Élida Monique da Costa Santos

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                    UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
INSTITUTO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE
Programa de Pós-Graduação em Diversidade Biológica e Conservação nos
Trópicos

ÉLIDA MONIQUE DA COSTA SANTOS CARDOSO

CONSERVAÇÃO BIOCULTURAL DE Myrciaria floribunda (H. West ex Willd.) O.
Berg: contribuições ecológicas, socioeconômicas e comportamentais

MACEIÓ - ALAGOAS
Março/2024

ÉLIDA MONIQUE DA COSTA SANTOS CARDOSO

CONSERVAÇÃO BIOCULTURAL DE Myrciaria floribunda (H. West ex Willd.) O.
Berg: contribuições ecológicas, socioeconômicas e comportamentais

Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação
em Diversidade Biológica e Conservação nos
Trópicos, Instituto de Ciências Biológicas e da
Saúde, Universidade Federal de Alagoas, como
requisito para obtenção do título de Doutora em
CIÊNCIAS BIOLÓGICAS, área de concentração em
Conservação da Biodiversidade Tropical.

Orientador(a): Profa. Dra. Patrícia Muniz de
Medeiros
Coorientadores: Prof. Dr. Rafael Ricardo
Vasconcelos da Silva
Prof. Dr. Ulysses Paulino de
Albuquerque

MACEIÓ - ALAGOAS
Março/2024

Catalogação na fonte
Universidade Federal de Alagoas
Biblioteca Central
Divisão de Tratamento Técnico
Bibliotecária: Helena Cristina Pimentel do Vale – CRB4 –661
C268c

Cardoso, Élida Monique da Costa Santos.
Conservação biocultural de Myrciaria floribunda (H. West ex Willd.) O. Berg :
contribuições ecológicas, socioeconômicas e comportamentais / Élida Monique da Costa
Santos Cardoso. – 2024.
211 f : il.
Orientadora: Patrícia Muniz de Medeiros.
Coorientadores: Rafael Ricardo Vasconcelos da Silva, Ulysses Paulino de Albuquerque.
Tese (doutorado em Ciências Biológicas) – Universidade Federal de Alagoas, Instituto
de Ciências Biológicas e da Saúde. Programa de Pós-Graduação em Diversidade Biológica
e Conservação nos Trópicos Maceió, 2024.
Inclui bibliografia, apêndices e anexos.
1. Plantas alimentícias silvestres. 2. Plantas comestíveis. 3. Conservação biocultural.
4. Extrativismo sustentável. 5. Myrciraria floribunda. 6. Cambuí. 7. Expectativa do
consumidor. 8. Avaliação sensorial. 9. Estrutura populacional. I. Título.

CDU: 581.9

Folha de aprovação
Élida Monique da Costa Santos Cardoso
Conservação biocultural de Myrciaria floribunda (H. West ex Willd.) O.
Berg: contribuições ecológicas, socioeconômicas e comportamentais
Tese apresentada ao Programa de Pós- Graduação
em Diversidade Biológica e Conservação nos
Trópicos, Instituto de Ciências Biológicas e da
Saúde, Universidade Federal de Alagoas, como
requisito para obtenção do título de Doutora em
CIÊNCIAS BIOLÓGICAS na área da Biodiversidade.

Tese aprovada em 26 de março de 2024.

Dra. Patrícia Muniz de Medeiros/UFAL
(orientadora)

Dr. Rafael Ricardo Vasconcelos da Silva/UFAL
(co-orientador)

Dr. Ulysses Paulino de Albuquerque/UFPE
(co-orientador)

Dra. Michelle Cristine Medeiros Jacob/UFRN

Dra. Taline Cristina da Silva/UNEAL

Dr. Gilberto Costa Justino/UFAL

Dr. Guilherme Ramos Demétrio Ferreira/UFAL
MACEIÓ - AL
Março/2024

DEDICATÓRIA

Dedico essa tese à todas aquelas pessoas que constroem a base da cadeia
alimentar. Na esperança de que esses resultados possam ser úteis para engrandecer e
valorizar o que eles fazem pelos seus, por nós e pelos nossos, diariamente, apesar de
toda e qualquer dificuldade.
Aos extrativistas de Piaçabuçu.

AGRADECIMENTOS
Antes de tudo, agradeço a Deus pelo dom da vida! Por ter me permitido trilhar
esse caminho, percorrendo todas as adversidades e conseguindo aprender com elas.
Agradeço a Ele, por ter ouvido minhas orações e por ter colocado na minha vida,
pessoas que não me deixaram desistir.
Agradeço ao Programa de Pós-Graduação em Diversidade Biológica e
conservação nos trópicos (PPG- DIBICT), pela oportunidade de desenvolver minha
pesquisa. Agradeço também ao Programa, por ter me apresentado professores que são
prestativos, que me inspiram e que de alguma forma contribuíram para minha evolução
como cientista.
Meus agradecimentos à Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal
de Nível Superior (CAPES), pela concessão de bolsa de doutorado.
Agradeço ao FUNBIO (Fundo Brasileiro para a Biodiversidade) em parceria com
o Instituto HUMANIZE, que entre tantos bons trabalhos no Brasil, selecionou este para
ser um dos agraciados pelo Programa de Bolsas FUNBIO 2020. Com toda certeza esse
financiamento fez a diferença para a execução dessa pesquisa!
A professora e minha orientadora, Dra. Patrícia Muniz de Medeiros, que me
recebeu de braços abertos no LECEB mais de um ano antes da seleção do doutorado,
e idealizou este trabalho junto a mim. Obrigada por toda a troca de conhecimentos, por
todos os ensinamentos e parceiras em artigos feitos até o momento! Agradeço também
por ter acreditado em mim! Por sua confiança e paciência em todos os momentos de
orientação. E pela disposição em ensinar e mostrar que sempre podemos pensar fora
da caixinha.
Aos meus coorientadores, prof. Dr. Rafael Ricardo Vasconcelos da Silva, por
aceitar compor meu comitê de orientação no doutorado e por estar sempre disposto a
ajudar na condução dessa pesquisa! Com certeza seus ensinamentos e experiência na
academia contribuíram muito para a qualidade da tese! Obrigada também, por ter me
acolhido no laboratório! E prof. Dr. Ulysses Paulino de Albuquerque, pelas valiosas
contribuições práticas e teóricas para um melhor desenvolvimento dos artigos e da tese
como um todo. Agradeço também a profa. Dra. Elcida de Lima Araújo, por toda sua

disponibilidade, paciência e disposição em ensinar! E a profa. Dra. Cristina Baldauf, por
cada ensinamento, sugestão e colaboração na escrita da tese e dos artigos.
Aos professores que estiveram presentes como avaliadores em alguma etapa da
minha pesquisa, que forneceram insights e deram boas sugestões para melhorar a
qualidade dos artigos e da tese até o momento da defesa (por ordem de etapa
realizada): Melissa Landell, João Campos, Ana Ladio, Cristina, Taline Silva, Guilherme
Ramos, Vandick Batista. Agradeço ao professor Dr. Gilberto Justino e professora Dra.
Michelle Jacob que, juntamente a Dr. Guilherme Ramos e Dra. Taline, compuseram
minha banca de defesa da tese e contribuíram com a qualidade dela como um todo e
dos artigos a serem publicados.
À Julliene Gonçalves, secretária do PPG/DIBICT, por ser sempre muito
prestativa, por sua competência para resolver os problemas que surgiam, e por toda
paciência comigo em todas as vezes que falava com ela para tirar dúvidas.
A todas as pessoas que, de algum modo, contribuíram para a realização do
estudo de avaliação sensorial nas escolas e Universidades: professores Dra. Mayara
Andrade Souza e Dr. Vitor Luiz de Melo Silva (CESMAC campus Marechal Deodoro),
professora Tamara Silva (IFAL campus Satuba), profa. Danielle Cotta (IFAL campus
Maceió), profa. Jordana Barros, coordenadora da Escola Estadual Capitão Álvaro
Victor, prof. Bruno Santos, coordenador da Escola Estadual Aurelina Palmeira de Melo,
prof. Dr. Eraldo Ferraz (CEDU/UFAL). Obrigada pelo apoio no desenvolvimento dessa
pesquisa, pela articulação realizada e pela disponibilidade do espaço para realização
das avalições sensoriais.
Agradeço também a todos os meus amigos, tanto os do laboratório: Daniel Melo,
Danúbia Gomes, Déborah Barbosa e Gabriela Cota, como os que não fazem parte dele:
Raísa Gomes, Lívia Gomes, Renato Lima, Geiza Silva e Raquel Silva por sua
disponibilidade em me ajudar na realização dos testes de avaliação sensorial. Foram
nove feiras públicas percorridas entre convencionais, agroecológicas, agrárias e
orgânicas, e seis entidades escolares entre escolas EJA, Tecnológico e Universidades.
Sou imensamente grata por tudo! Agradeço a Dayanne Gomes e a Lívia, pela ajuda
com a tabulação de dados de avaliação sensorial.

Aos integrantes do LECEB, que participaram das atividades de estrutura,
frutificação e “fabricação” de placas: Alexsander Araújo, Daniel, Danúbia, Déborah,
Emilly Guedes, Fernando Colin, Gabriela, Jonas dos Santos, Richard Poian, Jorge
Izidro e Rita Paula Ferreira (estendo meus agradecimentos a Associação Aroeira pelo
apoio), e os que não integram mais essa família, Alysson dos Santos, Antônio,
Jonathan Garcia e Nelson Rocha. Foram muitas idas e vindas! Vocês foram
fundamentais para a concretização desse trabalho! Aprendi muito com todos! Sem essa
ajuda, minhas caminhadas pela restinga teriam sido mais difíceis. Agradeço a Mayra
Bezerra, que ajudou tabular e organizar planilhas de dados fitossociológicos. Agradeço
a Beatriz Vasconcelos, Ítalo Amaral e Iasmin Oliveira que junto a Déborah, Rita e Emilly
me ajudaram a desenvolver e aplicar a primeira ação de extensão do nosso projeto
“Explorando o Mundo das PANC”. Um agradecimento especial (e novamente) a
Danúbia, Déborah e Gabriela, que sempre me escutaram e compartilharam comigo
seus conhecimentos. Sou grata por tudo o que fizeram para comigo! Por todos os dias,
noites e madrugadas que passaram comigo, sem compromisso nenhum! E, a minha
parceira de doutorado, campo, laboratório e fora dessa esfera científica, Roberta
Caetano. Que dividiu comigo todos os campos, todos os choros e alegrias ao longo
desses quatro anos. Somos uma dupla bacana! Obrigada por toda ajuda!
Agradeço a Priscilla Monteiro de Oliveira e Luana Marina de Castro Mendonça,
pelo convite para participar da 20ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (segunda
edição pelo Museu de História Natural (MHN).
Agradeço a toda comunidade do Povoado Retiro, que me recebeu tão bem em
suas casas, e que fez parte de todo esse trabalho. Obrigada por cada conversa, cada
troca de conhecimento, e com certeza aprendi com vocês aquilo que não se mede em
trabalhos científicos: o amor e cuidado com tudo que fazem por suas famílias! Que
força vocês têm! Em especial, gostaria de agradecer a Nayara dos Santos e família,
pelo apoio e articulação no povoado. A Dona Edivalda dos Santos, Dona Maria Lenilda
(Dona Maria Mole) e Eliene Lopes, que se tornaram pessoas especiais, as quais tenho
muito carinho! A Joseane dos Santos e Elenilza Vieira por terem fornecido alimentação
para a equipe de campo. A dona Maria das Dores Lima e seu José Antônio Dantas (Seu
Zé), que acolheu toda a equipe de campo em sua casa, cuidaram tão bem de nós,

fornecendo alimentação e nos mimando com tanta coisa boa. Ao seu Zé, eu não tenho
palavras para agradecer! O espaço destinado aos agradecimentos é pouco para o que
eu poderia falar. Seu Zé não foi apenas um mateiro, foi uma pessoa essencial para a
realização dessa pesquisa! Seu entusiasmo e sabedoria são valiosíssimos! Eu não sei
o que seria de nós no meio da Restinga sem o seu Zé para nos acompanhar! Aproveito
para agradecer ao Genivalto (Valter), que nos alegrou muito nos dias que nos
acompanhou nas atividades na mata, e ao senhor Rodrigo Aroucha, que nos permitiu
instalar os experimentos de campo em sua propriedade. E agradeço ao senhor Aluízio
Silva, que por vezes nos acompanhou como mateiro. Aprendi muito com ele!
Agradeço a profa. Dra. Kallianna Dantas Araujo, por acreditar e ver algum
potencial em mim, lá na graduação, onde almejei uma vida como cientista. Obrigada
também pelas leituras e contribuições nos textos! A profa. Dra. Ana Paula Lopes da
Silva, Dra. Nivaneide Falção e ao Prof. Dr. Jorge Luiz Lopes, pelas palavras de
incentivo e apoio sempre! Agradeço as três pela mobilização e apoio disponibilizando
um local de livre circulação no Instituto de Geografia, para a realização de avaliação
sensorial. E a profa. Nivaneide pela articulação com o prof. Eraldo para a realização de
avaliação sensorial em espaço no CEDU. Agradeço ao prof. Dr. João Gomes da Costa,
a quem eu recorri quando tive dúvidas sobre estatística, e que nos indicou a profa.
Tamara para que pudéssemos realizar nossos experimentos.
Gostaria de agradecer também ao Lionaldo Santos, pela ajuda com a distribuição
aleatória dos pontos, realizada pelo QGis, para o experimento de frutificação. Ao Victor
Brito, pela criação da arte da escala hedônica usada nos experimentos de avaliação
sensorial. E agradeço também a minha amiga Roberta Maranhão, pela revisão
gramatical e de pontuação em todo o arquivo da tese.
Por fim, deixo o mais importante: minha família! Só Deus e eles sabem o que
passei para chegar até aqui! Agradeço aos meus pais Maria Mônica da Costa Santos e
José Edson dos Santos Silva, e meu irmão José Ebert da Costa Santos, por sempre me
incentivarem e por acreditarem que um dia eu chegaria aonde eu sempre quis. Eu amo
vocês! E agradeço a Deus todos os dias por ter nascido nessa família! Anexo aqui,
minha segunda família. Aquela que ganhei em 2010. Meus sogros, Sr. Roberto Cardoso
e Dona Maria Cardoso, e meus cunhados Raísa Cardoso e Robson Cardoso. Nos

últimos dias antes da defesa, ouvi deles que essa conquista não é só minha. Que todos
eles sonharam comigo e, que por isso, é deles também. Não sabem como fiquei ao
ouvir isso! E tenham certeza que essa conquista coletiva! Para não listar vários nomes
aqui e correr o risco de esquecer algum (risos), a todos da minha família (tios, tias,
primos e primas) que me apoiaram e vibraram junto comigo a cada conquista, a todos
os meus amigos que cultivo desde a infância e adolescência, o meu muito obrigada!
Vocês também fazem parte disso!
Agradeço aos meus avós paternos, Marinete Maria dos Santos Silva (in
memoriam), que não teve a oportunidade de acompanhar meu crescimento acadêmico,
mas tenho certeza que sempre cuidou de mim, e José Correia da Silva (vô Gato), o
único que ainda tenho ao meu lado fisicamente. Que mesmo sem entender nada do que
eu faço e sem estar completamente lúcido, ficou muito feliz e emocionado ao saber que
finalizei mais uma etapa nessa carreira de cientista. E a minha estrelinha, minha avó
materna Rita Maria da Costa (vó Dondon) (in memoriam), que só compartilhou comigo
meu primeiro ano de doutorado. E que, por ter sido o primeiro ano de pandemia da
COVID-19, a vi tão pouco nesse ano. Sinto saudades! Amo vocês!
Agradeço ao meu marido, Roberto Gomes Cardoso, que sonhou e vivenciou tudo
isso aqui comigo! Entrou na minha vida na graduação e agora termino o doutorado com
você ao meu lado. Isso não é puramente uma mensagem romântica, porque não é todo
mundo que tem uma pessoa assim como ele, compartilhando a vida (que sorte a
minha!). Roberto nunca mediu esforços para estar comigo ou me apoiar em qualquer
decisão. Até chegar aqui, todo esse processo foi muito difícil! Qual é a pessoa que
escolhe abrir mão das economias para o casamento para eu poder ir fazer seleções de
doutorado em alguns estados? Quem é que tem coragem de sair de Maceió a
Piaçabuçu de madrugada levar a equipe de campo, voltar para trabalhar e depois
retornar à Piaçabuçu para passar dias em campo? Ele mesmo! Roberto aprendeu a
fazer análises fitossociológicas e de estrutura, aprendeu sobre comportamento do
consumidor, expectativa e avaliação sensorial. Ia sob a chuva, contar frutos de cambuí
comigo e seu Zé. É desse jeito... Eu que estou finalizando o doutorado, mas se
houvesse a possibilidade, ele também receberia o diploma. Melhor companhia de
campo, sempre! Te amo, e obrigada por não me deixar desistir!

“Muita gente aqui veve as custa das fruta,
porque quando tem as fruta, a gente veve
mais bem. Eu acho bom demais quando é
o tempo das frutas, porque tudo melhora
pra mim, como melhora pros meus filho,
pros meus neto. Nós só tem medo de eles
acabarem com os pé das fruteira, porque
o cambuí mesmo, não é mais como
antigamente. Meu Deu tomara que nunca
chegue não, chegar o tempo de acabar
com as fruta! Quem tem fé em Deus tem
tudo. Mas se chegar a acabar a gente ia
sofrer muito!”
Dona Edivalda dos Santos, 65 anos.

RESUMO
As Plantas Alimentícias Silvestres (PAS) possuem grande potencial para a alimentação
humana, porém são subutilizadas, principalmente em áreas urbanas. Isso resulta em
dietas pouco diversificadas e erosão do conhecimento sobre essas plantas,
notadamente nesses locais. No entanto, elas oferecem benefícios nutricionais,
ecológicos e sociais. Então, para aproveitar esse potencial, esta pesquisa buscou, a
partir de uma abordagem interdisciplinar, fornecer bases teóricas e aplicadas para
promover a conservação biocultural de Myrciaria floribunda (H. West ex Willd.) O. Berg
(cambuí). Essa tese é composta por três capítulos. O capítulo 1 é ancorado na
etnobiologia e na ecologia, explorando a sustentabilidade da coleta da espécie, e os
dois seguintes têm como foco a psicologia do consumidor, explorando a relação entre
pistas extrínsecas, expectativas e disposição a consumir. A tese abarcou extrativistas e
potenciais consumidores do cambuí como público alvo. No primeiro artigo, avaliamos a
estrutura populacional do cambuí em Piaçabuçu (AL) e identificamos, a partir da
percepção local, áreas de coleta, histórico de disponibilidade, causas de diminuição e
possíveis soluções. Os resultados apontam que o extrativismo do fruto de cambuí está
no limite entre ser sustentável e não sustentável. Além disso, desmatamentos e
queimadas contribuem para a diminuição na abundância dos indivíduos. No capítulo 2,
a partir de uma amostra nacional, buscamos entender se a associação terminológica de
um suco à base de PAS a uma fruta convencional ou a ambientes florestais, influencia
nas expectativas de potenciais consumidores. No capítulo 3, focamos na região
metropolitana de Alagoas para compreender melhor o contexto local e investigar as
expectativas e percepções dos consumidores em relação a produtos à base de cambuí.
Testamos se a associação gastronômica (através de misturas) de sucos a base de PAS
com sucos convencionais influencia nas expectativas e aceitação, além de testar a
influência terminológica avaliada no capítulo 2. Os resultados dos capítulos 2 e 3
sugerem que, em alguns casos, os nomes atribuídos aos produtos interferem nas
expectativas sobre eles ou na sua aceitação. Por exemplo, a associação terminológica
de um produto a ambientes florestais (nomes com sufixos da mata ou da floresta)
podem gerar expectativas negativas em relação ao sabor entre os indivíduos mais
neofóbicos. Além disso, o capítulo 3 evidenciou que misturas gastronômicas ampliam a
aceitação do produto. Desse modo, existe um amplo potencial para aumento do
interesse no cambuí combinando sua introdução em misturas com frutas convencionais
e a partir de estratégias de marketing que foquem no papel das pistas extrínsecas. No
entanto, essas estratégias devem vir acompanhadas de planos de manejo sustentável,
considerando o cenário de ameaças identificadas para a espécie. O beneficiamento de
produtos para atingir novos mercados pode ser uma estratégia economicamente e
ambientalmente viável, pois foca na agregação de valor em vez de focar no aumento da
coleta. Nesse contexto, é interessante que no marketing o produto seja associado a um
produto popularmente conhecido, para familiarizá-lo aos novos consumidores.
Palavras-chave: Plantas alimentícias silvestres. PAS. Plantas comestíveis.
Conservação biocultural. Extrativismo sustentável. Myrciraria floribunda. Cambuí.
Expectativa do consumidor. Avaliação sensorial. Estrutura populacional.

ABSTRACT
Wild Food Plants (WFP) have great potential for human consumption, yet they are
underutilized, particularly in urban areas. This results in less diversified diets and erosion
of knowledge about these plants, notably in these locations. However, they offer
nutritional, ecological, and social benefits. So, to harness this potential, this research
sought, through an interdisciplinary approach, to provide theoretical and applied
foundations to promote the biocultural conservation of Myrciaria floribunda (H. West ex
Willd.) O. Berg (cambuí). This thesis comprises three chapters. Chapter 1 is anchored in
ethnobiology and ecology, exploring the sustainability of species collection, and the
following two chapters focus on consumer psychology, exploring the relationship
between extrinsic cues, expectations, and willingness to consume. The thesis
encompassed harvesters and potential cambuí consumers as the target audience. In the
first article, we assessed the population structure of cambuí in Piaçabuçu (AL) and
identified, based on local perception, collection areas, availability history, causes of
decline, and possible solutions. The results indicate that cambuí fruit harvesting is at the
threshold between being sustainable and unsustainable. Additionally, deforestation and
wildfires contribute to the decrease in individual abundance. In Chapter 2, using a
national sample, we sought to understand whether the terminological association of a
WFP-based juice with a conventional fruit or forest environments influences potential
consumers' expectations. In Chapter 3, we focused on the metropolitan region of
Alagoas to better understand the local context and investigate consumers' expectations
and perceptions regarding cambuí-based products. We tested whether gastronomic
association (through mixtures) of WFP-based juices with conventional juices influences
expectations and acceptance, as well as testing the terminological influence assessed in
Chapter 2. The results of Chapters 2 and 3 suggest that, in some cases, the names
assigned to products interfere with expectations or acceptance. For example, the
terminological association of a product with forest environments (names with woods or
forest suffixes) can generate negative taste expectations among more neophobic
individuals. Additionally, Chapter 3 showed that gastronomic mixtures enhance product
acceptance. Thus, there is ample potential to increase interest in cambuí by introducing
it into mixtures with conventional fruits and through marketing strategies focusing on the
role of extrinsic cues. However, these strategies should be accompanied by sustainable
management plans, considering the identified threats to the species. Product processing
to reach new markets can be an economically and environmentally viable strategy, as it
focuses on value addition rather than increasing collection. In this context, it is
interesting that in marketing, the product is associated with a popularly known product to
familiarize it with new consumers.
Key-words: Wild food plants. WFPs. Edible plants. Biocultural conservation.
Sustainable harvesting. Myrciraria floribunda. Cambuí. Consumer expectations. Sensory
evaluation. Population structure.

LISTA DE FIGURAS
Capítulo 1:
FIGURA 1. MAPA DA DISPOSIÇÃO DAS PARCELAS NAS ÁREAS ESTUDADAS. ............................. 74
FIGURA 2. ESQUEMA DO PROCEDIMENTO PARA CONTAGEM DOS FRUTOS NOS INDIVÍDUOS. ...... 77
FIGURA 3. EXERCÍCIO DE PONTUAÇÃO PARA DESCRIÇÃO ATIVIDADE EXTRATIVISTA NAS
PRINCIPAIS ÁREAS DE COLETA DO CAMBUÍ. ................................................................. 82
FIGURA 4. DISTRIBUIÇÃO DOS INDIVÍDUOS DE CAMBUÍ QUANTO AOS ESTÁDIOS ONTOGENÉTICOS .
.............................................................................................................................. 83
FIGURA 5. CLASSES DE ALTURA PARA TODOS OS INDIVÍDUOS (A), PARA MENORES DE 50 CM (B)
E PARA OS MAIORES DE 50 CM (C). ........................................................................... 84
FIGURA 6. CLASSES DE DIÂMETRO PARA OS INDIVÍDUOS ACIMA DE 50 CM............................... 84
Capítulo 2:
FIGURE 1. RESEARCH MODEL. ........................................................................................... 99
FIGURE 2. STUDY DESIGN (PROCEDURES) ........................................................................ 100
FIGURE 3. RANDOMIZATION SCHEME FOR THE PLANT NAMES, SUFFIXES, AND IMAGES. .......... 102
FIGURE 4. BOXPLOT FOR THE RATINGS ON THE APPROPRIATENESS EXPECTATION AND TASTE
EXPECTATION, CONSIDERING THE TOTAL SAMPLE UNIVERSE. WFP: WILD FOOD PLANTS;
NN: NEUTRAL NAME; FE: FOREST ENVIRONMENT; AE: AGRICULTURAL ENVIRONMENT; CN:
CONVENTIONAL NAME. ........................................................................................... 107
FIGURE 5. BOXPLOT FOR THE APPROPRIATENESS EXPECTATION AND TASTE EXPECTATION
SCORES CONSIDERING EACH PHOTO RECEIVED BY ALL THE VOLUNTEERS . .................. 111
Capítulo 3:
FIGURE 1. MIXED-SCALE ACCESSIBLE TO PARTICIPANTS. .................................................... 130
FIGURE 2. DIVISION SCHEME OF TASTING GROUPS FOR EACH PRODUCT IN EXPERIMENT 2. WFP
= WILD FOOD PLANTS. .......................................................................................... 133
FIGURE 4. GRAPHICAL SUMMARY OF EXPERIMENT 1 RESULTS. ............................................ 135
FIGURE 3. BOX PLOT AND KRUSKALL-WALLIS STATISTICS FOR BOTH EXPERIMENTS. EXPERIMENT
1: A) ALL PRODUCTS FOR ALL PARTICIPANTS (N = 200); B) CAMBUÍ (CJ), ACEROLA (AJ),
AND MIXED (MJ) JUICES (N = 200); C) PIAÇAVA SWEET COCONUT (PSC), CONVENTIONAL
SWEET COCONUT (CSC), AND MIXED SWEET COCONUT (MSC) (N = 200); EXPERIMENT 2:
D) CAMBUÍ AND ACEROLA JUICES (N = 105); E) ARAÇÁ AND GUAVA JUICES (N = 105).
FROM BOXPLOT D AND E: AJ: ACEROLA JUICE; FAJ: FOREST ACEROLA JUICE; AJJ:
ACEROLA-JASMINE JUICE; CJ: CAMBUÍ JUICE; AJ: ARAÇÁ JUICE; GJ: GUAVA JUICE; FGJ:
FOREST GUAVA JUICE; GJJ: GUAVA-JASMINE JUICE. ................................................. 172
Ação de extensão:
FIGURA 1. BANNERS USADOS NA EXPOSIÇÃO (A E B). ........................................................ 206
FIGURA 2. EXPLICAÇÃO (ANTES, DURANTE O JOGO E DURANTE A DEGUSTAÇÃO) (); JOGO DA
MEMÓRIA (A-C); PALAVRA-CRUZADA E FIGURAS PARA PINTURA (D).. ......................... 207
FIGURA 3. PRODUTOS DISPONÍVEIS NA AÇÃO: SUCOS DE TAMARINDO (A), CAMBUÍ (B) E ARAÇÁ
(C), FRUTOS DO CAMBUÍ (D), DO JENIPAPO (E) E MAÇARANDUBA (F) – NÃO DEGUSTADO,
APENAS PARA EXPLANAÇÃO DE CONTEÚDO, PIMENTA ROSA (FRUTO DA AROEIRA) (G),
JENIPAPO DESIDRATADO (H), GELEIA DE TAMARINDO (I) E BOLO DE JENIPAPO (J).. ...... 209
FIGURA 4. DEGUSTAÇÃO DOS PRODUTOS. ........................................................................ 211

