Ingredy da Silva
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
INSTITUTO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE
Programa de Pós-graduação em Diversidade Biológica e Conservação nos Trópicos
INGREDY DA SILVA
DISTRIBUIÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DO MACRO E MICROPLÁSTICO EM
ECOSSISTEMAS COSTEIROS
MACEIÓ-ALAGOAS
Abril/2025
INGREDY DA SILVA
DISTRIBUIÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DO MACRO E MICROPLÁSTICO EM
ECOSSISTEMAS COSTEIROS
Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação
em Diversidade Biológica e Conservação nos Trópicos,
Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde.
Universidade Federal de Alagoas, como requisito para
obtenção do título de Mestre em CIÊNCIAS
BIOLÓGICAS, área de concentração em Conservação
da Biodiversidade Tropical.
Orientador: Prof. Dr. Robson Guimarães dos Santos
Coorientador: Dr. Ricardo Jessouroun de Miranda
MACEIÓ - ALAGOAS
Abril/2025
Catalogação na Fonte
Universidade Federal de Alagoas
Biblioteca Central
Divisão de Tratamento Técnico
Bibliotecário: Marcelino de Carvalho Freitas Neto – CRB-4 - 1767
S586d Silva, Ingredy da.
Distribuição e caracterização do macro e microplástico em ecossistemas costeiros /
Ingredy da Silva. – 2025.
66 f. : il.
Orientador: Robson Guimarães dos Santos.
Co-orientador: Ricardo Jessouroun de Miranda.
Dissertação (mestrado em Ciências Biológicas) – Universidade Federal de
Alagoas. Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde. Programa de Pós-Graduação
em Diversidade Biológica e Conservação nos Trópicos. Maceió, 2025.
Bibliografia: f. 60-66.
1. Poluição por plásticos. 2. Recifes de corais. 3. Áreas costeiras. I. Título.
CDU: 574
Folha de aprovação
Ingredy da Silva
DISTRIBUIÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DO MACRO E MICROPLÁSTICO
EM ECOSSISTEMAS COSTEIROS
Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação
em
Diversidade
Biológica
e
Conservação nos Trópicos, Instituto de Ciências
Biológicas e da Saúde da Universidade Federal de
Alagoas, como requisito para obtenção do título de
Mestre em CIÊNCIAS BIOLÓGICAS na área da
Biodiversidade.
Dissertação aprovada em 02 de abril de 2025.
Dr.(a) Robson Guimarães dos Santos/UFAL
(orientador)
Dr.(a) – Claudio Luís Santos Sampaio
Dr.(a)Ricardo Jessouroun de Miranda
(coorientador)
Dr.(a) – Guilherme Ramos Demétrio Ferreira
Dr.(a) Ryan Carlos Andrades
MACEIÓ - AL
Abril/2025
DEDICATÓRIA
Dedico este trabalho às três Marias da minha vida.
Maria Iêda, Maria Hilda e Maria José (in
memoriam), minhas maiores incentivadoras.
4
AGRADECIMENTOS
A Deus, minha força e refúgio nos momentos difíceis e ansiosos. A mim por levar esta
jornada com força e paciência, apesar de em muitos momentos querer desistir. Estou orgulhosa
de onde cheguei e do que me tornei depois daqui.
A Universidade Federal de Alagoas e ao Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde por
mais uma experiência de muito conhecimento adquirido ao longo desses dois anos que me
permitiram ser uma profissional ainda melhor.
Ao meu orientador, Prof. Dr. Robson Guimarães dos Santos, pelo acolhimento em mais
uma etapa da minha formação no agora ECOA Lab, pelo enriquecimento no meu conhecimento,
pelo exemplo de profissional e inspiração como pesquisador, espero ainda e um dia me tornar
metade do que é.
Aos meus colegas de laboratório, em especial Priscilla Oliveira, Lúcia Vanessa, Raíla
Maria e Thaila Myrella, que além de parceiras na pesquisa, foram casa e amizade ao longo deste
projeto, amo vocês. Aos demais companheiros de laboratório por terem me ajudado em mais
essa jornada, me acompanhando em cada campo, separando e planilhando cada amostra junto
comigo por meses a fio.
As minhas amigas de graduação e vida, mais uma vez, Thayná Félix e Ana Beatriz Silva
Melo, que suavizaram esta jornada quando precisei, foram apoio pessoal e profissional nos
campos e por acompanharem junto comigo cada passo das minhas conquistas profissionais.
Amo vocês e todas as memórias que construímos.
Aos meus amigos de turma, Afonso Xavier, Mariana Anélia, Alícia Torres, Emilly
Valentim e Milene Kelly. O que seria de mim esses dois anos sem vocês! Obrigada por
compartilharem essa jornada comigo.
Agradeço ainda mais as três mulheres mais importantes da minha vida, as minhas três
Marias: Maria Iêda, Maria Hilda e Maria José (in memoriam). Pelo que há de mais valioso, à
vida, o amor e a educação. Essa etapa se iniciou com a sua partida, vó. E ela será finalizada em
sua memória e por todo o amor e saudade que carrego em meu peito, sua neta vai ser mestra.
Obrigada por acreditarem que posso chegar tão longe, que posso ganhar o mundo, por me
guiarem onde quer que estejam e serem minha base, por todo incentivo, paciência e por me
transformarem no que sou hoje, eu amo vocês.
5
E, por fim, agradeço a todas as outras pessoas que contribuíram para mais uma etapa da
minha formação. Os financiadores desta pesquisa, aos professores e a todos que contribuíram
com a minha formação acadêmica e pessoal, apoio e amor.
6
RESUMO
A poluição por plástico se tornou uma ameaça ao nosso planeta nos últimos anos.
Devido ao seu baixo custo, propriedades físico-químicas e durabilidade, o plástico tem sido
amplamente utilizado em toda a sociedade, tornando-se onipresente em nossa vida e nos mais
diversos ecossistemas, causando diversos danos, tanto aos ecossistemas quanto para as
atividades econômicas e sociais como o turismo e a pesca local. A praia da Ponta Verde é um
dos principais corredores turísticos e de alto adensamento populacional do estado de Alagoas.
Portanto, este estudo teve como objetivo avaliar o acúmulo de plástico nos ecossistemas
costeiros, identificando suas principais fontes e potenciais fatores que influenciam o seu
acúmulo. A presença do plástico foi avaliada em quatro diferentes ecossistemas, são eles: (1)
Praia arenosa, (2) Recifes de coral (substrato e superfície da água) e (3) Banco de lama. O
microplástico foi coletado na praia arenosa e recifes de coral apenas. Para avaliar diferenças na
composição do macro e microplástico entre os diferentes ecossistemas, foi aplicada a análise
de Similaridade ANOSIM e para avaliar as forças que influenciam a dispersão e acúmulo de
plástico nos diferentes ecossistemas, utilizamos dados de variáveis ambientais e antrópicas
utilizando Modelos Lineares Generalizados (GLM). Um total de 8.855 itens foram coletados
nos diferentes ecossistemas descritos neste estudo e classificados de acordo com seu material,
tipo de plástico e possível origem. Apesar da notável diferença na quantidade de itens entre os
ecossistemas, a prevalência de itens plásticos foi semelhante em todos. A Praia arenosa
apresentou 83,96% de seus itens classificados como plástico, com o tipo Filme sendo
prevalente. No Recife de coral, 83,18% dos itens foram classificados como plástico. Destes
plásticos, os tipos Filme e Rígido foram os que mais se destacaram. Assim como nos dois
ecossistemas já citados, a Superfície da água obteve uma alta porcentagem de itens plásticos,
dentro dessa classificação, a maior porcentagem foi para itens Não Identificados quanto ao tipo
de plástico, seguido dos tipos Filme e Rígido. Os resultados obtidos a partir do teste ANOSIM
revelam uma diferença significativa na composição do plástico entre os ecossistemas analisados
(R=0.483; p=0.001), o que indicou que as amostras dentro de cada ecossistema são
consideravelmente mais similares entre si do que quando comparados entre eles. Os resultados
obtidos a partir dos Modelos Lineares Generalizados (GLM) indicaram que, de modo geral, em
todos os ecossistemas, o vento e as ondas foram estatisticamente significativos para distribuição
e acúmulo do plástico. No entanto, ao analisar separadamente cada ecossistema, padrões
distintos foram apresentados. A prevalência do plástico sobre os demais resíduos
antropogênicos pode estar relacionada com suas altas taxas de produção, que crescem ainda
mais a cada ano, e sua persistência nos ambientes pode desencadear uma série de efeitos
negativos, afetando principalmente os diversos organismos. Os achados deste estudo destacam
que o acúmulo e distribuição do plástico se dá através de formas distintas, com as principais
forças atuantes sobre elas sendo os ventos, ondas e principalmente as atividades antrópicas
como turismo e pesca. A partir disto, os resultados obtidos nesta pesquisa serão fundamentais
para subsidiar estratégias de manejo e mitigação da poluição por plástico em uma área tão
atrativa turisticamente.
Palavras-chave: Poluição por plástico, recifes de corais, áreas costeiras
7
ABSTRACT
Plastic pollution has become a threat to our planet in recent years. Due to its low cost, physicalchemical properties and durability, plastic has been widely used throughout society, becoming
ubiquitous in our lives and in the most diverse ecosystems, causing several damages, both to
ecosystems and to economic and social activities such as tourism and local fishing. Ponta Verde
beach is one of the main tourist corridors and with high population density in the state of
Alagoas. Therefore, this study aimed to evaluate the accumulation of plastic in coastal
ecosystems, identifying its main sources and potential factors that influence its accumulation.
The presence of plastic was evaluated in four different ecosystems, namely: (1) Sandy beach
(2) Coral reefs (substrate and water surface) and (3) Mud bank. Microplastic was collected on
the sandy beach and coral reefs only. To assess differences in the composition of macro and
microplastics between the different ecosystems, ANOSIM Similarity analysis was applied, and
to assess the forces that influence the dispersion and accumulation of plastic in the different
ecosystems, we used data from environmental and anthropogenic variables using Generalized
Linear Models (GLM). A total of 8,855 items were collected in the different ecosystems
described in this study and classified according to their material, type of plastic and possible
origin. Despite the notable difference in the amount of items between the ecosystems, the
prevalence of plastic items was similar in all. Sandy Beach had 83.96% of its items classified
as plastic, with Film types being prevalent. In Coral Reef, 83.18% of the items were classified
as plastic. Of these plastics, Film and Rigid types were the most prominent. As in the two
ecosystems mentioned above, the Water Surface had a high percentage of plastic items. Within
this classification, the highest percentage was for items that were not identified as to the type
of plastic, followed by the Film and Rigid types. The results obtained from the ANOSIM test
revealed a significant difference in the composition of the plastic between the ecosystems
analyzed (R=0.483; p=0.001), which indicated that the samples within each ecosystem are
considerably more similar to each other than when compared between them. The results
obtained from the Generalized Linear Models (GLM) indicated that, in general, in all
ecosystems, wind and waves were statistically significant for the distribution and accumulation
of plastic. However, when analyzing each environmental ecosystem separately, distinct patterns
were presented. The prevalence of plastic over other anthropogenic waste may be related to its
high production rates, which are growing even more each year, and its persistence in the
environment can trigger a series of negative effects, mainly affecting various organisms. The
findings of this study highlight that the accumulation and distribution of plastic occurs through
different forms, with the main forces acting on them being winds, waves and mainly
anthropogenic activities such as tourism and fishing. Based on this, the results obtained in this
research will be fundamental to support strategies for managing and mitigating plastic pollution
in such an attractive area for tourism.
