
AMOSTRAS
Raiz
Folha
Ponto
Concentração
01
±
sd
±
sd
RSD
Fonte: a autora, 2023.
A partir do tratamento estatístico do modelo linear generalizado (Tabela
07) foi possível avaliar a relação entre as variáveis (tipo de amostra e distância
31
da usina sucro-alcooleira) e sua influência na concentração de Hg. De acordo
com os dados, todas as relações foram significativas, não havendo, portanto,
sobreposição dos dados. A partir da Tabela 07 foi plotado um gráfico de boxplot em que se evidencia a diferença de concentração de Hg nas amostras em
função da distância da usina. No ponto mais próximo (21 km), a distribuição do
Hg apresentou um perfil coerente e de acordo com o esperado, uma vez que
maior teor foi encontrado no sedimento, seguido de raiz e folhas. Por outro
lado, no ponto mais distante da usina, o teor de Hg esteve distribuído de forma
similar entre sedimento e raiz, havendo uma menor migração desse elemento
na planta, uma vez que as folhas apresentaram as menores concentrações de
Hg, até inferiores às do ponto 01.
Tabela 07. Coeficientes de regressão e estatísticas do modelo GLM que
relaciona a concentração de mercúrio ao tipo de amostra (folha, raiz e
sedimento) e à distância da coleta em relação à usina açucareira em
manguezal do Rio Manguaba, Alagoas, Brasil.
Variável
Coeficiente
Erro-padrão
Valor t
Valor p
Intercepto
-1,99
0,05
-40,02
<0,001
Folha x Raíz
-0,25
0,06
-4,11
<0,001
Folha x Sedimento
0,25
0,06
4,34
<0,001
Distância
-0,01
0,002
-7,10
<0,001
(Folha x Raíz) x Distância
0,03
0,002
12,3
<0,001
(Folha x Sedimento) x Distância
0,01
0,002
5,68
<0,001
32
Figura 02. Concentração de mercúrio na folha (verde), raiz (marrom) e
sedimento (vermelho) nos pontos mais próximo (21 km) e mais distante (37 km)
em relação à usina açucareira.
Fonte: A autora, 2023.
O sedimento é considerado um dos principais acumuladores de metais
em ambientes aquáticos e a depender da profundidade oferece informações de
datação de contaminação (SANYALA et al., 2015). Os dados do presente
trabalho estão coerentes no que se refere à maior concentração de Hg no
sedimento em relação às amostras de L. racemosa. Entretanto, como os teores
foram baixos e não excederam o limite estabelecido pelo CONAMA, esse local
pode ser considerado uma zona remota (ambiente relevante) cujas
concentrações
de
Hg
podem
ser
atribuídas
como
background
para
monitoramentos futuros. Vale salientar a importância de se calcular o fator de
bioacumulação do Hg devido aos possíveis impactos tanto a vida aquática
como da população que tenha contato direto com esse ecossistema ao longo
dos anos.
33
A partir dos dados obtidos nas amostras de raízes e folhas, constatou-se
que não há contaminação por Hg em L. racemosa. Essa constatação pode ser
justificada pela identificação de um baixo potencial de translocação de metais
para a parte aérea desta espécie de mangue, o que pode ser decorrente da
baixa disponibilidade desse elemento no solo (ZHOU et al., 2011). Por ser uma
espécie que se desenvolve em ambiente encharcado e ter uma interação do
sistema radicular com o solo, a L. racemosa desenvolve placas de ferro, que
são barreiras protetoras localizadas na superfície das raízes que podem
condicionar o transporte para outras partes das plantas e até imobilizar o metal
em sua estrutura (DU et al., 2013; LI et al., 2016). A baixa concentração de Hg
nas folhas pode se dar pela ação de microorganismos presentes nas rizosferas
que podem oxidar compostos que interagem com metais diminuindo assim sua
disponibilidade e translocação no ecossistema, o que é comum em algumas
espécies de mangue (MEI et al., 2021).
As amostras de sedimento do ponto mais distante da usina sucroacooleira apresentaram Igeo entre 0,0159 e 0,0164, enquanto o ponto mais
próximo teve médias variando de 0,0148 a 0,0164 (Tabela 08).
As médias dos resultados do índice Er variaram de 0,0238 a 0,0244 e de
0,0221 a 0,0247, nos respectivos pontos P1 e P2 (Tabela 08). Ambos os
pontos se enquadram, portanto, no grau de classificação de 0-1 (não
contaminado a moderadamente contaminado).
O índice de Fator de Risco Ecológico encontrado foi abaixo de 40 para
todas as amostras, se encaixando na categoria de baixo risco ecológico.
Embora nesta coleta o Er tenha sido baixo, vale salientar que esse valor foi
resultado de uma coleta única e que seria necessária a realização de mais
coletas para inferir acerca do fator de risco ecológico a longo prazo.