LISTA DE TABELAS E QUADROS
Capítulo 1:
QUADRO 1. IDENTIFICAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DAS ÁREAS COM PRESENÇA DE CAMBUÍ DE
ACORDO COM A PERCEPÇÃO LOCAL. .......................................................................... 79
QUADRO 2. GRÁFICO HISTÓRICO SOBRE A DISPONIBILIDADE DE CAMBUÍ NAS PRINCIPAIS ÁREAS .
.............................................................................................................................. 81
QUADRO 3. DISTRIBUIÇÃO DO EXTRATIVISMO DE CAMBUÍ NAS PRINCIPAIS ÁREAS .................... 82
TABELA 1. PRODUTIVIDADE DE FRUTOS DO CAMBUÍ ESTIMADO PARA 1 HECTARE..................... 85
Capítulo 2:
CHART 1. HYPOTHESES AND PREDICTIONS TESTED…………………………………………….98
TABLE 1. GENERAL CHARACTERIZATION OF THE SOCIOECONOMIC VARIABLES (GENDER, AGE,
SCHOOLING, AND MONTHLY FAMILY INCOME) OF THE RESEARCH PARTICIPANTS BY THE
REGION OF BRAZIL. ................................................................................................ 103
TABLE 2. SAMPLE UNIVERSE FOR EACH HYPOTHESIS AND THE TESTS USED IN THE ANALYSES.
............................................................................................................................ 104
TABLE 3. WILCOXON TEST RESULTS FOR WFPS AND RUBY/EMERALD ASSOCIATED STIMULI. .. 108
TABLE 4. WILCOXON TEST RESULTS FOR THE STIMULI FOREST ENVIRONMENT VS . AGRICULTURAL
ENVIRONMENT. ...................................................................................................... 108
TABLE 5. CUMULATIVE LINK MODELS (CLMS) TO EXPLAIN THE EXPECTATIONS (TASTE AND
APPROPRIATENESS SCORES) ON NATIVE FOOD PLANT JUICE BY POTENTIAL CONSUMERS IN
BRAZIL. ESTIMATE VALUES AND SIGNIFICANCE. M = MODEL; WFP = WILD FOOD PLANT
NAMES; NEUTRAL = NEUTRAL NAMES; FOREST = NAMES ASSOCIATED WITH FOREST
ENVIRONMENTS;
AGRICULTURAL
= NAMES ASSOCIATED WITH AGRICULTURAL
ENVIRONMENTS. .................................................................................................... 109
CHARTS – MEDIAN AND STANDARD ERROR OF THE RESULT OF FOOD NEOPHOBIA BY REGION ,
INCOME, SCHOOLING, AND GENDER; MEDIAN AND STANDARD ERROR FOR TASTE
EXPECTATIONS AND APPROPRIATENESS EXPECTATION BY REGION ............................. 156
CHART - STEPWISE APPROACH TEST RESULTS ................................................................... 158
CHART - CLM ANALYSIS ADD-NOS .................................................................................... 159
CHART – RESULTS OF THE KRUSKAL‒WALLIS TEST AND DUNN'S TEST TO VERIFY THE INFLUENCE
OF IMAGES ON ALL STIMULI ..................................................................................... 161
Capítulo 3:
CHART 1. HYPOTHESES AND PREDICTIONS TESTED…...………………………………………128
CHART 2. RESULTS OF HYPOTHESIS TESTS 1, 2, 3 AND 4, AND THEIR RESPECTIVE PREDICTIONS.
............................................................................................................................ 135
CHART 3. RESULTS OF HYPOTHESIS TESTS 5 AND 6, AND THEIR RESPECTIVE PREDICTIONS. .. 135
CHART - RECIPES OF THE PRODUCTS USED IN THE SENSORY EVALUATION EXPERIMENTS. ..... 163
CHART - SOCIOECONOMIC PROFILE OF PARTICIPANTS BY EXPERIMENT. ............................... 164
TABLE 1. MEANS AND STANDARD DEVIATION OF EXPECTATION AND POST -TASTING EXPERIMENTS 1 AND 2. .......................................................................................... 170
TABLE 2. KRUSKAL-WALLIS TEST RESULTS FOR EXPERIMENTS 1 AND 2. .............................. 171
TABLE 3. RESULTS FOR DUNN'S POST-HOC WITH "P" VALUE ADJUSTED WITH THE "BONFERRONI"
METHOD, FOR EXPERIMENT 1 .................................................................................. 177

TABLE 4. RESULTS FOR DUNN'S POST-HOC WITH "P" VALUE ADJUSTED WITH THE "BONFERRONI"
METHOD, FOR EXPERIMENT 2 .................................................................................. 179
TABLE 5. ADJUSTED CLMM MODELS FOR GASTRONOMIC ASSOCIATIONS – EXP.1. ............... 184
TABLE 6. ADJUSTED CLMM MODELS FOR THE INFLUENCE OF SOCIOECONOMIC VARIABLES –
EXP. 1. ................................................................................................................. 185

SUMÁRIO

1 APRESENTAÇÃO ....................................................................................................... 20
2 REVISÃO DA LITERATURA ....................................................................................... 29
2.1 Da conservação tradicional à conservação biocultural ....................................... 29
2.1.1 Da separação entre natureza e sociedade à integração do ser humano ............... 29
2.1.2 Abordagens para a conservação biocultural .......................................................... 32
2.2 Produtos Florestais Não Madeireiros – Espécies frutíferas ................................ 35
2.2.1 O que são Produtos Florestais Não Madeireiros? .................................................. 35
2.2.2 Manejo e utilização comercial de espécies frutíferas ............................................. 36
2.3 Fatores que influenciam na expectativa e escolhas alimentares ....................... 40
2.3.1 Expectativas sobre o produto ................................................................................. 41
2.3.2 Neofobia alimentar ................................................................................................. 42
2.3.2.1 Estratégias para aumentar as expectativas e aceitação do produto ................... 44
2.3.2.1.1 Estratégias a partir de associações terminológicas .......................................... 44
2.3.2.1.2 Estratégias a partir de associações gastronômicas ......................................... 46
2.3.3 Variáveis socioeconômicas que influenciam nas escolhas alimentares ................. 47
2.4 Espécie estudada .................................................................................................... 48
2.4.1 Família Myrtaceae .................................................................................................. 48
2.4.1.1 Gênero Myrciaria ................................................................................................. 49
2.4.1.1.1 Myrciaria floribunda (H.West ex Willd.) O.Berg. (Cambuí) ............................... 49
REFERÊNCIAS............................................................................................................... 52
3 CAPÍTULO 1 ................................................................................................................ 68
Perspectivas a partir da percepção local e da ecologia para a conservação e o
extrativismo sustentável de Myrciaria floribunda ...................................................... 68
Resumo: ......................................................................................................................... 69
1 Introdução ................................................................................................................... 69
2 Metodologia ................................................................................................................ 71
2.1 Aspectos éticos e legais ......................................................................................... 71
2.2 Áreas de estudo ...................................................................................................... 71
2.3 Escolha e identificação da espécie estudada ....................................................... 72
2.4 Coleta e análise dos dados .................................................................................... 72
2.4.1 Mapeamento com os extrativistas .......................................................................... 72
2.4.2 Sustentabilidade do extrativismo ............................................................................ 73
2.4.3 Estrutura populacional ............................................................................................ 73
2.4.4 Variáveis edafoclimáticas e características ambientais .......................................... 75
2.4.5 Oficina participativa ................................................................................................ 75
2.4.6 Produtividade de frutos........................................................................................... 76
2.4.7 Análise dos dados .................................................................................................. 77
3 Resultados .................................................................................................................. 78
3.1 Identificação e caracterização das áreas de coleta de cambuí ........................... 78

17

3.2 Histórico sobre a disponibilidade do cambuí ....................................................... 80
3.3 Extrativismo do cambuí nas principais áreas ....................................................... 81
3.4 Impacto da pandemia da COVID-19 no extrativismo e venda ............................. 82
3.5 Estrutura populacional ........................................................................................... 83
3.5.1 Panorama geral das áreas ..................................................................................... 83
3.5.2 Classes de altura e diâmetro .................................................................................. 83
3.6 Produtividade de frutos .......................................................................................... 85
4 Discussão ................................................................................................................... 85
4.1 O extrativismo de frutos não é a principal causa da diminuição do cambuí ..... 85
4.2 Perspectivas para a conservação biocultural e sustentabilidade do cambuí .... 87
5 Limitações................................................................................................................... 88
6 Conclusões e perspectivas futuras .......................................................................... 89
Referências .................................................................................................................... 90
4 CAPÍTULO 2 ................................................................................................................ 94
From Forest to Table: The Role of Product Naming in Consumer Expectations of
Biodiversity-Derived Foods .......................................................................................... 94
Highlights ....................................................................................................................... 94
Abstract:......................................................................................................................... 95
1. Introduction ............................................................................................................... 95
2. Materials and Methods .............................................................................................. 99
2.1. Legal Aspects ......................................................................................................... 99
2.2. Procedures............................................................................................................ 100
2.2.1. Data Collection through an Online Form ............................................................. 100
2.2.2. Randomization of Names and Images................................................................. 101
2.2.3. Quality in the Sample Universe ........................................................................... 103
2.2.3.1. Participant profile .............................................................................................. 103
2.2.4. Data Analysis ...................................................................................................... 104
2.2.4.1. Effect of Photography on Expectations ............................................................. 106
3. Results ..................................................................................................................... 106
3.1. General Characterization of the Results ............................................................ 106
3.2. Taste Expectation Decreases in Products Associated with WFP Names When
Compared to the Suffix “Ruby/Emerald” .................................................................. 107
3.3. Familiarity with the Agricultural Environment Favors the Expectation on the
Appropriateness, Taste, and Willingness to Try a Product ..................................... 108
3.4. CLM Modeling of the Effect of Food Neophobia and the Socioeconomic
Variables for All Terminological Stimuli .................................................................... 109
3.5. Spearman’s Correlation ....................................................................................... 110
3.6. The Visual Stimulus Also Influenced Expectations........................................... 110
4. Discussion ............................................................................................................... 111
4.1. What Aspects Influence Acceptability Expectations about Food Products,
After All? ...................................................................................................................... 111
4.2. Strategies for Popularizing WFPs: Cultural Identity X Association with Known
Fruit Trees .................................................................................................................... 113
4.3. Implications for Biocultural Conservation ......................................................... 114
5. Conclusions ............................................................................................................. 115

18

6. Suggestions and Future Implications.................................................................... 117
7. Limitations ............................................................................................................... 117
References ................................................................................................................... 118
5 CAPÍTULO 3 .............................................................................................................. 124
Challenges in the Popularization of Wild Food Plants in Brazil: An Examination
from the Perspectives of Expectations and Sensory Evaluation of Foods ............ 124
Implications for gastronomy ...................................................................................... 124
Highlights ..................................................................................................................... 125
Abstract:....................................................................................................................... 125
1 Introduction .............................................................................................................. 125
2 Methodology ............................................................................................................. 128
2.1 Ethical and legal aspects ...................................................................................... 128
2.2 Products preparation ............................................................................................ 129
2.3 General procedures for experiments 1 and 2 ..................................................... 129
2.4 Experiment 1 – Does the combination of wild food plants and conventional
plants enhance expectations and acceptance compared to products based solely
on wild food plants? ................................................................................................... 131
2.4.1 Data Analysis ....................................................................................................... 131
2.5 Experiment 2: Do terminological associations of wild plants with conventional
plants and associations with the place of origin influence product expectations
and acceptance? ......................................................................................................... 132
2.5.1 Data Analysis ....................................................................................................... 133
3 Results ...................................................................................................................... 134
3.1. Overall means of expectation and sensory evaluation ..................................... 134
3.2 Experiment 1 .......................................................................................................... 134
3.3 Experiment 2 .......................................................................................................... 135
4 Discussion ................................................................................................................ 136
4.1 What are the biases in the acceptance of wild food plants in the human diet?136
4.2 Implications for the popularization of WFPs ....................................................... 137
5 Limitations ................................................................................................................ 139
6 Conclusions .............................................................................................................. 139
References ................................................................................................................... 140
6 Conclusões gerais ................................................................................................... 147
APÊNDICES ................................................................................................................. 151
Material Suplementar do artigo 1 ............................................................................... 152
Recurso Online 1 - Caracterização das áreas 1 e 2 ...................................................... 152
Materiais Suplementares do artigo 2 ......................................................................... 153
SM2 - Questionnaire model used in the online expectancy tests .................................. 153
SM3 - Median and standard error of the result of food neophobia by region, income,
schooling, and gender; median and standard error for taste expectations and
appropriateness expectation by region .......................................................................... 156
SM4 - Stepwise approach test results ........................................................................... 158
SM5 - CLM analysis add-nos ........................................................................................ 159
SM6 – Results of the Kruskal‒Wallis test and Dunn's test to verify the influence of
images on all stimuli ...................................................................................................... 161

19

Materiais Suplementares do artigo 3 ......................................................................... 163
Appendix A: Recipes of the products used in the sensory evaluation experiments. ...... 163
Appendix B: Socioeconomic profile of participants by experiment. ............................... 164
Appendix C – Forms (experiments 1 and 2) .................................................................. 165
Appendix D – Scripts of random drawings for experiments 1 and 2. ............................. 168
Appendix E – General results of experiments 1 and 2. ................................................. 170
Appendix F – Results for Dunn's post-hoc with "p" value adjusted with the "Bonferroni"
method, for experiment 1 and experiment 2. ................................................................. 177
Appendix G – Results of the analyses for experiments 1 and 2 .................................... 184
T.C.L.E. – Avaliação sensorial.................................................................................... 186
T.C.L.E. – Entrevistas individuais e/ou oficinas participativas ............................... 189
Termo de autorização – uso de imagem e som ........................................................ 192
ANEXOS ....................................................................................................................... 193
Material Suplementar do artigo 2 – SM1: Parecer consubistanciado do comitê de
ética (1) ......................................................................................................................... 194
Parecer consubistanciado do comitê de ética (2) .................................................... 198
AÇÃO DE EXTENSÃO ................................................................................................. 206

20

1 APRESENTAÇÃO
Durante muito tempo, os modelos de conservação priorizavam a separação entre
seres humanos e natureza (DIEGUES, 2000), desconsiderando as relações sociais e
culturais entre eles, especialmente no sul global (modelo hegemônico de conservação
biológica – “fortress conservation”) (BALDAUF, 2020). No entanto, ao longo das últimas
décadas, outras visões sobre conservação como é o caso da conservação biocultural e
da conservação pelo uso (GAVIN et al., 2015; BALDAUF, 2020; LOWORE, 2020), que
reconhecem que há uma relação de interdependência do ser humano com o meio
ambiente. A abordagem da conservação biocultural vai além da conservação dos
recursos naturais como plantas e animais e inclui todo o corpo de conhecimentos,
práticas, e símbolos associados a esses recursos (GAVIN et al., 2015; MCCARTER et
al., 2018).
Executar a exploração sustentável das espécies é um dos grandes desafios da
atualidade (SILVA; GOMES; ALBUQUERQUE, 2017). Entretanto, alguns estudos têm
indicado que a comercialização de produtos provenientes da biodiversidade, como os
produtos florestais não madeireiros (PFNM), pode ser útil para conciliação com a
conservação destes mesmos recursos. Nesse caso, a geração de renda através do
comércio, instigaria a proteção das áreas de vegetação nativa da supressão associada
às mudanças no uso da terra, como postulado pela hipótese da “conservação pelo
comércio” (EVANS, 1993; LOWORE, 2020).
Sob essa ótica, é crucial desenvolver estratégias que promovam a proteção da
biodiversidade e fazer com que ela possa ser mantida dentro dos sistemas
socioecológicos. Esta tese pretende abordar dois aspectos complementares da
conservação através do uso de PFNM: o estudo acerca da sustentabilidade da coleta e
a geração de renda a partir do extrativismo por meio de estratégias destinadas a
aumentar o interesse dos potenciais consumidores por esses produtos.
Uma maneira de fazer isso é a partir da valorização de PFNM, cujo extrativismo
está associado aos conhecimentos e usos de populações humanas locais e, muitas

21

vezes, visa atender às demandas de mercados (SILVA et al., 2019). Cabe mencionar,
que, para ser considerado sustentável (conservar o recurso a partir do uso e atender
diversos mercados), não pode haver sobre-exploração dos recursos. Caso contrário,
pode haver um colapso e a espécie não conseguirá se regenerar.

Nesse sentido,

alguns pesquisadores têm se preocupado em entender aspectos ecológicos e
etnobotânicos de PFNM a fim de gerar e fornecer modelos que embasem um manejo
sustentável visando a manutenção das espécies (ALBUQUERQUE et al., 2009;
TUNHOLI, 2011). Para isso, é necessário adotar uma ampla perspectiva pautada na
interdisciplinaridade para entender os fatores que influenciam na dinâmica de produção,
comercialização e consumo, e na capacidade de gerar renda de forma sustentável
(SILVA; GOMES; ALBUQUERQUE, 2017). No entanto, estudos no tema têm mostrado
que os produtos extrativistas da biodiversidade podem apresentar fragilidades (SILVA,
2014): ambientais – relacionadas aos riscos e impactos negativos devido à pressão de
coleta (PINHEIRO, 2002); e sociais – quando não há nenhum tipo de regulamentação
ou incentivo para a execução desse trabalho, fazendo com que todos os atores das
cadeias atuem em um contexto mais informal (MOTA et al., 2008).
Então, para que os PFNM, mais especificamente as espécies frutíferas, possam
ampliar a renda da população, é necessário compreender como alcançar potenciais
consumidores e mercados mais distantes, assegurando a viabilidade econômica e
ambiental de sua exploração. Também é essencial resguardar a importância biocultural
desses produtos, o que inclui o resgate de práticas culturais e tradições associadas a
essas plantas. Nesse contexto, as plantas alimentícias silvestres (PAS), coletadas por
meio de práticas extrativistas, emergem como um excelente modelo para abordar essa
questão.
As PAS desempenham um papel muito importante nas dietas de populações
locais em todo o mundo, tanto como complementar como principal alimento. No
entanto, seu potencial ainda é desconhecido para uma parte da população (DING et al.,
2021; WESSELS; MEROW; TRISOS, 2021; GOMES et al., 2020a). O Brasil possui uma
megabiodiversidade, e existem inúmeras PAS subutilizadas, especialmente pela

22

população dos centros urbanos que possuem um sistema alimentar moderno, mas que
poderiam incrementar a alimentação de forma a diversificá-la, e contribuir com a
segurança alimentar da população (SANTIAGO; CORANDIN, 2018).
Contudo, além de representar implicações ecológicas e econômicas, a ideia de
ampliação da renda dos extrativistas a partir do acesso a novos mercados também se
depara com o desafio da aceitação dos consumidores por plantas desconhecidas, como
é o caso de algumas plantas alimentícias silvestres. Logo, as estratégias para
ampliação do consumo dessas plantas devem estar associadas à popularização delas
levando em consideração uma abordagem biocultural.
Neste

sentido,

várias

hipóteses

e

teorias

associadas à

psicologia

e

comportamento do consumidor (DELIZA; MACFIE, 1996; TING; RUN; CHUAH, 2016)
mostram que a aceitação de um produto sofre influência de diversas variáveis. Muitas
vezes, essas variáveis estão associadas a vieses psicológicos (LEON; JAHNS;
CASPERSON, 2020), como percepção negativa, falta de informação sobre a planta
(RAPOPORT et al., 1998), potenciais riscos à ingestão (KNAAPILA et al., 2011) e
neofobia alimentar (PLINER; HOBDEN, 1992; KNAAPILA et al., 2007). Essa, por sua
vez, é influenciada por pistas intrínsecas, relacionadas diretamente ao produto em si, e
extrínsecas, que estão relacionadas ao produto mas não especificamente as suas
características (MCCALL; LYNN, 2008). Além disso, fatores socioeconômicos podem
influenciar de diversas maneiras na intenção e disposição a provar e consumir novos
e/ou diferentes produtos (MEISELMAN; KING; GILLETTE, 2010; ZHOU et al., 2019;
PUDDEPHATT et al., 2020). Então, analisar a expectativa dos consumidores é um dos
primeiros passos antes de tomar decisões e indicar as melhores formas de apresentar
um novo produto alimentício no mercado. Adicionalmente, a associação do novo a algo
conhecido, inserção gradual do novo ingrediente e preparações familiares para novos
alimentos são apontadas como estratégias para driblar a neofobia alimentar (IRMAK;
VALLEN; ROBINSON, 2011; LU; RAHMAN; GENG-QING CHI, 2016).
Embora os estudos de comportamento do consumidor usados para embasar
teoricamente essa tese tenham sido feitos muitas vezes para atender aos interesses de

23

empresas ou empreendedores – visando criar produtos, atingir sucesso no seu negócio
–, esse mesmo contexto teórico pode ser aplicado para impulsionar um consumo
alimentar socialmente justo. O entendimento das melhores formas de ampliar o
interesse pelas PAS viria, portanto, a beneficiar pequenos agricultores e extrativistas,
que muitas vezes tem acesso restrito a informações sobre estratégias de marketing
adequadas.
Desse modo, entender os processos supracitados é importante para o
fortalecimento de programas de popularização de PAS de forma sustentável, e para
fornecer bases teóricas e aplicadas para promover a conservação biocultural dessas
plantas. Pensando nisso, essa tese está dividida em três capítulos e aborda aspectos
desde a ecologia até a avaliação sensorial de novos produtos alimentícios à base
Myrciaria floribunda (H. West ex Willd.) O. Berg.
O capítulo 1 teve como objetivo avaliar o estado de conservação de M. floribunda
considerando indicadores ecológicos e de percepção local, visando compreender o
impacto do extrativismo na população dessa espécie. Para isso, fizemos avaliações da
estrutura populacional, oficinas participativas com extrativistas de cambuí e medimos
produtividade de frutos em áreas de ocorrência natural do cambuí e indicadas pelos
extrativistas como sendo principais áreas de extrativismo dessa espécie. Os dados
coletados incluíram informações sobre estágios de desenvolvimento, diâmetro, altura e
produção de frutos das plantas, variáveis abióticas, características do ambiente,
percepção sobre a abundância de cambuí ao longo dos anos e sobre a intensidade de
coleta do cambuí. Concluímos que o extrativismo dos frutos de cambuí está no limite
entre o sustentável e não sustentável. Os extrativistas percebem o desmatamento e as
queimadas como as principais causas para sua diminuição em áreas naturais.
Entretanto, atualmente, todos os frutos são coletados, ficando apenas os que caem ao
chão para repor o banco de sementes no solo. Nesse momento, a melhor opção para
incremento da renda dos extrativistas e para promover a conservação biocultural desse
grupo de plantas seria o beneficiamento de produtos derivados desse fruto. Embora
alguns autores prefiram utilizar o termo “representação ambiental” devido aos filtros

24

culturais e biológicos, nesse estudo, estamos considerando percepção para designar a
forma como as pessoas enxergam, interpretam e compreendem o espaço ou as coisas
ao seu redor, incluindo os recursos naturais e mudanças ambientais, por meio dos
sentidos (SILVA; ALBUQUERQUE, 2014; ALBUQUERQUE et al., 2020).
Ao considerar como podemos oferecer suporte aos extrativistas do ponto de vista
comercial, é imperativo compreender como os consumidores que não estão
familiarizados com o novo alimento percebem um produto derivado de PAS. A
compreensão das expectativas geradas em torno de um novo produto é um passo
crucial quando se visa introduzi-lo no mercado, tendo em vista que os consumidores
criam uma relação com o alimento antes mesmo de experimentá-lo. A expectativa
gerada em relação ao produto é determinante para despertar ou não o interesse do
consumidor sobre o alimento, podendo estar associada tanto ao seu sabor quanto ao
seu nome. Acreditamos que um nome pouco atrativo ou que evoca associações
negativas na mente dos consumidores, bem como referências a ambientes florestais,
pode influenciar significativamente a decisão de experimentar novos produtos
alimentícios.
Então, o capítulo 2 aborda as expectativas dos consumidores em relação aos
nomes atribuídos a produtos elaborados com PAS. Este artigo teve como objetivo
identificar a melhor apresentação terminológica e compreender os fatores que
influenciam as expectativas em relação aos produtos elaborados com PAS. Para isso,
conduzimos uma investigação on-line com amostragem nacional, abordando perfil
socioeconômico, neofobia alimentar, conhecimentos prévios e expectativas quanto ao
sabor e adequação dos sucos de frutas nativas. As perguntas foram aleatorizadas para
que uma pessoa não recebesse a mesma foto ou nome do produto mais de uma vez.
Os resultados indicam que a expectativa de sabor diminui em relação aos produtos
associados aos nomes de PAS e aos ambientes florestais, sendo a neofobia alimentar o
fator que mais influencia as expectativas. Como forma de promover a conservação
biocultural e a valorização cultural de espécies frutíferas silvestres, os programas de
popularização de PAS podem manter o nome original (popular) da espécie, mas adotar

25

diferentes estratégias de marketing para familiarizar os consumidores com os novos
produtos.
Para entender melhor o contexto no qual estamos inseridos e as implicações de
fato, em relação ao sabor e aos nomes de produtos à base de PAS, o capítulo 3 traz
uma abordagem baseada nas expectativas e percepção dos produtos por consumidores
alagoanos, em Maceió e região metropolitana (considerando que a expansão de
produtos à base de PAS começaria por regiões próximas). Neste capítulo o objetivo foi
identificar vieses na aceitação de produtos alimentícios à base de PAS. Para tanto,
realizamos dois experimentos de expectativa e avaliação sensorial. O primeiro foi às
cegas e consistiu na preparação de sucos e cocadas de PAS (cambuí e coco piaçava) e
de produtos vegetais convencionais (acerola e coco convencional), e testamos se a
mistura de PAS com planta convencional cria expectativas mais positivas e maior
aceitação por parte do consumidor do que produtos feitos apenas com PAS. Nesse
experimento, identificamos também os fatores socioeconômicos que influenciam a
expectativa e a aceitação dos produtos.
No segundo experimento, preparamos sucos com PAS (cambuí e araçá) e
convencionais (acerola e goiaba) e testamos se a associação terminológica das PAS
com plantas convencionais e pistas terminológicas sobre a origem florestal influenciam
na expectativa e aceitação dos produtos. O mesmo produto foi apresentado com
diferentes nomes para cada um dos três grupos de pessoas. Descobrimos que as
misturas gastronômicas podem facilitar a introdução de novos alimentos na dieta,
especialmente para pessoas neofóbicas. Além disso, os consumidores com maior
idade, renda e escolaridade tendem a ter expectativas mais positivas em relação aos
alimentos elaborados com PAS. No entanto, termos associados a ambientes florestais
podem gerar expectativas negativas em relação ao sabor, especialmente entre os mais
neofóbicos.

26

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29

2 REVISÃO DA LITERATURA

2.1 Da conservação tradicional à conservação biocultural
2.1.1 Da separação entre natureza e sociedade à integração do ser humano
O termo “conservação” foi por muito tempo usado em um sentido menos
abrangente, como o conceito proposto por Sunkel (1987), no qual a conservação é
limitada às atividades de proteção, manutenção e restauração do mundo natural, com
medidas como a implantação de áreas protegidas e corredores ecológicos, separados
das necessidades das populações locais. Nesse contexto, o Parque Nacional de
Yellowstone foi o primeiro parque oficial, criado em meados de 1870, e serviu como
molde para os posteriores, dando início a essa visão dicotômica ocidental (ADAMS;
HUTTON, 2007; SHAFER, 2015). De acordo com Diegues (2000), no início do milênio o
modelo dominante de conservação ainda era aquele no qual para a natureza ser
conservada, deveria estar separada das sociedades humanas. Além disso, a ideia de
“mundo selvagem” (wilderness) estabelecia que a natureza selvagem somente poderia
ser protegida quando separada do convívio humano.
Posteriormente, o surgimento do novo naturalismo na Europa propôs uma
unificação entre a sociedade e a natureza, tendo em vista que não seria possível
entender a natureza separando-a das sociedades (DIEGUES, 2000). Afinal, o ser
humano é parte da natureza, já que as pessoas estão inseridas no ambiente que
transformam e do qual dependem para sobreviver. Ou seja, natureza e sociedade estão
interligadas. Neste sentido, as ciências, principalmente as ciências naturais, exerceram
um papel fundamental nos modelos de conservação (DIEGUES, 2000; MOON;
BLACKMAN, 2014; BENNETT et al., 2017). E, apesar da época em que o texto foi
escrito, a assertiva de Diegues permanece condizente com o momento atual.
Assim, a conservação da biodiversidade apresenta diferentes aspectos e
perspectivas, mas elas podem ser divididas em duas escolas de pensamento filosófico

30

e ético. De um lado, os cientistas sociais, com uma visão antropocêntrica, incluindo
entre outras coisas, bens, serviços e informações, contribuindo para o bem-estar
humano. Do outro, os cientistas naturais e os grupos conservacionistas, pautados em
uma visão ecocêntrica, priorizando a proteção dos ecossistemas e da natureza em si
mesma e, geralmente, norteando as ações de conservação (SHOREMAN-OUIMET;
KOPNINA, 2015; BENNETT et al., 2017; BALDAUF; LUNARDI, 2020).
Muitas abordagens para a conservação da biodiversidade foram desenvolvidas,
especialmente aquelas ligadas aos benefícios econômicos, incluindo o uso de consumo
sustentável, tornando as definições mais abrangentes (DIEGUES, 2000; HUTTON;
LEADER-WILLIAMS, 2003). Como é o caso da definição do Sistema Nacional de
Unidades de Conservação – SNUC (BRASIL; MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE,
2011), que diz que conservação é: “o manejo do uso humano da natureza,
compreendendo a preservação, a manutenção, a utilização sustentável, a restauração e
a recuperação do ambiente natural, para que possa produzir o maior benefício, em
bases sustentáveis, às atuais gerações, mantendo seu potencial de satisfazer as
necessidades e aspirações das gerações futuras, e garantindo a sobrevivência dos
seres vivos em geral”. Deve-se atentar para o fato de que na definição de “conservação
da natureza” pelo SNUC, fazem do uso do termo “preservação”, como um dos múltiplos
aspectos da conservação. De acordo com Kareiva e Marvier (2012), atualmente os
cientistas reconhecem que a conservação deve incluir o papel dos seres humanos. Ou
seja, natureza e humanos são indissociáveis e, por isso, as estratégias de conservação
devem levar em consideração o cuidado com os recursos naturais e o bem-estar
humano.
Essa mudança nas perspectivas de conservação culminou em uma maior ênfase
na abordagem participativa, envolvendo as comunidades locais na gestão e
conservação dos recursos naturais, e no reconhecimento da troca existente entre
natureza e seres humanos. Nesse sentindo, a conservação da biodiversidade, hoje em
dia, busca equilibrar a proteção dos ecossistemas com o desenvolvimento humano
sustentável. Desse modo, os trabalhos que têm uma abordagem “etno” como a

31

etnobotânica e a etnobiologia, têm ganhado força, pois, nesses ramos da ciência, as
comunidades tradicionais têm um papel fundamental. Atualmente, a etnobotânica – que
apresenta uma natureza essencialmente multidisciplinar para melhor entender a relação
pessoas-natureza (ALBUQUERQUE; ALVES, 2014) – pode fornecer uma grande
contribuição na conservação da biodiversidade. Isso acontece porque essa ciência
estuda e investiga o conhecimento local (que é dinâmico e mutável), as formas de
manejo locais, o porquê de usar determinado recurso, a importância social dos recursos
naturais e como eles respondem aos impactos da exploração, considerando também as
crenças, percepções e visões de mundo de cada comunidade (GOMES; GOMES;
JESUS, 2010; VANDEBROEK et al., 2011; ALBUQUERQUE; ALVES, 2014).
Cabe destacar que a inclusão do ser humano como parte integrante da
conservação tem gerado algumas discussões e preocupações. Por exemplo, a
exploração excessiva das espécies é uma das maiores causas de perda da
biodiversidade, apesar do estabelecimento de normas para a gestão de ambientes
florestais (CHAGAS et al., 2020). Em muitos casos, a falta de alternativas econômicas
ou de subsistência impulsiona um uso mais intensivo dos recursos vegetais (SOE;
YEO-CHANG, 2019). Alguns autores apontam que ter um incentivo econômico por trás
da conservação é importante, mas apenas isso não é suficiente, porque não garante a
conservação efetiva dos recursos. Pode, inclusive, resultar no efeito contrário, devido à
pressão de mercado causada pelo aumento na procura, especialmente se o produto
ofertado foi limitado (GOMES; GOMES; JESUS, 2010; RANDS et al., 2010; WILLIAMS
et al., 2014). No entanto, a geração de fontes alternativas de renda pode desempenhar
um papel importante na redução da pressão de colheita sobre um recurso (WILLIAMS
et al., 2014), visto que, assim as comunidades teriam mais possibilidades de suporte
econômico. Como é o caso do PAS (Pagamento por Serviços Ambientais), que é uma
política pública que tem como base o reconhecimento da importância de práticas
sustentáveis para a conservação da natureza através de remuneração, monetária ou
não, a pessoas ou entidades jurídicas que realizam algum tipo de atividade que auxilie
o meio ambiente a continuar cumprindo suas funções ecossistêmicas (PAGIOLA; VON
GLEHN; TAFFARELLO, 2013).