Keywords: Plastic pollution, coral reefs, coastal areas
8
LISTA DE FIGURAS
REVISÃO DE LITERATURA
Figura 1: Fontes do microplástico...........................................................................................17
Figura 2: A dinâmica do plástico entre os diferentes ecossistemas.....................................................19
DISTRIBUIÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DO MACRO E MICROPLÁSTICO EM
ECOSSISTEMAS COSTEIROS
Figura 3: Recifes da Ponta Verde – Maceió, Alagoas, área de estudo. Os pontos de coleta na praia
arenosa são formados por 10 transectos identificados pela sigla TA = Transectos Areia e o número que
o segue. Os pontos de coleta no recife de coral são formados por 15 transectos identificados pela sigla
TR = Transectos Recife e o número que os segue. Os pontos de coleta nos bancos de lama são formados
por 4 pontos identificados pela sigla P = Ponto e o número que os segue.............................................. 32
Figura 4: Esquema ilustrativo dos procedimentos metodológicos empregados nas amostragens. As
siglas apresentadas representam a identificação de cada ponto de coleta, TA = Transecto Areia, TR =
Transecto Recife......................................................................................................................................34
Figura 5: Esquema ilustrativo da classificação do macroplástico na praia arenosa, recife de coral, banco
de lama e superfície da água. Cada cor representa as classificações utilizadas no estudo........................35
Figura 6: O tipo de material encontrado na praia arenosa, recife de coral, superfície da água e banco de
lama. Os materiais encontrados foram plásticos, papel, metal, tecido, vidro, outros (que incluem
Fragmentos de material de construção como cerâmicas e madeiras) e itens Não Identificados (NI) quanto
ao tipo material. Os valores estão apresentados em porcentagem e as cores seguem as classificações
listada na Figura 5....................................................................................................................................38
Figura 7: Os principais itens não plásticos encontrados na praia arenosa, recife de coral, superfície da
água e banco de lama. As barras empilhadas apresentam os itens encontrados em cada ecossistema com
base em seus valores absolutos................................................................................................................39
Figura 8: Densidade de itens plásticos na praia arenosa, recife de coral, superfície da água e banco de
lama. O gráfico apresenta as médias (pontos centrais nos violin plots), desvio padrão (barras) e a
concentração dos dados (áreas mais alargadas no violin plots) nos transectos em cada mês de
amostragem.............................................................................................................................................40
Figura 9: Os diferentes tipos de plásticos encontrados na praia arenosa, recife de coral, superfície da
água e banco de lama. As barras empilhadas apresentam os tipos de plástico em porcentagens, cada cor
representa os tipos de plástico de acordo com a Figura 5....................................................................... 41
Figura 10: Caracterização do macroplástico nos diferentes ecossistemas analisados. Cada anel
apresenta 4 segmentos, representando cada ecossistema analisado. De dentro para fora, os anéis
representam o tipo de plástico e a possível origem dos itens coletados e os tamanhos representam as
contagens dos itens em cada ecossistema.......................................................................................... ......42
Figura 11: Macroplástico encontrado nos diferentes ecossistemas. (a) ao (i) macroplástico coletado na
praia arenosa, recifes de coral e banco de lama contabilizado e caracterizado no laboratório, (k)
9
apetrecho de pesca abandonado capturado pela imagem do drone (l) embalagem capturada pela imagem
do drone (m) área de ancoragem de barcos com resíduos no sedimento (n) câmara de ar coletada no
recife de coral(o) embalagem na praia arenosa (p) Fragmento plástico coletado junto ao
arrasto......................................................................................................................................................43
Figura 12: A composição do macroplástico encontrado na praia arenosa, recife de coral, superfície da
água e banco de lama. As barras apresentam a quantidade de cada um dos principais itens encontrados
em cada ecossistema analisado com base em seus valores absolutos.......................................................44
Figura 13: Gráfico de Escalonamento Multidimensional Não-Métrico (NMDS) demonstrando a
diferença entre o tipo de plástico nos ecossistemas analisados...............................................................45
Figura 14: Variáveis ambientais que influenciam o plástico na praia arenosa, recife de coral, superfície
da água e banco de lama. As variáveis preditoras, velocidade do vento e intervalo das ondas são
representadas nos gráficos, as Linhas mostram que quanto maior o intervalo entre as ondas e maior a
velocidade do vento, maior será a distribuição do plástico entre os ecossistemas....................................46
Figura 15: Variáveis preditoras que influenciam o acúmulo e distribuição dos tipos de plástico na praia
arenosa. Atividades turísticas apresentam relação positiva para o acúmulo de plástico Rígido na praia
arenosa. As variáveis ambientais Velocidade do vento e ondas apresentam relação significativa com as
distribuições de plástico do tipo Linha e Filme........................................................................................47
Figura 16: Caracterização do microplástico nos diferentes ecossistemas analisados. Cada anel
apresenta 2 segmentos, representando cada ecossistema analisado. De dentro para fora, os anéis
representam o tipo de plástico dos itens coletados e os tamanhos representam as contagens dos itens em
cada ecossistema.....................................................................................................................................49
Figura 17: Microplástico encontrado nos diferentes ecossistemas. (a) Microesfera de isopor, (b)
microesfera de isopor, (c) Floco de tinta de embarcação encontrada nas amostras da praia arenosa, (d),
(e) e (f) fibra sintética encontrados nas amostras da Recife de coral, (g) Fragmento, (h) emaranhado de
fibra sintética (i) fibra sintética................................................................................................................50
Figura 18: Gráfico de Escalonamento Multidimensional Não-Métrico (NMDS) demonstrando a
diferença entre o tipo de microplástico nos ecossistemas analisados.......................................................51
10
SUMÁRIO
1 APRESENTAÇÃO...............................................................................................................13
2 REVISÃO DE LITERATURA............................................................................................14
2.1 Plástico: Da inovação à emergência ambiental....................................................................14
2.2 Classificação e caracterização do plástico............................................................................15
2.3 Distribuição do plástico em ecossistemas costeiros.............................................................17
2.4 Poluição por plástico e seus reflexos ambientais e socioeconômicos em ambientes costeiros
marinhos....................................................................................................................................19
REFERÊNCIAS......................................................................................................................22
3 DISTRIBUIÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DO MICRO E MACROPLÁSTICO EM
ECOSSISTEMAS COSTEIROS...........................................................................................27
3.1 Introdução..........................................................................................................................27
3.2 Material e Método..............................................................................................................31
3.2.1 Área de estudo..................................................................................................................31
3.2.1.1 Caracterização da área...................................................................................................31
3.2.2 Coleta de dados nos diferentes ecossistemas.....................................................................32
3.2.2.1 O macroplástico na praia arenosa...................................................................................32
3.2.2.2 O macroplástico no recife de coral: superfície da água...................................................33
3.2.2.3 O macroplástico no recife de coral: substrato.................................................................33
3.2.2.4 O macroplástico no banco de lama.................................................................................33
3.2.2.5 O microplástico na praia arenosa...................................................................................33
3.2.2.6 O microplástico no recife de coral..................................................................................34
3.2.3 Análise de dados...............................................................................................................34
3.2.3.1 Análise do macroplástico nos diferentes ecossistemas...................................................34
3.2.3.2 Análise do microplástico nos diferentes ecossistemas...................................................36
3.2.3.3 Análise estatística..........................................................................................................37
3.3 Resultados..........................................................................................................................38
3.3.1 Material dos resíduos antropogênicos nos diferentes ecossistemas...................................38
3.3.2 Densidade e composição do macroplástico nos diferentes ecossistemas.........................40
3.3.3 Uso original do macroplástico nos diferentes ecossistemas..............................................44
3.3.4 A similaridade do macroplástico nos diferentes ecossistemas...........................................45
11
3.3.5 Influências na distribuição e acúmulo de macroplástico nos diferentes ecossistemas.......46
3.3.6 Densidade e composição microplástico nos diferentes ecossistemas................................48
3.4 Discussão............................................................................................................................52
3.4.1 O macroplástico nos diferentes ecossistemas....................................................................52
3.4.2 O microplástico nos diferentes ecossistemas....................................................................55
3.5 Conclusões..........................................................................................................................59
REFERÊNCIAS......................................................................................................................60
12
1 APRESENTAÇÃO
A presente dissertação é composta de dois capítulos, o primeiro deles apresenta uma
revisão de literatura acerca da poluição por plástico nos ecossistemas costeiros e quais os
impactos econômicos, sociais e ecológicos desta poluição. O segundo capítulo desta dissertação
é oriundo da pesquisa realizada durante o período de mestrado (2023-2025) desenvolvida no
Laboratório de Ecologia e Conservação no Antropoceno – ECOA Lab, para o Programa de PósGraduação em Diversidade Biológica e Conservação nos Trópicos – PPG DIBICT, ambos da
Universidade Federal de Alagoas.
O primeiro capítulo divide-se em quatro partes, intituladas “Plástico: da Inovação à
emergência ambiental”, “Classificação e caracterização do Macro e microplástico”,
“Distribuição do plástico em ecossistemas costeiros” e “Poluição por plástico e seus reflexos
ambientais e socioeconômicos em ambientes costeiros marinhos”. A primeira parte aborda o
histórico da produção do plástico e como ele se tornou um dos principais poluentes do mundo,
a segunda e terceira partes abordam suas principais características, classificações, os principais
métodos para identificação do plástico, além das forças que podem impulsionar sua distribuição
e acúmulo nos diferentes ecossistemas, a quarta e última parte aborda os principais efeitos da
poluição por plástico nos ecossistemas e na sociedade atual.
O segundo capítulo intitulado “DISTRIBUIÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DO
MACRO E MICROPLÁSTICO EM ECOSSISTEMAS COSTEIROS”, apresenta os principais
resultados obtidos a partir da coleta de mais de 8 mil resíduos antropogênicos em um
ecossistema costeiro da capital do Estado de Alagoas, a praia de Ponta Verde. A caracterização
foi realizada conforme o tipo de material, forma e uso original para o macro e microplástico
provenientes de coletas mensais no período de 2023-2024 nos seguintes ecossistemas: praia
arenosa, recife de coral (substrato e superfície da água) e bancos de lama. Desta caracterização
foram realizados testes estatísticos como o ANOSIM e Modelos Lineares Generalizados (GLM)
para uma análise sobre a relação e conectividade do plástico nos diferentes ecossistemas.
13
2 REVISÃO DE LITERATURA
2.1 Plástico: Da Inovação à Emergência Ambiental
Com o objetivo de encontrar uma solução para a escassez de matéria-prima para a
produção de plástico natural, amplamente utilizada ao longo dos séculos, o químico e inventor
britânico Alexander Perkes apresentou em 1862, a parkesina, um novo material plástico
orgânico derivado da nitrocelulose (Bijker, 1987; Lintsen et al., 2017). Essa invenção abriu
portas para que outros inventores da época explorassem as possibilidades envolvendo o nitrato
de celulose para a produção de Filmes transparentes sólidos e moldáveis, sendo este, o primeiro
passo para o desenvolvimento dos plásticos sintéticos (Bijker, 1987). Buscando aprimorar a
parkesina, em 1869, o inventor norte-americano John Wesley Hyatt simplificou o processo de
produção de celuloide, considerado o primeiro polímero sintético industrial e um substituto para
o plástico natural, que tinham alto custo de produção (Bijker, 1987; Lintsen et al., 2017).
Com a virada do século, em 1907, Leo Baekeland desenvolveu o primeiro plástico
comercial feito de componentes sintéticos, chamado “Baquelite”, que é produzido a partir da
combinação por polimerização de fenol (C6H5OH) e formaldeído (HCHO) (Bijker, 1987;
Napper & Thompson, 2020). Contudo, a descoberta do plástico sintético e sua fabricação em
escala industrial ganhou impulso significativo apenas durante a Segunda Guerra Mundial,
período em que surgiram polímeros essenciais como o polietileno (PE) e o poliestireno (PS),
amplamente utilizados até os dias atuais (Lintsen et al., 2017; Zhang et al., 2022; Pilapitiya &
Ratnayake, 2024).