Apesar dos dois pontos avaliados terem sido classificados como não
contaminados
a
moderadamente
contaminados,
não
se
descarta
a
possibilidade de que o ambiente esteja em processo de contaminação, visto
que o acúmulo de Hg em sedimento não depende exclusivamente de fatores
ambientais. O escoamento de resíduos industriais e residenciais contribui
diretamente para o acúmulo deste metal, o qual mesmo em baixa
concentração, pode causar a poluição da água e tornar o ambiente impróprio
para desenvolvimento de plantas, animais de vida séssil e para quem se
34
alimenta deles, chegando até ao consumo humano (MADHAV et al., 2020;
STANKOVIC et al., 2014; WARD et. al., 2010).
Tabela 08. Média dos índices encontrados nos sedimentos dos pontos 01 e
02.
Ponto 01 IGeo
ER
Ponto 02 IGeo
ER
A1
0,0164 0,0244 A1
0,0148 0,0221
A2
0,0159 0,0242 A2
0,0152 0,0228
A3
0,0162 0,0238 A3
0,0164 0,0247
Fonte: a autora, 2023.
Os valores do BCF para raiz variaram de 0,92 a 0,99 para o ponto mais
distante e de 0,82 a 0,87 para o ponto mais próximo da usina (Tabela 09). Para
o índice aplicado às folhas, os valores variaram entre 0,45 e 0,47 no ponto
mais distante e entre 0,53 e 0,62 no mais próximo. Apesar do ponto mais
distante apresentar valores maiores de concentração em relação ao ponto mais
próximo da usina, a vegetação apresentou, de modo geral, uma baixa
bioconcentração de Hg.
Laguncularia racemosa pode ser um excelente bioindicador de metais com alto
potencial tóxico (BERNINI et al., 2010), e seu uso como bioindicador de ecossistemas
costeiros têm implicações importantes para monitoramento e gestão ambiental (LI el al.,
2020). Ao monitorar as concentrações de metais nos seus tecidos, é possível avaliar o
grau de contaminação no ambiente circundante, identificar potenciais fontes de poluição
e avaliar a eficácia de estratégias de gestão para reduzir os níveis de contaminação
(GÓMEZ-BERNAL et al., 2021). Os resultados indicam que as raízes apresentaram
maior concentração de Hg que outros tecidos vegetais, reforçando evidências
encontradas em estudos prévios (e.g., MOLINA et al., 2006; MARRUGO-NEGRETE et
al., 2015; 2016). Apesar disso, experimentos recentes indicam ainda que L. racemosa
pode ser um sumidouro atmosférico de mercúrio, pois suas folhas podem absorver Hg
pelo ar (TANG et al., 2021), além de transportar Hg do sedimento para a parte superior
através da corrente de transpiração (ZHOU et al., 2021).
35
A acumulação de metais nas raízes ocorre por meio do transporte
molecular na membrana radicular, criando um complexo transporte de metais
para o xilema (WILDA et al., 2020). Os metais tendem a se fixar mais na raiz
devido ao seu córtex externo, não transferindo metal para as outras partes das
plantas (WANG et al., 2021). A pressão das raízes que impulsiona o fluxo de
água ao longo da planta, transpiração foliar e capilaridade do xilema são
fatores que influenciam o transporte de substância pela planta (RUNGKU et al.,
2017).
Tabela 09. Média do índice de bioacumulação das raízes e folhas no ponto 01
e 02
Ponto 01 BCF Ponto 02 BCF
Raiz
A1
0,92 A1
0,82
A2
0,99 A2
0,87
A3
0,98 A3
0,82
Folha A1
0,47 A1
0,61
A2
0,45 A2
0,62
A3
0,46 A3
0,53
Fonte: a autora, 2023.
O grau de resiliência de L. racemosa a elementos tóxicos, associada à
sua capacidade de absorvê-los do ambiente, revela o potencial da espécie para
remediação de manguezais contaminados (VICTÓRIO et al., 2023). Assim,
dada a crescente problemática de conversão do uso da terra e constante
degradação na costa atlântica brasileira, a supressão de L. racemosa só
aumentaria a perda de funções importantes do ecossistema.
36
CONCLUSÃO
Ao determinar o teor de Hg no manguezal do rio Manguaba, identificouse um baixo grau de contaminação considerando os índices Igeo e Er para o
sedimento e BCF para raiz e folhas. É importante destacar que esta foi uma
coleta pontual, e que é preciso manter a vigilância sobre a presença de
mercúrio no manguezal.
A ampla distribuição e adaptabilidade de L. racemosa a torna uma
ferramenta valiosa para monitorar a contaminação por Hg em ecossistemas de
manguezais. Porém, o uso desta espécie como bioindicador não está isento de
limitações já que fatores como idade, tamanho e condições ambientais podem
influenciar os padrões de acúmulo de metais nos tecidos vegetais, e mais
pesquisas são necessárias para entender melhor esses fatores e aumentar a
precisão da abordagem de bioindicadores.
Os dados obtidos revelam a possibilidade de se utilizar esse ambiente
como referência de contaminação de Hg o qual poderá ser utilizado como
parâmetro em monitoramentos futuros. Outrosssim, é essencial que se
mantenha a realização de monitoramento e controle de atividades humanas
que possam contribuir para a inserção de Hg no ambiente natural, visando
minimizar os impactos negativos de possíveis contaminações.
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