32

Com as poucas informações existentes sobre a produtividade e estado de
conservação da biodiversidade, os planos de manejo e prioridades de conservação
acabam sendo diretamente afetados, já que poucos estudos contemplam todas as
informações que seriam necessárias para um desenvolvimento sustentável (GOMES;
GOMES; JESUS, 2010). Sendo assim, é interessante pensar em formas de cooperação
entre os conservacionistas, ao invés de criar debates entre as escolas que acabam,
muitas vezes, não contribuindo para o avanço da conservação (GAVIN et al., 2018). O
estudo de Sambrook et al. (2019), por exemplo, enfatiza que muitos conservacionistas
hoje têm ideias que permeiam tanto a abordagem da conservação antropocêntrica (NC)
quanto a abordagem ecocêntrica (conservação tradicional). Desse modo, faz-se
necessária a criação de estratégias de conservação que auxiliem na manutenção da
biodiversidade, englobando a dinâmica ecológica e humana, mas sem priorizar os
interesses humanos e deixar a natureza em segundo plano (GOMES; GOMES; JESUS,
2010; DOAK et al., 2014).
2.1.2 Abordagens para a conservação biocultural
Antes de adentrarmos propriamente na conservação biocultural, é interessante
contextualizarmos o termo “diversidade biocultural”. A diversidade biocultural é a
interconexão entre a variedade de vida em todas as suas formas, incluindo aspectos
biológicos, culturais e linguísticos, dentro de um sistema socioecológico complexo.
Nesse sentido, indicadores de diversidade linguística e de conhecimento tradicional
também podem ser relacionados a indicadores de biodiversidade para obter uma
compreensão mais completa da diversidade biocultural global (MAFFI; DILTS, 2014;
MAFFI, 2018).
Frente

aos

estudos

de

conservação

da

biodiversidade,

é

importante

considerarmos não somente as questões ambientais e sociais, mas incluir também o
conhecimento, estilo de vida, valores tradicionais, culturais e crença das comunidades
que dependem desses recursos e que, de algum modo, estão conectadas à floresta
(conservação biocultural) (GOMES; GOMES; JESUS, 2010; SILVA; GOMES;
ALBUQUERQUE, 2014). Sendo assim, há a necessidade de identificar quais

33

abordagens tendem a ser mais eficazes em relação a esforços de conservação de
espécies e ecossistemas (KAPOS et al., 2008).
Neste contexto, o estudo e a aplicação da abordagem biocultural geram novas
relações entre pesquisadores e comunidades que agem como facilitadoras tanto em
relação ao desenvolvimento de pesquisas como no auxílio à conservação (NEMOGÁ,
2016). Gavin e colaboradores (2015) definem as abordagens bioculturais para a
conservação como sendo as "ações de conservação feitas a serviço de sustentar os
componentes biofísicos e socioculturais de sistemas socioecológicos dinâmicos,
interativos e interdependentes", em que o conhecimento local associado à
biodiversidade é assumido como premissa (GAVIN et al., 2018). A visão da
conservação biocultural transcende a visão dicotômica entre antropocentrismo e
ecocentrismo, porque sua abordagem contém elementos presentes em ambas as
perspectivas. Ela considera a perspectiva das comunidades locais e o reconhecimento
dos vínculos existentes entre as pessoas e os recursos disponíveis no meio ambiente
para atingir os resultados esperados. Ou seja, é baseada nos conhecimentos e práticas
locais, buscando entender as relações entre os componentes sociais e ecológicos
(MCCARTER et al., 2018). Quando se trata de conservação da biodiversidade, de
acordo com Pradhan e Ormsby (2020), as abordagens de conservação que são
baseadas em comunidades possuem maior probabilidade de alcançar o sucesso.
As abordagens bioculturais para a conservação podem servir como uma ótima
ferramenta para enfrentar a rápida perda global da diversidade biológica e cultural,
simultaneamente (GAVIN et al., 2015; NEMOGÁ, 2016), e guiar o progresso em direção
a soluções de conservação sustentável (GAVIN et al., 2018). Isso porque a herança
biocultural engloba conhecimentos, inovações e práticas da comunidade indígena e
local, que são desenvolvidos dentro de um contexto socioecológico que pode ser
continuamente adaptado para as mudanças nas condições sociais e ecológicas
(DAVIDSON-HUNT et al., 2012; GAVIN et al., 2015; NEMOGÁ, 2016). Além disso, a
conservação biocultural pode criar uma ponte entre grupos como ONGs e as
comunidades locais (MCCARTER et al., 2018), de modo que essas organizações

34

participem de uma abordagem mais colaborativa, buscando auxiliar de forma mais
efetiva em programas de conservação nessas comunidades e que funcionem a longo
prazo. Por exemplo, considerando que os povos tradicionais geralmente são
negligenciados em respeito a políticas públicas e recursos financeiros para alavancar
algum trabalho de conservação, as ONGs poderiam subsidiar essas iniciativas
comunitárias (CAMPOS-SILVA et al., 2017), realizando cursos e capacitações, por
exemplo, de modo a assegurar o uso sustentável dos recursos naturais e a perpetuação
da atividade.
É importante ressaltar que o conhecimento tradicional presente nessas
comunidades é muito valioso no contexto da conservação, utilização e gestão ambiental
dos recursos vegetais, pois, a sabedoria dos povos tradicionais pode auxiliar nas
tomadas de decisão a respeito do uso e manejo dos recursos naturais (SUWARDI et al.,
2020). Inclusive, algumas iniciativas pautadas no manejo comunitário e participativo têm
se mostrado efetivamente positivas, pois além de contribuir com a conservação da
biodiversidade, evidenciam melhores meios de subsistência para as comunidades
locais (CAMPOS-SILVA et al., 2018), como o que ocorre por exemplo, com o manejo do
pirarucu (Arapaima gigas) na Amazônia (CAMPOS-SILVA; PERES, 2016).
No entanto, a aplicação prática da abordagem biocultural encontra várias
barreiras, como: os quadros institucionais e legais – relacionados às normas e
regulamentação sobre a participação adequada das comunidades na pesquisa, bem
como os registros dos recursos genéticos –; a ênfase em inventários e medição da
biodiversidade; e a inserção das comunidades locais apenas como provedores de
dados (NEMOGÁ, 2016). De acordo com Gavin et al. (2015), esse tipo de abordagem
deve trabalhar com diferentes visões de mundo. A partir de uma visão holística, devem
delinear e reconhecer os direitos e responsabilidades de todas as partes interessadas.
Desse modo, as atividades de conservação biocultural não podem ser separadas de
questões mais amplas como autonomia, soberania alimentar e segurança ambiental
que por muitas vezes são as principais preocupações dos povos indígenas e de
comunidades locais tradicionais.

35

2.2 Produtos Florestais Não Madeireiros – Espécies frutíferas
2.2.1 O que são Produtos Florestais Não Madeireiros?
Os Produtos Florestais Não Madeireiros (PFNM) são todos os componentes
vegetais que não estão relacionados à madeira e à lenha como: castanhas, amêndoas,
nozes, frutas, ervas, temperos, corantes, óleos, resinas, exsudados, fibras, cascas,
plantas aromáticas, medicinais e ornamentais, provenientes de formações vegetais
naturais ou manejadas (PETERS, 1996; GOMES; GOMES; JESUS, 2010; SILVA,
2014). Além dessa, existem outras definições para o termo PFNM que são mais
abrangentes, como a citada por Shackleton e Shackleton (2004), incluindo também
animais. Em um sentido mais amplo, os PFNM incluem qualquer recurso biológico
coletado na natureza pela população rural para consumo direto ou geração de renda
(SHACKLETON; SHACKLETON, 2004). Além disso, alguns estudos incluem a lenha
como PFNM e nesse caso, no inglês, o termo usado é Non-timber forest products
(NTFPs) ao invés de Non-wood forest products (NWFPs). De acordo com a FAO
forestry (FAO, 2024), NWFPs é um termo que exclui madeira, lascas, carvão, lenha, e
madeiras pequenas usadas para fabricação de ferramentas, equipamentos para uso
doméstico e esculturas. Já o termo NTFPs inclui lenha e madeiras pequenas.
Os PFNM apresentam uma grande variação em relação à extensão de uso, tanto
entre as diferentes comunidades quanto dentro de uma mesma comunidade. Eles
podem ser utilizados desde o abastecimento doméstico até para a geração de renda.
Destaca-se que o uso é principalmente feito por famílias mais pobres que usam e se
beneficiam

mais

desses

recursos

do

que

as

mais

ricas

(SHACKLETON;

SHACKLETON, 2004). Por isso, eles podem ser classificados em diferentes categorias
a depender de três fatores: 1) da finalidade de uso (alimento, combustível, remédios,
utensílios domésticos e implementos agrícolas); 2) das partes da planta (folha, fruto,
caule e raízes) e 3) do nível de utilização (autossustentável e comercial), como apontam
Pandey, Tripathi e Kumar (2016).

36

Um subgrupo importante do PFNM são os produtos alimentícios. Eles são um
dos motores da economia no Brasil, no qual algumas espécies silvestres ganham
destaque como o pequi (Caryocar brasiliense Cambess.) e o açaí (Euterpe oleracea
Mart), que atualmente é o PFNM de maior valor produzido no país. Além disso, esses
produtos beneficiam a população de diversas formas (BARROS; TRINDADE, 2017).
Podem ajudar a reduzir substancialmente a insegurança alimentar nas comunidades
rurais, especialmente durante os períodos de escassez alimentar, e são comumente
utilizados para atender uma demanda de mercado por espécies vegetais obtidas por
meio da exploração extrativista (SANTOS et al., 2018a). Logo, o conhecimento e o uso
dos PFNM surgem de uma relação direta e interdependente dos seres humanos com os
ambientes florestais (GOMES; GOMES; JESUS, 2010). Assim, como os sistemas
biológico e cultural constroem conjuntamente o que se chama de sociobiodiversidade,
os PFNM colhidos em ambientes naturais ou manejados para fins domésticos ou
comerciais, com valor cultural, social e religioso (NEUMANN; HIRSCH, 2000), são
conhecidos como produtos da sociobiodiversidade. Desse modo, estudos sobre o
extrativismo vegetal apresentam um importante papel para a relação seres humanosplanta e na valorização da diversidade biológica e do conhecimento tradicional e local
(SANTOS et al., 2018a).
2.2.2 Manejo e utilização comercial de espécies frutíferas
A flora brasileira é muito rica em frutos comestíveis nativos, mas grande parte
desses frutos constitui um potencial econômico e de consumo desconhecido, ainda
subutilizados ou pouco explorados, notadamente por pessoas que moram distantes das
florestas (SANTIAGO; CORANDIN, 2018). Uma das barreiras para um uso mais amplo
desses frutos por pessoas dos centros urbanos é o pouco (ou nenhum) conhecimento
sobre eles (TEIXEIRA et al., 2019). Além disso, ainda são escassas as pesquisas que
subsidiam um manejo adequado que assegure a persistência das populações dessas
das espécies (TUNHOLI, 2011). Neste sentido, com o intuito de fornecer contribuições
para fins comerciais, de subsistência e gastronomia (que cada vez mais busca novos e
exóticos sabores), é necessária a realização de estudos mais profundos a respeito das

37

espécies frutíferas regionais (PADILHA et al., 2016; CAMPOS et al. 2017). Nesse
contexto, principalmente sobre aquelas que apresentam um histórico significativo de
extrativismo (CAMPOS et al., 2017; SANTOS et al., 2018a).
A literatura traz algumas pesquisas realizadas que apontam que os frutos de
várias PAS possuem qualidades químicas benéficas à saúde, além de características
físicas ou sensoriais atraentes, que contribuem para o consumo direto e para o
desenvolvimento de produtos (TEIXEIRA et al., 2019). A aroeira (pimenta-rosa)
(Schinus terebinthifolia Raddi) (JESUS; GOMES, 2012), a mangaba (Hancornia
speciosa Gomes) (MOTA et al., 2008; OLIVEIRA et al., 2017), o licuri (Syagrus coronata
(Mart.) Beccari) (SILVA, 2010), o pequi (Caryocar coriaceum Wittm.), a fava d’anta
(Dimorphandra gardneriana Tul.) (SILVA; GOMES; ALBUQUERQUE, 2014), o murici
(Byrsonima gardneriana A. Juss) (SANTOS et al., 2018b), o cambuí (Myrciaria tenella
(DC.) O. Berg e Myrciaria floribunda (H.West ex Willd.) O. Berg) (GAMA et al., 2017;
SANTOS et al., 2017, 2018a) e o araçá (Psidium guineense Sw.) (SANTOS et al., 2015)
são algumas espécies frutíferas extraídas de forma extrativista que apresentam
algumas dessas qualidades e geram (ou podem gerar) renda para as populações locais
(ver também (GOMES et al., 2020a).
Por um lado, o aumento na demanda de mercado pode influenciar as populações
naturais, visto que esse processo intensifica a pressão de colheita (TICKTIN, 2004;
COE; GAOUE, 2023). Assim, o extrativismo de frutos pode afetar as populações de
plantas, diminuindo o recrutamento de novos indivíduos e levando, caso a pressão
persista, à diminuição da população (VARGHESE et al., 2015; GAOUE et al., 2017a).
Adicionalmente, Kusters e colaboradores (2006) enfatizam que a extração dos recursos
naturais apenas para fins comerciais, sem um manejo adequado, tende a resultar no
seu esgotamento. De acordo com a diminuição da disponibilidade do recurso, tanto a
conservação do mesmo quanto

a dinâmica socioambiental da comunidade são

afetadas, podendo causar desde mudanças nas redes tróficas (interferindo na
disponibilidade de alimentos para os animais, na dispersão de sementes, na ciclagem

38

de nutrientes) até danos nas práticas culturais locais (HALL; BAWA, 1993; SHANKAR et
al., 1996; CAMPOS et al., 2017).
Por outro lado, quando técnicas de manejo sustentável são aplicadas ao
extrativismo, especificamente de espécies frutíferas, o cenário pode ser promissor.
Alguns estudos mostram que a coleta de frutos é a atividade extrativista menos danosa,
apresentando um alto potencial para o manejo sustentável (SHACKLETON, 2001;
TICKTIN, 2004; SILVA, 2023), por não causar a morte (instantânea) do indivíduo
(SHACKLETON, 2001). Um estudo com o fruto de Amla (Phyllanthus emblica) mostrou
que ter os níveis de colheita reduzidos e a renda da população local aumentada a partir
da extração dos frutos é uma opção para manter o extrativismo de modo sustentável
(SHANKAR et al., 1996).
No entanto, o percentual de extração de frutos é um dos grandes desafios
relacionados à sustentabilidade e manutenção das espécies. Alguns estudos,
simulando o efeito do extrativismo sobre a população de espécies vegetais, apontam
que a taxa de exploração é muito variável tanto em relação à espécie quanto ao local
de coleta. Oliveira (2009), simulando o efeito do extrativismo o pequi (Caryocar
brasiliense Camb.), verificou que a extração de até 91% dos frutos é considerada uma
atividade sustentável, pois não compromete o crescimento populacional da espécie.
Lima, Scariot e Giroldo (2013), estudando a mangaba (Hancornia speciosa Gomes)
verificaram que a coleta sustentável pode ser aumentada até a extração de 87% dos
frutos, sem afetar a regeneração da população dessa espécie. Já Pandey e Bhargava
(2014), estudando a belleric myrobalan (Terminalia bellerica Roxb.) na Índia, verificaram
que a colheita de até 70% dos frutos foi o ótimo para sua exploração sustentável.
Do ponto de vista ecológico, para que uma espécie vegetal tenha sua utilização
considerada sustentável, é preciso que a quantidade de indivíduos de cada classe de
tamanho seja constante ao longo dos anos e que a coleta de frutos não cause efeitos
negativos na regeneração da população. Ademais, como as populações são dinâmicas,
não devemos considerar apenas a questão de estabilidade numérica, mas também as
condições gerais da população, formas de vida e sua capacidade de se adaptar às

39

mudanças impostas ao ambiente (antrópicas e climáticas) (TICKTIN, 2004; SILVEIRA;
DA SILVA, 2010; O’BRIEN et al., 2012; KONDRAT; ARAGAKI; GOMES, 2020). Dessa
forma, é necessário que a taxa de exploração dos recursos seja menor que a taxa de
regeneração dos mesmos (HALL; BAWA, 1993; TUNHOLI, 2011; PANDEY;
BHARGAVA, 2014).
Além do percentual de frutos que pode ser extraído sustentavelmente, os modos
de coleta também devem ser considerados, já que alguns deles podem ser danosos
para a planta. Durante a extração de frutos de fava d’anta (Dimorphandra gardneriana),
por exemplo, galhos e ramos são danificados, porque geralmente se utiliza uma vara
como instrumento de coleta. Inclusive, de acordo com os extrativistas mais antigos, a
extração inadequada de frutas em determinadas épocas do ano acaba comprometendo
a colheita em anos posteriores (ALCÂNTARA et al., 2020). De acordo com Sinha e
Bawa (2002), em pesquisa realizada na Índia com duas espécies de Phyllanthus,
conhecidas como Amla (P. emblica e P. indofischeri), as técnicas adotadas de colheita
de frutos, como poda de galhos e corte das árvores, podem ocasionar a diminuição das
taxas de crescimento das populações, culminando em uma extração insustentável. Em
outro exemplo, o extrativismo de Jaborandi (Pilocarpus microphyllus) também causou
impactos negativos em suas populações naturais devido a intensificação da coleta por
aumento na demanda de mercado (PINHEIRO, 2002).
Além disso, a atividade humana influencia os padrões ecológicos de diferentes
maneiras (ALBUQUERQUE et al., 2018). Fatores que podem atuar em sinergia ao
manejo inadequado e a sobrexploração, como queimadas, desmatamento e expansão
agrícola agravam o declínio de populações (SHAHABUDDIN; PRASAD, 2004;
SUWARDI et al., 2020). Nesse sentido, a estrutura e a composição dos ecossistemas,
respectivamente relacionadas aos estratos vegetacionais, relação com outras plantas e
animais, e a diversidade de organismos, além de sofrerem influência dos fatores
abióticos, são em grande parte influenciados por fatores antrópicos (ALBUQUERQUE et
al., 2018). Por isso, é necessário o desenvolvimento de estudos que tratem sobre
estrutura

vegetal, dinâmica

populacional,

abundância,

sobrevivência,

taxa

de

40

crescimento, rendimento potencial e capacidade regenerativa das espécies (HALL;
BAWA, 1993; TICKTIN, 2004) em seu ambiente natural, considerando também fatores
humanos.
2.3 Fatores que influenciam na expectativa e escolhas alimentares
Antes de adentrar especificamente nas variáveis que podem ou não influenciar
nas expectativas e escolhas alimentares, é interessante estar ciente sobre a tipificação
dos sistemas alimentares. De acordo com HLPE (2017), em geral, existem três desses
sistemas: os tradicionais, os modernos e os mistos. Nos tradicionais, pessoas
produzem o que consomem e são mais característicos de zonas rurais. Além disso, a
sazonalidade interfere na produção de alimentos. Os modernos, são característicos de
zonas urbanas, pois, a população adquire seu alimento através da compra em
mercados. A sazonalidade não apresenta implicações na aquisição de alimento porque
eles estão disponíveis continuamente, e os consumidores têm maiores opções de
escolhas alimentares. E os mistos, são característicos de pessoas de áreas periurbanas
e urbanas que possuem renda mais elevada que as pessoas dos sistemas tradicionais,
nos quais as pessoas produzem uma parte dos alimentos e compram outra. Nesse
sentido, as variáveis que interferem nas expectativas e escolhas alimentares, tendem a
ser influenciados pelo sistema alimentar no qual o consumidor está inserido.
Diante disso, para inserir os produtos da sociobiodiversidade na alimentação
humana, além dos desafios relacionados à sustentabilidade, são necessários estudos
acerca da psicologia do consumidor para entender quais seriam as melhores formas de
fazer essa inserção. O fato de as pessoas não utilizarem essas plantas silvestres para
consumo humano pode estar ligado a alguns fatores como disponibilidade no ambiente
e proximidade geográfica (em relação à distância entre o local de moradia e o de coleta
das plantas) (GAMA et al., 2018; PIERONI; SÕUKAND, 2018; GOMES et al., 2020a),
fatores culturais, como a não utilização dessas plantas devido à associação negativa
delas com o estilo de vida rural “pobre” e com baixo status social (BALDERMANN et al.,
2016), modernização e mudança de estilo de vida (THAKUR; SHARMA; UNIYAL,
2017), ou questões relacionadas aos tabus culturais (GAOUE et al., 2017b). Por fim,

41

existem os fatores comportamentais, que na maioria das vezes estão associadas a
fatores psicológicos, percepção, fatores ambientais e socioeconômicos (BRYŁA, 2016;
LEON; JAHNS; CASPERSON, 2020). Como exemplos tem-se a percepção negativa, a
falta de informação sobre a planta, ou o fato de os potenciais consumidores nunca
terem sequer ouvido falar dela (RAPOPORT et al., 1998), além do potencial risco ao
ingerir um alimento desconhecido (KNAAPILA et al., 2011).
2.3.1 Expectativas sobre o produto
A maneira como nos comunicamos e interagimos com os alimentos começa
antes de sentirmos o sabor (BLACKMORE; HIDRIO; YEOMANS, 2021), influenciando
na avaliação e intenção de compra (ONWEZEN et al., 2019). Com base em
informações armazenadas e processadas previamente pelo cérebro, juntamente com
pistas extrínsecas (relacionadas ao produto, mas não ligadas as suas características,
como rótulo, nome, preço e embalagem) e intrínsecas (relacionadas as características
do produto em si como cor, textura e sabor e cheiro) disponíveis, as pessoas criam
opiniões e expectativas sobre o que estão prestes a comer (PIQUERAS-FISZMAN;
SPENCE, 2015; BARSICS et al., 2017).
A literatura traz diversas abordagens acerca do comportamento do consumidor e
sua disposição a comprar determinado produto, como é o caso da Expectation Theory
(DELIZA; MACFIE, 1996). Essa teoria mostra que o consumidor pode criar uma
expectativa sensorial e uma expectativa hedônica. Na primeira, o consumidor acredita
que o produto a ser ingerido possuirá determinadas características sensoriais. Por
exemplo, os consumidores podem pensar que o produto terá um sabor doce ou uma
textura gelatinosa. Essa confirmação pode ocorrer ou não, o que acaba por interferir na
aceitação final do produto (DELIZA; MACFIE, 1996; BLACKMORE; HIDRIO;
YEOMANS, 2021). Na segunda, há a influência da percepção após a prova do produto.
As expectativas hedônicas estão diretamente relacionadas ao “gosto ou desgosto” do
produto após prová-lo (DELIZA; MACFIE, 1996). Nesse caso, os consumidores criam
expectativas em relação ao quanto irão gostar ou não do produto. Isso pode basear-se
em experiências anteriores. Por exemplo, se os indivíduos provarem uma variedade de

42

sucos e os acharem deliciosos, eles anteciparão que o próximo suco que
experimentarem estará no mesmo nível da qualidade daqueles que desfrutaram
anteriormente (ZELLNER; STRICKHOUSER; TORNOW, 2004).
É importante destacar que experiências anteriores com outros produtos podem
mudar as expectativas do consumidor sobre um alimento. Além disso, as pistas
extrínsecas (como preço e rótulo) e a familiaridade também influenciam na expectativa
do consumidor (PIQUERAS-FISZMAN; SPENCE, 2015; BRYŁA, 2016; REBOLLAR et
al., 2017; PIHA et al., 2018; BLACKMORE; HIDRIO; YEOMANS, 2021). De forma
complementar, Fernqvist e Ekelund (2014) apontam que a inclusão de “expectativas”
em estudos com avaliação sensorial é importante, porque se torna possível entender
melhor os resultados obtidos pelas respostas dos consumidores.
No que diz respeito a expectativa, Piqueras-Fiszman e Spence (2015) enfatizam
que pode haver a confirmação da expectativa ou pode haver um processo chamado de
“desconfirmação”,

quando

as

expectativas

não

se

confirmam

ou

não

são

correspondidas. Nesse aspecto, existem teorias psicológicas que podem explicar o
processo de relação das pessoas com novos os alimentos, como as teorias da
assimilação, para a qual o consumidor ajusta a percepção do produto ao que era
esperado; do contraste, em que o consumidor amplia a diferença, deslocando as
avaliações a uma direção oposta a esperada; da negatividade generalizada, quando o
consumidor avalia negativamente o produto devido as expectativas que não foram
atendidas; e da assimilação/contraste, onde se a diferença entre o esperado e o
experimentado for pequena, há assimilação, mas se for grande, haverá o contraste.
2.3.2 Neofobia alimentar
Neste cenário, destaca-se o papel da “neofobia alimentar”, que é o medo, receio
ou relutância em provar alimentos novos ou diferentes (PLINER; HOBDEN, 1992). A
neofobia alimentar surgiu como resposta adaptativa para evitar que os seres humanos
ingerissem produtos tóxicos (SIGMAN-GRANT, 2008; ALBUQUERQUE et al., 2020),
podendo variar fortemente dentro de uma população (KNAAPILA et al., 2007). Ou seja,

43

ela age como sendo um mecanismo de proteção natural que protege o indivíduo de
alimentos prejudiciais, sendo neste caso considerada como vantajosa (KNAAPILA et al.,
2007, 2011). É interessante observar que há uma tendência de que as pessoas rejeitem
alimentos com gosto amargo ou azedo (ALMEIDA, 2010; ALBUQUERQUE et al., 2020).
Nosso paladar, em associação ao olfato em alguns casos, evoluiu de modo que nos
alerta que o gosto amargo de uma comida pode estar associado a produtos venenosos
e o gosto azedo e cheiro desagradável estarem associados a produtos estragados e/ou
apodrecidos (REED; KNAAPILA, 2010). Então, esses alimentos são rejeitados
rapidamente, o que não ocorre com alimentos doces, como observado por Steiner
(1977). Inclusive, do ponto de vista nutricional, os alimentos doces são mais
energéticos, com mais calorias (ALBUQUERQUE et al., 2020; MEDEIROS et al., 2021).
Além disso, a neofobia alimentar, aliada aos modos de vida atuais, acaba
reduzindo as formas de uso de alimentos em potencial, limitando ainda mais a
variedade da dieta humana, sendo desvantajosa neste caso (KNAAPILA et al., 2007,
2011; CANHA, 2015). A variedade das dietas atuais já é bem restrita quando
comparada àquela do passado, com um número cada vez menor de plantas nativas, e
uma ingestão maior de produtos provenientes de grandes monoculturas, o que acaba
gerando a chamada homogeneização alimentar (RAPOPORT et al., 1998; KINUPP,
2007; KINUPP; LORENZI, 2014). Cabe destacar que, a maioria das pesquisas com
neofobia alimentar visa essa condição em crianças e sua influência em adultos ainda
não é muito clara (HENRIQUES; KING; MEISELMAN, 2009; KNAAPILA et al., 2011).
A neofobia alimentar é influenciada pelas características sensoriais do alimento
(textura, aparência, aroma, sabor, cor), pelo modo de preparo e pela familiaridade com
o produto (BRYŁA, 2016). Outros fatores como o preço elevado, o rótulo e a qualidade
do produto são algumas barreiras que modulam a inserção e permanência de um
produto no mercado e a aceitação do mesmo pelo consumidor (IRMAK; VALLEN;
ROBINSON, 2011; BRYŁA, 2016; PHAM et al., 2018). Por exemplo, Tan e
colaboradores (2016) testaram rótulos em alimentos que foram apresentados como
derivados de insetos, e verificaram que quando as pessoas sabem que estão

44

consumindo algo novo ou diferente do que estão acostumadas, tendem a avaliar
negativamente.
Além disso, o conhecimento insuficiente do consumidor, a disponibilidade dos
produtos e os menores prazos de validade, também acabam influenciando no momento
de escolha (BRYŁA, 2016). De acordo com Gomes e colaboradores (2020), o sabor, a
disponibilidade temporal e o potencial nutricional são variáveis que influenciam na
intensidade de consumo de um alimento. Deve-se notar que além das barreiras existem
também os facilitadores, e ambos mudam de acordo com as características
demográficas ou localização geográfica do consumidor. As barreiras abrangem um nível
individual (preferência, estresse, baixo humor), social (preço) e ambiental (acesso
geográfico). Já os facilitadores correspondem aos modelos ecológicos e de saúde como
a relação de cuidado com o meio ambiente, maior qualidade em relação ao modo de
plantio (LEON; JAHNS; CASPERSON, 2020; PUDDEPHATT et al., 2020).
2.3.2.1 Estratégias para aumentar as expectativas e aceitação do produto
Alguns estudos apontam estratégias que podem ser usadas para aumentar as
expectativas

e

também

aumentar

a

aceitação

sobre

produtos

alimentícios.