O término da guerra não desacelerou a produção plástica, pelo contrário, a indústria
expandiu-se rapidamente, principalmente entre a década de 1950 e 1960, dando origem a novos
materiais, como o poliéster e o polipropileno (PP), este último um dos polímeros mais
produzidos e consumidos no mundo (Barboza et al., 2019; Lechthaler et al., 2020; Napper &
Thompson, 2020; Santos et al., 2021; Rellán et al., 2023). O plástico consolidou-se como uma
commodity barata, versátil e de fácil fabricação, sendo incorporado em praticamente todos os
setores da economia, incluindo medicina, transporte, tecnologia, embalagens e construção civil
(Napper & Thompson, 2020). Atualmente, a produção global de plástico está em cerca de 400
milhões de toneladas por ano, e estima-se que esta produção chegue a 33 bilhões de toneladas
até 2050 (Rochman et al., 2013; Stegmann et al., 2022).
Embora o plástico tenha trazido inúmeros benefícios econômicos e avanços
tecnológicos, seu uso desenfreado, a utilização massiva de itens descartáveis e a baixa eficiência
14
na reciclagem resultaram em uma crise ambiental sem precedentes (Macleod et al., 2021),
caracterizada pelo acúmulo de resíduos plásticos no meio ambiente (Napper & Thompson,
2020; Stegmann et al., 2022; Rellán et al., 2023). Desde meados da década de 1980, os impactos
ambientais do plástico começaram a ganhar atenção científica, especialmente nos ambientes
marinhos, onde detritos plásticos eram observados flutuando nos oceanos e acumulando-se em
praia remotas (Napper & Thompson, 2020; Long et al., 2022). Além disso, cresciam os registros
de animais marinhos afetados, tanto por ingestão acidental quanto por emaranhamento nesses
resíduos (Van Franeker, 1985; Blockstein, 1988; Auman et al., 1997).
A preocupação com a poluição por plástico se intensificou entre os anos de 1990 e 2000,
com a presença dos microplásticos em ambientes aquáticos (Furness, 1985; Rilling, 2012).
Estudos demonstraram que essas partículas podem ser ingeridas por organismos marinhos
sendo transferido ao longo da cadeia alimentar, chegando ao ser humano, levantando
preocupações não apenas ambientais, mas também de saúde pública (Chubarenko et al., 2020;
Siddiqui et al., 2023; Eze et al., 2024). Devido à alta persistência no meio ambiente, o plástico
pode levar de décadas a séculos para se degradar naturalmente, tornando seu acúmulo inevitável
nos ecossistemas (De Vita & Giannuzi, 2019; D’Souza et al., 2020; Macleod et al., 2021).
Como destacado por Macleod e colaboradores (2021), o plástico configura-se como um
poluente de difícil reversão, tanto pela contínua e crescente emissão global quanto pela sua
longa permanência no ambiente. Diante desse cenário, o plástico, antes celebrado como uma
revolução industrial e tecnológica, passou a ser conhecido como um dos maiores desafios
ambientais do século XXI. A necessidade de estratégias eficazes para reduzir sua produção,
minimizar seu descarte inadequado e mitigar seus impactos torna-se, portanto, uma prioridade
urgente para governos, cientistas e sociedade como um todo.
2.2 Classificação e caracterização do Macro e microplástico
A poluição por plástico é composta por uma ampla variedade de detritos, que podem ser
classificados com base em sua composição, tamanho e origem (Chatuverdi et al., 2020). O
plástico é composto de uma gama de polímeros, e a classificação destes polímeros é baseada
em sua origem, propriedades térmicas e mecânicas, uso final e configuração molecular
(Desidery & Lanotte, 2022). Os polímeros plásticos mais importantes e comumente utilizados
são classificados como termoplásticos (Vegt, 2006). Polietileno (PE), Polipropileno (PP),
Cloreto de polivinila (PVC), Poliestireno (PS), Poliamida (PA) e Tereftalato de polietileno
15
(PET) são utilizados principalmente na produção de embalagens, garrafas, fibras, canos e
calhas, para isolamento térmico, além de fibras têxteis (Vegt, 2006; Bjorkner et al., 2011).
Já com base em seu tamanho, o plástico é categorizado em cinco diferentes classes:
megaplásticos (>50 cm), macroplásticos (2,5 a 50 cm), mesoplásticos (0,5 a 2,5 cm),
microplásticos (0,1 µm a 5 mm) e nanoplásticos (<0,1 µm) (Rhodes, 2018). Os mega e
macroplásticos compreendem itens de grande porte, como embalagens de alimentos, garrafas,
sacolas plásticas e outros resíduos de descarte comum, frequentemente encontrados em
ambientes terrestres e aquáticos (Tursi et al., 2022). Esses detritos são altamente visíveis e
constituem a principal fonte de fragmentação que origina partículas menores, como os
mesoplásticos, que são uma categoria intermediária entre macros e microplásticos (Lechthaler
et al., 2020). Em geral, mesoplásticos são compostos de Fragmentos e alguns deles podem ter
origem definida, como Fragmentos de embalagem (Lee et al., 2017).
Os microplásticos, por sua vez, podem ser divididos em duas categorias principais:
primários e secundários. Os microplásticos primários são fabricados intencionalmente nesse
tamanho reduzido para diversas aplicações industriais e comerciais, incluindo cosméticos,
produtos de higiene pessoal e materiais abrasivos usados em processos industriais, e são mais
frequentemente produzidos com PE, PP e PS (Walker & Frequet, 2023) (Figura 1). Estes
Fragmentos comumente chegam ao ambiente por meio de efluentes de estações de tratamento
de esgoto ou de derramamentos acidentais. Já os microplásticos secundários resultam da
degradação de detritos plásticos maiores, como sacolas e garrafas descartadas no ambiente,
devido à exposição a processos naturais como ação mecânica (ondas e vento), radiação
ultravioleta e degradação química (Rilling, 2012; Massos & Turner, 2017; Thusari &
Senevirathna, 2020). As menores partículas plásticas, denominadas nanoplásticos, são
produzidas involuntariamente a parte da degradação de meso e microplástico (Walker e Frequet,
2023). Estas partículas vão parar no ambiente por diversas fontes, como lavagem de roupas,
através do ar e de tintas látex e acrílicas, por exemplo (Walker e Frequet, 2023).
F
16
Figura 1: Fontes do microplástico.
Fonte: Adaptado de Chaves (2019).
Dada a variedade de formas, o plástico, em especial o microplástico, foi descrito
utilizando uma diversidade de terminologias, esferas, contas, grânulos, filamentos, fibras,
Linhas, Filmes, Espumas e Fragmentos são algumas delas (Lusher et al., 2020). Esses registros
morfológicos podem ser valiosos para identificar as potenciais fontes, comportamento e
impactos nos ecossistemas (Lusher et al., 2020). Métodos de caracterização incluem técnicas
que analisam o tamanho, formato e composição química dos polímeros plásticos (Cverenkárová
et al., 2021). A identificação e quantificação desses materiais podem ser realizadas por meio de
análises visuais, espectroscópicas e microscópicas (Lenz et al., 2015; Song et al., 2015; Lusher
et al., 2020). Com isso, a classificação detalhada dos macros e microplásticos são essenciais
para compreender a dinâmica da poluição por plástico, desde sua origem até sua dispersão em
diferentes ecossistemas costeiros (ou seja, seções dos ecossistemas costeiros onde materiais,
substâncias e organismos se distribuem e interagem) e seus impactos nestes ecossistemas
(Rellán et al., 2023).
2.3 Distribuição do plástico em ecossistemas costeiros
Os processos físicos, químicos e biológicos responsáveis pelo desgaste do plástico
promovem sua fragmentação em micropartículas, modificando suas propriedades e
comportamento no ambiente (Chubarenko et al., 2020). Essas transformações influenciam
diretamente o fluxo, a distribuição e a permanência dos detritos plásticos nos diferentes
ecossistemas, moldando seus impactos ecológicos e potenciais riscos à biota (Setala et al., 2018;
Macleod et al., 2021).
A interação entre os plásticos e os fatores ambientais é dinâmica e pode ser intensificada
por eventos extremos associados às mudanças ambientais. Por exemplo, ventos fortes
aumentam a dispersão dos plásticos terrestres para ambientes aquáticos, enquanto chuvas
intensas e a elevação do nível do mar podem remobilizar Fragmentos plásticos previamente
sedimentados, promovendo sua redistribuição nos ecossistemas (Ford et al., 2022; Schwarz et
al., 2023). Além disso, resíduos plásticos são continuamente transportados por efluentes
urbanos e cursos d’água interiores, sendo carreadores eficientes de detritos para os oceanos
(WAGNER et al., 2019; Birch et al., 2020). Como as bacias hidrográficas atuam como
conectores entre ambientes terrestres e marinhos, grandes volumes de plástico são rapidamente
transferidos para os oceanos, tornando esses sistemas fontes persistentes de poluição por
plástico nos ecossistemas marinhos (WAGNER et al., 2019; Alencar et al., 2023).
17
O fluxo e a dispersão dos detritos plásticos variam conforme as características da
paisagem e do meio em que estão inseridos (Santos et al., 2021). Em ambientes terrestres e
aéreos, plásticos leves e microplásticos podem ser transportados por correntes de ar por
milhares de quilômetros, atingindo regiões remotas, incluindo áreas polares e de alta montanha
(Li et al., 2021). No ambiente marinho, além do transporte atmosférico, microplásticos podem
viajar para o oceano e, posteriormente, retornar ao meio terrestre por meio da pulverização do
mar, demonstrando a complexidade dos ciclos de redistribuição desses poluentes (Li et al.,
2021; Allen et al., 2020; Harris et al., 2023).
Nos sistemas aquáticos, o comportamento dos detritos plásticos depende de sua
densidade e da interação com as correntes oceânicas (Barboza et al., 2019; Santos et al., 2021).
Aproximadamente metade dos resíduos plásticos flutua na superfície devido à baixa densidade,
enquanto os materiais mais densos tendem a afundar e se acumular no fundo oceânico (Setala
et al., 2018). No entanto, processos de intemperismo, como radiação ultravioleta e ação
mecânica das ondas, aceleram a degradação e modificação da estrutura dos plásticos,
removendo rapidamente macroplásticos da superfície e redistribuindo-os ao longo da coluna
d’água e do leito oceânico (Macleod et al., 2021).
Além disso, partículas plásticas menores podem permanecer suspensas na coluna d’água
por meio de forças de arrasto e turbulência, sendo incorporadas aos ciclos biogeoquímicos dos
oceanos. A formação de biofilmes na superfície dos plásticos pode alterar sua flutuabilidade e
facilitar a agregação de partículas, aumentando seu tempo de residência nos ecossistemas
marinhos e ampliando sua interação com a biota (Setala et al., 2018; Li et al., 2021; Macleod et
al., 2021). Esses processos reforçam a onipresença dos plásticos no ambiente marinho e
destacam sua persistência como um dos desafios ambientais mais complexos da atualidade
(Figura 2).
18
Figura 2: A dinâmica do plástico entre os diferentes ambientes.
Fonte: Elaborado pela autora (2025).
2.4 Poluição por plástico e seus reflexos ambientais e socioeconômicos em ambientes
costeiros marinhos
Os detritos plásticos acumulados nos ecossistemas costeiros marinhos causam
diferentes impactos aos organismos e processos ecológicos essenciais desses ambientes (Zhang
et al., 2023). A fauna marinha é severamente afetada, principalmente por meio da ingestão e do
emaranhamento em detritos plásticos (Figura 2) (Thusari & Senevirathna, 2020). Até o
momento, 1288 espécies marinhas e 277 espécies de água doce e terrestres são conhecidas por
terem ingerido plástico (Santos et al., 2021). Essa ingestão causa, principalmente, bloqueios
gastrointestinais, desnutrição e até morte (Ryan, 2016; Thusari & Senevirathna, 2020; Savoca
et al., 2021).
O plástico também atua como um vetor para substâncias tóxicas, como metais pesados
e contaminantes orgânicos persistentes, que se aderem à superfície dos microplásticos e podem
ser absorvidos pelos tecidos dos organismos aquáticos, levando a alterações hormonais,
imunossupressão e efeitos reprodutivos (Rochman et al., 2014; Elizalde-Velázquez, 2020;
Thusari & Senevirathna, 2020; Savoca et al., 2021). Além disso, a “pesca fantasma”, provocada
por redes de pesca feitas de materiais como nylon e polietileno descartadas ou perdidas, captura
acidentalmente espécies ameaçadas, como tartarugas marinhas e tubarões, intensificando a
pressão sobre as populações marinhas (Lively & Good, 2019; Koziol et al., 2022).
19
Contudo, não apenas os organismos marinhos sofrem com a poluição por plástico, a
vegetação costeira também é impactada. A acumulação de plásticos nos sedimentos das praias
pode interferir na germinação de plantas nativas, como a vegetação de restinga, essencial para
a estabilização do solo e controle da erosão (Menicagli et al., 2019a; 2019b), e na vegetação de
manguezais, que são ambientes de importante papel para a filtragem de escoamento, estoque
de carbono, ciclagem de nutrientes, proteção da costa e área para desova e alimentação para
diferentes espécies marinhas (Mannulang et al., 2020). Além disso, os microplásticos
misturados ao solo podem modificar sua estrutura, afetando a retenção de água e nutrientes e,
consequentemente, a dinâmica de ecossistemas fragilizados (Chae & An, 2018; Macleod et al.,
2021).
As consequências da poluição por plástico também ameaçam a saúde humana (Waring
et al., 2018). Sua presença em alimentos destinados a consumo humano e em amostragens do
ar já foram relatadas (Wright & Kelly, 2017). Além disso, peixes e frutos do mar consumidos
por populações costeiras podem conter microplásticos e substâncias tóxicas associadas (Waring
et al., 2018; Cverenkárová et al., 2021; Lehel & Murphy, 2021). Estudos apontam que a ingestão
contínua desses contaminantes pode estar relacionada a doenças metabólicas, disfunções
hormonais e até doenças neurodegenerativas (Waring et al., 2018; Burgos-Aceves et al., 2021;
Cverenkárová et al., 2021).
Os impactos socioambientais também são significativos, afetando setores fundamentais
para a economia de regiões costeiras que vivem do turismo e da pesca artesanal. O descarte
inadequado de resíduos plásticos compromete os ecossistemas marinhos, reduzindo recursos
essenciais para diversas atividades econômicas (Thusari & Senevirathna, 2020; Aretoulaki et
al., 2021; Hossain et al., 2021). Além disso, o acúmulo de resíduos plásticos em regiões marinho
costeiras reduz a atratividade dos destinos turísticos, afetando a economia de comunidades que
dependem dessa atividade (Aretoulaki et al., 2021; Hossain et al., 2021).
Diante desse cenário, torna-se urgente o desenvolvimento de estratégias de gestão e
mitigação da poluição por plástico nos ambientes costeiros. A pesquisa científica tem um papel
fundamental na formulação de políticas públicas eficazes, fornecendo dados sobre a dinâmica
dos resíduos plásticos e seus impactos (Thusari & Senevirathna, 2020). Medidas como a
melhoria da gestão de resíduos sólidos (, campanhas de educação ambiental voltadas para
turistas e comunidades pesqueiras, regulação do uso de plásticos descartáveis e fortalecimento
da fiscalização ambiental são essenciais para reduzir a contaminação marinha (Eagle et al.,
2016; Da Costa et al., 2020; Rellán et al., 2023; Guerrato & Gonçalves, 2025). Somente com a
20
implementação de soluções baseadas em evidências e com o engajamento coletivo será possível
minimizar os impactos desse poluente.
21
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26
3 DISTRIBUIÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DO MACRO E MICROPLÁSTICO EM
ECOSSISTEMAS COSTEIROS
3.1 Introdução
A poluição por plástico se tornou uma ameaça ao nosso planeta nos últimos anos
(Borrelle et al., 2020). Devido ao seu baixo custo, propriedades físico-químicas e durabilidade,
o plástico tem sido amplamente utilizado em toda a sociedade, tornando-se onipresente em
nossa vida e nos mais diversos ecossistemas, sendo encontrado desde a montanha mais alta do
planeta, as profundezas dos oceanos, solos, atmosfera e grande parte dos organismos vivos
(Law,2017; Lau et al., 2020; Santos et al., 2021; Zhang et al., 2023).
Nos últimos 60 anos, a industrialização e desenvolvimento das sociedades, bem como o
crescimento populacional humano levaram coletivamente a um aumento substancial no uso do
plástico (Zhang et al., 2023). Sua produção em escala industrial foi iniciada na década de 40,
aumentando exponencialmente nas décadas seguintes, o marco no início da chamada “Era do
Plástico”, ou como muitos autores declaram, “Plasticeno” (Barboza et al., 2019; Borrelle et al.,
2020). Esta produção culminou na fabricação de novos tipos de plástico e no aumento
considerável nas pressões sobre os ecossistemas (Santos et al., 2021). Atualmente, a média
anual de sua produção é em torno de 400 milhões de toneladas por ano, onde menos de 10%
são reciclados e outras 33 bilhões sendo esperadas até 2050 (Rochman et al., 2013; Matias et
al., 2022; Atlas do plástico, 2020). Desses, aproximadamente 11 bilhões podem ser encontradas
no meio ambiente (Atlas do plástico, 2020).
Devido à sua persistência no ambiente, com degradação natural na escala de décadas a
séculos, o seu acúmulo e contaminação generalizada nos ecossistemas tornou-se inevitável (De
Vita & Giannuzi, 2019; Macleod et al., 2021). O mal gerenciamento e destinação de resíduos
plásticos após seu uso, resultam em sua chegada nos diversos ambientes (Matias et al., 2022)
causando diversos danos aos ecossistemas, bem como para as atividades econômicas e sociais
como o turismo e a pesca local por exemplo, contribuindo também para a dispersão de metais
pesados e outros poluentes (Rio, 2018; Matias et al., 2022). Devido a esta lenta degradação e
ao alto potencial de toxicidade a longo prazo, os danos e impactos relacionados a poluição por
plástico podem persistir por décadas, ainda que sua produção e fluxo sejam interrompidos
imediatamente, o que torna a poluição por plástico irreversível (Macleod et al., 2021; Zhang et
al., 2023).
27
Quando liberado no ambiente, o plástico passa por processos de intemperismo, como a
fotodegradação, contato com o sal e ação das ondas, intensificados em ambientes com alta
erosão, como praias arenosas, ocasionando a sua fragmentação em pequenas partículas não
visíveis a olho nu (Oliveira et al., 2023; Barboza et al., 2019). Os resultados dessa fragmentação
englobam um conjunto heterogêneo de formas, tamanhos e composição química, dando origem
as diversas classificações do plástico (Barbosa et al., 2019; Macleod et al., 2021).
No que diz respeito ao seu tamanho, importantes organizações internacionais de
poluição marinha, como a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA) adotaram
sua classificação em cinco níveis, são eles: megaplástico (> 50 cm), macroplástico (>25 mm a
50 cm), mesoplástico (5 mm – 25 mm) e microplástico (< 5 mm) e nanoplásticos (<0,1 µm)
(Rhodes,2018). Os grandes detritos são representados principalmente por embalagens de
alimentos, garrafas, sacolas e outros itens (Tursi et al., 2022). Já os microplásticos podem ser
classificados de duas formas de acordo com sua origem: o microplástico primário, fabricado
com uma finalidade específica, geralmente entrando no ambiente por meio esgotos e
derramamentos, e o microplástico secundário, derivados da degradação do macroplástico
ocasionado pela exposição a ventos, ondas ou raios ultravioletas (Massos & Turner et al., 2020).
A dinâmica de resíduos plásticos no ambiente varia entre as paisagens terrestres e
aquáticas, sendo moldado pelas propriedades do meio que os circundam (Santos et al., 2021).
Em ambientes terrestres, macroplásticos leves e microplásticos podem ser transportados pelos
ventos por milhares de quilômetros, o que leva sua disseminação para as áreas mais remotas
(Li et al., 2021). Esses resíduos podem ainda ser transportados através do escoamento de
efluentes e cursos d’água interiores, como as bacias hidrográficas que se conectam aos oceanos
(Alencar et al., 2023). A grande quantidade de resíduos que flui por esses ambientes acaba
chegando ao oceano com rapidez, tornando-os fontes permanentes de resíduos para os
ambientes marinhos (Alencar et al., 2023).
Além dos rios, a linha costeira funciona como uma das principais portas de entrada do
plástico para ambientes marinhos (Ryan et al., 2009). Este ecossistema, altamente dinâmico,
concentra diferentes atividades humanas e processos naturais que facilitam a introdução do
plástico nos ecossistemas adjacentes (Jambeck et al., 2015, Jimenez et al., 2023). Estes
ecossistemas são diretamente expostos a múltiplas fontes de resíduos, fazendo com que o
acúmulo de plástico seja maior (Windsor et al., 2019). Além disso, a quantidade de plástico na
linha costeira pode ser controlada principalmente pela topografia e estrutura sedimentar, que
28
torna sua incorporação ao sedimento mais receptiva, tornando-se não só a porta de entrada, mas
um dos principais sumidouros do plástico (Corcoran et al., 2009; Kuroda et al., 2024).
Nos ambientes aquáticos, o plástico pode estar presente tanto na superfície quanto no
fundo marinho (Setala et al., 2018). Aproximadamente metade dos detritos plásticos, com
densidades mais baixas, é flutuante, enquanto os mais densos tendem a se depositar rapidamente
no fundo, o que facilita a sua ocorrência em todos os oceanos do mundo (Setala et al., 2018;
Barboza et al., 2019; Santos et al., 2021). Os processos de intemperismo podem remover o
macroplástico inicial flutuante rapidamente da superfície e coluna d’água levando-os para o
fundo, onde pode-se sugerir que haja maior quantidade de detritos (Macleod et al., 2021). Já as
pequenas partículas plásticas podem permear toda a coluna d’água e superfície por meio de
forças de arrasto e turbulência, além de sua incorporação no ciclo biológico (Li et al., 2021).
E uma vez dentro dos ecossistemas, os processos de degradação dificultam sua
identificação e remoção. No Brasil, o quarto maior produtor de plástico do mundo (Fundação
Heinrich Boll, 2020; Matias et al., 2022), a ocorrência deste resíduo nos ecossistemas costeiros
tem sido cada vez mais reportada (Law et al., 2017; Soldoroni et al., 2018; Baia et al., 2020;
Matias et al., 2022;). Das 11,3 milhões de toneladas de plástico geradas por ano no país, apenas
1,3% são reciclados (Oliveira et al., 2023) e fatores como esse associado a ausência de
gerenciamento adequado e dificuldade na implementação da Política Nacional de Resíduos
Sólidos (PNRS) na maioria das cidades litorâneas, são os maiores responsáveis pelos danos
relatados (Matias et al., 2022).
Além disso, o Brasil apresenta uma zona costeira com mais de 8 mil km de extensão
(Matias et al., 2022), 17 dos seus 27 estados são costeiros e aproximadamente 70% da
população brasileira ocupa essas regiões (IBGE, 2018; Oliveira et al.,2023), atuando como as
principais geradoras de toneladas de resíduos plásticos (Oliveira et al., 2023). Diversos estudos
já demonstraram que a poluição costeira gera uma grande diversidade de impactos negativos
(Krelling et al., 2017), no entanto, ainda não se tem uma compreensão clara sobre as fontes, o
transporte e a conexão destes resíduos nos diferentes ecossistemas costeiros.