Adicionalmente, essas estratégias podem ser úteis para driblar a neofobia alimentar,
que no passado foi considerada como sendo uma característica vantajosa, e hoje é
considerada uma desvantagem do ponto de vista alimentício. Abaixo, iremos abordar
dois tipos de estratégias que podem ser úteis para aproximar o consumidor de um
produto novo.
2.3.2.1.1 Estratégias a partir de associações terminológicas
As associações terminológicas e conceituais como nomes, descrições sensoriais,
rótulos com informações sobre produção (orgânico ou natural), tipo de cultivo,
informações sobre saúde e nutrição (dietético e não-dietético) ou sobre a origem do
alimento (etnia, produto natural ou industrializado) influenciam fortemente a percepção
dos consumidores sobre determinado produto,

abrangendo campos da psicologia

45

experimental e da ciência sensorial, e pode fazer com que o consumidor mude sua
percepção sobre o gosto do produto (PIQUERAS-FISZMAN; SPENCE, 2015). Por
exemplo, nomes chamativos e descritivos chamam mais a atenção dos consumidores,
fazendo com que sua experiência sensorial seja mais positiva (MCCALL; LYNN, 2008),
e tenha um forte efeito na preferência do consumidor (FERNQVIST; EKELUND, 2014).
Um exemplo considerável da influência do nome do produto é o caso da aroeira
(Schinus terebinthifolia Raddi), que é uma planta muito conhecida por suas
propriedades fitoterápicas e amplamente utilizada por populações locais para tratar
inflamações (SILVA et al., 2017; ROSAS; CORREA; DAS GRAÇAS HENRIQUES,
2019), mas seu fruto era pouco conhecido e pouco consumido como alimento. Apesar
de não pertencer a família das pimentas, esta espécie foi popularizada como “pimenta
rosa” e introduzida na alimentação como um condimento. Com esse rótulo gourmet,
tornou-se amplamente conhecida procurada e utilizada no mercado exterior,
principalmente o europeu, e na alta gastronomia brasileira, com elevado valor agregado
(CARDOSO, 2008; GOMES et al., 2020b).
Rótulos que apresentam descrições relacionadas a saúde, também influenciam
na percepção dos consumidores, de modo que produtos rotulados como “não
dietéticos” tendem a ser vistos pelos consumidores como menos saudáveis, quando
comparados àqueles produtos com rótulos com a presença do termo “dietéticos”
(IRMAK; VALLEN; ROBINSON, 2011). Outro exemplo relacionado ao rótulo ou ao nome
do produto, pode ser visto em relação aos produtos que recebem o termo “orgânico”.
Geralmente, os consumidores associam alimentos com essa terminologia a um sabor
melhor, apreciando-os mais em relação aos outros. No entanto, a causa dessa relação
ainda não está clara, sendo necessários mais estudos envolvendo expectativas
sensoriais para esses alimentos (FERNQVIST; EKELUND, 2014). Além disso, produtos
associados a esse termo são vistos como mais saudáveis e tendem a ser mais caros
quando comparados a alimentos convencionais (BRYŁA, 2016). De acordo com Li,
Jervis e Drake (2015), para conseguir entender por que o rótulo de um produto é mais
apreciado que outro, é preciso compreender os atributos relacionados, especialmente

46

os fatores extrínsecos, por exemplo, as informações que o rótulo traz e a marca
associada, que influenciam o processo de tomada de decisão do consumidor, e não
apenas levar em consideração a percepção dos atributos sensoriais.
Outro ponto que merece destaque em relação a aceitabilidade de novos produtos
é em relação à sua origem, ou pertencimento a uma área específica. Estudos
mostraram que há um efeito regional na preferência do consumidor, no qual são
preferidos alimentos nacionais e regionais ao invés de importados. Desse modo, quanto
mais regional ou local for o produto, maior é a aceitabilidade entre os consumidores
(FERNQVIST; EKELUND, 2014). Podemos perceber essas afirmações em alguns
trabalhos que verificaram a influência de um produto que passou por processos de
elaboração tradicionais e não-tradicionais, havendo preferência pelos tradicionais
(SIRET; ISSANCHOU, 2000), ou que trazem em seu nome a informação de origem do
produto (TUORILA et al., 1998; CAPORALE; MONTELEONE, 2001). Dentro dessa
perspectiva, no momento atual, em que a maior parte dos alimentos é proveniente de
grandes monoculturas e industrializados, pessoas de áreas urbanas que consomem
mais alimentos cultivados vindos de grandes plantações, podem “estranhar” um
alimento cujo rótulo remeta a um ambiente florestal. Do mesmo modo, alguns trabalhos
enfatizam o fato de alimentos industrializados e processados por novas tecnologias,
causarem preocupações no consumidor ao ingerir esses alimentos (PIQUERASFISZMAN; SPENCE, 2015).
2.3.2.1.2 Estratégias a partir de associações gastronômicas
As relações gastronômicas, fazem com que a aceitação de um produto não
convencional seja maior entre os consumidores. Para isso, existem algumas estratégias
que podem ser aplicadas. Associar gastronomicamente, ou seja, misturar o novo a um
produto popularmente conhecido (LU; RAHMAN; GENG-QING CHI, 2016) pode fazer
com que o consumidor aceite mais rapidamente o novo produto, já que ele não estará
em evidência. Outra opção seria inserir gradualmente o novo ingrediente na preparação
alimentícia (FARAJI-RAD; MELUMAD; VENKATARAMANI, 2017), pois, a partir dessa
combinação e de acordo com a aceitabilidade do alimento, essa mistura passaria a ter

47

um percentual cada vez maior do novo, e antes desconhecido, produto. Nesse sentido,
o uso de sabores ou preparações familiares para alimentos novos pode aproximar o
consumidor do alimento (MARTINS; PELCHAT; PLINER, 1997; TUORILA et al., 1998;
LAUREATI et al., 2016; TAN et al., 2016).
Santos (2016) em seu trabalho com o murici (Byrsonima gardneriana A. Juss),
verificou que dos produtos elaborados à base de polpa desse fruto, aqueles que
apresentam maior quantidade de ingredientes conhecidos (populares) e onde o
percentual do murici foi menor – como trufa, por exemplo –, foram mais aceitos do
ponto de vista de sabor, intenção de compra e aceitabilidade. Isso demonstra que a
mistura de alimentos não convencionais com convencionais, contribui para a inserção
do novo produto na dieta humana. Outro bom exemplo para esta situação é o caso do
açaí, visto que ele foi popularizado não pelo seu potencial individual e forma de uso
tradicional, mas sim em mistura com um produto popularmente conhecido, o xarope de
guaraná. Dessa forma, o açaí é mais processado e comercializado e grandes marcas
utilizam esse produto de forma semelhante (VANNI, 2018).
2.3.3 Variáveis socioeconômicas que influenciam nas escolhas alimentares
Além das pistas extrínsecas, intrínsecas e da neofobia alimentar, variáveis
socioeconômicas também têm implicação nas escolhas alimentares. Fatores como
idade (PHAM et al., 2018; ZHOU et al., 2019), gênero (MEISELMAN; KING; GILLETTE,
2010; ZHOU et al., 2019), escolaridade (MEISELMAN; KING; GILLETTE, 2010) e renda
familiar (PUDDEPHATT et al., 2020), podem influenciar na disposição a provar e
consumir novos e/ou diferentes produtos. Em relação à idade, a literatura mostra que
desde a infância, com o passar dos anos, o grau de neofobia diminui, e intensifica-se
novamente quando os indivíduos são idosos (MEISELMAN; KING; GILLETTE, 2010;
SANJUÁN-LÓPEZ; PHILIPPIDIS; RESANO-EZCARAY, 2011).
Há uma grande variação e não há consenso ainda sobre estudo envolvendo
gênero e aceitação de novos produtos. Enquanto alguns trabalhos mostram as
mulheres como mais receosas em provar novos alimentos (SANJUÁN-LÓPEZ;

48

PHILIPPIDIS; RESANO-EZCARAY, 2011), outros apontam os homens (CAMARENA;
SANJUÁN; PHILIPPIDIS, 2011). Nesse caso, ainda são necessários mais estudos.
Com relação à escolaridade e renda familiar, algumas pesquisas apontam que pessoas
com menores grau de instrução e poder aquisitivo, tendem a ser mais neofóbicas
(MEISELMAN; KING; GILLETTE, 2010; SANJUÁN-LÓPEZ; PHILIPPIDIS; RESANOEZCARAY, 2011). Barbosa e colaboradores (2021), por exemplo, verificaram que
pessoas com nível de escolaridade mais elevado, são menos neofóbicas e atribuíram
isso ao conhecimento prévio adquirido no próprio ambiente escolar.
Já a baixa renda influencia de modo que a população consome aquilo que lhes é
mais viável em questão de custo-benefício. Geralmente, famílias com renda mais baixa,
não tem escolha sobre suas decisões alimentares. Isso faz com que essas pessoas
deem preferência por alimentos mais baratos e com uma durabilidade maior. Por outro
lado, pessoas com poder aquisitivo maior possuem elevado repertório gastronômico,
muitas vezes associados a maiores condições de viajar, explorar novos lugares e
experimentar suas culinárias (PUDDEPHATT et al., 2020).
2.4 Espécie estudada
2.4.1 Família Myrtaceae
A família Myrtaceae Juss. se destaca como uma das mais ricas (LOURENÇO;
BARBOSA, 2012), com cerca de 132 gêneros e aproximadamente 6.000 espécies
(CHRISTENHUSZ; BYNG, 2016). É uma família de plantas com ocorrência,
principalmente, em regiões tropicais e subtropicais (TIETBOHL et al., 2019),
notadamente na América do Sul, Austrália e Ásia Tropical. Possui grande importância
na flora brasileira e é atualmente representada por cerca de 1.034 espécies distribuídas
em 23 gêneros (SOBRAL et al., 2015), compreendendo árvores e arbustos. Sua
importância está relacionada ao uso dessas espécies na restauração de áreas
alteradas e usos fitoterápicos (GOMES et al., 2017), além de seus frutos serem fontes
de alimento para a fauna silvestre (GRESSLER; PIZO; MORELLATO, 2006) e por
enriquecer a dieta alimentar humana (SANTOS et al., 2017; SANTOS et al., 2018c;

49

BARBOSA et al., 2020). Dentre os gêneros que compõem essa família, destaca-se
Myrciaria, que contém a espécie aqui estudada: Myrciaria floribunda (H. West ex Willd.).
2.4.1.1 Gênero Myrciaria
O gênero Myrciaria ocorre na América Tropical, incluindo México, Cuba, Panamá,
Venezuela, Brasil, Bolívia, Paraguai e Argentina (BORGES; CONCEIÇÃO; SILVEIRA,
2014), com aproximadamente 99 espécies conhecidas. Dentre elas, 25 ocorrem no
Brasil, sendo que 18 são endêmicas (AZEVEDO et al., 2017; MYRCIARIA, 2024). Em
Alagoas, ocorrem quatro espécies de Myrciaria: M. alagoana Sobral, M. ferruginea O.
Berg, M. glazioviana (Kiaersk.) G.M.Barroso e ex Sobral e M. floribunda (H.West ex
Willd.) O.Berg. Todas são nativas, endêmicas do Brasil e com ocorrência na Mata
Atlântica, com exceção para M. floribunda que não é endêmica e pode ocorrer também
na Amazônia, Caatinga e Cerrado (SOBRAL et al., 2015). Há um grande número de
espécies do gênero Myrtaceae que ainda não foram domesticadas e/ou são pouco
exploradas como, por exemplo, M. floribunda (NASCIMENTO et al., 2019).
2.4.1.1.1 Myrciaria floribunda (H.West ex Willd.) O.Berg. (Cambuí)
M. floribunda é uma espécie frutífera popularmente conhecida como cambuí
(SANTOS et al., 2018c, 2018a), camboim (SOUZA; MORIM, 2008; LORENZI, 2009;
OLIVEIRA et al., 2018), jabuticabinha, murta, duque, goiabarana, araçazeiro (LORENZI,
2009) e cambuizeiro (NASCIMENTO et al., 2019). Seu nome popular mais comum
“cambuí” tem origem na língua Tupi Guarani (aça-mbiú) e significa “árvore de galho
fino” (LEMOS et al., 2018). Ocorre comumente em áreas arenosas costeiras (restingas)
e apresenta uma ampla distribuição geográfica no Brasil (SANTOS et al., 2018c;
BARBOSA et al., 2020). De acordo com Lourenço e Barbosa (2012) a espécie se
diferencia das demais do gênero pelo conjunto das folhas de ápice longo-acuminado
com inflorescências de eixo reduzido, fazendo com que os frutos tenham uma
aparência ramiflora.

50

Esta espécie é caracterizada como arbusto ou árvore de pequeno porte, com até
5 metros de altura. Apresenta tronco com casca externa laminada, folhas elípticas ou
lanceoladas (SOUZA; MORIM, 2008). As inflorescências são do tipo fascículo,
constituído por flores hermafroditas, com coloração branca, em nós afílicos ou nas
axilas das folhas (OLIVEIRA et al., 2021), com presença de seis (SOUZA; MORIM,
2008) a 15 flores em cada cacho (OLIVEIRA et al., 2021). Os botões florais são
globosos, bem como o fruto, que pode chegar a medir 13 mm diâmetro (SOUZA;
MORIM, 2008). Os frutos são levemente arredondados e, quando maduros, podem ser
encontrados com cores que variam entre o laranja, vermelho e roxo, mostrando uma
grande variabilidade dentro da espécie, e que indivíduos que apresentam frutos da
mesma cor podem ser geneticamente diferentes (SOUZA; MORIM, 2008; PINHEIRO;
ALMEIDA; SILVA, 2011; LOURENÇO; BARBOSA, 2012; NASCIMENTO et al., 2019;
GARCÍA et al., 2021). Os frutos de M. floribunda, apresentam-se como sendo ácidos, e
entre as diferentes colorações, os vermelhos são maiores e mais pesados, os
alaranjados possuem maior rendimento de polpa, e os roxos apresentam maior firmeza
e menores níveis de acidez titulável (GARCÍA et al., 2021).
Em um trabalho realizado em área de restinga no Rio de Janeiro, Souza e Morim
(2008), verificaram que a floração da espécie ocorre de dezembro a janeiro, e a
frutificação ocorre de julho a outubro. Para algumas áreas do Nordeste, um estudo
realizado em região de restinga entre a Paraíba e o Rio Grande do Norte indicou que a
espécie floresce de março a setembro e frutifica de setembro a dezembro
(LOURENÇO;

BARBOSA,

2012).

Especificamente

em

Alagoas,

Oliveira

e

colaboradores (2021), verificaram que M. floribunda apresenta até dois picos de
floração em um ano, um ocorrendo entre julho e setembro, com frutificação em
setembro, e o outro ocorrendo em março, com frutificação em abril. Cabe enfatizar que
essa pesquisa foi realizada em um pomar experimental. Em estudo realizado em
Sergipe, Santos e colaboradores (2018b), verificaram que a floração do cambuí ocorre
entre os meses de fevereiro e maio, e a frutificação pode ocorrer entre maio e julho,
podendo se estender até agosto.

51

De modo geral, os estudos com esta espécie são muito recentes (NASCIMENTO
et al., 2019). Muitos já investigaram o potencial biológico (FRANCESCHINELLI et al.,
2007; VAZ, 2012), biotecnológico (OLIVEIRA et al., 2018), químico, farmacológico –
antimicrobiano e antitumoral – (APEL et al., 2006; TIETBOHL et al., 2012), bioinseticida
(TIETBOHL et al., 2014) e antioxidante (AZEVEDO et al., 2017) de várias partes da
planta de M. floribunda através de seu óleo essencial, principalmente das folhas. Os
resultados indicam que o óleo essencial das folhas, da casca dos frutos e o óleo puro
da flor de M. floribunda apresentam potencial para o tratamento de doenças
neurodegenerativas, fornecendo suporte para o desenvolvimento de medidas
terapêuticas alternativas de novos compostos bioativos, e é um candidato promissor
como método de controle para vetores da doença de Chagas (TIETBOHL et al., 2014,
2019; BARBOSA et al., 2020).
No entanto, pesquisas relacionadas a composição química e consumo do fruto
ainda precisam ser mais exploradas (SANTOS et al., 2017; OLIVEIRA et al., 2018).
Conhecer a composição química dos frutos pode contribuir para a ampliação dos
estudos quimiotaxonômicos desta espécie e do gênero. Além disso, podem ser úteis
para a seleção de novas variedades (GARCÍA et al., 2021), já que seus frutos
apresentam

grande

importância

econômica

e

alimentar,

sendo

utilizados

tradicionalmente pelas comunidades locais, consumidos in natura, em forma de
gelatina, licores, cachaça, suco, sorvete, mousse, em forma processada (polpa) ou
ainda servindo como alimento para ruminantes (MITRA et al., 2012; OLIVEIRA et al.,
2018; SANTOS et al., 2018a; TEIXEIRA et al., 2019; BARBOSA et al., 2020).
Os frutos desta espécie apresentam-se como uma fonte potencial de compostos
bioativos, podendo ser inseridos na alimentação humana como alimento funcional. Além
disso, a descoberta de que os frutos do cambuí possuem esses compostos podem
viabilizar a agregação de valor aos frutos e aos produtos derivados (SANTOS et al.,
2017). De acordo com Oliveira e colaboradores (2018), os frutos liofilizados de M.
floribunda são importantes fontes de β-criptoxantina (pró-vitamina A) e ácidos fenólicos,
e os frutos in natura apresentam alto teor de ácido ascórbico. No entanto, a falta de

52

estudos sobre o potencial nutricional dos frutos de M. floribunda, sugere que mais
estudos dessa natureza sejam realizados.
Cabe ressaltar que M. floribunda está presente no livro “Espécies Nativas da
Flora Brasileira de Valor Econômico Atual ou Potencial – Plantas para o futuro: Região
Nordeste” (LEMOS et al., 2018), onde são apresentadas 20 espécies de valor
econômico para a região, mas que ainda são carentes de pesquisas. O livro também
expõe

a

necessidade

de

investimentos

em

trabalhos

envolvendo

equipes

multidisciplinares, direcionados ao aprimoramento do conhecimento técnico-científico
de espécies como essa, que são consideradas como prioritárias para o futuro da
alimentação. Por fim, Lemos e colaboradores (2018) enfatizam que atualmente o
cambuí ainda é utilizado majoritariamente pela população local, que os consome e/ou
comercializa in natura ou processados de modo artesanal, deixando claro seu potencial
para a indústria alimentícia.

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68

3 CAPÍTULO 1

Perspectivas a partir da percepção local e da ecologia para a conservação e o
extrativismo sustentável de Myrciaria floribunda
A ser submetido na Environment, Development and Sustainability, percentil 90
*Manuscrito formatado nas normas da revista
Élida Monique da Costa Santosa*, Elcida Limab, Cristina Baldaufc, Danúbia Lins Gomesd, Gabriela Maria Cota dos
Santosa, Déborah Monteiro Barbosaa, Roberta de Almeida Caetanoa, Rafael Ricardo Vasconcelos da Silvaa, Patrícia
Muniz de Medeirosa*
a

Laboratory of Biocultural Ecology, Conservation and Evolution (LECEB), Campus of Engineering and Agricultural
Sciences, (CECA); Postgraduate Program in Biological Diversity and Conservation in the Tropics, Institute of
Biological and Health Sciences (DIBICT-ICBS), Federal University of Alagoas, Maceió, Brazil.
b
Rural Federal University of Pernambuco, Recife, Brazil.
c
Laboratory of Ethnoecology and Biodiversity, Federal Rural University of the Semi-Arid, Brazil.
d
LECEB-CECA, Federal University of Alagoas, Rio Largo, Brazil.
*Correspondence authors: *E-mails: EMCS (elidamoniquecs@outlook.com), PMM (patricia.medeiros@ceca.ufal.br)
Adress: Rio Largo, AL, CEP: 57100-000, Brazil.
Statements and Declarations
Competing Interests: The authors declare that there is no conflict of interest.
Acknowledgments: We acknowledge the Postgraduate Program in Biological Diversity and Conservation in the
Tropics, at the Federal University of Alagoas, which gave us the opportunity to develop this research. We would like
to thank the members of the Laboratory of Ecology, Conservation and Biocultural Evolution (LECEB) of the
Campus of Agricultural Engineering and Sciences (CECA – UFAL). This research was funded by the Brazilian Fund
for Biodiversity—FUNBIO and HUMANIZE [Grants “FUNBIO Conserving the Future”, awarded to EMCS, no.
030/2021], Coordination for the Improvement of Higher Level Personnel—Coordenação de Aperfeiçoamento de
Pessoal de Nível Superior/CAPES [Granting a doctoral scholarship to EMCS], the National Council for Scientific
and Technological Development—Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico/CNPq [PMM,
442810/2016-4 and 302786/2016-3], L’Oreal Brasil (For Women in Science Awards) and L’Oreal (International
Rising Talent Awards).
Data availability statements: The data for this study will be made available on reasonable request.
Author contributions: All authors contributed to the study conception and design. EMCS: Conceptualization;
Investigation; Methodology, Writing—original draft; Writing—revision and editing. ELA, CB, DLG, DMB, GMCS,
and RAC: Methodology; Writing—original draft. RRVS: Supervision; Writing—revision and editing. PMM:
Conceptualization; Formal analysis; Methodology; Supervision; Writing—revision and editing. All authors read and
approved the final manuscript.
Declaration of the use of AI in the article: The author(s) used ChatGPT in order to translate the text of the
manuscript from Portuguese to English language. After using this tool/service, the author(s) reviewed and edited the
content as needed and take(s) full responsibility for the content of the publication.

69

Perspectivas a partir da percepção local e da ecologia para a conservação e o extrativismo sustentável de
Myrciaria floribunda

Resumo: A pressão de colheita em árvores frutíferas pode afetar negativamente a população vegetal. No entanto,
diversos distúrbios provenientes de outras atividades extrativistas como desmatamento e queimadas podem causar
danos indiretos às espécies que teoricamente seriam poupadas dessas atividades. Pensando nisso, este artigo visa
avaliar o estado de conservação de M. floribunda considerando indicadores ecológicos e etnobiológicos. Para isso,
fizemos um mapeamento com extrativistas de Piaçabuçu para identificar as áreas de coleta do cambuí.
Posteriormente, fizemos avaliações da estrutura populacional nas duas principais áreas indicadas pelos extrativistas,
em cinco parcelas de 50x20 m em cada área. Coletamos dados sobre abundância de cambuí entre plântulas, jovens I,
jovens II/imaturo e adultos, altura total, circunferência ao nível do solo, e informações edafoclimáticas e
vegetacionais. Realizamos oficinas participativas com extrativistas e, através da percepção deles, coletamos
informações sobre a disponibilidade do cambuí, as causas e soluções para seu aumento ou diminuição. Selecionamos
20 indivíduos na principal área para estimar a produtividade por hectare e ter uma noção em termos de números, da
participação dos extrativistas na coleta. Por meio dos dados de estrutura e de percepção, verificamos que o
extrativismo de frutos pode estar no limite entre o sustentável e não sustentável, sendo o desmatamento e as
queimadas as principais causas para a diminuição do cambuí. Além disso, todos os frutos são coletados pelos
extrativistas, ficando entre seis e 10% para repor o banco de sementes no solo.
Palavras-chave: Populational structure. Wild food plants. Biocultural conservation. Sustainable extractivism.
Ethnobotany.

1 Introdução
Entre os Produtos Florestais Não Madeireiros (PFNM) estão os produtos alimentícios (Gomes et al. 2010;
Silva 2014), um subgrupo que apresenta elevada importância econômica e social para a população, podendo reduzir
a insegurança alimentar e atender a demanda de mercados (Santos et al. 2018). A incrementação da alimentação
humana com plantas alimentícias silvestres (PAS) pode contribuir para atingir alguns dos objetivos de
desenvolvimento sustentável da ONU (Organização das Nações Unidas) como a mitigação da fome, a conservação
da biodiversidade, resiliência e sustentabilidade dos ecossistemas, e saúde e bem-estar. Além disso, a alimentação
saudável não está relacionada apenas ao consumo de alimentos adequados, mas também à proteção da biodiversidade
e ao valor histórico e cultural dos alimentos (Brasil, 2015). No Brasil, algumas espécies vegetais silvestres ganham
destaque como o pequi (Caryocar brasiliense), a aroeira (Schinus terebinthifolia) e o açaí (Euterpe oleracea), que
atualmente é o PFNM mais produzido no país (Barros and Trindade 2017).
Algumas pesquisas apontam que os frutos estão entre os PFNM cuja extração é menos danosa por não
atingir instantaneamente o indivíduo por completo (Shackleton 2001; Ticktin 2004). Nesse tipo de extração, o
potencial para conservação florestal é maior, já que se extrai apenas uma parte do indivíduo (Shackleton, 2001). Por

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outro lado, não podemos ser negligentes e dizer que o extrativismo de frutos envolve apenas benefícios para a planta.
Em alguns casos, a intensificação da coleta e pressão de uso pela atividade humana podem afetar negativamente a
população de determinada espécie (Ticktin, 2004). Inclusive, um dos grandes desafios relacionados à utilização de
frutos silvestres é saber se a quantidade de frutos que está sendo extraída é um percentual considerado sustentável
para a manutenção e regeneração da espécie no ambiente natural. Porém, esse percentual muda de acordo com o
local e com a espécie em questão (ver Lima et al. 2013; Oliveira 2009; Pandey and Bhargava 2014). Além da
quantidade de frutos que pode ser extraída sustentavelmente, outra questão que deve ser considerada é a técnica
empregada no momento da coleta, pois algumas delas podem ser danosas para a planta (ver Alcântara et al. 2020).
Outras causas, como aspectos naturais e antrópicos, podem atuar sinergicamente de maneira a impactar
negativamente a disponibilidade de espécies vegetais silvestres. No espectro natural, fenômenos climáticos
periódicos, como o El Niño e La Niña, tendem a alterar a temperatura, o regime climático e até a incidência de
incêndios em áreas ocupadas por vegetação (Andrade et al. 2020). No espectro antrópico, atividades de mudança de
uso da terra, como desmatamento, queimadas, uso intensivo de práticas agropecuárias insustentáveis, como a
aplicação aeroagrícola de agrotóxicos (Barlow et al. 2018; Freitas et al. 2022), também são responsáveis por
interferir na biodiversidade local e, consequentemente, nos fatores rumo à insegurança alimentar (Scherer et al.
2020).
Desde a década de 90, alguns autores apontam a valoração econômica como sendo uma alternativa para a
manutenção das populações vegetais em ambientes naturais (Peters, 1996). A lógica por trás disso foi postulada por
Evans (1993), através da hipótese da conservação pelo uso. Apesar de ser algo que nunca foi testado efetivamente,
este e outros autores sugerem que gerar renda para as comunidades a partir do comércio de produtos vegetais nativos
pode diminuir a pressão de desmatamento sobre essas populações (ver Shankar et al. 1996; Mota et al. 2008; Ditt et
al. 2013; Dias et al. 2014; Coradin et al., 2018). Como o extrativismo de PFNM pode não ser necessariamente
sustentável, estudiosos mencionam a necessidade de mais pesquisas para entender melhor os impactos causados por
essa prática nas populações ou comunidades vegetais (Campos et al. 2017). Principalmente para aquelas espécies que
apresentam um histórico significativo de extrativismo de folhas (Baldauf and Reis 2010) ou frutos (Campos et al.
2017; Santos et al. 2018). Nesse sentido, são necessários estudos que reúnam diferentes contextos teóricos como
ecologia de populações e etnobiologia para entender como as PAS podem beneficiar economicamente a população
humana, sem que haja o esgotamento dessas espécies.
Entretanto, apenas o conhecimento dos aspectos biológicos e ecológicos das espécies em extrativismo
podem não ser suficientes para garantir um extrativismo sustentável. Neste caso, o estudo envolvendo a participação
da comunidade local, a partir da percepção, surge como sendo uma importante ferramenta para avaliar o estado de
conservação de uma espécie, pois, o Conhecimento Ecológico Tradicional (TEK) adquirido e acumulado ao longo do
tempo podem ser úteis para a formulação de estratégias de conservação de espécies silvestres (Sobral et al. 2024;
Albuquerque et al. 2021). Entendendo como percepção a forma como as pessoas, enxergam, interpretam e
compreendem o mundo ao seu redor, incluindo os recursos naturais e mudanças no meio ambiente, por meio dos
seus sentidos (Albuquerque et al. 2020).

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Neste trabalho, abordamos o contexto do extrativismo dos frutos de Myrciaria floribunda (cambuí), uma
planta alimentícia silvestre, abundante na região do litoral Sul de Alagoas e presente em ambientes de restinga. O
cambuí apresenta porte arbustivo, com frutos apresentam coloração entre amarelo, laranja, vermelho e roxo/preto e é
uma espécie economicamente promissora para os extrativistas (Gomes et al. 2020). No entanto, estudos focando
nessa espécie ainda são incipientes e mais direcionados aos aspectos químicos (Azevedo et al. 2017; Tietbohl et al.
2014) fenológicos e morfométricos (Oliveira et al. 2021). Não encontramos na literatura estudos que tenham
abordado o estado de conservação de uma população de M. floribunda, principalmente no que diz respeito à estrutura
populacional e ao conhecimento local a respeito da espécie, visando uma exploração econômica sustentável. Nesta
pesquisa, buscamos responder, em caráter exploratório, a seguinte pergunta: Qual o estado de conservação da espécie
M. floribunda considerando indicadores ecológicos e de percepção local? Para isso, avaliamos a estrutura
populacional e produtividade de frutos, e o histórico da disponibilidade e coleta de M. floribunda a partir da
percepção dos extrativistas locais.