A linha costeira é o primeiro acesso ao oceano e possui logística de coleta de dados mais
fácil, constituindo um sistema socioecológico de grande importância sendo o ecossistema mais
estudado, juntamente com a superfície e coluna d’água próxima à costa. Em contrapartida, os
fundos marinhos recifais e de mar aberto são os menos estudados, com a maioria dos estudos
29
concentrando-se apenas em sua presença nesses ambientes (Oliveira et al., 2023; Jimenez et al.,
2023).
Grande parte dos estudos realizados foca apenas na descrição e quantificação de plástico
encontrado nas praias, sem avaliar os ecossistemas costeiros em conjunto (Alencar et al., 2023;
Pegado et al., 2024; Luz et al., 2025). Obter uma compreensão mais clara e detalhada de como
esses resíduos podem fluir entre diferentes ecossistemas costeiros é essencial para a
identificação dos principais pontos de acumulação, origem do plástico, tipo do plástico
predominante em cada ecossistema e processos de dispersão (Windsor et al., 2019). Só com
essas informações conseguiremos entender os potenciais impactos e traçar políticas públicas
mais efetivas para redução da poluição por plástico.
Portanto, este estudo teve como objetivo avaliar o acúmulo de plástico nos ecossistemas
costeiros, identificando suas principais fontes e potenciais fatores que influenciam o seu
acúmulo.
30
3.2 Material e Método
3.2.1 Área de Estudo
Para avaliação do plástico em um ecossistema costeiro utilizamos a tipologia de
ecossistemas proposta pela The International Union for Conservation of Nature (IUCN) (Keith
et al., 2020). O estudo foi conduzido em uma praia arenosa, recife de coral (substrato e
superfície da água sobre o recife) e bancos de lama. Este estudo foi realizado na região da praia
de Ponta Verde, localizada no litoral da zona urbana da cidade de Maceió, região costeira central
do Estado de Alagoas (região Nordeste do Brasil) entre os paralelos 09º21’31” e 09°42’49” Sul
e os meridianos 35°33’56” e 35°38’36” Oeste (Figura 1).
3.2.1.1 Caracterização da área
A praia de Ponta Verde está situada no bairro de mesmo nome, na capital do Estado
brasileiro de Alagoas. O bairro da Ponta Verde é área do principal corredor de turismo e lazer
da cidade de Maceió (Santos, 2004; Moura, 2020), caracterizado também por ser densamente
povoado, abrigando, segundo o IBGE, mais 28 mil habitantes (IBGE, 2025).
A praia é caracterizada pela composição recifal de corais e algas, próximos à faixa de
areia e por sua formação em franja, forma promontórios, com topo erodido mostrando
cavidades cobertas por crosta algálica e corais vivos (Santos, 2004; Correia & Soviezoski,
2009). Possui uma plataforma recifal com 1 km² de área na região entremarés, exposta em marés
baixas de sizígia formando pequenas piscinas naturais (Lima, 2011). Estes recifes são
considerados impactados devido seu fácil acesso durante a maré baixa por pescadores,
moradores e turistas (Correia & Sovierzoski, 2009).
31
Figura 3: Recifes da Ponta Verde – Maceió, Alagoas, área de estudo. Os pontos de coleta na praia
arenosa são formados por 10 transectos identificados pela sigla TA = Transectos Areia e o número que
o segue. Os pontos de coleta no recife de coral são formados por 15 transectos identificados pela sigla
TR = Transectos Recife e o número que os segue. Os pontos de coleta nos bancos de lama são formados
por 4 pontos identificados pela sigla P = Ponto e o número que os segue.
3.2.2 Coleta de dados nos diferentes ecossistemas
A presença do plástico foi avaliada em quatro diferentes ecossistemas, são eles: (1) Praia
arenosa, (2) Superfície da água (3) substrato dos Recifes de coral e (4) Banco de lama.
3.2.2.1 O macroplástico na Praia arenosa
A avaliação do macroplástico depositado na praia arenosa foi realizada entre o período
de novembro de 2023 a novembro de 2024, as coletas foram realizadas mensalmente. Para estas
coletas, foram dispostos 10 transectos de 2 m de largura e comprimento variável (mín.: 0,27 m;
máx.: 35,4 m; média 17,79 m; desvio padrão: 24,84) perpendiculares à borda da água, indo da
linha de maré alta até o limite superior da faixa de areia, definido por uma barreira sólida natural
ou artificial (Figura 4). Os transectos foram executados em uma faixa de areia de 1 km com
uma distância de 100 m entre eles (Figura 3). Devido a áreas sem faixa de areia, causadas pela
morfologia da praia amostrada, alguns pontos foram realocados, com variação de 200 a 300 m
de distância, conforme a Figura 3. Todos os itens antropogênicos maiores que 5 cm foram
coletados para avaliação em laboratório.
32
3.2.2.2 O macroplástico nos recifes de coral: superfície da água
Para avaliação do plástico maior que 10 cm presente na superfície da água foram
registradas imagens, com o auxílio do drone DJI Mavic 2 Zoom, em 10 transectos de 1000 m
de comprimento e 10 m de largura distribuídos sobre a recifes de coral (Figura 4). O limite
inferior de 10 cm foi estabelecido devido à capacidade de detecção limitada de objetos menores.
Os voos foram automatizados e realizados com o auxílio do software Drone Deploy, que
permite uma execução precisa seguindo as predefinições para cada transecto. Para captura de
imagem com a melhor qualidade possível e maior possibilidade de identificação dos itens, os
voos foram realizados a 10 m de altura e a câmera regulada a um ângulo de 90º e 30% de
sobreposição. Os voos tiveram uma duração média de 6 minutos, com velocidade máxima de 8
m/s, sendo obtidas de 100 a 103 imagens por transecto, utilizadas para identificação e
quantificação dos itens (Escobar-Sanchez et al., 2020).
3.2.2.3 O macroplástico nos recifes de coral: substrato
O macroplástico depositado sobre o substrato foi avaliado através de mergulhos livres
em 15 transectos, com 20 m de comprimento e 2 m de largura (Figura 4). Assim como os
transectos executados na praia arenosa, os transectos dos recifes de coral apresentaram uma
distância de 100 m entre eles em 1,5 km de praia.
3.2.2.4 O macroplástico no banco de lama
O macroplástico depositado no substrato do banco de lama foi avaliado a partir de
coletas utilizando redes de arrasto. A amostragem foi realizada por meio de arrastos de 30
minutos em uma velocidade média de 2,5 nós, utilizando redes de arrasto duplo de 12 metros
de largura e malha de 20 mm, operadas em um barco de pesca, em quatro transectos na área de
estudo. Após o arrasto, o macroplástico foi identificado e separado do material biológico para
posterior quantificação.
3.2.2.5 O microplástico na praia arenosa
Para avaliação de itens entre 1 mm e 5mm, classificados conforme a norma intitulada
“Plastic – Environmental Aspects – State of knowledge and Methodologies” (ISO/TR
21960:2020) como os grandes microplásticos, foram coletados em cada um dos transectos,
amostras de sedimento em um espaço de 40 cm de diâmetro e 8 cm de profundidade. Para evitar
ao máximo qualquer tipo de contaminação nas amostras, todo o sedimento coletado foi
33
armazenado em sacos de tecido natural previamente identificados e separados para posterior
secagem e avaliação de microplástico.
3.2.2.6 O microplástico no recife de coral
Os itens entre 1 mm e 5 mm, foram coletados a partir de amostras de sedimento do recife
de coral, com o auxílio de recipientes de vidro, medindo 6 cm de diâmetro e 11 cm de altura.
As coletas ocorreram de forma alternada entre os 15 transectos selecionados para coleta de
macroplástico (Figura 4).
Figura 4: Esquema ilustrativo dos procedimentos metodológicos empregados nas amostragens. As
siglas apresentadas representam a identificação de cada ponto de coleta, TA = Transecto Areia, TR =
Transecto Recife.
3.2.3 Análise de dados
3.2.3.1 Análise do macroplástico nos diferentes ecossistemas
Os itens coletados na Praia arenosa, Superfície da água, Recife de coral e no Banco de
lama foram classificados de acordo com o material, tamanho e possível origem, seguindo as
34
diretrizes de Gesamp (2019) e Morales-Caselles (2021). Cada item foi associado a um tipo
específico de material: plástico (Bituca, Espuma, Plástico Rígido, Plástico Flexível, Nylon e
Isopor), metal, papel, tecido, vidro e outros (e.g. madeira e cerâmica).
Para os itens categorizados como plástico, foi realizada uma classificação adicional
quanto ao tipo de plástico: Rígido (material que apresenta alta resistência mecânica e pouca ou
nenhuma flexibilidade), plástico tipo Filme (plástico flexível apresentando alta capacidade de
deformação quando submetido a forças externas, como dobramento, torção ou compressão),
plástico do tipo Linha (plástico utilizado em produtos de Linha ou de uso contínuo, como fios,
cordas e materiais semelhantes), Espuma plástica (plástico que durante seu processo de
fabricação é expandido ou aerado, formando espaços vazios que lhe conferem leveza,
porosidade e absorção de impactos) e N. I. para itens não identificados. A possível origem dos
itens foi separada nas categorias de alimentação, fragmentos, fumo, higiene/hospitalar, outras
origens, pesca e sacolas, como demonstrado na Figura 5.
Figura 5: Esquema ilustrativo da classificação do macroplástico na praia arenosa, recife de coral, banco
de lama e superfície da água. Cada cor representa as classificações utilizadas no estudo.
O número de itens fotografados com o auxílio do drone na superfície da água, foi
determinado a partir de contagens manuais. As fotos contendo itens antropogênicos foram
selecionadas em cada um dos transectos e separadas para contagem posterior. Todos os itens
35
foram classificados quanto ao tipo de material, não sendo possível a caracterização de uso e
descrição da maior parte deles.
3.2.3.2 Análise do microplástico nos diferentes ecossistemas
As amostras de substratos coletadas na Praia arenosa e no Recife de coral passaram por
secagem em estufa a 60°C entre 48h e 72h para remoção de toda a água e umidade contida.
Após a secagem, as amostras passaram por peneiramento manual com o auxílio de um conjunto
de quatro peneiras de aço inoxidável, de tamanhos entre 1 mm e 5 mm. O material retido na
peneira de 1 mm foi identificado e armazenado em recipientes de acrílico para contagem e
caracterização do microplástico.
A visualização das amostras foi realizada usando um estereomicroscópio Digilab DI152T com câmera HDMI acoplada e ampliação de 40x. A identificação visual é um
procedimento delicado que permite reconhecer o microplástico devido a sua forma e cor, além
de separá-los de elementos naturais como madeira, grãos de areia, conchas e silicatos (AlvarezZeferino et al., 2020). A identificação do microplástico foi realizada através do método da
agulha quente, que consiste em uma técnica simples que distingue partículas plásticas de outras
partículas a partir do comportamento térmico destas quando expostas a fontes de calor (De
Witte et al., 2014). Uma agulha foi aquecida e mantida em contato com as partículas de
microplástico, durante o contato, as partículas que apresentaram resposta térmica (deformação
ou enrolamento) foram separadas e identificadas como microplástico.
Os itens identificados como microplástico foram separados, fotografados e medidos
utilizando o programa próprio do esteriomicroscópio, o ImageView. Após este processamento,
todos os itens foram classificados de acordo com as diretrizes de GESAMP (2019), quanto a
forma e tipo de plástico.