2 Metodologia
2.1 Aspectos éticos e legais
O estudo foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Universidade Federal de alagoas (UFAL)
(CAAE 39956320.3.0000.5013), e os participantes foram convidados a assinar o Termo de Consentimento Livre e
Esclarecido (TCLE).
2.2 Áreas de estudo
A pesquisa foi realizada no município de Piaçabuçu, no litoral sul de Alagoas, e que está localizado na
região do Baixo São Francisco. Essa região é constituída por 93 municípios, sendo 46 no estado de Alagoas (Freire e
Gomes, et al. 2023). Nossa pesquisa foi realizada em quatro momentos: mapeamento individual, oficina
participativa, estrutura populacional e frutificação.
A comunidade extrativista que participou deste estudo está inserida no povoado Retiro, localizado no
entorno da Área de Proteção Ambiental da Marituba do Peixe que é uma Unidade de Conservação Estadual, e é
composto, atualmente, por 288 famílias cadastradas no posto de saúde. Oitenta e uma famílias a menos que o
trabalho de Gomes et al. (2020), que constatou 369 famílias nesse mesmo povoado. Esse decréscimo de famílias
residentes pode ter sido causado por diversas fontes: pandemia da COVI-19, mudança de estado devido emprego fixo
ou sazonal, mudança para povoados ou cidades vizinhos, e até mesmo mortes. Apesar da existência de residências de
alvenaria, grande parte das casas ainda é de taipa. Possui escola e posto de saúde municipais que estão localizados no
próprio Povoado. A principal atividade econômica local é o extrativismo, notadamente de frutos (Gomes et al. 2020),
seguido da pesca (Cabral et al. 2006). Além disso, na comunidade há a existência de igrejas católicas e evangélicas,
mercearias e bares.

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A liderança comunitária foi contatada a partir das indicações da diretoria da Associação Aroeira, uma
entidade que reúne mais de 50 extrativistas da região. Os mapeamentos individuais e as oficinas participativas foram
realizados nesta comunidade. Para resguardar as áreas de vegetação nativa onde ocorreram os dois últimos
momentos, e para continuar a manter uma relação de confiança com os extrativistas, omitimos as denominações
atribuídas aos locais e ao longo do trabalho chamaremos de Áreas 1 e 2. Ambas estão localizadas na APA da
Marituba do Peixe e são áreas de restinga, com presença de espécies nativas, entre as quais se destaca a espécie M.
floribunda, popularmente conhecida como cambuí. Nas duas áreas, há alguns locais com maior incidência de raios
solares, e áreas com menor incidência, sendo aquelas cujo porte da vegetação é mais alto e denso. Na área 1, há uma
parcela com indivíduos mais altos com copa densa, localizada próximo ao leito do rio Piauí. Na área 2, a parcela com
maiores indivíduos fica localizada próximo ao mesmo rio, em um local denominado pelos extrativistas como “brejo”.
Mais detalhes sobre as características edafoclimáticas dessas áreas podem ser encontrados no Recurso Online 1.
2.3 Escolha e identificação da espécie estudada
A espécie utilizada nesta pesquisa foi selecionada a partir de uma lista elaborada em uma oficina de diagnóstico
rápido participativo (DRP) em 2019, na qual um grupo de 12 extrativistas vinculados à Associação Aroeira indicou as
espécies arbóreas alimentícias comercializadas na região. A escolha da espécie M. floribunda (cambuí) se justificou por ela
ter se destacado em estudo anterior quanto ao seu potencial de consumo e comercialização (Gomes et al. 2020), bem como
por ser abundante nos remanescentes florestais da região. Cabe ressaltar que, o Ministério do Meio Ambiente lançou em
2018 o livro “Espécies Nativas da Flora Brasileira de Valor Econômico Atual ou Potencial – Plantas para o futuro: Região
Nordeste” (Coradin et al. 2018), em que M. floribunda é uma das espécies listadas como prioritárias onde são apresentadas
20 espécies de valor econômico para a região, mas que ainda necessitam de estudos mais detalhados e multidisciplinares.
Exemplares de cambuí, compostos por galhos, folhas, flores e frutos, foram coletados e encaminhados para o Herbário
IPA, em Recife, no qual foram identificados e depositados sob os números: 93963 (cambuí roxo/preto), 93964 (cambuí
vermelho), 93965 (cambuí laranja). Destacamos que coletamos amostras de indivíduos que produzem diferentes cores de
frutos, a fim de verificar se se tratava da mesma espécie, o que foi confirmado com a identificação.

2.4 Coleta e análise dos dados

2.4.1 Mapeamento com os extrativistas
Inicialmente, devido ao período pandêmico que nos acometeu fortemente entre 2020 e 2023, não foi possível a
realização da oficina participativa para a identificação das principais áreas de coleta de M. floribunda em um primeiro
momento. Para contornar esta situação, em 2021, após a aplicação da vacina, para nossa proteção e das pessoas da
comunidade, realizamos um mapeamento com extrativistas da região, individualmente, em local aberto e com uso de
máscaras. Estas pessoas foram selecionadas com base em um estudo anterior realizado nesta área, que identificou os
principais extrativistas de cambuí (Gomes et al. 2020). Obtivemos respostas de cinco extrativistas. Para isso, usamos uma
imagem de satélite que compreendia a área de Piaçabuçu e arredores, e pedimos que cada pessoa marcasse as áreas de

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coleta do cambuí. Buscamos identificar as áreas com maior e menor nível de coleta do cambuí, além de obter informações
sobre o acesso a essas áreas.

2.4.2 Sustentabilidade do extrativismo
Para analisar se a extração de frutos de M. floribunda está sendo feita de forma sustentável realizamos uma
triangulação a partir das abordagens: 1) Estrutura populacional, 2) Produtividade de frutos e 3) Histórico da produção
segundo a percepção local. Enfatizamos que as áreas indicadas como de “menor coleta” no primeiro mapeamento
não foram consideradas nesta pesquisa como tendo menor atividade de extrativismo, pois, identificamos que a
intensidade de coleta depende da abundância/disponibilidade dos indivíduos. Por exemplo: áreas com menor
intensidade de coleta = áreas com pouco indivíduos e/ou uma área pequena (beira de muro, beira de estrada, lote com
tamanho insuficiente para amostragem). Logo, não tivemos uma área controle para coleta de cambuí porque segundo
os extrativistas “onde tem cambuí, o pessoal vai coletar, não existe uma área que não tem coleta”.
2.4.3 Estrutura populacional
Para a coleta dos dados ecológicos selecionamos duas áreas em ambiente de Mata Atlântica (Áreas 1 e 2),
caracterizadas por presença de vegetação de restinga, e que foram as mais indicadas no mapeamento realizado com
os extrativistas. Em cada área foram lançadas 5 parcelas de 20 x 50 m, e cada uma foi dividida em subparcelas de 10
x 10 m, resultando em 0.5 ha em cada área, totalizando uma área amostral de 1 ha. As parcelas distavam 150 m entre
si e foram dispostas no ambiente em formato espinha de peixe (Figura 1). Para o lançamento das parcelas,
primeiramente, as plotamos nas áreas através do Google Earth, obtendo as coordenadas dos pontos extremos de cada
parcela. Em campo, marcamos o ponto exato obtido através da plotagem no mapa. Optamos pelo modelo “espinha de
peixe” para poder representar a área de forma mais heterogênea. Todas as atividades de campo na mata foram
acompanhadas por pelo menos um mateiro.

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Figura 1. Mapa da disposição das parcelas nas áreas estudadas.
Elaborado por: GMCS (2024).
Nas parcelas amostradas, os indivíduos foram identificados e classificados quanto aos seus estádios de
desenvolvimento, que definimos como: 1 – plântulas (indivíduos com caule não lignificado (verde) e presença das
folhas cotiledonares); 2 – jovens I (perda de cotilédones, tendência para caule marrom ou acinzentado, presença de
ramificações secundárias e terciárias, podendo estar ou não lignificado, sem fase reprodutiva e altura até 49 cm); 3 –
jovens II ou imaturos (presença de ramificações a partir de terciárias, caule lignificado, podendo ou não ser
perfilhado desde a base, não reprodutivos e com altura igual ou superior a 50 cm); 4 – adultos (indivíduos com caule
lignificado, apresentando demais ramificações, podendo ter ou não presença de perfilho desde a base e aqueles que
apresentam fenofases de reprodução). É importante deixar claro que o cambuí apresenta raízes gemíferas, que são
raízes capazes de brotar um novo caule.
Observações de campo e relatos de extrativistas, indicaram que o cambuí pode frutificar ainda muito
pequeno. Então, estipulamos como critério para medir a altura e circunferência ao nível do solo (CAS) - com auxílio
de fita métrica e régua graduada –, a altura mínima de 50 cm. Abaixo disso, consideramos como indivíduos
regenerantes, e nesses medimos somente a altura total da planta. Por se tratar de uma espécie alvo de extrativismo de
frutos, o foco principal foi na estrutura de indivíduos que produzem frutos. Entendemos que os dados de regeneração
darão uma visão complementar sobre o estado de conservação da população. Além disso, na prática, coletar CAS dos
indivíduos abaixo de 50 cm nos pareceu um esforço dispensável, já que esta pesquisa conta ainda com outras

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abordagens além da parte ecológica. Por esse motivo também, inserimos essa informação nas classes dos estádios
ontogenéticos como consta acima. Quando o indivíduo apresentava bifurcações antes do nível do solo, medimos o
CAS de cada perfilho separadamente.
Para definir as classes de altura e diâmetro, usamos como base o cálculo de Sturges, definido pela fórmula:
K = 1+ 3,3 x log10 (N), na qual: K = número de classes; N = número total de observações na amostra; Log =
logaritmo comum da base 10. No entanto, quando uma área apresentou classes muito diferentes da outra, por
exemplo uma área com 12 e outra área e com 8 classes para a mesma variável, optamos por ficar com o menor
número de classes em ambas as áreas.
2.4.4 Variáveis edafoclimáticas e características ambientais
Registramos as características ambientais de cada área selecionada: temperatura do ar e do solo (de 0-100
ºC) com seus respectivos termômetros e umidade do ar (0-100 %) com termo-higrômetro. Registramos informações
sobre as características do solo (arenoso, argiloso; presença ou ausência de serapilheira; solo sem cobertura),
vegetação (presença de vegetação arbórea, arbustiva, herbácea, gramínea, cactáceas, cipós), tipos de distúrbios
antropogênicos (corte e queima), padrões de uso da terra (uso da terra para plantio de culturas) e presença de gado
e/ou outros animais (Campos et al. 2017). Essas informações foram coletadas para caracterizar as áreas de coleta,
além de serem úteis para enriquecer a discussão dos resultados.
2.4.5 Oficina participativa
Em agosto de 2022, realizamos uma oficina participativa com os extrativistas no povoado Retiro para obter
informações a respeito do histórico de coleta de frutos de M. floribunda (cambuí). A oficina contou com a
participação de 17 pessoas, sendo 13 do gênero feminino e 4 do gênero masculino, com idades entre 33 e 72 anos.
No entanto, houve a necessidade de voltarmos à comunidade para complementar informações da oficina, e esse
retorno ocorreu em janeiro de 2024. O foco dessa oficina era, entre os participantes da oficina anterior, os
extrativistas que coletavam na área 2. De todo modo, uma extrativista havia mudado para outro estado, outro havia
mudado para outro povoado, e uma terceira extrativista estava trabalhando em uma cidade vizinha. Também
convidamos pessoas que nos indicaram ser extrativistas de cambuí na Área 2, mas não participaram da primeira
oficina. Participaram dessa atividade 11 extrativistas que estavam presentes na anterior e uma nova extrativista,
sendo 3 do gênero masculino e 9 do gênero feminino, na mesma faixa etária. É importante destacar que a oficina
participativa é uma metodologia cuja amostragem é muito variável. Entretanto, nossas oficinas foram compostas de
extrativistas de cambuí, que detêm grande conhecimento a respeito de espécies vegetais silvestres e praticam a
atividade extrativista.
Durante a primeira oficina, foi realizado outro mapeamento (dessa vez, comunitário), no qual os
extrativistas indicaram as áreas de coleta onde a população do Povoado Retiro frequenta. Essa informação também
serviu para identificar possíveis áreas de coleta que não tenham sido informadas no mapeamento individual. Durante
o mapeamento, os participantes foram estimulados a falar sobre acesso as áreas, os meios de locomoção até as áreas,

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o regime das áreas (pública ou privada; acesso liberado ou não liberado), presença de corte, presença de gados e/ou
outros animais, intensidade de coleta, origem do cambuí (nativo ou cultivado) e possíveis conflitos. Posteriormente,
os extrativistas indicaram, por meio de um exercício de pontuação, quanto da safra do cambuí é coletada por
membros da comunidade, quanto é coletado por pessoas de fora, quanto permanece na mata (chão) e quanto
permanece na árvore. Essa pontuação foi feita tanto de forma geral quanto direcionada para as principais zonas de
coleta (onde foram feitas as avaliações de estrutura populacional). Com esses dados, conseguimos observar se estão
sendo deixados propágulos para recrutamento de indivíduos e ter uma ideia da participação relativa da comunidade
na retirada de frutos.
Ainda nessa etapa da pesquisa, elaboramos um “gráfico histórico” (Sieber et al. 2014), que permitiu
conhecer, com base nas memórias e percepções dos participantes, as mudanças na paisagem e nas quantidades de
indivíduos de cambuí disponível na natureza. Para esse procedimento utilizamos uma cartolina contendo um período
50 anos até o momento atual. Esse período foi selecionado considerando a idade das pessoas mais velhas presentes
na oficina, e o tempo que frequentam as matas para coleta. Confeccionamos “árvores” de papel, e os participantes
foram questionados “em qual desses períodos tinha mais cambuí?”, o período indicado como o que havia mais
plantas dessa espécie, recebeu dez árvores, e os outros períodos receberam árvores proporcionais ao período com
maior quantidade. Se os participantes achavam que a quantidade de cambuí diminuiu muito do período mais
abundante para o próximo período, eles retiraram muitas árvores para o próximo período. Mas se achavam que
diminuiu pouco, retiraram poucas árvores. No decorrer da elaboração do gráfico histórico, os participantes foram
questionados, sobre as causas da diminuição ou aumento nos indivíduos de cambuí, permitindo que a coleta e a
análise dos dados ocorressem de forma simultânea durante a oficina.
2.4.6 Produtividade de frutos
Para essa análise selecionamos a Área 1, que foi indicada como sendo a principal área de coleta de cambuí.
Além disso, é a área que tem maior abundância dessa espécie entre as duas que amostramos a estrutura populacional.
Nessa área, selecionamos 20 indivíduos adultos (Campos et al. 2017), e para essa seleção lançamos 20 pontos
aleatórios em cada área experimental, sendo 4 pontos por parcela. Em cada ponto, selecionamos o indivíduo adulto
mais próximo que estava frutificando, exceto quando o ponto aleatório caiu em cima de um cambuí frutificando
(Figura 2). Todos os indivíduos foram identificados e numerados com placas de alumínio. Durante o período de
frutificação, quando foi possível ver frutos bem desenvolvidos, foi feita a contagem de todos os frutos presentes na
copa das árvores. Em cada indivíduo, contamos o número de frutos verdes, o número de frutos maduros, marcamos a
presença de frutos abortados e os frutos verdes e/ou maduros que por algum motivo (como chuva) caíram no chão
também foram quantificados. No momento da contagem, a presença de animais nas árvores ou próximos a elas foram
registrados em escrita e/ou fotografia (insetos, répteis, aracnídeos, pássaros). A contagem dos frutos foi realizada nos
seguintes períodos: março 2022 e abril de 2023. Nesses indivíduos também medimos o maior e o menor raio da copa,
para posterior cálculo da área da copa.

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Figura 2. Esquema do procedimento para contagem dos frutos nos indivíduos.
Criado no Canva, versão gratuita.

2.4.7 Análise dos dados
Para responder nossa pergunta realizamos o cruzamento das abordagens ecológica e etnobiológica. Para
estas avaliações, é importante se atentar a três questões: 1) a quantidade extraída de frutos segundo a percepção local,
2) a estrutura da população de cambuí; e 3) média da produção de frutos por hectare.
Para a avaliação da estrutura populacional, analisamos os dados a partir de estatística descritiva
(abundância, classes de altura, classes de diâmetro), e teste Qui-quadrado para verificar se há diferença significativa
entre a distribuição do número de indivíduos em cada estádio, entre cada área.
Para avaliar de modo qualitativo as informações das oficinas participativas, extraímos em texto as
informações obtidas através das gravações e, posteriormente, fizemos uma adaptação para uso da Análise do
Discurso do Sujeito Coletivo. Esse método consiste em extrair termos-chave das respostas de cada participante,
seguido pela classificação de ideias centrais semelhantes par construir um discurso coletivo (para maiores
informações sobre esse método, consultar Silva et al. 2014). Cabe mencionar que as perguntas realizadas nas oficinas

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não foram pensadas propriamente para esse método. Nós fizemos uso dele como forma de padronizar as respostas
dos participantes, permitindo que o texto ficasse mais fluido.
Para avaliar a percepção dos extrativistas e relacionar a estrutura populacional, fizemos avaliações
descritivas de acordo com os resultados obtidos nas oficinas e com o desenho da estrutura atual. Avaliamos, então, se
a estrutura do cambuí está condizente com uma população estável ou não, e obtivemos indicativos, com base no
percentual coletado (%COL) através da percepção dos extrativistas. Neste caso, a estrutura populacional precisa estar
estável e bem distribuída, mas com maior presença de jovens e plântulas, e a coleta precisa ser realizada de modo
que permaneça um percentual de frutos para repor o banco de sementes (capacidade de regeneração da população).
Para avaliar a percepção local dos extrativistas em relação ao extrativismo, utilizamos a quantidade de frutos
produzidos (PROD), obtido a partir da análise frutificação, e à proporção que é retirada das florestas segundo a
percepção local (%COL). Se %COL<PROD, há indicativos de que estão sendo deixados propágulos para a
regeneração natural do cambuí. Se %COL=PROD, há indicativos de que não estão sendo deixados propágulos.
Usamos os seguintes cálculos para estimar a produtividade do cambuí: FV+FM+FCSA = QSind, em que:
FV: fruto verde; FM: fruto maduro; FCSA: fruto da safra atual caído no chão; QSind: quantidade produzida em cada
safra por cada um dos vinte indivíduos. Posteriormente, obtivemos a média das duas safras para cada indivíduo, e
fizemos uma média geral deles (MGF). Identificamos quantos indivíduos adultos tem presentes na área de 0,5 ha e
multiplicamos por dois para extrapolar o número de indivíduos adultos por 1 ha (Ni). Definimos o raio médio (RM)
= (R + r)/2, em que: R é o raio maior e r o raio menor, obtendo a área da copa de cada indivíduo através de ACind =
pi x RM², e obtivemos a média da área de copa entre os vinte indivíduos (MACind). E para estipular a média da área
de copa por hectare (MAC), fizemos: MAC = Ni x ACind. Por fim, fizemos uma regra de três simples para obter o
resultado de frutos por metro quadrado de copa (FMQC) = MGF / MAC, e multiplicamos o resultado por MAC para
obter o número de frutos por área de 1 ha.
Todas as análises foram realizadas com o R versão 4.1.0 através do RStudio (R Core Team 2021). Usamos
os pacotes “dplyr” (Wickham et al. 2023), “ggplot2” (H. Wickham 2016) e “grid” (R Core Team 2021).

3 Resultados
3.1 Identificação e caracterização das áreas de coleta de cambuí
De acordo com os extrativistas, se destacaram como áreas principais de coleta de cambuí as Áreas 1 e 2
(Quadro 1). Outros locais que obtivemos nesse mapeamento também estão presentes nessa lista, mas devemos
destacar que as Áreas 4, 5 e 6 foram indicados na primeira oficina. Como o mapeamento inicial foi realizado em
período pandêmico, apesar de termos seguido uma lista dos principais extrativistas, fizemos a identificação das áreas
com base nas informações de cinco pessoas. Então, poderia ocorrer que surgissem novos locais de coleta durante a
realização da oficina. Notem que há diferentes formas de locomoção até as áreas. Em relação ao acesso, todas as
áreas são privadas e somente uma área não tem acesso liberado.

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Identificamos a partir das oficinas alguns conflitos existentes entre os extrativistas e os donos de terra, e
entre os próprios extrativistas. Um deles estaria relacionado ao acesso a algumas áreas e outro estaria relacionado ao
momento da safra. Quando os extrativistas mencionam “Acesso liberado” estão se referindo a permissão/liberação do
dono ou a área ser aberta para todos. Existem locais de coleta do cambuí e de outras espécies silvestres, nos quais os
donos não permitem uma entrada generalizada. Apenas alguns extrativistas são liberados, geralmente aqueles que
tem maior intimidade com o dono. Há uma permissividade tácita, seja pelos donos diretamente permitirem, seja por
eles não tomarem medidas mais fortes em relação a entrada das pessoas em suas áreas. Ou seja, ou os donos deixam
os extrativistas entrarem, ou eles não tomam atitudes para coibir a entrada. De fato, o que poderia fazer os
extrativistas pararem de coletar em qualquer uma das áreas indicadas é o proprietário vender a terra ou proibir
definitivamente o acesso dos coletores. O segundo conflito identificado é em relação à safra, já que em alguns casos
não há compartilhamento de informação entre os próprios extrativistas, em relação à frutificação do cambuí nas
diferentes áreas. Isso garante que ele consiga coletar primeiro e, consequentemente, obter maior renda. Na época da
realização das atividades de campo e da oficina participativa, a Área 1 ainda pertencia a um único dono que havia
arrendado a terra há muitos anos do dono anterior. Mas, atualmente este local foi vendido a um banco brasileiro, cuja
intenção é distribuir a terra entre 80 famílias.
Em relação às atividades de desmatamento nas áreas, em duas delas (Áreas 4 e 7) eles não souberam
responder, em duas (Áreas 5 e 6) informaram que não houve corte, e nas outras três áreas informaram já ter tido
desmatamento da floresta. Mas, somente na Área 2 informaram que aproximadamente há 30 anos, parte da mata vem
se regenerando, pois, segundo os extrativistas “já foi desmatado uma área lá e já brotou de novo”. Na Área 1, os
extrativistas informaram que há desmatamento, mas não tão intenso quanto na área 2. Em relação ao cambuí,
frisaram que ele “sofre muito porque derrubam ele por conta do modo de colheita. Adicionalmente, com base em
conversas com os mateiros, identificamos que há mais de 30 anos a área 1 permanece do mesmo jeito, muito
abundante em cambuí, com locais que parecem plantação da espécie, mas são todos nativos. Em relação aos animais
presentes nas áreas de cambuí, os extrativistas indicaram que “tem período que os donos soltam os animais na mata,
geralmente no período de chuva”, para que estes possam se alimentar.

Quadro 1. Identificação e caracterização das áreas com presença de cambuí de acordo com a percepção local.
Áreas

Formas de

Público ou

acesso

privado

Acesso

Proprietário

Presença de corte na

Presença de gado

área (Sim-tempo, Não)

e/ou cultivos

Carro;
Área 1

barco; a pé;
carroça;

pv

Liberado

Proprietário único após
arrendamento da terra

Área 2

bicicleta;

pv

Liberado

pv

Liberado

carroça

de coleta
(0 a 10)

Nativo ou
cultivado

Gado bovino;
Sim

plantação de

10

Nativo

10

Nativo

10

Nativo

coqueiro

bicicleta
A pé; carro;

Intensidade

Extensa área dividida

Sim, uns 30 anos já

Cavalo; gado

entre vários donos**

regenerando

bovino

Sim

Gado bovino

Parte da Codevasf;
Área 3

Barco; carro

parte propriedade
particular

80

Área 4

A pé

pv

Liberado

Proprietário único

Sem resposta

Gado bovino

10

Nativo

Área 5

Carro

pv

Liberado

Sítio com vários donos

Não

Bode; cabra

10**

Nativo

pv

Liberado

10**

Nativo

0***

Nativo

Área 6

Área 7

Carro e
moto
Carro

pv

Não é
liberado

Povoado com vários
donos
Lote familiar

Não

Sem resposta

Bode; cabra;
coqueiro
Gado bovino

*Uma dessas áreas é herança familiar para três irmãos; ***Houve consenso baseado nos extrativistas que já foram nessas áreas;
todos acharam melhor manter o 10 como resposta baseada nessas pessoas; ***Somente uma pessoa foi lá apenas uma vez, por
isso, o zero em consenso.

Fizemos um ranqueamento das áreas prioritárias para coleta de cambuí, como podemos observar no Quadro
1. A partir daí, selecionamos as duas áreas apontadas como as principais, e estas foram as áreas usadas nas análises
posteriores. Constatamos que em ambas as áreas há presença de distúrbios antrópicos e presença de animais de
grande porte. Na área 1, puderam ser vistos gado bovino e corte de madeira para uso doméstico e de combustível. Na
área 2, observamos equinos e os mesmos distúrbios antrópicos que na área anterior. No entanto, em maior escala e
intensidade.
3.2 Histórico sobre a disponibilidade do cambuí
Segundo a percepção dos extrativistas, em um período de cinquenta anos, na área 1 a disponibilidade do
cambuí caiu 50%, e na área 2, caiu 70% (Quadro 2). De acordo com eles, quando as pessoas perceberam que o
cambuí era uma espécie economicamente rentável, a coleta começou a ser feita com maior intensidade e, durante a
colheita, muitos galhos de cambuí são/foram quebrados, pois algumas pessoas que coletam não têm o devido cuidado
com o indivíduo. Essa forma de coleta manual, na qual os galhos são balançados para os frutos caírem em lençóis no
chão, acaba muitas vezes danificando o indivíduo. Além disso, desmatamento e queimadas foram indicados como
sendo os principais responsáveis pela diminuição de cambuí em ambientes nativos, em todas as áreas, ao longo dos
anos. Segundo os extrativistas, mesmo que existam possíveis regras ou leis que impeçam o desmatamento nessas
áreas, na prática não há um bom funcionamento delas. De acordo com eles “Deve existir regras ou leis, mas na
prática não é bem assim... Se existisse maior fiscalização por parte dos órgãos que gerem as áreas, talvez não
existisse tanto desmatamento. Se a mata/cambuí fosse protegida e ninguém mexesse nela, daqui a 10 anos tava uma
maravilha. Mas (sem leis ou fiscalização) não ia adiantar nada, porque todo mundo vai pegar o cambuí”. Por
exemplo, o desmatamento na área 2, geralmente tem ocorrido para a formação de caieiras, onde extrativistas
derrubam árvores lenhosas, abrem buracos no chão com mais ou menos 3 x 5 m, para a produção de carvão ali
mesmo na própria área. De acordo com eles, “quando a fiscalização aparece eles não entram na mata. Olham só
pela pista. Sem entrassem uns 100 m pra dentro, já iam encontrar muita coisa”. Adicionalmente, um extrativista
mencionou que “as pessoas queimam, mas o sol também mata bastante (o cambuí)”, fazendo referência aos períodos
de seca que acabam abortando flores e frutos.

81

Quadro 2. Gráfico histórico sobre a disponibilidade de cambuí nas principais áreas.
Área

Área 1

Área 2

Período

Disponibilidade

50

10

30

9

20

8

hoje

5

50

10

30

5

20

4

hoje

3

Causas

Soluções

Quebra de galhos, não coletam direito
Desmatamento
Fogo (a partir de 30 anos surgiu isso de corte e
queimada)

Sensibilização para não quebrar os
galhos (conscientização dos coletores);
Não desmatar;
Reflorestar.

Desmatamento;
Fogo;
Caieira (carvão);
Morre (calor/seca)

Não desmatar;
Não fazer caieira;
Reflorestar;
Parar de queimar;
Fiscalização.

3.3 Extrativismo do cambuí nas principais áreas
O cambuí foi indicado pelos participantes como sendo a espécie na qual a venda dos frutos fornece maior
renda para os extrativistas. Segundo o relato dos participantes, o cambuí “dá muita renda para o pessoal daqui”.
Além de ter grande potencial econômico através das vendas dos frutos, a madeira do cambuí é usada para fins
domésticos e de combustível: “serve pra cerca, pra queimar como lenha, mas só serve pra casa, não vende a
madeira dele”, e nenhuma parte do cambuí é usada medicinalmente. Além dos próprios extrativistas do Povoado
Retiro, extrativistas de diferentes locais se deslocam para as áreas de coleta na época de safra para fazer a extração
do cambuí (Quadro 3 e Figura 3). Geralmente esses coletores vêm de cidades ou povoados vizinhos, localizados
próximos às áreas de coleta. De acordo com os extrativistas locais, eles coletam mais cambuí que os extrativistas de
fora "se forem mais espertos e mais rápidos que eles". De modo geral, como o cambuí é muito explorado, a
tendência é que sejam coletados todos os frutos que forem possíveis, ficando no chão apenas aqueles que caem e
estragam ou ficam danificados, e permanecendo nas árvores os verdes e os muito pequenos (em fase inicial de
desenvolvimento). Parte desses frutos, tanto presentes em árvores como no chão, também são alimentos de animais
como teiús, pássaros e maribondos, que acabam auxiliando na dispersão de suas sementes. Adicionalmente, se os
extrativistas coletam em um determinado dia, mas ainda permanece uma quantidade de frutos verdes no indivíduo,
outros extrativistas vão a esses indivíduos outro dia para realizar a coleta após seu amadurecimento. Já que não é
viável para os extrativistas retornarem para coletar no mesmo local, dando preferência a coletar em vários locais
durante a safra (média de três locais). Logo, quando os extrativistas falam que deixam nas árvores os frutos verdes,
não necessariamente eles realmente permanecem no indivíduo para perpetuar a população da espécie.

82

Quadro 3. Distribuição do extrativismo de cambuí nas principais áreas
Quantidade

Quantidade

Quantidade

coletada pela

coletada por

que

comunidade

extrativistas de

permanece na

do Retiro

fora

mata/chão

Geral

5

2

3

0

Área 1

5

3

1

1

Áreas

Quantidade de fruto
que permanece nas

Falas dos extrativistas

árvores
"De cambuí na árvore fica só os verde a pulso. As vezes cai, e
alguns que ficam na árvore os passarinhos come”
"Uma parte que fica na árvore é verde, outra parte é bem
pequeninho. Mas no chão também cai muito.”
“No chão sempre fica algum, porque quando a gente tá

Área 2

6

2

1

1

balançando eles cai”. Nos pés sempre fica também porque
eles não amadurecem tudo.”

Figura 3. Exercício de pontuação para descrição atividade extrativista nas principais áreas de coleta do cambuí.