O tipo de plástico foi separado em 5 categorias, são elas: Fragmento (partículas rígidas
e opacas, com bordas irregulares, geralmente derivadas da fragmentação mecânica ou
fotodegradação de macroplásticos, apresentando superfícies desgastadas ou com marcas
características de intemperismo), Espuma (partículas leves, de densidade baixa, frequentemente
compostas de poliestireno expandido, apresentando estrutura granular ou esférica, deformamse facilmente sob pressão e podem exibir elasticidade parcial, dependendo do grau de
intemperismo), Filme (Fragmentos finos, planos e flexíveis, geralmente transparentes ou
translúcidos, com bordas que podem ser lisas ou angulares, dependendo do estágio de
degradação), Filamento (Partículas alongadas, de estrutura fibrosa, com comprimento
36
significativamente maior que sua largura. Comumente derivadas de materiais como nylon,
redes de pesca ou fibras sintéticas presentes em tecidos e cordas) e Pellets (Partículas sólidas,
esféricas ou cilíndricas, com superfícies lisas e uniformes).
3.2.3.3 Análises estatísticas
Para avaliar diferenças na composição do plástico entre os diferentes ecossistemas, foi
aplicada a análise de Similaridade (ANOSIM), e uma representação NMDS, para a visualização
dos dados, ambas utilizando o pacote vegan no R.
A análise ANOSIM foi realizada para testar a hipótese de que há conectividade entre os
diferentes ecossistemas na composição de plástico. A análise baseou-se na matriz de
dissimilaridade calculada com distância de Bray-Curtis, utilizando um teste de permutação
(n=999) para determinar a significância estatística do coeficiente R.
Para avaliar as forças que influenciam a dispersão e acúmulo de plástico nos diferentes
ecossistemas, utilizamos dados de variáveis ambientais e antrópicas recolhidos no NOOA Now
Coast (Nowcoast.noaa.gov), Null School Earth (Earth.nullschool.net) e no IBGE
(sidra.ibge.gov.br). As variáveis utilizadas para análise de influência foram precipitação mensal
(mm), velocidade do vento (km/h), intervalo entre ondas (s) e o Índice de atividade turística,
utilizado como proxy para as atividades turísticas realizadas no ano de 2023-2024 na área de
estudo. Os dados de turismo referem-se a taxa de ocupação de leitos hoteleiros em Alagoas,
utilizados como proxy para a atividade turística, tendo em vista que a maioria dos leitos estão
em Maceió (mais de 60%) (IBGE, 2025).
Os dados foram modelados utilizando Modelos Lineares Generalizados (GLM), com a
família quasipoisson para corrigir possíveis super dispersões. Além disso, modelos específicos
foram ajustados para cada ecossistema de forma independente. O teste de colinearidade entre
as variáveis explicativas foi realizado para evitar redundância entre as variáveis preditoras.
37
3.3 Resultados
3.3.1 Material dos resíduos antropogênicos nos diferentes ecossistemas
Um total de 8.855 itens foram coletados nos diferentes ecossistemas descritos neste
estudo (Praia arenosa= 7.150 itens, Recife de coral= 440 itens, Superfície da água = 278 itens,
Banco de lama = 987 itens) e classificados de acordo com seu material, tipo de plástico e
possível origem. Apesar da notável diferença na quantidade de itens entre os ecossistemas, a
prevalência de itens plásticos foi semelhante em todos, como demonstrado na Figura 6. Em três
dos quatro ecossistemas, mais de 80% dos itens coletados foram classificados como plástico,
seguido de materiais classificados como Outros, que incluíam itens de construção e madeiras
processadas, itens classificados como Não Identificados – NI, Papel, Tecidos e Metais (Figura
6).
Figura 6: O tipo de material encontrado na praia arenosa, recife de coral, superfície da água e banco de
lama. Os materiais encontrados foram plásticos, papel, metal, tecido, vidro, outros (que incluem
Fragmentos de material de construção como cerâmicas e madeiras) e itens Não Identificados (NI) quanto
38
ao tipo material. Os valores estão apresentados em porcentagem e as cores seguem as classificações
listada na Figura 5.
Os resíduos antropogênicos não plásticos foram compostos predominantemente de itens
fragmentados (53,25%) e uma pequena diversidade de outros itens (Figura 7). A praia arenosa
apresentou a maior variedade, incluindo embalagens de papel, tampas metálicas, lacres,
guardanapos, cordas e notas fiscais, provenientes de diferentes fontes. O recife de coral e banco
de lama, exibiram composições semelhantes, contendo exclusivamente itens fragmentados sem
origem definida. Na superfície da água, destacaram-se cordas associadas a pesca e materiais de
construção (Figura 7). O ANOSIM realizado mostrou que existe uma diferença significativa na
composição do material, porém, essa diferença é baixa (R = 0.0633; p = 0.021).
39
Figura 7: Os principais itens não plásticos encontrados na praia arenosa, recife de coral, superfície da
água e banco de lama. As barras empilhadas apresentam os itens encontrados em cada ecossistema com
base em seus valores absolutos.
3.3.2 Densidade e composição do macroplástico
Do total de itens coletados nos diferentes ecossistemas deste estudo, 7.483 itens foram
classificados com plástico (Praia arenosa= 6.002 itens, Recife de coral= 366 itens, Superfície
da água = 192 itens e Banco de lama = 923 itens). A densidade de itens apresentada para cada
ecossistema foi de 2,28 itens/m² para a Praia arenosa; 0,11 itens/m² para Recife de coral,
enquanto a Superfície da água e o Banco de lama apresentaram 0,011 itens/m² e 0,003 itens/m²,
respectivamente (Figura 8).
Figura 8: Densidade de itens plásticos na praia arenosa, recife de coral, superfície da água e banco de
lama. O gráfico apresenta as médias (pontos centrais nos violin plots), desvio padrão (barras) e a
concentração dos dados (áreas mais alargadas no violin plot) nos transectos em cada mês de amostragem.
A Praia arenosa apresentou 83,96% de seus itens classificados como plástico, com os
tipos Filme, Linha e Rígido apresentando porcentagens semelhantes, e apenas 6,9%
classificados como Espuma (Figura 9). Das categorias de possível origem aplicada aos itens,
Fragmentos e itens de origem alimentícia foram os mais representativos neste ecossistema,
seguido de itens com origens classificadas como Fumo, Pesca e Sacolas (Figura 10).
40
Figura 9: Os diferentes tipos de plásticos encontrados na praia arenosa, recife de coral, superfície da
água e banco de lama. As barras empilhadas apresentam os tipos de plástico em porcentagens, cada cor
representa os tipos de plástico de acordo com a Figura 5.
No Recife de coral, 83,18% dos itens foram classificados como plástico. Destes
plásticos, os tipos Filme e Rígido foram os que mais se destacaram, plásticos do tipo Espuma
não foram encontrados nesse ecossistema. Assim como na praia arenosa, itens fragmentados e
de origem alimentícia foram os prevalentes nesse ecossistema, tendo se destacado também itens
classificados como Sacolas (Figura 10).
Assim como nos dois ecossistemas já citados, a Superfície da água obteve uma alta
porcentagem de itens plásticos (Figura 6), dentro dessa classificação a maior porcentagem foi
para itens Não Identificados (N.I. - 81%) quanto ao tipo de plástico, seguido dos tipos Filme e
Rígido (Figura 9). Quanto a sua origem, 83% dos itens tiveram a origem classificada como
Fragmento, seguido de itens de origem pesqueira, diferindo dos ecossistemas anteriores, além
de itens de origem alimentícia (Figura 10).
Nos bancos de lama os itens classificados como plástico obtiveram uma porcentagem
de 93,9%. Dentre estes, o plástico do tipo Filme, apresentou a maior porcentagem com 81,65%,
seguido de plásticos do tipo Linha e Rígido. Quanto a sua origem, itens fragmentados e sacolas
obtiveram juntos, 82,96% da amostragem seguido de itens de origem alimentícia e pesqueira
(Figura 10).
41
Figura 10: Caracterização do macroplástico nos diferentes ecossistemas analisados. Cada anel apresenta
4 segmentos, representando cada ecossistema analisado. De dentro para fora, os anéis representam o
tipo de plástico e a possível origem dos itens coletados e os tamanhos representam as contagens dos
itens em cada ecossistema.
42
Figura 11: Macroplástico encontrado nos diferentes ecossistemas. (a) ao (i) macroplástico coletado na
praia arenosa, recife de coral e banco de lama contabilizado e caracterizado no laboratório, (k) apetrecho
43
de pesca abandonado capturado pela imagem do drone (l) embalagem capturada pela imagem do drone
(m) área de ancoragem de barcos com resíduos no sedimento (n) câmara de ar coletada no recife de
coral(o) embalagem na praia arenosa (p) Fragmento plástico coletado junto ao arrasto.
3.3.3 Uso original do macroplástico
O macroplástico encontrado nos quatro ecossistemas variou. De maneira geral, os quatro
ecossistemas apresentaram grandes quantidades de itens fragmentados com médio e alto nível
de degradação que impossibilitaram sua identificação (Praia arenosa= 32%, Recife de coral=
51,36%, Superfície da água = 83% e Banco de lama = 52,6%). Além de itens fragmentados,
embalagens, sacolas e descartáveis foram comuns em todos os ecossistemas.
Na praia arenosa, bitucas de cigarro, embalagens e descartáveis somaram, juntos,
53,44% do material coletado, enquanto no recife de coral embalagens e sacolas se destacaram
(12,56% e 11,74%, respectivamente). Já na superfície da água, além dos itens fragmentados
encontrados em 83% das amostras, embalagens e fibras sintéticas somaram juntas cerca de
12%. No banco de lama, as sacolas foram dominantes (26,35%), refletindo fontes distintas de
poluição nesses ecossistemas.
Figura 12: A composição do macroplástico encontrado na praia arenosa, recife de coral, superfície da
água e banco de lama. As barras apresentam a quantidade de cada um dos principais itens encontrados
em cada ecossistema analisado com base em seus valores absolutos.
44
3.3.4 A similaridade do macroplástico nos diferentes ecossistemas
Os resultados obtidos a partir do teste ANOSIM realizado para o tipo de plástico revelam
uma diferença significativa entre os ecossistemas analisados (R=0.483; p=0.001; NMDS
stress=0.0843), o que indicou que as amostras dentro de cada ecossistema são
consideravelmente mais similares entre si do que quando comparados entre eles.
O gráfico NMDS (Figura 13) reforça os resultados obtidos no teste ANOSIM,
demonstrando uma clara separação entre os grupos representados por Praia arenosa, Recife de
coral, Superfície da água e Banco de lama. No espaço multidimensional gerado pelo NMDS,
as amostras de cada ecossistema se organizam em grupos distintos, evidenciando que a
composição do plástico é diferente entre os ecossistemas. Essa segregação visual reflete a
diferença nos padrões de acumulação de plástico em cada ecossistema, sugerindo que os
processos que contribuem para a deposição do plástico nestes ambientes não são os mesmos.
Figura 13: Gráfico de Escalonamento Multidimensional Não-Métrico (NMDS) demonstrando a
diferença entre o tipo de plástico nos ecossistemas analisados.
45
3.3.5 Influências na distribuição e acúmulo de plástico nos diferentes ecossistemas
Os resultados obtidos a partir dos Modelos Lineares Generalizados (GLM) quando
realizados para todos os ecossistemas indicaram que, de modo geral, o vento e a ondas foram
estatisticamente significativos para distribuição e acúmulo do plástico (tabela 1) (Figura 14).
No entanto, ao analisar separadamente cada um dos ecossistemas e os tipos plásticos neles
encontrados, padrões distintos foram apresentados.
Figura 14: Variáveis ambientais que influenciam o plástico na praia arenosa, recife de coral, superfície
da água e banco de lama. As variáveis preditoras velocidade do vento e intervalo das ondas são
representadas nos gráficos, as linhas mostram que quanto maior o intervalo entre as ondas e maior a
velocidade do vento, maior será a distribuição do plástico entre os ecossistemas.
Na praia arenosa, a atividade turística demonstrou uma relação estatisticamente positiva
para o plástico (tabela 1), sugerindo que o aumento da presença humana intensifica a deposição
de resíduos nesse ambiente. A velocidade do vento e o intervalo entre as ondas também
apresentaram valores significativos (tabela 1), indicando uma possível influência destes na
distribuição do plástico neste ecossistema. Quanto aos tipos plásticos encontrados nesse
ecossistema, plástico do tipo Linha e Filme apresentaram valores significativos para ondas e
ventos, já o plástico do tipo Rígido apresentou uma significância para as atividades turísticas
(Figura 15).
46
,000000000000000
Figura 15: Variáveis preditoras que influenciam o acúmulo e distribuição dos tipos de plástico na praia
arenosa. Atividades turísticas apresentam relação positiva para o acúmulo de plástico Rígido na praia
arenosa. As variáveis ambientais Velocidade do vento e ondas apresentam relação significativa com as
distribuições de plástico do tipo Linha e Filme.
No recife de coral, nenhuma das variáveis testadas apresentou efeito significativo
(tabela 1), o que pode indicar o acúmulo e dispersão do plástico nesse ecossistema está
relacionado com outros fatores hidrodinâmicos locais. No banco de lama, nenhuma das
variáveis obteve um efeito significativo (tabela 1), isto pode estar associado ao fato de que a
deposição do plástico nos fundos marinhos é histórica, o acúmulo ocorre ao longo do tempo, a
partir de mais variáveis além das analisadas neste estudo. Para a superfície da água, os
coeficientes estimados apresentaram baixa significância estatística (tabela 1), indicando a baixa
explicabilidade do modelo para este ecossistema.
Tabela 1: Valores estatísticos t (t-value) e nível de significância (p-value) obtidos a partir dos Modelos
Lineares generalizados (GLM) aplicados nos quatro ecossistemas: praia arenosa, recife de coral,
superfície da água e banco de lama. Os valores representam a influência das quatro variáveis preditoras
do modelo: precipitação, atividade turística, velocidade do vento e intervalos de ondas, indicando a
significância estatística dos efeitos analisados.
47
Ecossistema
Geral
Praia arenosa
Recife de coral
Banco de lama
Superfície da Água
Variável
Valor t
p-valor
Intercepto
3.064
0.00313
Precipitação
1.509
00.13595
Atividade Turística
-1.821
0.07307
Velocidade do Vento
-2.818
0.00632
Ondas
-3.043
0.00332
Intercepto
3.291
0.001586
Precipitação
1.599
0.114564
Atividade Turística
-2.223
0.029511
Velocidade do Vento
-3.368
0.001248
Ondas
-3.547
0.000711
Intercepto
-0.757
0.450
Precipitação
-0.027
0.978
Atividade Turística
-0.194
0.847
Velocidade do Vento
0.317
0.752
Ondas
0.173
0.863
Intercepto
-3.123
0.0122
Precipitação
1.285
0.2308
Atividade Turística
0.627
0.5459
Intercepto
0.008
0.993
Precipitação
0.012
0.991
Atividade Turística
-0.009
0.993
Velocidade do Vento
0.008
0.993
3.3.6 Densidade e composição do microplástico na praia arenosa e recife de coral
Um total de 246 partículas de microplástico foram coletadas nos diferentes ecossistemas
(Praia arenosa= 221 partículas; Recife de coral= 25 partículas). Com uma densidade de 5,59
partículas/cm³ na praia arenosa e 1,65 partículas/cm³ no recife de coral.
48
Para a praia arenosa, as cinco categorias de plástico foram encontradas, com sua maior
parte sendo do tipo Espuma (43%), caracterizado principalmente por microesferas de
poliestireno expandido, o isopor, classificação dada com bases em características visuais
(Lusher et al., 2020; Xie et al., 2021), encontrados pelo menos uma vez em todas as amostras
de sedimento que continham microplástico. Além das microesferas, microplásticos do tipo
Fragmento e Filamentos foram abundantes nas amostras, que somaram juntos 50% do
microplástico encontrado no Praia arenosa (Figura 16). Pequenos Fragmentos e fibras sintéticas
coloridas se destacaram nas visualizações (Figura 17).
No Recife de coral o tipo de plástico que mais se destacou foi o Filamento (58%),
também caracterizado por fibras sintéticas, seguido do tipo Filme (33%) e do tipo Fragmento
(9%) (Figura 16).
Figura 16: Caracterização do microplástico nos diferentes ecossistemas analisados. Cada anel apresenta
2 segmentos, representando cada ecossistema analisado. De dentro para fora, os anéis representam o
tipo de plástico dos itens coletados e os tamanhos representam as contagens dos itens em cada
ecossistema.
49
Figura 17: Microplástico encontrado nos diferentes ecossistemas. (a) Microesfera de isopor, (b)
microesfera de isopor, (c) Floco de tinta de embarcação encontrada nas amostras da praia arenosa, (d),
(e) e (f) fibra sintética encontrados nas amostras da Recife de coral, (g) Fragmento, (h) emaranhado de
fibra sintética (i) fibra sintética.
Assim como no macroplástico, as micropartículas plásticas encontradas na Praia
arenosa e no recife de coral apresentaram características bem distintas entre elas. Os resultados
obtidos no teste ANOSIM revelam uma diferença significativa na composição do tipo de
microplástico presente nos dois ecossistemas analisados (R=0.477, p=0.001). Semelhante aos
resultados obtidos para o macroplástico.
O gráfico NMDS (Figura 18) obtido para o microplástico reforçou os resultados do
teste ANOSIM, demonstrando uma clara separação entre os grupos representados por Praia
arenosa e Recife de coral.
50
Figura 18: Gráfico de Escalonamento Multidimensional Não-Métrico (NMDS) demonstrando a
diferença entre o tipo de microplástico na praia arenosa e no recife de coral.
51
3.4 Discussão
3.4.1 O macroplástico nos diferentes ecossistemas
O plástico foi o resíduo antropogênico mais abundante em todos os ecossistemas
analisados. Apesar da grande diferença na quantidade de itens, o plástico obteve valores acima
de 80% em três dos quatro ecossistemas, o que coincide com diversos estudos realizados em
ambientes costeiros (Lagbauer et al., 2014; Jambeck et al., 2015; Portman e Brennan, 2017;
Balcells et al., 2023). A prevalência do plástico sobre os demais resíduos antropogênicos pode
estar relacionada com suas altas taxas de produção (Martynova et al., 2014), e sua persistência
nos ambientes (Portaman e Brennan, 2017).
O plástico tipo Filme foi prevalente no recife de coral e banco de lama, sendo
semelhante em prevalência aos outros tipos na praia arenosa, devido à grande diversidade
presente nesse ecossistema, e o segundo maior na Superfície da água, como demonstrado
também em outros estudos (Morales-Caselles et al., 2021; Manullang et al., 2023, AlvaradoZambrano et al., 2024). Esse tipo plástico é formado principalmente por sacolas, embalagens e
descartáveis de uso único (Lazcano et al., 2020; Manullang et al., 2023), principais itens
coletados em todos os ecossistemas deste estudo e suas fontes podem ser associadas a
urbanização e alta atividade turística que ocorre na área de estudo (Moura et al., 2020).
Embalagens, sacolas e outros plásticos leves do tipo Filme podem ser transportados por
longas distâncias pelos ventos quando depositados incorretamente nas faixas de areia, indo para
as superfícies da água (Morales-Caselles et al., 2021). Esses itens podem iniciar suas rotas de
flutuação influenciados pelas correntes e ventos pela superfície, mas ao se encherem de água
acabam afundando e acumulam-se nos fundos marinhos, recifais ou de mar aberto (Ryan, 2020;
Balcells et al., 2023; Jimenez et al., 2023). Além disso, estes itens apresentam superfícies
disponíveis para a agregação de organismos bioincrustantes, ocasionando um transporte vertical
e sua deposição nos fundos marinhos (Ryan, 2019; Roman et al., 2020; Morales-Caselles et al.,
2021). Outros fatores como a degradação mecânica, térmica, biológica e a fotodegradação
também influenciam a deposição desses resíduos nos fundos marinhos (Jimenez et al., 2023).
E uma vez no fundo, os macroplásticos podem ser arrastados até parar em estruturas do recife,
serem colonizados por organismos fazendo parte da paisagem ou serem gradualmente
enterrados devido à sedimentação (Balcells et al., 2023; Jimenez et al., 2023).
A praia arenosa teve uma diversidade maior de tipos de plástico se comparado aos outros
ecossistemas estudados. Na praia arenosa, assim como o plástico do tipo Filme, Espumas
52
podem estar associadas a grande urbanização, que ocasiona o transporte de mercadorias e o uso
de caixas de armazenamentos de alimentos, como relatado no estudo de Nabizadeh e
colaboradores (2019) e Chan e colaboradores (2023). Já no banco de lama, estudos
relacionaram este tipo plástico principalmente a pesca (Kuroda et al., 2024; Pegado et al., 2024).
Dada a sua natureza leve e sua grande capacidade de isolamento térmico, esses itens são
amplamente utilizados para pequenos e grandes barcos, o que leva ao acúmulo de Fragmentos
de isopor na superfície e posteriormente, no fundo marinho (Kuroda et al., 2024Par).
Para todos os tipos de plástico relatados nesse estudo (Filme, Linha, Rígido e Espuma),
itens fragmentados foram os mais abundantes em todos os ecossistemas, como encontrado por
outros autores (Lazcano et al., 2020; Morales-Caselles et al., 2021; Andrady et al., 2022; Nursari
et al., 2022). Isso se dá principalmente pela ação de forças externas que ocasionam a degradação
rápida do plástico na praia arenosa e mais lentamente na superfície e fundo marinho (Lazcano
et al., 2020; Morales-Caselles et al., 2021).
A superfície da água apresentou a maior porcentagem de itens fragmentados (83% de
todos os itens), contudo, essa alta quantidade se deu especialmente pelo fato de que grande parte
dos itens avistados nas imagens apresentaram formas amorfas que dificultaram a identificação
do tipo de plástico e a possível origem desses itens. Estudos de identificação de itens
antropogênicos utilizando drones são alternativas acessíveis e de baixo custo para a
quantificação de detritos, no entanto, as diversas formas, dimensões, cores e materiais nos quais
os resíduos se apresentam, pode ser a principal restrição para esse método (Escobar-Sanchez et
al., 2020).
Além de itens fragmentados prevalentes em todos os ecossistemas estudados, as demais
origens diferiram de forma considerável. Sacolas inteiras e seus Fragmentos foram abundantes
no recife e no banco de lama, enquanto itens categorizados como fumo obtiveram altas taxas
na praia arenosa (Green et al., 2022). A diferença na origem e composição destes itens pode
mostrar que a entrada do plástico nos diferentes ecossistemas se dá de maneira distinta. A praia
arenosa é o principal sumidouro de resíduos antropogênicos (Pasquini et al., 2016), mais de um
terço do plástico fica encalhado na costa onde se origina devido à grande exposição as múltiplas
fontes de poluição, (Pasquini et al., 2016; Lazcano et al., 2020,). Tais fontes fazem com que
este ecossistema receba uma quantidade maior e mais frequente de resíduos em contraste com
outros ecossistemas.
53
A praia arenosa apresenta uma estrutura sedimentar mais receptiva a incorporação de
resíduos (Corcoran et al., 2009). O tipo de sedimentos que forma este ecossistema permite que
o plástico fique parcialmente enterrado, principalmente itens menores, como bitucas de cigarro,
que obtiveram altas taxas de coleta nesse ecossistema. Este fato pode explicar a retenção e
diversidade de plásticos encontrados na praia arenosa (Corcoran et al., 2009; Galgani et al.,
2015; Lazcano et al., 2020).