3.4 Impacto da pandemia da COVID-19 no extrativismo e venda
É inegável toda a influência negativa que a pandemia da COVID-19 trouxe para a população. Todas as
pessoas, de diferentes classes sociais, sofreram consequências diretas ou indiretas. Comerciantes foram
especialmente afetados, pois muitos fecharam suas lojas e não conseguiram reabrir. Com os extrativistas não foi
diferente. Ao perguntarmos se eles sentiram alguma dificuldade na atividade de coleta das plantas alimentícias
silvestres, eles disseram que não. De modo geral, o exercício da coleta em si não foi afetado, pois os extrativistas iam
fazer as coletas usando máscaras. Exceto pelo fato de que algumas pessoas coletavam em uma cidade vizinha (e
vendiam lá também), e não puderam fazer isso devido ao lockdown. Mas informaram que houve sim uma mudança
tanto no consumo de algumas pessoas, quanto no cenário de venda desses frutos. Ao serem questionados sobre as
dificuldades em relação à pandemia, através da construção de um discurso coletivo, os extrativistas disseram que:
“Dificuldades teve muita né, mas eu mesmo ia vender. A gente coletava, mas não tinha para quem vender, porque
muita gente (a maioria do povo) não ia pra feira porque tava doente. Tinha bastante fruta, mas não tinha como
vender. Às vezes catava um monte e trazia para casa. Eu cansei de trazer porque sobrava. A maioria das pessoas
não comprava fruta, porque ficaram com medo de comprar elas e pegar alguma coisa". (Também) teve pessoas que

83

não podia catar porque não podia se deslocar pra Penedo, porque tinha as barreiras que impedia de ir pra outros
locais.
3.5 Estrutura populacional

3.5.1 Panorama geral das áreas
Ao analisar os dados das duas áreas, encontramos 3.048 indivíduos nas duas áreas, sendo: 2.832 na área 1 e
216 indivíduos na área 2 (menos de 10% do encontrado na outra área), desde plântulas até adultos. Podemos
observar que os indivíduos não estão distribuídos proporcionalmente em relação aos estádios ontogenéticos (p <
0.0001). Há uma evidente predominância de indivíduos jovens, tanto na área 1 quanto na 2. Além disso, encontramos
plântula somente na área 1 e em um número baixo (Figura 4).

11 cm

158 cm

Figura 4. Distribuição dos indivíduos de cambuí quanto aos estádios ontogenéticos.
*Tamanho do lápis: 11 cm; Altura da pessoa: 158 cm.

3.5.2 Classes de altura e diâmetro
Considerando todos os indivíduos em cada área, a maioria está inserida na primeira classe (até 49 cm)
(Figura 5A). Dentro dessa classe, mais de 75% dos indivíduos são muito pequenos, apresentando até 20 cm. Já
indivíduos com mais de quatro metros, só foram encontrados na área 1 (Figura 5A). Podemos observar também que

84

tanto os dados de diâmetro quanto os dados de altura apresentam distribuição em J invertido nas duas áreas (Figura
5C e Figura 6).

A

B

C

Figura 5. Classes de altura para todos os indivíduos (A), para menores de 50 cm (B) e para os maiores de 50 cm (C).

Figura 6. Classes de diâmetro para os indivíduos acima de 50 cm.

85

3.6 Produtividade de frutos
A partir dos dados de frutificação, obtivemos os resultados presentes na tabela 1 para estimar a
produtividade do cambuí. Além disso, considerando a quantidade total de frutos em 1 ha (MGF = 552), através de
nossa contagem em campo, a média de frutos caídos no chão durante a safra atual, representa aproximadamente
6,34% do total de frutos. Valor não muito distante do que os extrativistas indicaram através de sua percepção (10%)
(Quadro 3 e Figura 3). Verificamos que apesar do %COL ser menor que a quantidade produzida (PROD) pelos
indivíduos de cambuí (Quadro 3 e Figura 3), é quase a quantidade total produzida, exceto pelos frutos que caem no
chão. Então, pode-se dizer que estão sendo deixados uma quantidade mínima como propágulos para reposição
populacional. Entendam por quantidade mínima, um valor que dentro da literatura para outras espécies, é
considerado sustentável para a população. No entanto, há a possibilidade, dentro de uma perspectiva sustentável de
aumentar esse percentual.

Tabela 1. Produtividade de frutos do cambuí estimado para 1 hectare
Adultos (0,5 ha)
286
Ni (Adultos - 1 ha)

572

MGF

552

MACind (m²)

5,88

MAC (m²/ha)

3363,36

FMQC (m²/copa)

93,87755102

FA (frutos/área)

315.718,6032

4 Discussão
4.1 O extrativismo de frutos não é a principal causa da diminuição do cambuí
Nossos resultados indicam que o extrativismo do fruto de cambuí pode não estar sendo realizado de forma
sustentável. Apesar de a literatura afirmar que a atividade extrativista de frutos e sementes é considerada uma das
menos impactantes para a conservação das espécies (Silva 2023), uma coleta excessiva causa danos aos indivíduos e
à regeneração da população. Embora, de acordo com a percepção dos extrativistas, tenha havido uma diminuição na
presença do cambuí ao longo do tempo, a perspectiva etnobiológica revela que o modo de coleta, apesar de
percebido como influente, não é o fator primário responsável por essa redução. Os extrativistas identificam causas
antropogênicas relacionadas a outras atividades extrativistas como sendo as principais impulsionadoras da
diminuição do cambuí em ambientes naturais. Mas sabemos que há uma tendência de que as pessoas não
responsabilizem suas atividades como impactantes no declínio de uma espécie. Portanto, nossas descobertas
destacam a complexidade local da sustentabilidade, indicando que resolver esse problema vai além da regulação do
extrativismo, requerendo uma compreensão mais abrangente do contexto local.

86

Na perspectiva ecológica, observamos que a distribuição dos estádios nas áreas é bem semelhante, com
predominância de indivíduos jovens, o que mostra que há um processo de regeneração dos indivíduos no ambiente.
No entanto, no momento atual, há uma tendência de maior sustentabilidade do extrativismo na área 1. Por um lado,
podemos dizer que essa área tem indivíduos capazes de suportar a coleta extrativista por um tempo por ter
abundância de indivíduos proporcionalmente maior que na área 2, presença de todos os estádios ontogenéticos e,
principalmente, por ter menor impacto antrópico na maior parte da área. Por outro lado, esta área foi a indicada pelos
extrativistas como sendo a principal área de coleta, justamente por ser a que apresenta maior abundância de M.
floribunda e, consequentemente, a que fornece maior quantidade de frutos nas safras. Então, por esse motivo, não
podemos extrapolar esse achado de sustentabilidade para a espécie de maneira generalizada, porque ainda não
sabemos o estado de conservação dessa espécie em outras áreas.
A área 2, por exemplo, apresenta um cenário diferente da área 1, pois, além da menor quantidade de
indivíduos, não encontramos plântulas para substituir os jovens de acordo com o que estes vão crescendo. Pode ser
que não tenhamos encontrado plântulas na área 2 (e que tenhamos encontrado um quantitativo baixo na área 1), por
dois motivos: isso pode estar associado a uma retirada excessiva dos frutos, ou ao fato da reprodução estar sendo
somente clonal. Inclusive, a literatura mostra que a sobre-exploração de frutos pode estar relacionada a prevalência e
impulsionamento de clones (Gaoue et al., 2017). Nesse sentido, é possível que a área 2 esteja em pior estado de
conservação. Isso pode ser justificado pela perda gradativa de vegetação – observada tanto em visitas em campo
como através da percepção dos extrativistas – devido a intensificação de queimadas e desmatamento na região. Essa
situação também foi evidenciada por Lopes et al. (2022) que, em seu trabalho, verificaram uma diminuição em
número e tamanho dos fragmentos vegetacionais na APA da Marituba, com ênfase para as zonas de restinga. Além
disso, a área 2 é muito próxima ao povoado onde residem os extrativistas e é um local aberto, sem restrições de
acesso. Isso facilita a ida dos coletores e, posteriormente, a atividade extrativista mais intensa no local.
Diferentemente da área 1, que por ser mais distante toma mais tempo e esforço por parte dos extrativistas, o que pode
influenciar em uma atividade extrativista geral menos intensa nesse local. Aliás, o modo como os extrativistas
percebem a disponibilidade de algum recurso vegetal, pode ser influenciado pela acessibilidade ao recurso, como
observado por Caetano et al. (2020). A facilidade de acesso devido à proximidade do local de residência ao local de
coleta, pode fazer com que as pessoas percebam determinado recurso como sendo mais disponível ou abundante,
quando comparado a áreas que são mais distantes (Albuquerque et al., 2015).
Normalmente, o cambuí é poupado da atividade de queima, por não ser usado para fazer carvão. Mas acaba
sendo prejudicado pelas queimadas próximas a ele, principalmente quando ainda são pequenos. Caetano et al. (2024,
dados não publicados), verificaram que espécies de alta importância alimentícia são poupadas de usos madeireiros, e
M. floribunda está entre essas espécies. Mas, mesmo não sendo usada para a fabricação de carvão, muitas vezes os
indivíduos da espécie são cortados e suas folhagens são usadas para cobrir ou abafar as caieiras. Todos esses
achados, são sinalizadores de que no futuro pode não haver indivíduos dessa espécie na área 2, se nenhuma atitude
for tomada. Adicionalmente, em áreas cuja floresta apresenta porte maior e denso, como uma parcela da área 1, o
cambuí consegue se desenvolver muito mais em questão de tamanho do que em uma área mais aberta, podendo

87

passar de oito metros. Por outro lado, com base em informações dos mateiros e percepção dos extrativistas de
cambuí, a frutificação nesses indivíduos é prejudicada, muito provavelmente pela falta de luminosidade, já que a
copa das árvores impende uma iluminação direta. Além disso, esses indivíduos maiores, com troncos mais robustos
podem acabar sendo alvos de corte para outros fins. Como observado em um local próximo a uma de nossas
parcelas.
Cabe mencionar que, algumas características como indivíduos pequenos com muitas ramificações em fase
reprodutiva (muitas vezes menores que 50 cm), em alguns casos com muitos perfilhos desde o nível do solo, e
adensamento de indivíduos em uma pequena área sugerem fortemente que muitos dos indivíduos de cambuí
analisados, são clones. Um estudo recente na mesma área de restinga que compreende a APA da Marituba,
identificou em campo através de escavações, que o cambuí apresenta propagação clonal (Matias et al. 2024). Uma
vantagem de indivíduos clonais é que, como eles se propagam mais facilmente pela área, gera um adensamento
maior. E em questão de espécies com foco extrativista, uma maior população pode indicar maior produção de frutos.
Mas se pararmos para pensar em nosso momento climático atual e em um futuro próximo, a presença de indivíduos
clonais pode sofrer grandes consequências. Pois, apesar de esses indivíduos serem provenientes de uma planta
“sobrevivente”, que já conseguiu se estabelecer naquela área, eles apresentam menor diversidade genética e, com
isso, estão mais sujeitos a problemas futuros, o que indica que sofrem mais com as alterações antrópicas e
ambientais. Logo, não há uma garantia de que espécies clonais possam se manter futuramente no ambiente. O que
pode levar a uma população com predominância de indivíduos adultos e senis.
4.2 Perspectivas para a conservação biocultural e sustentabilidade do cambuí
É visível a preocupação dos extrativistas em relação ao estado de conservação dessa espécie hoje e,
principalmente no futuro. Mas atualmente, os responsáveis por manter efetivamente a população de cambuí acabam
sendo entre 6 e 10% dos frutos que caem no chão durante a safra – por eventos naturais ou mesmo pelos próprios
coletores durante os eventos de coleta – e aqueles frutos que são dispersados por animais. Apesar de o nosso estudo
ter avaliado a estrutura populacional, esse resultado está dentro do que a literatura de dinâmica populacional mostra
em termos de sustentabilidade do extrativismo de pequi (Caryocar brasiliense Camb.). Nessa pesquisa com o pequi,
os autores verificaram que deixar 9% dos frutos como propágulos é sustentável e não compromete a regeneração da
espécie (Oliveira 2009). No entanto, o contexto de sustentabilidade do extrativismo é variável a depender da espécie
e do local. Outros trabalhos mostram que para ser considerado sustentável, o nível máximo de extração deve ser 87%
(Lima et al. 2013) ou 70% (Pandey and Bhargava 2014). Então, considerando esse panorama do extrativismo do
cambuí e os fatores antrópicos que influenciam forte e negativamente na sua disponibilidade, em um primeiro
momento, que as estratégias para geração de renda devem focar em valorizar os produtos à base de cambuí, e não em
aumentar a coleta. É importante trabalharmos a conservação biocultural e popularização do cambuí, mas para o
contexto que encontramos, os primeiros passos seriam estabelecer estratégias para garantir a manutenção da
população da espécie antes mesmo de promover sua popularização.

88

A implementação de algumas práticas de manejo sustentável como o uso de técnicas de coleta não danosas e
a permanência de um percentual de frutos nos indivíduos, que permita deixar propágulos da espécie auxiliando
também na dispersão por animais, será imprescindível para garantir a continuidade da população de cambuí e
recuperar sua variabilidade genética. Além disso, promover práticas de manejo sustentáveis para atividades paralelas,
como uso de madeira e lenha, podem ser úteis para reduzir os impactos no ambiente. Mas para que essas
implementações tenham sucesso entre os extrativistas, é necessário que haja constante educação ambiental para os
coletores, informando a importância de não coletar todos os frutos para a conservação da espécie. Fazê-los perceber,
através de uma relação de confiança, que deixando uma quantidade de frutos nas árvores, eles não vão ter uma perda
em sua renda, mas sim que seria uma garantia de perpetuação da espécie e, consequentemente, uma garantia na sua
renda futura. O estudo conduzido por Santos (2018) em um povoado no município de Estância, Sergipe, com
extrativistas de cambuí, constatou que, de acordo com as informações dos próprios coletores, a conservação da
espécie Myrciaria spp. requer medidas como a proibição do desmatamento, orientação à comunidade para evitar
danos aos galhos, limpeza das áreas e produção de mudas da espécie. Essas atitudes demonstram um compromisso
genuíno com a conservação da espécie e indicam um entendimento da importância das práticas de manejo para
garantir sua sobrevivência a longo prazo.
Outra solução, visando um incremento da renda dos extrativistas sem que interfira negativamente na
regeneração dessa espécie, seria beneficiar os frutos coletados de diferentes maneiras. A partir da elaboração e venda
de cocada, doce, geleia, sorvete, mousse, flau, polpa, dentre outros. Inclusive, alguns desses derivados apresentam
uma durabilidade maior, o que pode ser útil. Pois, em momentos nos quais o fruto da espécie não está disponível, a
venda desses produtos ainda poderia ser realizada (desde que armazenados corretamente). Para isso, parcerias com
associações e cooperativas que já desempenham um papel importante no beneficiamento de outros produtos
silvestres são importantes, pois essas entidades podem auxiliar com capacitações e treinamentos adequados sobre
diversificação e precificação dos produtos. Parcerias com universidades e até mesmo com a própria prefeitura do
município, podem ser fundamentais nesse processo. É importante que a atividade extrativista seja vista pelos gestores
como uma atividade rentável, que pode estar associada ao desenvolvimento sustentável e que pode contribuir com a
economia e o desenvolvimento da região. Incentivos econômicos e de infraestrutura para os extrativistas
desenvolverem seu trabalho respeitando a biodiversidade, podem ser alternativas viáveis para começar um trabalho
de conservação. Além disso, a universidade pode contribuir, com estudos de monitoramento da população de cambuí
in situ e da produtividade de frutos para além da área aqui mencionada.

5 Limitações
O contexto pandêmico referente a COVID-19 ocasionou algumas limitações em nosso estudo. Primeiro: não
pudemos realizar o primeiro mapeamento de modo comunitário, motivo pelo qual realizamos um segundo
mapeamento durante a oficina. Segundo: devido às limitações de idas à campo, não tivemos tempo hábil para
explorar outras áreas de coleta que surgiram durante a oficina. Além da pandemia, em 2022 e 2023 houve eventos
chuvosos que impossibilitaram o desenvolvimento do trabalho em áreas de mata, pois as áreas ficaram alagadas.

89

Esse período chuvoso também foi responsável pela inviabilidade de realização de uma segunda amostragem da
contagem dos frutos na área 2. Terceiro: nos campos para execução do piloto, identificamos que o cambuí pode
germinar e ter reprodução clonal. Nas nossas análises não consideramos essa diferença. Durante os pilotos fizemos
algumas cuidadosas escavações para conseguir identificar os clones, mas essa atividade foi inviável de ser realizada
para todos os indivíduos, principalmente pela profundidade de suas raízes e pela fragilidade que os indivíduos
apresentaram ao tratamento de escavação. Além disso, não conseguimos identificar uma característica única que os
identificasse como clones. Então, consideramos aqui cada indivíduo nascido como um indivíduo separadamente. Por
fim, em nosso experimento, os indivíduos não estavam isolados nem de dispersores, nem dos extrativistas. Então,
como não houve esse controle de isolamento, o experimento de frutificação não pôde ser realizado com todos os
frutos maduros, pois os extrativistas da região coletam os frutos muito rapidamente quando já tem uma quantidade
madura no indivíduo.

6 Conclusões e perspectivas futuras
Fazendo um compilado das abordagens ecológicas e etnobiológicas, percebemos o extrativismo está no
limiar entre ser sustentável e não sustentável. Fatores antrópicos como queimadas e desmatamento, são as principais
causas. No entanto, como os extrativistas coletam todo o cambuí possível de ser coletado, uma estratégia para
diversificar ou aumentar as rendas deles, seria investir no beneficiamento de produtos à base de cambuí. Já que, neste
momento, não haveria como atender a novas demandas de mercado a partir intensificação da coleta, pois são
deixados pouquíssimos propágulos para a regeneração natural.
Para não ocorrer de o cambuí ficar muito visado e acabar sofrendo maior pressão de coleta, há a necessidade
de uma maior organização social para o estabelecimento de estratégias de manejo, principalmente voltadas a deixar
frutos nas árvores para o recrutamento de novos indivíduos. Essa organização pode se dar por meio do estímulo à
expansão de associações e cooperativas já existentes ou da criação de novas associações e cooperativas. Além da
valorização da atividade de coleta dos frutos ao ampliar a popularidade do produto, o que poderia evitar pressões
como queimadas e desmatamento.
Enfatizamos que é de extrema importância a participação da comunidade, principalmente dos extrativistas,
em todas as tomadas de decisão sobre o processo de coleta e comercialização do cambuí. Além disso, outras espécies
silvestres que também apresentam potencial para exploração econômica e ainda são subutilizadas, podem ser
indicadas para exploração sustentável, para reduzir uma possível pressão em uma única espécie, no caso, o cambuí.
Mas claro, tomando todos os cuidados ambientais necessários pautados em estudos científicos, para a manutenção
dessas espécies também.
Pesquisas futuras podem investigar a dinâmica populacional do cambuí. Sugerimos que os estudos sejam
feitos com o mínimo de três anos de coleta, a fim de obter informações sobre seu poder de regeneração através do
crescimento, sobrevivência, fecundidade e análise de elasticidade. Novos estudos podem explorar formas de
quantificar esses dados considerando indivíduos por reprodução clonal separadamente dos indivíduos germinados, a
fim de verificar as implicações ou contribuições do extrativismo nos indivíduos clonais, como o apresentado por

90

Gaoue et al. (2017). Os pesquisadores precisam pensar em como fazer essa identificação em campo de modo que
não prejudique os indivíduos. Outra opção, de valor mais elevado, mas eficiente, seria a realização de testes
genéticos para avaliação de quantos indivíduos de cambuí há dentro da população.
Considerando o cenário na área 1 apresentado pelos mateiros, no qual o local apresenta abundância de
cambuí como uma plantação, mesmo sendo todos nativos, seria interessante a realização de um estudo com base em
gráficos históricos sobre as outras espécies que crescem nessa mesma área, para tentar entender se foi o manejo do
cambuí que levou a simplificação dessa comunidade.
Além disso, estudos de modelagem podem ser realizados, visando analisar o comportamento do cambuí em
ambientes naturais, através de cenários hipotéticos por um período de pelo menos 30 anos. Essas análises podem ser
realizadas a partir dos dados coletados nesta pesquisa, e da inclusão de novas áreas de coleta (partindo das áreas que
surgiram na oficina participativa). Com o intuito de ter um banco de dados mais robusto sobre o desenvolvimento
ecológico do cambuí e em maiores extensões de áreas, para ter previsões mais concretas sobre seu estado no futuro.
Ambas as áreas de coleta estão localizadas em uma área de preservação ambiental, que permite a exploração
sustentável dos recursos da sociobiodiversidade. Já existe um plano de manejo para APA da Marituba do Peixe,
criado em 2006 e desde então não sofreu atualizações (Instituto do Meio Ambiente, 2006). O cambuí não está listado
entre as espécies vegetais mais comuns presentes na APA da Marituba, mesmo sendo atualmente considerada como
uma das espécies mais rentáveis para os extrativistas e abundante na região. Além disso, o plano de manejo não
aborda estritamente sobre o extrativismo nas áreas de abrangência da APA, como por exemplo, qual seria um
percentual ideal para que o extrativismo de frutos silvestres seja uma atividade desenvolvida sustentavelmente.
Sugerimos aqui, a necessidade de uma atualização do plano de manejo da APA.

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94

4 CAPÍTULO 2

From Forest to Table: The Role of Product Naming in Consumer Expectations of
Biodiversity-Derived Foods
Artigo submetido na Food Research International, percentil 95.
Andamento: em revisão; *Manuscrito formatado nas normas da revista
Élida Monique da Costa Santos 1,*, Déborah Monteiro Barbosa 1, Danúbia Lins Gomes 2, Gabriela Maria
Cota dos Santos 2, Roberta de Almeida Caetano 1, Fabiane da Silva Queiroz 3, Nicholas Lima de Souza
Silva 4, Rafael Ricardo Vasconcelos da Silva 1 and Patrícia Muniz de Medeiros 1
1

Laboratory of Biocultural Ecology, Conservation and Evolution (LECEB), Campus of Engineering and
Agricultural Sciences, (CECA); Postgraduate Program in Biological Diversity and Conservation in the
Tropics, Institute of Biological and Health Sciences (DIBICT-ICBS), Federal University of Alagoas,
Maceió, Brazil; 0000-0001-9776-2121, dbrhmonteirob@gmail.com (D.B.); 0000-0001-7293-7124,
robertacaetano1991@gmail.com (R.C.); 0000-0003-4296-0117, rafaelrvsilva@gmail.com (R.S.); 00000002-3835-5232, patricia.medeiros@ceca.ufal.br (P.M.)
2
LECEB-CECA, Federal University of Alagoas, Rio Largo, Brazil; 0000-0002-4660-3822,
dlinsgomes@yahoo.com.br (D.G.); 0000-0002-6315-5662, gabrielacota.dossantos@gmail.com (G.S.)
3
CECA, Federal University of Alagoas, Rio Largo, Brazil; 0000-0002-5777-5806,
fabiane.queiroz@ceca.ufal.br
4
Arapiraca Campus, Federal University of Alagoas, Arapiraca, Brazil; nicholas.silva@arapiraca.ufal.br
*Correspondence author: 0000-0002-4897-0490, elidamoniquecs@outlook.com; Tel.: +55-(82)-999023231.
Highlights
● Wild food plants (WFP) are helpful for maintaining the food and socioeconomic security of harvesting
populations.
● Food products with names associated with WFP lower consumer expectations regarding taste and
appropriateness.
● Food products with names associated with forest environments lower consumer expectations regarding
taste and appropriateness.
● Marketing strategies to popularize these plants can include associating the product with a conventional
plant to evoke familiarity while keeping its original name and background to contribute to cultural
valuation.
● Empowerment programs for harvesters can assist in sustainable development and ensure the biocultural
conservation of WFP.

95

Abstract: Despite the high global richness of food plants, only a small portion is effectively used as food
by human populations. Although most wild food plants (WFPs) are underutilized as food, they can
contribute to food security and biocultural conservation through sustainable management. The goal of this
research was to identify the best terminological presentation of a novel food product and to understand the
factors that influence the expectations concerning products made with WFPs. This research was conducted
using an online questionnaire, with a final national sample of 724 people. The participants answered
questions about their socioeconomic profile, food neophobia, prior knowledge, and expectations regarding
the taste and appropriateness of native fruit juices. The questions were randomized, so that a person would
not receive the same picture or product name more than once. The results show that taste expectancy
decreases in relation to products associated with WFP names and forest environments. Food neophobia is
the variable that influences expectations the most. To ensure biocultural conservation and cultural
valuation, WFP popularization programs should maintain the original (popular) name of the species.
However, to help more distant consumers develop familiarity, the flavor, shape, color, or texture of these
products can be associated with those of conventional plants.
Keywords: biocultural conservation; expectation theory; extrinsic cues; food neophobia; sustainable
harvesting; wild food plants
1. Introduction
Global biodiversity includes more than 350,000 species of known plants (WFO, 2022), of which
approximately 30,000 species are edible (FAO, 2010; Shahid et al., 2023), including wild food plants
(WFPs) that grow spontaneously without direct human intention to cultivate them (Pieroni & Sõukand,
2018). WFP are nontimber forest products with a cultural, social, and religious value, that are harvested in
natural or managed environments for domestic or commercial purposes (Neumann & Hirsch, 2000).
Around the world, these plants are used as a main or complementary source of food (Ding et al. 2021;
Gomes et al. 2020; Wessels et al. 2021), mostly by local populations (Bortolotto et al., 2015; Chauhan et
al., 2018; Geraci et al., 2018; Kayabaşı et al., 2018). Although there is a rich variety of WFPs, most of
them have unknown or underutilized economic and consumption potential (Jacob et al. 2020; Woolston
2020), resulting in a diet that is not very diverse (Rapoport et al., 1998), which negatively affects people’s
health and nutrition (Fanzo et al., 2018). Incrementing our diet with WFPs can help food and nutrition
security and benefit the general population, notably those most vulnerable, such as farmers and harvesters,
who depend directly on these resources. Incorporating wild plants into human diet is a big step towards
achieving several of the Sustainable Development Goals proposed by the UN: goal 1 (no poverty), 2 (zero
hunger), 3 (good health and well-being), and 15 (life on land).
We believe that exploring the potential implementation of WFPs in sustainable food systems and
diets can greatly contribute to reducing the scenario of environmental disturbance and food insecurity for
Brazilian populations. Therefore, studies that bring together different theoretical contexts, integrating
ecology, psychology, and ethnobiology are needed to aid in the sustainable popularization of WFPs. This

96

scenario, can create a dialogue among these science fields, to find the best way to promote WFP
consumption and safeguard the importance of biocultural conservation. For this purpose, it is necessary to
adopt strategies that encourage people to consume foods based on WFPs. One of the ways to reach novel
consumers is to keep them from viewing WFPs as unknown or unsuitable for consumption.
Evaluating the expectations that consumers create about a new food product is very important to
understand how they react to certain foods and attributes of these foods. This is fundamental to comply
with market logic, as communication and interaction between the consumer and the alien product begins
even before tasting it, based on previous information released by the brain (Barsics et al., 2017; PiquerasFiszman & Spence, 2015). In the literature, it is possible to find approaches based on psychology that are
frequently used to explain consumer behavior and their willingness to try and/or buy a particular product,
such as expectation theory (Deliza & Macfie, 1996). Previous experiences, familiarity, even the images
that are associated with the product and extrinsic cues can change consumer expectations and/or
perceptions about it (Deliza & Macfie, 1996; Piha et al., 2018; Rebollar et al., 2017). The extrinsic cues
are related to the product, but do not compose it, such as price, packaging, label, advertising, and place of
origin (Blackmore et al., 2020; Deliza & Macfie, 1996; McCall & Lynn, 2008; Veale & Quester, 2009).
For example, some studies show that more descriptive and detailed labels generate more positive
expectations regarding the taste of a product (see McCall & Lynn, 2008). Furthermore, some anecdotal
observations provide important suggestions about the role of nomenclature in the acceptance of novel
food. Such as the case of aroeira (Schinus terebinthifolia Raddi), a plant species that is common in
northeastern Brazil (Gomes et al., 2010), which fruits became popularly known in the national and global
market under the name "pink pepper" (Jesus & Gomes, 2012), in association with the popular pepper.
Ultimately, the name given to a product can influence the consumer’s decision-making process.
Our current way of life, more based on modernization, ends up leading people to concentrate more
in urban centers and makes the distance to forests a barrier to the consumption of WFP. Therefore, modern
societies acquire most of their food mainly through cultivation, consuming products from large
monocultures, which makes their diet less diverse (Gomes et al., 2020; Kinupp & Lorenzi, 2014; Thakur
et al., 2017). In some cases, products associated with “uncultivable” contexts, may be seen as less
appropriate for consumption or even less tasty (Richetin et al., 2021). Some authors attribute this process
to “delocalization” (a decrease in the “power” to use local resources, due to dependence on more industrial
resources or those coming from more distant places) (Pelto & Pelto, 1985). Given this, researchers have
studied how the origin of the product interferes with its acceptance and willingness to buy (Ekelund et al.,
2007; Kokthi & Kruja, 2017; López-Bayón et al., 2020; Realini et al., 2013).