Os resíduos flutuantes captados nas imagens da superfície da água podem chegar a esses
ecossistemas através da ação dos ventos e das correntes do mar advindo de outros locais (Kuhn
et al., 2015). Estudos demonstraram que a maior parte dos resíduos marinhos flutuantes são de
fontes locais, com o plástico terrestre não se dispersando para longe de suas áreas de origem
(Ryan, 2020). Quando mais afastados da costa, muitos estudos demonstraram que parte
substancial desse plástico flutuante é formado de equipamentos de pesca abandonados ou
perdidos, o que também foi demonstrado em nosso estudo, uma vez que itens de origem
pesqueira obtiveram a segunda maior abundância (Kuhn et al., 2015; Galgani et al., 2015;
Kuroda et al., 2024). Ao afundarem, estes itens podem ser sobrecarregados por sedimentos,
permanecendo presos no fundo (Lebreton et al., 2019). Outros estudos realizados em fundos
marinhos com resíduos plásticos coletados com o auxílio de redes de arrasto, demonstraram
que a maior parte do plástico coletado eram produzidos de polímeros menos densos que a água
e após a limpeza voltaram a flutuar (Ryan, 2020) resultado semelhante ao do nosso estudo.
As análises do Modelo Linear Generalizado (GLM), apresentou, de forma geral, que
ventos e ondas são as principais influências no acúmulo e distribuição do plástico, como
encontrado em outros estudos (Critchell & Lambrechts, 2016; Khoeriyah & Sembiring, 2023;
Collins e Norton, 2024). Os ventos podem influenciar a heterogeneidade espacial do
macroplástico alterando correntes e ondas, redistribuindo os resíduos plásticos entre os
ecossistemas (Collins & Norton, 2024). Já as ondas podem induzir uma sedimentação mais
rápida de resíduos em ambientes marinhos e próximos à costa (Nunez et al., 2023).
Quando analisados separadamente, os ecossistemas apresentaram pouca ou nenhuma
relação significativa com as variáveis preditoras do estudo. No recife de coral e banco de lama,
a falta de relações significativas pode estar associada a influência de outros fatores
hidrodinâmicos, como as correntes, que não foram analisadas neste estudo, que podem, junto
as ondas, influenciar a sedimentação e ressuspensão do macroplástico nos recifes e fundo
marinho. Já a falta de relações na superfície da água pode estar associada principalmente a
54
limitada capacidade de identificação de itens plásticos por meio do uso de drones, já explicada
nesta discussão.
Diferindo dos demais ecossistemas, a praia arenosa apresentou relações estatisticamente
positivas com três das quatro variáveis preditoras utilizadas no estudo. Atividades turísticas,
ventos e ondas apresentaram valores estatísticos significativos para o ecossistema e para os
tipos plásticos encontrados nele, resultado semelhante ao de outros estudos (Maione, 2021;
Pegado et al., 2024). Ventos e ondas servem como os principais impulsionadores no transporte
e sedimentação de plásticos nos ambientes terrestres, influenciando ainda nos processos de
degradação e ressuspensão (Zhang et al., 2024). Praias mais urbanizadas e turísticas como a
praia da Ponta Verde são mais poluídas, o que pode explicar a relação positiva da variável
preditora atividades turísticas em nosso estudo (Atlas do plástico, 2020; Pegado et al., 2024).
O Brasil apresenta baixas taxas de reciclagem e um alto descarte irregular de resíduos
antropogênicos (Atlas do plástico, 2020; Pegado et al., 2024). E apesar do tratado global da
poluição por plástico já existir e estar ativo, estratégias em escala local são essenciais para o
combate e redução do plástico nos ecossistemas costeiros (Critchell & Lambrechts, 2016;
Maione, 2021; Pegado et al., 2024).
3.4.2 O microplástico nos diferentes ecossistemas
A morfologia e as características do microplástico coletado nos diferentes ecossistemas
deste estudo (Figura 17), indica que estes são provenientes da decomposição de itens plásticos
maiores em microplástico secundário.
A classificação do microplástico nos dois ecossistemas diferiu consideravelmente.
Plástico do tipo Espuma foi o mais abundante na Praia arenosa (43% de todo o microplástico
encontrado), enquanto para o recife de coral o tipo Filamento prevaleceu (58% de todo
microplástico encontrado). As microesferas de isopor e os flocos de tinta foram os itens mais
encontrados em nossas amostragens na Praia arenosa, o primeiro item pode estar relacionado
principalmente a alta urbanização da região, onde essas microesferas de isopor são provenientes
de embalagens de alimentos que se fragmentam mais fácil e rapidamente que outros materiais
plásticos (Xie et al., 2021; Chan et al., 2023). A Espuma de isopor é composta de numerosas
microesferas (Figura 11), com força de adesão relativamente fraca tornando sua fragmentação
mais rápida, mesmo na ausência de radiação ultravioleta, o que acelera sua degradação e
dispersão nos ecossistemas (Kuroda et al., 2024). Além disso, produtos derivados da pesca,
como boias, por exemplo, também podem ocasionar essas microesferas. E, como relatado em
55
outros estudos a taxa de recuperação desses itens para reciclagem é menor que 30%, o que leva
ao seu acúmulo e disseminação na costa (Parker et al., 2020; Lee et al., 2024). Então esses itens,
assim como os provenientes de embalagens, sofrem rápida oxidação, fragmentando-se
rapidamente (Utami et al., Xie et al., 2021). Um dos transectos analisados neste estudo
(transecto 8), está localizado na área com maior quantidade de barcos em toda a praia (Figura
11) e foi o local onde a maior quantidade dessas partículas e de flocos de tintas foram
encontradas nos sedimentos analisados.
Os flocos de tinta, segundo maior item encontrado na praia arenosa (17,25%), estão cada
vez mais associados a fontes importantes de poluição por microplástico, sendo prevalentes em
muitos sedimentos costeiros (Tagg, 2023). Áreas com altas atividades de barcos, com portos e
marinas são as com maior abundância nesse tipo de microplástico, podendo compor uma parte
considerável da massa total dos sedimentos (Tagg, 2023; Jaini et al., 2023). No estudo realizado
por Soroldoni e colaboradores (2018) em um porto brasileiro, por exemplo, as micropartículas
de tinta constituíram até 4% da massa total de sedimentos. A manutenção de barcos de madeira,
ocorre geralmente nas faixas de areia, nessa manutenção, a tinta contendo poliuretanos,
poliésteres e poliacrilatos (plásticos em todos os aspectos) pode lascar facilmente dos barcos,
sendo depositadas no sedimento e contribuindo para o acúmulo de microplástico (Eo et al.,
2018; Turner, 2021; Jaini et al., 2023). Uma vez que os barcos utilizados para atividades de
pesca e turismo encontrados na área de estudo são produzidos majoritariamente de madeira
processada (Figura 11), esta hipótese pode explicar a grande quantidade de flocos de tinta
encontrado em nossas amostras.
Já no recife de coral, assim como em outros estudos, o tipo microplástico classificado
como Filamento foi encontrado em mais da metade das amostras, seguido de microfragmentos
de tecido sintético classificados como Filme. Estudos indicam que o acúmulo de partículas
filamentosas de microplástico em substratos recifais podem ser impulsionados pelos mesmos
processos hidrodinâmicos que levam ao aprisionamento de sedimentos (Soares et al., 2023),
essas partículas podem permanecer nesses substratos a partir do emaranhamento com os grãos
que ali estão (Utami et al., 2021). O formato irregular e poroso de substratos recifais podem
facilitar esses emaranhamentos fazendo com que uma quantidade maior de fibras permaneça
presa ao substrato se comparado a outros tipos de microplástico (Luther et al., 2020; Kor et al.,
2020; Utami et al., 2021).
Esses microfilamentos encontrados são possivelmente derivados da pesca. Fibras
provenientes de apetrechos de pesca abandonados, esquecidos ou perdidos são relatadas como
56
a forma mais comum de microplástico no ambiente marinho (Rebelein et al., 2021; Napper et
al., 2022; Montero et al., 2023). Além dessas opções, uma grande proporção dessas fibras se
origina da abrasão dos equipamentos usados ativamente. Cordas torcidas e trançadas de Nylon,
bastante utilizadas na pesca, podem emitir cerca de 300 a 1000 Fragmentos por metro de praia
(Napper et al., 2022) e, uma vez que os recifes da praia de Ponta Verde apresentam grande
quantidade de pequenos barcos de pesca ancorados e ativos (Santos, 2022), isso pode explicar
os microfilamentos encontrados no recife de coral.
A permanência desses microfilamentos nos ambientes recifais pode causar diversos efeitos
negativos (Rebelein et al., 2021). Os microplásticos encontrados nas camadas mais superficiais
dos sedimentos, como os encontrados nesse estudo, podem ser ressuspensos por bioturbação e
processos como ondas e correntes (Soares et al., 2023). Essa ressuspensão pode ocasionar a
incorporação dessas partículas aos corais, por adesão ou ingestão, assim como em outros
organismos filtradores e consequentemente evoluir ao longo da teia alimentar (Rebelein et al.,
2021; Soares et al., 2023). A incorporação do microplástico aos corais e outros organismos
desencadeia sumidouros de curto prazo, fazendo com que a disponibilidade real dessas
partículas no sedimento seja subamostrada (Rebelein et al., 2021; Soares et al., 2023), a longo
prazo pode afetar severamente a resiliência dos recifes, podendo causar branqueamento e morte
dos seus tecidos, comprometendo assim os serviços ecossistêmicos que eles fornecem (Reichert
et al., 2021).
A diferenciação na presença e características do microplástico nos diferentes ecossistemas
também reflete os diferentes processos envolvidos em sua entrada e dispersão nos ambientes.
Como mencionado anteriormente, o microplástico presente na praia arenosa é resultante do
macroplástico, que ao degradar-se em micropartículas pode sofrer transferência vertical
misturando-se aos centímetros superiores do sedimento, que os impendem de chegar ao mar
(Piperagkas et al., 2021). Esse processo ocorre principalmente em áreas com alta agitação do
solo, como a praia de Ponta Verde, em que o grande número de pessoas que transitam por este
ambiente afeta a mistura de areia (Moura, 2020), ocasionando a verticalização e permanência
do microplástico nos sedimentos (Zhang et al., 2023). Por outro lado, no recife de coral, os
microplásticos flutuantes podem aderir-se a detritos orgânicos, o que aumenta a sua
probabilidade de afundamento nas águas recifais (Ryan, 2020). No fundo, a natureza do
substrato facilita o aprisionamento das partículas, com o microplástico presente na coluna
d’água sendo transportado verticalmente para os fundos marinhos (Li et al., 2021; Utami et al.,
2021; Zhang et al., 2023). Essa distinção nos mecanismos de dispersão e acumulação dos
57
microplásticos pode ter implicações significativas para a dinâmica dos ecossistemas locais,
particularmente no que se refere à interação com organismos marinhos e a resiliência dos recifes
(Soares et al., 2023).
58
3.5 Conclusão
A análise de resíduos nos diferentes ecossistemas evidencia a predominância do plástico
como o principal resíduo encontrado, especialmente plásticos do tipo Filme. A dinâmica de
transporte e deposição desses resíduos, influenciada por fatores como ventos e ondas, ressalta
a complexidade do plástico nos ambientes marinhos e costeiros. Além disso, a fragmentação
desses resíduos em microplástico reforça a persistência desse poluente nos ecossistemas,
A distinção na composição dos resíduos plásticos entre os ecossistemas sugere que
estratégias diferenciadas de mitigação devem ser adotadas para cada ambiente. A gestão eficaz
da poluição por plástico requer esforços integrados entre políticas públicas, monitoramento
contínuo e conscientização da sociedade, visando à preservação dos ecossistemas marinhos e
costeiros, além da redução dos impactos negativos associados a esses resíduos.
59
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