97

Furthermore, age, schooling, income, and place of residence can influence a consumer’s
expectations, acceptance, and willingness to consume novel foods (Meiselman et al., 2010; Pham et al.,
2018; Plasek et al., 2020; Predieri et al., 2020; Puddephatt et al., 2020; Zhou et al., 2019). For example, a
lower income affects people’s ability to try foods from other cultures, causing people to consume what is
more accessible to them in terms of the cost–benefit (Puddephatt et al., 2020). The role of gender in food
choices, related to taste, suitability, and willingness to buy, shows divergence (see Predieri et al., 2020;
Torri et al., 2020). In addition, the literature addresses one of the main factors that influence food choices:
food neophobia, which is the fear or reluctance to try new or unknown foods (Pliner & Hobden, 1992) and
that coupled with current lifestyles, reduces potential food use forms, further limiting variety in the human
diet (Knaapila et al., 2007, 2011), mainly for populations in urban centers. Therefore, attributes that were
considerable advantages in stable ancestral environments - like food neophobia - have become barriers,
negatively interfering with the popularization of novel foods and directly affecting the acceptance of a
product and the willingness to tray it.
Given the above, we realize that there are still gaps in the literature that need to be filled. In fact,
there are not enough studies specifically aimed at WFPs and expectations about products with their
original name. Thus, it is necessary to understand whether other associations of this nature, such as
associating the product with a name known by the population (a conventional plant), can influence the
expectations on taste, appropriateness, and willingness to try. The literature also does not specifically
provide theories or approaches that are directly linked to different environments and their influence on
consumers’ expectations on novel foods. Therefore, other conceptual bases mentioned here support our
hypothesis. Based on what was mentioned previously, it is possible that there are terminological stimuli
that intensify food neophobia, notably in regard to expectations. In this sense, the association with forest
environments (Woods/Forest) could be one such stimulus, since most of the known foods are obtained
from crops, and the label “from the woods” could further refer to unfamiliar or even inappropriate foods.
In this research we also used terminological associations associated with agricultural environment
(Ranch/Farm) and associations considered by us to be “neutral” (Ruby/Emerald).
The purpose of our research was to identify what affects the expectations of products made with
WFPs and the best ways to present products with WFPs to potential consumers, aimed at the
popularization of WFPs. Given this, in this study, we seek to test the following hypotheses and predictions
(Chart 1):

98

Chart 1. Hypotheses and predictions tested.
Hypotheses
H1
The terminological association of an
unknown product with a better-known
product
generates
more
positive
expectations from the potential consumer.
H2 Terminologically associating an unfamiliar
product with a forest environment
generates more negative expectations
compared to products terminologically
associated with agricultural environments.
H3

Food neophobia and socioeconomic
factors explain potential consumers’
expectations toward WFPs.

H4

H5

Food neophobia positively interferes with
the evaluation difference between products
associated with a known fruit tree and
products associated with WFPs.
Food neophobia positively interferes with
the evaluation difference between products
associated with agricultural environments
and products associated with forest
environments.

Predictions
It is expected that products randomly described with
names associated with widely known fruits will be
better evaluated in terms of the taste expectations,
appropriateness, and willingness to consume, then
products randomly described with the names of littleknown WFPs.
It is expected that products randomly associated with
“ranch/farm” suffixes will be rated higher on taste
expectations, appropriateness, and willingness to
consume than products associated with “woods/forest”
suffixes.
P1: It is expected that individuals who are more
neophobic will provide lower ratings for the products
presented.
P2: It is expected that lower-income individuals will
provide lower ratings for the products presented.
P3: It is expected that older adults will provide lower
ratings for the products presented compared to
younger adults.
P4: It is expected that people with a lower level of
education attribute lower ratings to the products
presented.
Considering the divergence in the literature regarding
the role of gender in expectations on or the acceptance
of novel foods, the evaluation of this factor is
exploratory only, without a hypothesis as a starting
point.
It is expected that the difference in the evaluation
between a product randomly associated with a known
fruit tree and a product randomly associated with
WFPs is expected to be greater among individuals
who are more neophobic.
It is expected that the difference in the evaluation
between a product randomly associated with the
suffixes “ranch/farm” and a product randomly
associated with the suffixes “woods/forest” is
expected to be greater among individuals who are
more neophobic.

This work fills gaps in the literature about hypothesis testing involving the expectations around
different types of terminological stimuli and WFPs. This is the first work to analyze potential consumers’
expectations on WFPs when presented with different terminological stimuli. In addition, this study

99

presents results that can be converted into strategies to strengthen WFP popularization programs. Based on
this information, the hypotheses proposed above aim to answer the following research question (RQ):
What factors affect the expectations of products made with wild food plants? From now on, “taste” will be
used when referring to “how tasty the product would be”, and “appropriateness” refers to “how
appropriate the product would be”. Figure 1 presents the model that is proposed in our research.

Figure 1. Research model.
2. Materials and Methods
2.1. Legal Aspects
This study was submitted to and approved by the Ethics Committee at the Federal University of
Alagoas (CAAE 47809221.8.0000.5013) and met the rationale in Article X, Paragraph X.2 of Resolution
No. 466/2012 by the National Health Council (see Appendix A). Informed consent was obtained from all
individual participants included in the study, through the TCLE available in the online form.

100

2.2. Procedures
Our research followed the procedures shown in figure 2. Each step was properly addressed and
explained in the following topics.

Figure 2. Study Design (Procedures).
2.2.1. Data Collection through an Online Form
To evaluate the expectations of potential consumers about wild fruits, an online form was
designed and applied through a market research company (Netquest). In total, 1.000 panelists from around
the nation participated in this study, representing the urban and peri-urban populations of Brazil, with
internet access and literacy. The sampling was of the quota type, in which the subsamples by region and
gender obeyed the proportion found in the Brazilian population. Our group’s computing team (FSQ and
NLSS) programmed the form, which was available online during March 2022 until the expected sample
size of 1.000 participants was obtained. Initially, the participants had access to an explanatory text about
the questions they would answer and the informed consent form (ICF). After reading and agreeing to the
terms, the participants indicated this option and proceeded with the test. Subsequently, the participants
answered questions about their socioeconomic profile (age, gender, schooling, and income), food
neophobia, whether they had heard of WFPs (letter “a” in the Appendix B), whether they had tried WFPs
(letter “b” in the Appendix B), their willingness to try (letter “c” in the Appendix B), and their
expectations on appropriateness and taste (letters “d” and “e”, respectively, in the Appendix B). Food
neophobia, according to the scale by Pliner and Hobden (1992), was composed of 10 affirmative sentences
with answers based on scores from 1 to 7, with the extremities being 1 “strongly disagree” and 7 “strongly
agree” (see Appendix B), commonly used in neophobia research. The authors conducted reliability tests of
the scale on three different samples and observed that the FNS possesses satisfactory reliability and
internal consistency. For the questions 'a) Have you ever heard of this fruit?; b) Have you ever tried this
fruit or any derivative (juice, sweet, etc.)?; and c) Would you try the juice of this fruit if you were at a
natural products fair?', the possible answers were binary: yes or no. For questions 'd) On a scale of 1 to 7,
how appropriate for consumption do you think this juice is?' and 'e) On a scale of 1 to 7, how tasty do you

101

think this juice is?', responses were given on a seven-point Likert scale. For question 'd', the scale ranged
from 1 ('not appropriate') to 7 ('very appropriate'), and for question 'e', it ranged from 1 ('not tasty') to 7
('very tasty'). Likert scales are typically structured in odd numbers to provide options for positive
evaluation, negative evaluation, and a neutral/central position. They are widely used to measure opinions
and attitudes by assessing the degree of agreement or disagreement with the product (Lawless &
Heymann, 2010).
2.2.2. Randomization of Names and Images
Before releasing the online form, we programmed the randomization for each of the six product
questions. All the participants answered questions about all the products. The participants were then given
a text to rate their expectations on native fruit-based juices (see Appendix B) and answered questions
associated with products that were randomized as follows (Figure 3):
Product 1: was programmed to always contain the name of a conventional fruit juice linked to the
real photo of this juice. Therefore, for Product 1, each participant received one of ten photos of
conventional fruit juice with its real name attached.
Product 2: was programmed to randomize the name of the juice of a conventional fruit linked to
the, also randomized, suffix “ruby” or “emerald” (names of precious stones chosen to confer an
association with conventional fruits, such as “cashew-ruby”). For example, a participant received the
image of mango juice, but it was introduced under the label “goiaba-rubi” (“ruby-guava”). Another
participant received an image of melon juice under the label “manga-esmeralda” (“emerald-mango”). For
the purposes of this study, we considered these names to be “neutral” since they do not signal the
precedence or unconventional status of the products. However, we are aware that, in a broader sense, such
names cannot be considered neutral since they also, somehow, influence product expectations.
Product 3: was programmed to randomize the name of the juice from a conventional fruit linked to
the, also randomized, suffix “woods” or “forest” (used to associate the product with forest environments).
For Product 3, the participants received, for example, the image of passion fruit juice with the name “maçã
da floresta” (“forest apple”).
Product 4: was programmed to randomize the name of a conventional fruit juice linked to the, also
randomized, suffix “ranch” or “farm” (used to associate the product with agricultural environments). For
example, an image of melon juice was paired with the name “manga do rancho” (“ranch mango”).
Product 5: was a product with a format analogous to the previous one, but with an attention
question, instructing the interviewee to mark pre-established multiple-choice options. If a participant
chose the wrong alternative, they could not complete the form.

102

Product 6: was programmed to randomize the name of an unconventional fruit juice (wild food
plant) (“batinga”, “buxixu”, “cagaita”, “cambuí”, “gabiroba”, “gagiru”, “goiti”, “massaranduba”,
“murici”, or “mutamba”). Each participant received an image of one of the juices, linked to one of the
names of a wild food plant. For example, an image of cherry juice with the name “cambuí”.
The names of the wild plants were chosen arbitrarily, and no criteria were followed. The
conventional plants that were chosen are conventional in Brazil. For Products 2, 3, 4, and 6, the picture
linked to the juice was randomized using the pictures of the conventional fruit juices, so that no
interviewee received the same photo more than once to illustrate different products. For each product, the
participants answered questions about their previous knowledge on each fruit, their intention to consume a
derived product, and their expectation regarding the taste and appropriateness (see Appendix B). It is
worth remembering that bthe names given to these products using suffixes are not real fruits. These were
names created by us, to analyze the influence of the associated term (farm, farm, forest, forest, ruby and
emerald). In this research, we chose 'juices' as a product to test our hypotheses because they are a common
food for all people and have a visually simple form. Other foods, whether sweet like cakes and jellies or
savory like pasta, would likely have a different and more pronounced visual impact, which could
introduce bias into the intended results. This bias might lead to testing the assigned names rather than the
inherent qualities of the product or the influence of the image itself.

Figure 3. Randomization scheme for the plant names, suffixes, and images.

103

2.2.3. Quality in the Sample Universe
In addition to the attention question, which excluded respondents before they were even recorded
as part of the sample, a new three-step quality control process was used to screen the 1.000 responses that
were initially included:
Inconsistencies: If the participant answered “no” to the question “Have you ever heard about this
plant?” and immediately afterward answered “yes” to the question “Have you ever tasted this fruit or any
derivative (juice, jam, etc.)?”, these answers were considered inconsistent, and these people were excluded
from our sample, leaving 918 people;
Time taken to answer the questions: After the first exclusion, we excluded from the sample
universe the people who answered the questionnaire in less than 5 or more than 30 min, leaving 769
people. This cut was made after we conducted a simulation with participants to verify the average time
needed to answer the form;
Date of birth reported with the wrong year: People who indicated their year of birth as 2021 or
2022 were excluded from the sample, leaving 724 people.
2.2.3.1. Participant profile
Our final sample included 724 participants, with the socioeconomic profile described in Table 1.
As our sampling was based on quotas, the number of participants was determined by the population of
each Brazilian region.
Table 1. General characterization of the socioeconomic variables (gender, age, schooling, and monthly
family income) of the research participants by the region of Brazil.
Gender
Female
Male
Total

34
26
60

Region
Southeast
160
151
311

80
44
37
25
12
3
201

23
14
14
5
4
60

6
4
113
13

1
1
24
8

Midwest
26
32
58

Northeast
104
97
201

14
13
16
10
3
2
58
1
4
20
6

North

South
46
48
94

Total
370
354
724

42
62
69
68
55
15
311

20
21
20
15
12
6
94

179
154
156
123
86
26
724

12
13
136
10

6
4
28
4

26
26
321
41

Age
18–27
28–37
38–47
48–57
58–67
68–78
Total
Schooling
Complete elementary school
Incomplete elementary school
Complete high school
Incomplete high school

104

Complete higher education
Incomplete higher education
Total
Income
Less than one minimum salary
One to three salaries
Four to six salaries
Seven to nine salaries
Ten or more salaries
Total

15
12
58

30
35
201

11
15
60

92
48
311

33
19
94

181
129
724

13
35
5
2
3
58

66
119
13
2
1
201

16
37
3
4
60

42
177
64
17
11
311

10
55
14
12
3
94

147
423
99
37
18
724

2.2.4. Data Analysis
For each hypothesis, additional filters were applied. All the hypothesis tests were conducted with
two sample universes. A “general sample” that included all the participants and a “filtered sample” with
only those respondents who said they had not tried any of the products to eliminate the effect of possible
previous knowledge (even if the products were not real) (Table 2). For example, for the question “Have
you ever tasted this fruit or any derivative (juice, sweet, etc.)?”, we added a filter to remove the effect of a
previous experience since the plant does not exist. Then, each hypothesis had more than one statistical test
and a different sampling universe (see Table 2) to verify whether the result would be different between the
two samples.

Table 2. Sample universe for each hypothesis and the tests used in the analyses.
General Sample n
Filtered Sample
Tests
H
724
380
1
Shapiro‒Wilk, Wilcoxon, and chisquare test
H
724
252
2
H
724
182
CLM
3
H
724
380
4
Shapiro‒Wilk and Spearman’s
correlation
H
724
252
5
The normality of the data, related to Hypotheses 1 and 2, was tested using the Shapiro‒Wilk test.
Since the data did not show normality, we performed the Wilcoxon test, a nonparametric method used to
compare two paired samples. We use statistical models that are suitable for ordinal data. These models
consider that there may be a distance between the values of an ordering, and these values are not
necessarily equivalent. So, as we are dealing with non-normal ordinal data, the best tests to be used to test
our hypotheses are those mentioned in our work.

105

For H1 and H2 (Table 2), three indicators were considered: (1) expectations regarding
appropriateness; (2) expectations regarding taste; and (3) willingness to try the product. We performed a
chi-square test only for “willingness to try”, as the question allowed binary (yes or no) rather than
numerical responses. For this case, a contingency table was created to run the test.
To test Hypothesis 3, we modeled the effect of neophobia and socioeconomic variables (gender,
age, schooling, and income) for all the terminological stimuli (neutral, woods/forest, ranch/farm, and
WFPs) based on cumulative linkage models (CLMs). We chose this test because it is appropriate when the
response variable is ordinal, since it assumes that rank scores have different distances from each other
(Christensen, 2022). We used the stepwise approach to identify which variables would remain in the
model with the lowest AIC value. We formulated a total of 16 models, considering the combinations of the
four groups of terminological stimuli with the two measures of expectations (taste and appropriateness)
and the two samples (complete and filtered).
To test H4 and H5, we created a difference evaluation index using the results from the evaluation
scores for taste and appropriateness. Considering that each of the variables had possible answers from 1 to
7, this index was calculated based on these scores, following the equations below:
NapN − NapWFP = IVA 1,

(1)

NapGE − NapFE = IVA 2,

(2)

NttN − NttWFP = IVT 1,

(3)

NttGE − NttFE = IVT 2,

(4)

Where Nap represents the appropriateness score; Ntt represents the taste score; N represents the
neutral name (emerald/ruby); WFP stands for wild food plants; GE represents the agricultural environment
(ranch/farm); FE represents the forest environment (woods/forest); IVA stands for the index value for
appropriateness; and IVT stands for the index value for taste.
The index results were previously tested for normality. Since the data did not show normality, we
performed Spearman’s correlation test, associating IVA 1 and IVT 1 (one per time) with neophobia (H4)
and IVA 2 and IVT 2 (one per time) with the food neophobia calculation result (H5).
To calculate the food neophobia score based on this scale, which ranged from 10 to 70, we
calculated the sum of the score received for each item. However, we reversed the order of the items
considered reversed (marked with an asterisk in the Appendix B) before the calculation occurred. To
classify them as more or less neophobic, we based our study on an adaptation of the work by Falciglia and

106

collaborators (Falciglia et al., 2000). We considered neophobic individuals as those whose results from the
calculation on food neophobia was above 41.
We performed all the analyses using the R program (R Core Team, 2022) version 4.1.2, through
RStudio 2022.02.1. For the CLM analysis, we used the package “ordinal” (Christensen, 2022); for the
boxplot graphs, we used the packages “ggplot2” (Wickham, 2016) and “grid” (R Core Team, 2021); and
for the correlation graphs, we used “GGally” (Schloerke et al., 2021). Image editing and template creation
were conducted in the free version of Canva.
2.2.4.1. Effect of Photography on Expectations
Although not part of any hypothesis test, a Kruskal‒Wallis test, which compares more than two
independent groups when the data do not show a normal distribution, was also performed. We took as
independent variables the image (.png) that each participant received and, as independent variables, the
scores for appropriateness and taste. Our intention with this effect test was to verify whether the photo had
any influence on the scores, or whether it only served to provide a visual context for the work.

3. Results
3.1. General Characterization of the Results
Regarding the general assignment of grades, the products associated with conventional plant
names were better evaluated by the participants, in addition to their grades being more homogeneous
(lower standard error values) than the grades attributed to the other terms used (Figure 4). The lowest
scores for appropriateness and taste were associated with the terminological stimulus of wild food plants
(WFP). Therefore, the use of names associated with WFPs generated more negative expectations
regarding the appropriateness and taste of the products. Considering the arbitrary choice of the chosen
names of the WFPs, it did not influence the differences in the scores assigned by region. In the Appendix
C, more details regarding the differences between the terminologies by region and the socioeconomic
aspects of the participants can be seen. In general, using terminological stimuli that are associated with a
conventional plant, be it linked to precious stones, forest environments, or agricultural environments,
seems to be a good option to encourage people to consume foods derived from wild food plants.

107

Figure 4. Boxplot for the ratings on the appropriateness expectation and taste expectation, considering the
total sample universe. WFP: wild food plants; NN: neutral name; FE: forest environment; AE:
agricultural environment; CN: conventional name.
3.2. Taste Expectation Decreases in Products Associated with WFP Names When
Compared to the Suffix “Ruby/Emerald”
Evidence was found to be favorable to our first hypothesis. When comparing WFP names to
neutral names (ruby or emerald), in both the total and filtered sample universes—excluding people who
had previous knowledge—there was a significant difference in taste expectation, appropriateness, and
willingness to try the products (Table 3). When cutting the sample universe—excluding people who had
previous knowledge—to test the terminological stimuli “WFP X neutral suffix”, all the results were
consistent with the tests carried out with the general sample universe. There was a significant difference in
the taste expectancy, appropriateness, and willingness to try across all the products. This shows that,
whether with or without the prior knowledge effect, the WFP name misleads people into thinking that the
product is less tasty than a product with a name that evokes something familiar, such as conventional fruit
trees.

108

Table 3. Wilcoxon test results for WFPs and ruby/emerald associated stimuli.
Indicators
Appropriateness
Taste
Willingness to try
Appropriateness
Taste
Willingness to try

Fruit Names
V
n = 724 (total sample universe)
Original (5) vs. Neutral (6)
107,960
Original (4) vs. Neutral (6)
115,506
X2
Original vs. Neutral
21.89 (df = 1)
n = 380 (filtered sample universe)
Original (5) vs. Neutral (6)
22,030
Original (4) vs. Neutral (6)
22,333
X2
Original vs. Neutral
18.308 (df = 1)

p-Value
<2.2 × 10−16
<2.2 × 10−16
p-value
=2.888 × 10−6
=4.164 × 10−15
<2.2 × 10−16
p-value
=1.879 × 10−5

The term “Original” refers to products with WFP names; the term “Neutral” refers to products with names
associated with conventional fruits with the suffixes “ruby or emerald”.
3.3. Familiarity with the Agricultural Environment Favors the Expectation on the
Appropriateness, Taste, and Willingness to Try a Product
The tests for Hypothesis 2 show two different results. For the general sample universe (which
includes previous knowledge), there was a significant difference in the results for the stimuli from the
forest environment vs. the agricultural environment, considering the three indicators (appropriateness,
taste, and willingness to try). However, after excluding the participants who believed they had already
tasted the plant or some derived product (removing previous knowledge from the analyses), no result
showed a significant difference (Table 4). People tend to give better evaluations for products associated
with conventional food plants with suffixes on the agricultural environment than for products presented as
conventional plants in association with forest environments, because many people think they have already
consumed a plant from a ranch or farm. Because these two suffixes “ranch” and “farm” are already wellknown terms, they ended up leading people to perceive a certain familiarity with the name of the products.
Table 4. Wilcoxon test results for the stimuli forest environment vs. agricultural environment.
Indicators
Appropriateness
Taste
Willingness to try

Fruit Names
n = 724
Forest environment (6) vs. Agricultural environment (7)
Forest environment (6) vs. Agricultural environment (6)
Forest environment vs.
Agricultural environment

Appropriateness
Taste

n = 252
Forest environment (6) vs. Agricultural environment (5,5)
Forest environment (5) vs. Agricultural environment (5)

Willingness to try

Forest environment vs. Agricultural environment

V

p-Value

31,510
41,318
X2

=0.0003299
=0.001182
p-value

21.89 (df = 1)

=2.888 × 10−6

1768.5
2617.5
X2
0.71154 (df = 1)

=0.7919
=0.8404
p-value
=0.3989

Values in parentheses in the table above refer to medians. The term “Forest environment” refers to
products with conventional plant names associated with the suffixes “forest or woods”; the term
“Agricultural environment” refers to products with names associated with conventional fruits with the
suffixes “ranch or farm”.

109

3.4. CLM Modeling of the Effect of Food Neophobia and the Socioeconomic Variables for
All Terminological Stimuli
In all the models, food neophobia significantly interfered with all the responses for both taste and
appropriateness, for all the stimuli in both sample universes. Socioeconomic factors interfered with the
expectancy results for each stimulus in different ways. In some cases, they remained in the model after the
stepwise analysis (Appendix D and Table 5), but with low or no significant influence on the participants’
expectations. Gender (male gender) presented a significant and positive effect only regarding the taste
expectation of products with names associated with agricultural environments, having more positive
expectations about them (Table 5). Additional information about the stepwise analysis and complements to
the CLM analysis are available in the Appendix D and Appendix E, respectively. Although these variables
remained in the model, food neophobia was the variable that truly influenced with the expectations of
potential consumers. However, at first, it cannot be specifically said that neophobia affects with the
difference in the scores people gave when evaluating “products associated with conventional plants with
neutral name X products associated with WFPs”. This cannot be said in the case of products associated
with “forest environments X agricultural environments” either, precisely because food neophobia was
present and significant in all the models.

Table 5. Cumulative link models (CLMs) to explain the expectations (taste and appropriateness scores) on
native food plant juice by potential consumers in Brazil. Estimate values and significance. M =
model; WFP = wild food plant names; neutral = neutral names; forest = names associated with
forest environments; agricultural = names associated with agricultural environments.
Appropriateness—Complete Sample (n = 724)
M1—WFP
M2—Neutral
M3—Forest
M4—Agricultural
Gender
Age
0.01466 **
Income
Schooling
0.16348 **
0.08136
0.11935 *
0.15997 **
Neophobia
−0.03546 ***
−0.04372 ***
−0.03977 ***
−0.05191 ***
AIC
2518.5
2066.0
2130.9
1904.0
Appropriateness—Filtered sample (n = 182)
M1—WFP
M2—neutral
M3—forest
M4—agricultural
Gender
Age
Income
0.3038 .
Schooling
0.29070 **
Neophobia
−0.06633 ***
−0.06731 ***
−0.06272 ***
−0.0846 ***
AIC
617.41
565.02
591.02
553.20
Taste—Complete sample (n = 724)
M1—WFP
M2—neutral
M3—forest
M4—agricultural

110

Gender
Age
Income
Schooling
Neophobia
AIC

0.213130
0.007133
0.131631 *
−0.041766 ***
2453.2

0.01179 *

0.01094 *

−0.03578 ***
−0.02859 ***
2292.2
2332.7
Taste—Filtered sample (n = 182)
M2—neutral
M3—forest
0.44458 .

M1—WFP
Gender
0.43333
Age
0.02060 *
Income
Schooling
0.18359 .
Neophobia
−0.05973 ***
−0.04409 ***
−0.04754 ***
AIC
615.13
608.06
624.50
Signif. codes: 0 ‘***’; 0.001 ‘**’; 0.01 ‘*’; 0.05 ‘.’; 0.1 ‘ ’ 1.

0.30170 *
0.01922 ***
0.08873
−0.04042 ***
2157.1
M4—agricultural
0.01727 .
−0.07893 ***
604.33

3.5. Spearman’s Correlation
The correlation test results for both sample universes show that all the correlations between the
neophobia score and the indices for the differences between the stimuli were very low. Only IVT 2
(“agricultural environment—forest environment” scores) was significantly negatively correlated with food
neophobia, both when previous experience with the products was included (rs = −0.07; p < 0.05) and
excluded (rs = −0.17; p < 0.01). The neophobic individuals showed less difference between the two
stimuli previously mentioned, and neophilic individuals showed a greater difference between the scores.
3.6. The Visual Stimulus Also Influenced Expectations
The Kruskal‒Wallis test showed that the photo that the participants viewed had an influence on
both the appropriateness (X2(9) = 23.057; p-value = 0.00607) and taste (X2(9) = 37.349; p-value = 2.28 ×
10−5) expectations. We then performed Dunn’s post-hoc test to visualize where this difference was present
(Appendix F). Dunn’s post-hoc test showed that the expectation scores for appropriateness were
significantly different only between the “passion fruit” and “melon” images. When examining the results
for the taste expectation, there was a greater variation in the significantly different scores received across
the images. The scores differed between cajá and passion fruit, soursop and passion fruit, apple and
passion fruit, mango and melon, and passion fruit and melon. Additionally, the best evaluated pictures
were observed for appropriateness expectations and were orange, mango, and passion fruit, for which
most of the scores were seven. Regarding taste expectations, the photo with the best evaluation was
passion fruit, whose scores were approximately six to seven (Figure 5).

111

Figure 5. Boxplot for the appropriateness expectation and taste expectation scores considering each photo
received by all the volunteers.
4. Discussion
4.1. What Aspects Influence Acceptability Expectations about Food Products, After All?
Previous knowledge, familiarity, and food neophobia are variables that influence consumers’
evaluations of their expectations in relation to a food product. Both people with prior knowledge and those
without had negative expectations regarding the taste, appropriateness, and willingness to try foods with
WFP. This may have happened because our brain tends to make previous associations with the new
product and something already known, even if they are based solely on the product's appearance. For
example, when we say that candy tastes like berries, we quickly associate it with raspberries, strawberries,
or cherries (Zellner et al., 2018). However, the previous knowledge effect by itself can influence a
consumer’s perceptions when evaluating certain products, depending on the group of evaluated
consumers. Previous experience is part of adaptive memory and is considered an evolutionary
psychological adaptation tool. Coupled with the regularity of exposure, it allowed humans to survive in
ancestral environments due to a plasticity that causes some information to be highlighted in the memory,
such as by remembering more dangerous foods (Silva et al. 2022). As our work considered the
expectations of potential consumers more broadly, without focusing on a specific group of people, such as

112

students (Barbosa et al., 2021) or fairgoers (Santos et al., 2020), our results are more comprehensive and
provide more information to support popularization programs.
Some of the terminological associations we used induced consumers to be familiar with the
products (such as ranch or farm) and, subjectively, people indicated that they had previous knowledge
about these products. This made people create better expectations about them, showing greater
acceptability than when previous knowledge was not present (i.e., those that claimed to already know the
products were excluded from the sample). Thus, previous experiences and expectations are strong drivers
of consumer perceptions, attitudes, and behaviors from comparisons between the stimulus received and
the cognitive information previously accessed (Cardello, 2007). Unlike when the consumer has already
had previous experience with products, the expectations that consumers create can be adapted because
they do not yet know what to expect (Tuorila & Hartmann, 2020).
Among the other variables tested (food neophobia, income, age, and gender), food neophobia was
the one that most influenced the expectation on product acceptability, negatively influencing the
expectation on taste and appropriateness. Other studies also indicate food neophobia as the principal
variable, with a significant effect on low taste and appropriateness expectations toward novel foods,
attributed to the fact that people have not had prior exposure to these foods (Ardoin & Prinyawiwatkul,
2020; Sogari et al., 2019). When an individual is more neophobic, there is a tendency for him to evaluate a
specific product negatively, regardless of the name associated with it, simply because he or she has not yet
tried that product. Neophilic individuals, on the other hand, tend to assign higher scores to products
associated with things familiar to them. It is worth remembering that neophilic individuals are those who
frequently like and go in search of trying new or different things (Raudenbush & Capiola, 2012; van Trijp
& van Kleef, 2008).
Income showed no significant influence on the appropriateness and taste expectations. This is an
interesting result, considering that, in sensory evaluation studies, income always appears to be a factor that
modulates, for example, purchase intention (Rabadán & Bernabéu, 2021). In our study, male participants
had more positive expectations about the taste of products named after agricultural settings, rating them
more favorably than females. This result can also be explained by the distance between forests and people
who live in urban areas, which fits into the context of our research. Typically, people who live further
away from forests are more accustomed to consuming cultivated foods, from monocultures or farms.
Thus, “ranch mango” juice or “agricultural apple” juice, whose terminologies are related to agricultural
environments, may seem more familiar to these individuals.
Generally, older individuals tend to have more positive expectations regarding the appropriateness
of products associated with agricultural environments. This contrasts with the findings of Torri et al.

113

(2020), who in their research on an unconventional food, found that appropriateness, expected taste, and
willingness to buy decreased as the age of the participants increased. On the other hand, in our study, older
participants had more negative expectations regarding the taste of products associated with Wild Food
Plants (WFP). These outcomes can be interpreted in various ways depending on the sociocultural context
of the consumer. For instance, in a setting where individuals are more directly connected to forests (rural
environments), they may have more contact with wild plants than those living in urban areas. In our study
context, upon removing the effect of prior knowledge, older individuals displayed more positive
expectations regarding the taste of WFP products. Cultural factors, emotional ties, and the perception of
nature as a source of richer and healthier foods may explain these findings. Furthermore, these individuals
might have had greater exposure to wild plants at some point, leading to increased familiarity. Education
also had a positive and significant impact on nearly all labels, except for taste expectations when prior
knowledge was factored out of the sample. This supports the literature indicating that individuals with
prior knowledge of a food product tend to rate it more favorably. In a Brazilian context, the use of the term
UFPs (Unconventional Food Plants) did not affect product acceptance among potential consumers with
previous knowledge of these plants (Barbosa et al., 2021). The authors ascribed this to the participants
being agricultural science students, who were already acquainted with the term. However, for those
without prior knowledge or experience with UFPs, the label had a detrimental effect.
In addition, other extrinsic cues how people evaluate some products based on vision, such as color
(Sousa et al., 2020; Zellner et al., 2018), the shape of the product. The implication of this becomes more
evident when participants evaluate the expectation based only on the image, without having the option to
taste the product, as in the case of our research. In an online study, Jaud and Melnyk (2020) evaluated the
presence of text and images (together or separately) on wine labels. They found that when labels present
the association of “text + image”, the evaluations on taste expectancy and purchase intention are better
than when there is only text. The image also has an affective appeal that ends up influencing an
individual’s expectations. Although our additional test showed that the photo influenced expectations
(more on taste than appropriateness), it did not interfere negatively with our overall results because both
the terms used and the distribution of the photos to the participants were randomized, thus reducing any
bias that could exist if the photos and terms followed a specific order.
4.2. Strategies for Popularizing WFPs: Cultural Identity X Association with Known Fruit
Trees
Given our expected results, a basis can be drawn for what strategies can then be used to
circumvent food neophobia and popularize WFP-based foods. To develop these strategies, terminology

114

associations may be considered, as tested here. According to studies, to reduce food neophobia,
associations in the new product name with something already known can be made (Irmak et al. 2011; Lu
et al. 2016). These terminological associations can broaden the interest in new products. However, on the
other hand, this could cause cultural “disengagement” that starts in the name of the product, as happened
with açaí. This typical fruit from the Brazilian Amazon was popularized from the moment it was prepared
in association with conventional products, without any relation to its traditional form of use. Today, açaí is
more directly associated with physical exercise than with local communities (Vanni, 2018). Wild fruit
popularization involves many socioeconomic benefits. Examples include expanding the forms of use,
reaching more distant markets, and increasing the income for extractivists. On the other hand, if the WFP
undergoes associations of this nature, as happened with açaí, it will lose its cultural connection. In the
exemplary case, reaching international markets did not contribute to the biocultural conservation of the
species, considering that the new consumers do not even know its origins or how the local population uses
the fruit (Medeiros et al., 2021a).
Something that is becoming increasingly common in relation to food, is that the food industry is
looking for new or different berries to enhance dishes or products. In Sweden, a species of wild blackberry
(Rubus caesius L.) has been popularized, from the local to the national level, with its popular name, but in
the form of jelly. Today, a typical Swedish dish is composed of this ingredient that gained greater visibility
after being used in the Nobel Prize celebrations in 2014. Since then, other food products have been created
with the same species (balsamic vinegar, ice cream, chutney) (Svanberg & Ståhlberg, 2021). To date, this
popularization has brought many socioeconomic benefits to the region, and the existing demand has not
caused any harm to the environment. However, to popularize wild fruits, efforts should be made in relation
to investment in strengthening programs for the harvesters of wild fruit species, with continuous
monitoring. This assists in the mode of production, harvest, and trade, and contributes to the maintenance
of values and practices associated with the extractivism of these plants.
4.3. Implications for Biocultural Conservation
Our results show that products associated with WFPs can be used by the population, as the
products were well evaluated based on potential consumer expectations. Therefore, directly or indirectly,
extractivists can also benefit from the use of these plants by supplementing their family income.
According to Hunter et al. (2019), smallholder farmers, harvesters, and various traditional communities
maintain the use of these plants not only for food security but also to perpetuate their culture. Then, given
the premises of biocultural conservation (Gavin et al., 2015), it is important to develop strategies that seek
to both protect biodiversity and make it maintainable within social-ecological systems. This may be

115

accomplished by valorizing these socio-biodiversity products as a source of income for the population,
with the management of WFPs being a good option (Pieroni & Sõukand, 2018). Valuing local popular
knowledge brings people closer and improves their relationship with nature, providing greater
accessibility to natural resources and, consequently, greater food diversification without the need to
constantly access markets.
However, some considerations should be made relevant for the intention of popularizing wild
plant species. As seen in our results, using the original name of the plant provoked more negative feedback
from the participants. How can we suggest that these species are key to cultural and biocultural
appreciation if their names do not seem to contribute to this? In fact, this is a very relevant issue to
discuss. On the one hand, using the original names of the plants contributes to the strengthening of a
valorization of traditional culture based on associated local knowledge (knowledge that has been eroding)
(Ding et al., 2021). On the other hand, delinking the use of these plants from their culture and
traditionalism seems necessary if the intention is to expand the use of wild plants.
In this sense, directions in light of biocultural conservation can be followed. First, harvesters can
continue to use the original names of the wild plants, considering that the sale of the fruits in natura in the
places where these plants naturally occur already happens and is well accepted by the local community
(i.e., cambuí juice and araçá juice). Second, to popularize these species, it can be interesting to follow
some marketing and advertising strategies for the presentation of the product, such as making associations
in terms of the similarity (appearance, flavor) to conventional plants and, thus, bringing some familiarity
to consumers. For example, “This is araçá juice, but it resembles guava juice.” The popularization of açaí,
for example, was greatly influenced by the power of the media, in which both TV and the internet
collaborated in spreading the use of this fruit species (Heinrich et al., 2011; Medeiros et al., 2021a). Third,
it is necessary to push for and assist in the sustainable management of WFPs by integrating communities
holding local ecological knowledge about these plants (Suwardi et al., 2020) into conservation projects, so
that this link between WFP and their biocultural heritage is perpetuated (Medeiros et al. 2021b).
Moreover, these incentives (economic and environmental) for local residents to continue using WFPs
contribute to the maintenance of increasingly threatened knowledge, stimulating a greater interaction
between people and nature (Leal et al., 2018).
5. Conclusions
Our results show that the use of terms associated with wild food plants generates lower
expectations among consumers who are not familiar with these fruit trees, inducing them to think that the

116

product is less tasty than those with familiar names. For the most part, this is due to the level of food
neophobia that these people have. This variable was the one that most influenced our results.
Evidence was found in favor of Hypotheses 1, 2, and 3, while H4 and H5 were refuted. When
people who said they were familiar with the products were removed from the sample, the juices associated
with conventional plants and cultivated environments did not present higher expectation scores than the
products associated with conventional plants and forest environments. Rather than one negative effect
from the forest environment on expectations, a positive effect from the agricultural environment was
observed because it induces familiarity with food.
In our experiment, the focus was not on a specific group of potential consumers. Rather, the study
included a general sample of the Brazilian population, providing more comprehensive information.
Therefore, based on the participants’ expectations, our results point to two main points: (1) whether
considering the effect of prior knowledge or not, our results show that conventional plant names with
other suffixes were rated more highly than products associated with WFPs; (2) another question
considered is “to whom” these products can be targeted. Having knowledge about the characteristics of the
potential consumer groups can make the popularization program successful or unsuccessful. After all,
more specific knowledge about human behavior is necessary to understand the processes that determine
people’s food choices. In this case, multidisciplinary research plays an important role (Tuorila &
Hartmann, 2020).
Overall, socioeconomic variables, except for income, affect with consumer expectations. Food
neophobia most strongly influences evaluation expectations for each terminological stimulus, individually.
However, neophobia does not affect the fact that a product with the “from the woods” stimulus received a
low score or that a product associated with the “from the ranch” stimulus received a higher score.
Therefore, when a product does not have a name that is familiar to consumers, neophobia will always be a
barrier to a good evaluation. In this sense, to circumvent this neophobia, new products can have
terminological associations with popular fruit species or make other associations of this nature.
As a strategic alternative to starting popularization programs, the following paths are
recommended: for cultural valorization, the products can be presented with their original names (WFP
names) and cultural backgrounds, but we can make associations with known fruit species to help more
distant consumers become familiar with the products. Additionally, strategies can be more targeted,
considering the profile of the consumers (neophobic or neophilic). For example, labels that emphasize
novelty for neophilic consumers and labels that relate to familiarity for individuals who are more
neophobic can be used (Fenko et al., 2015).

117

6. Suggestions and Future Implications
This paper was designed considering only expectancy. However, our findings and hypothesis tests
provide a solid foundation for further studies on the influence of names on food product expectations. To
cover the gap between expectations and reality, future research is needed to effectively test the
acceptability of products with different terminological stimuli using sensory evaluations considering the
expectations and the actual (post-tasting) taste. In these studies, the confirmation or disconfirmation of
consumer expectations can be evaluated. Incidentally, incorporating expectations into sensory evaluation
studies is important because it will allow for a better understanding of consumer responses (Fernqvist &
Ekelund, 2014).
Based on what we observed in our additional test, future studies could investigate the impact of
the image received (or the product seen) by each participant on their taste expectations, appropriateness,
and willingness to try and pay for the product, aiming to determine what exerts the greatest influence on
consumer expectations: the name or the image of the product.
Researchers may conduct other studies with WFPs to test the terminological stimuli used in our
research with suffixes unfamiliar to the population. Examples include associating the name of a
conventional plant with a wild plant, whether real or invented. It would be interesting to use unknown
suffixes to reduce the number of people who may report having already tasted the fruit or a derived
product. In this way, the final universe of the sample can be expanded. Additionally, future studies could
present other types of products, so it would be possible to identify whether the same trends will be found
regardless of the product’s preparation (juice, sweets, savory snacks etc.).
In addition, to assist in better economic development, researchers can develop studies focused on
the production chain for WFPs. Based on this diagnosis and the identification of the best ways to present a
new food product to consumers, it will be possible to generate strategies to boost the commercialization of
native fruits. In this way, extractivists can benefit, and the use of these plants can propagate biocultural
diversity.

7. Limitations
The sample universe for H2 and H5 was very small, with only 252 responses in these tests out of a
total of 1.000 responses collected. This reduction occurred because many participants informed
researchers that they had already tasted fruits with the name associated with the cultivation suffix (ranch
or farm), such as “ranch apples” or “farm mango”. In this case, there was an induction to familiarity with
these terms, since they are associated with well-known agricultural environments. In this sense, one

118

limitation to our study was the choice of these terms without considering that any fruit could come from a
ranch or farm, which would intuitively make participants associate them with something common.
Our results are representative of the Brazilian population, as the participants are only from Brazil
and the wild food plants used in the study are considered unconventional in the Brazilian context.
However, our methods can be applied by scholars from any region of the world. Researchers elsewhere
can use products made with wild (unconventional) food plants from their regions and test the hypotheses
proposed in our work.
Acknowledgments: We acknowledge the Post Graduation Program in Biological Diversity and
Conservation in the Tropics, at the Federal University of Alagoas, which gave us the opportunity to
develop this research.
Author Contributions: EMCS: Conceptualization; Investigation; Methodology, Writing—original draft.
DMB, DLG, GMCS and RAC: Methodology; Writing—original draft. FSQ and NLSS: Software;
Writing—original draft. RRVS: Supervision; Writing—review and editing. PMM: Methodology; Formal
analysis; Writing—revision and editing; Supervision. All authors read and approved the final manuscript.
Declaration of interest statement: The authors declare that they have no conflict of interest.
Funding: This research was funded by the Brazilian Fund for Biodiversity—FUNBIO and HUMANIZE
(Grants “FUNBIO Conserving the Future”, awarded to EMCS, no. 030/2021), Coordination for the
Improvement of Higher Level Personnel—Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível
Superior/CAPES (Granting a doctoral scholarship to EMCS), the National Council for Scientific and
Technological Development—Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico/CNPq
(PMM, 442810/2016-4, 302786/2016-3), L’Oreal Brasil (For Women in Science Awards) and L’Oreal
(International Rising Talent Awards).
Availability of data and material/ Data availability: The data will be made available upon request.
Declaration of generative AI in scientific writing: During the preparation of this work the author(s) used
ChatGPT in order to translate some parts of the text of the manuscript from Portuguese to English
language and make grammatical corrections when necessary. After using this tool/service, the author(s)
reviewed and edited the content as needed and take(s) full responsibility for the content of the publication.
Appendix: Appendix A: Ethics Committee Document; Appendix B: Questionnaire model used in the
online expectancy tests; Appendix C: Mean, standard deviation, median and standard error for the results
on food neophobia by region, income, schooling, and gender; Appendix D: Stepwise approach test results;
Appendix E5: CLM analysis add-nos; Appendix F: Results of the Kruskal‒Wallis test and Dunn’s test to
verify the influence of images on all stimuli.

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124

5 CAPÍTULO 3

Challenges in the Popularization of Wild Food Plants in Brazil: An Examination
from the Perspectives of Expectations and Sensory Evaluation of Foods
Manuscrito submetido na International Journal of Gastronomy and Food Science, percentil 97.
Andamento: Segunda rodada de revisão.
*Manuscrito formatado nas normas da revista

Élida Monique da Costa Santosa*, Danúbia Lins Gomesb, Roberto Gomes Cardosob, Déborah
Barbosa Monteiroa, Luis Fernando Colin-Nolascoc, Gabriela Maria Cota dos Santosb, Daniel
Melob, Ulysses Paulino Albuquerqued, Rafael Ricardo Vasconcelos da Silvab, Patrícia Muniz de
Medeirosb*
a

Laboratory of Biocultural Ecology, Conservation and Evolution (LECEB), Campus of Engineering and
Agricultural Sciences, (CECA); Postgraduate Program in Biological Diversity and Conservation in the
Tropics, Institute of Biological and Health Sciences (DIBICT-ICBS), Federal University of Alagoas,

Maceió, Brazil.
b
LECEB-CECA, Federal University of Alagoas, Rio Largo, Brazil.
c
LECEB-CECA, Federal University of Alagoas, Rio Largo, Brazil. Postgraduate Program in
Ethnobiology and Nature Conservation, Department of Biology, Rural Federal University of
Pernambuco, Recife, Brazil. Laboratory of Ethnobiology and Ecosystem Conservation (LEAC),
State University of Alagoas, Palmeira dos Índios, Brazil.
d
Laboratory of Ecology and Evolution of Socioecological Systems (LEA), Federal University of
Pernambuco, Recife, Brazil.
*Correspondence
authors:
*E-mails:
EMCS
(elidamoniquecs@outlook.com),
PMM
(patricia.medeiros@ceca.ufal.br)
Adress: Rio Largo, AL, CEP: 57100-000, Brazil.

Declarations of interest:
none
Implications for gastronomy
The three wild plants presented in this research have the potential to popularize their
derived products. If successful, popularization strategies based on these gastronomic mixtures
and terminological associations can contribute to increasing the diversification of food systems.
The use of WFP presents itself as an alternative for the food of the future, as it encompasses
quality of life, food and nutritional security, and safeguards the biocultural conservation of these
species.

125

Highlights
● Wild food plants (WFP) are strategic for diversifying the human diet.
● WFP-based products are more accepted when mixed with conventional plants in a
Brazilian context.
● The terminological association of a WFP with a conventional plant do not influence food
expectation and acceptance.
● Terminological clues about forest origin negatively influence taste expectations for
neophobic people.
● In a Brazilian context, older, male, higher-educated, higher-income, and non-neophobic
individuals have better evaluations of foods with WFP.

Abstract: When associated with sustainable management strategies, Wild food plants (WFP)
have great potential to increase the income of local populations and diversify food systems.
However, in the urban Brazilian context, most of these plants are still unknown or underutilized.
This research aimed to identify biases in the acceptance of WFP-based food products. For this
purpose, we conducted two experiments on expectation and sensory evaluation. In the first, we
prepared juices and sweet coconut (cocadas) from both WFPs and conventional plant products,
and tested whether the mixture of WFP + conventional plant creates greater expectation and
acceptance by the consumer than products made only with WFP. We also identified the
socioeconomic factors that influence expectation and acceptance. In the second experiment, we
prepared juices with wild plants (cambuí and araçá) and conventional plants (acerola and guava),
and tested whether the terminological association of WFP with conventional plants and
terminological clues about forest origin influence the expectation and acceptance of the products.
Our results indicate that gastronomic mixtures act as a barrier breaker for food neophobia and
provide consumers with greater familiarity with the food, increasing the chances of incorporating
WFP into the human diet. In general, older individuals, men, those with higher education and
income, and non-neophobic individuals gave better ratings for expectation and acceptance of
WFP-based foods. The terminological association with forest origin did not interfere with
expectation and acceptance, but there was a negative influence of the indication of forest origin
on flavor expectation for the neophobic group. The association with a conventional plant did not
influence the expectation and acceptance of the products.
Keywords: Biocultural Conservation; Sensory-liking; Food appropriateness; Novel Foods;
Sensory Analysis; Wild Edible Plants.
1 Introduction
Wild Food Plants (WFPs) have demonstrated potential in enhancing the human diet
worldwide (Ding et al., 2021; Durigon et al., 2023; Gomes et al., 2020; Kinupp & Lorenzi, 2014),
with documented use in various indigenous and traditional communities (Bhattarai et al., 2009;

126

Hadjichambis et al., 2008; Kujawska & Łuczaj, 2015; Mujuru et al., 2020; Suwardi et al., 2020).
Their consumption is associated with health benefits, food security, and environmental
advantages, given their high potential for implementation in sustainable agroecosystem contexts
(Bundela et al., 2023; Singh et al., 2022), particularly in megadiverse countries such as Brazil.
However, despite Brazil's mega-biodiversity (MYERS et al., 2000; OLIVEIRA et al.,
2012), its potential for wild food plant-based utilization remains relatively underexplored, and the
production chains for some WFPs are still small and local (GOMES et al., 2020), primarily
focusing on selling fruits in natura. Nonetheless, WFPs emerge as a viable alternative to
implementing human nutrition and providing income for gatherers through their popularization.
Especially in urban areas, food homogenization and the increasing demand for
industrialized foods hinder the popularization of WFPs, resulting in a less diverse diet and limited
knowledge and use of these plants (Gomes et al., 2020; Ladio & Lozada, 2004; Reyes-garcía et
al., 2005). We face a challenge in expanding the consumption of WFPs and their derivatives,
which is consumer acceptance, as many are unfamiliar with these plants. Moreover, the
popularization of WFPs needs to align with species conservation, from a biocultural conservation
perspective. This involves preserving not only the resources themselves, such as plants, animals,
or microorganisms but also an entire body of knowledge and practices associated with these
resources. Biocultural conservation recognizes the existing connections between people and
natural resources, considering a revival of customs and traditions (MCCARTER et al., 2018),
valuing local knowledge and sustainable development. Thus, popularizing within this approach
can serve as a tool to address the simultaneous global loss of biological and cultural diversity
(GAVIN et al., 2015b; NEMOGÁ, 2016). In this regard, economically and culturally valuing
WFPs can be an important way to sustain populations of these species, reducing deforestation
pressures on them, as posited by the conservation through commercialization hypothesis
(EVANS, 1993b).
To overcome this consumption challenge, it is necessary to understand the best ways to
introduce new or underused products to consumers. There is extensive literature on novel foods,
underused foods and novel combinations that can provide insights into possible influences on
WFPs' consumption (GRAHL et al., 2018; BLACKMORE; HIDRIO; YEOMANS, 2021;
MICHEL; HARTMANN; SIEGRIST, 2021).
For example, associating a product with its origin or production process can influence the
consumer's perception of the food, affecting its attractiveness and evaluation (Ekelund et al.,
2007; Lu et al., 2016; Realini et al., 2013). The association through gastronomic mixtures has
also shown to be a promising way of introducing a novel ingredient, considering that it brings
greater familiarity to consumers (GRAHL et al., 2018).
The acceptance of novel foods is also influenced by a complex interaction between
different attributes, such as the socioeconomic profile of consumers and food neophobia. More
neophobic individuals are more likely not to appreciate products with descriptive labels
representing – or products made with – unconventional foods (Barbosa et al., 2021; Tan et al.,
2016; Torri et al., 2020). Therefore, food neophobia – the reluctance of trying novel foods
(PLINER; HOBDEN, 1992) – is one of the factors influencing consumer expectations and poses
a barrier to the inclusion of novel foods in the human diet (MAZON et al., 2020). It happens
because consumer interest in a novel food begins before tasting (BLACKMORE; HIDRIO;
YEOMANS, 2021), as our brains create expectations based on associations with previously
consumed foods (BARSICS et al., 2017). Therefore, all intrinsic and extrinsic characteristics of

127

the product induce flavor perception, and expectation can modulate these perceptions
(BLACKMORE; HIDRIO; YEOMANS, 2021), positively or negatively influencing product
acceptance (Onwezen et al., 2019; Petit et al., 2015).
In certain regions or communities, people with lower income are more familiar with
regional foods, including WFPs (DELANG, 2006; SHACKLETON; SHACKLETON, 2006).
However, in a sensory context, they may establish barriers when the regional food is unknown
(FLIGHT; LEPPARD; COX, 2003). Additionally, younger individuals are generally more open
to trying unconventional foods, such as insects or jellyfish (Kouřimská et al., 2020; Torri et al.,
2020). Education is also a relevant factor, as individuals with higher educational levels tend to be
more willing to try "the new," as the school environment can provide some form of previous
knowledge, for example (BARBOSA et al., 2021). Regarding gender, there is still no unique
pattern in the literature regarding the acceptance of novel foods (Chriki et al., 2021; Padulo et al.,
2017; Predieri et al., 2020; Torri et al., 2020).
Despite the extensive literature on the role of extrinsic cues in shaping food expectations
and acceptance, there remains a dearth of efforts aimed at understanding influential factors in the
specific context of Wild Food Plants (WFPs). Consequently, we will assess the role of some of
the aforementioned factors (gastronomic mixtures, food neophobia, and socioeconomic factors)
in shaping WFP expectations and acceptance. Additionally, we will explore the impact of other
less studied variables, such as the terminological association of WFPs with conventional products
and their association with forest environments.
In the first case, we expect that labeling a WFP with a name resembling a conventional
product may enhance familiarity, thereby increasing food expectations and acceptance. In other
contexts, the nomenclature of a food product has been demonstrated to exert a significant
influence (Irmak et al., 2011).
The existing literature does not explicitly address terminological cues related to forest
environments and their influence on the acceptance of new products. Nonetheless, we posit that
in societies deeply rooted in agriculture, environments perceived as food suppliers are typically
associated with cultivation. Therefore, labeling a product as originating from the forest may
engender negative expectations, particularly among more neophobic consumers.
We identified biases in acceptance and ways to valorize products based on WFPs. For this
purpose, we used plants with economic potential but still little known and used in human food,
especially by the urban population (Coradin et al., 2018; Gomes et al., 2020). We aimed to
answer the question: What is the best way to present a new food product to consumers? And we
tested the hypotheses described in Chart 1 and their respective predictions.

128

Chart 1. Hypotheses and predictions tested.
Hypotheses*

Predictions

H1: The gastronomic association of ● Products made from the mixture of WFP with
Myrciaria floribunda with a known plant conventional plants: P1) have higher taste
implies higher consumer acceptance than expectations;
P2)
have
higher
food
when presented alone.
appropriateness; and P3) receive higher overall
impressions compared to products based only on
WFPs.
H2: Consumers’ age influences WFP ● Younger individuals: P1) have higher taste
expectations and acceptance.
expectations;
P2)
have
higher
food
appropriateness; and P3) give higher overall
impressions for WFPs.
H3:
Consumers’
education
level ● Individuals with higher education levels: P1)
influences WFP expectations and have higher taste expectations; P2) have higher
acceptance.
food appropriateness; and P3) give higher
overall impressions for WFPs.
H4: Consumers’ income influences WFP ● Individuals with higher income: P1) have
expectations and acceptance.
higher taste expectations; P2) have higher food
appropriateness; and P3) give higher overall
impressions for WFPs.
H5: The terminological association of M. ● WFP products labelled with a conventional
floribunda and Psidium guineense with plant name accompanied by a random suffix (in
conventional plants implies higher this case, "jasmine"): P1) have higher taste
consumer acceptance than when presented expectations;
P2)
have
higher
food
alone.
appropriateness; and P3) receive higher overall
impressions compared to products with the
original WFP names.
H6: The terminological association of a ● WFP products with a conventional plant name
WFP with forest environments negatively accompanied by the suffix "forest": P1) have
influences its acceptance.
lower taste expectations; P2) have lower food
appropriateness; and P3) receive lower overall
impressions compared to products with the
random suffix "jasmine".
*Due to a lack of consensus regarding gender and the acceptability of novel foods, this assessment was exploratory.

2 Methodology
2.1 Ethical and legal aspects
This research was approved by the Ethics Committee for Research with Human Subjects
at the Federal University of Alagoas (CAAE 39956320.3.0000.5013 – sensory evaluation – and
CAAE 09805618.1.0000.5013 – expectation). Participants signed the Informed Consent Form
(ICF).

129

2.2 Products preparation
For the sensory evaluations in both experiments, we prepared juices and sweet coconuts
(cocada, in portuguese) with conventional and wild food plants. All products contained the same
ingredients: water, sugar, and fruit, following the same proportion. The recipes can be verified in
the Appendix A. Each research participant, in both experiments, received the products in the
same quantities: 25 ml for juice and one unit weighing 10 g for coconut sweets. For the
understanding of all readers, sweet coconut is a traditional Brazilian sweet in which the main
base is sugar and coconut. There are some variations of this sweet with the addition of other
ingredients, but here, we use the basic ingredients as a basis.
2.3 General procedures for experiments 1 and 2
We conducted two sensory evaluation experiments. The first took place at public fairs and
educational institutions in the state capital of Maceió (state of Alagoas, NE Brazil) and its
metropolitan region (municipalities of Rio Largo and Marechal Deodoro). It involved 200
participants (untrained tasters) aged between 18 and 70 years (59% female). The second
experiment was conducted at educational institutions in Maceió and the metropolitan region
(municipality of Satuba), with 210 participants (untrained tasters) aged between 18 and 65 years
(61.43% female). It is essential to note that in this research, considering the total sample (410
participants), some individuals identified their gender as non-binary and agender. However, this
only occurred in experiment 2. For this reason, we chose to continue using this terminology
(gender instead of sex) for the overall context of the research. Further details about the
participants' socioeconomic profile are outlined in the Appendix B. In both experiments, we
assessed appropriateness expectation, taste expectation, and product acceptance after
consumption. The audience for both experiments was chosen for convenience, considering that
universities and school environments are where our research group has easy access. At the same
time, our research group also conducts ethnobiological work of other natures at local fairs.
Tastings took place in suitable spaces, and they did not disrupt the flow of people in the
environment, ensuring good communication between the taster and the test administrator.
Participants were asked about dietary restrictions or food allergies, informed about the informed
consent form, and invited to sign the document. Individuals with diabetes or a diagnosis of prediabetes could not participate in the research.
At the beginning of both tests, participants were instructed not to consume the products,
focusing solely on their appropriateness and taste expectations. They were also asked about the
time of their last meal, ensuring they could participate in the test if they had consumed food more
than two hours ago, to prevent either a lack of appetite or excessive hunger from interfering with
the results. All the products were served at room temperature to prevent any impact on taste bud
sensitivity (TEIXEIRA, 2009). Participants were instructed to eat unsalted crackers or drink a bit
of mineral water before tasting and between sampled products to remove any residual taste and
prevent sensory fatigue (WATTS et al., 1989; VAN STOKKOM et al., 2018). Additionally, they
also answered basic questions about age, gender, education, and income to identify factors
influencing food evaluations.

130

A Likert scale structured on nine points was used to obtain consumer responses regarding
product expectations (1 – least appropriate/least tasty; 9 – most appropriate/most tasty). Likert
scales are usually structured in odd numbers, so that there are always statements/phrases aimed at
a better evaluation, others aimed at a poor evaluation, and a neutral/central one. Likert scales are
generally used for opinions and attitudes based on the degree of agreement or disagreement about
the product (LAWLESS; HEYMANN, 2010). For post-tasting evaluations, we used assessment
sheets for the criteria: taste, texture, smell, color, and overall impression, according to the ninepoint hedonic scale, ranging from 1 (disliked extremely) to 9 (liked extremely) (LAWLESS;
HEYMANN, 2010). To ensure comprehensibility for all participants, we developed a mixed scale
composed of numbers, text, and images (Figure 1). For those participants with doubts about scale
comprehension, we displayed the drawing, and the participant indicated the expression
representing their response. The questionnaire templates used in both experiments can be viewed
in Appendix C.

Figure 1. Mixed-scale accessible to participants.
Prepared by: Victor Hugo Pinheiro de Brito (2023).

Food neophobia was assessed following Pliner and Hobden's (1992) scale, consisting of
10 statements with structured responses on a 7-point Likert scale. To calculate food neophobia,
we reversed the order of the reverse-scored items (marked with an asterisk in Appendix C) before
the calculation. Thus, when participants provided a score of 1, it was converted to 7; responses
like 2 were changed to 6, and so forth. The literature suggests classification into three categories
regarding the level of food neophobia: neophilic (< 27), neutrals (between 28 and 40), and
neophobic (> 41) (FALCIGLIA et al., 2000). Based on an adaptation of these authors, we
classified the participants in this study as neophobic (score greater than 41) and non-neophobic
(score less than or equal to 40) – the latter referring to what the above-mentioned authors divide
into neophilic and neutrals. We emphasize that the food neophobia scale by Plinner and Hobden
(1992), which we used in this work, is the most common in neophobia articles. Although some
authors have simplified this scale to seven points, we prefer to use the full scale. Since the
authors performed some reliability tests of the scale measured in three different samples and
observed that the FNS has satisfactory reliability and internal consistency.

131

2.4 Experiment 1 – Does the combination of wild food plants and conventional plants
enhance expectations and acceptance compared to products based solely on wild food
plants?
To test H1, all products were served in identical packages labeled with an alphanumeric
code to ensure that tasters could not identify the contents. All volunteers tasted all the products: 1
- Cambui juice (SC427); 2 - Conventional fruit juice (acerola); 3 - Mixed juice (cambuí +
acerola) (SM854); 4 - Conventional sweet coconut (CC296); 5 - Piaçava sweet coconut (CP351);
and 6 - Mixed sweet coconut (conventional + piaçava coconut) (CM639). Additionally, each
person tasted the products in a specific order, determined through a random draw in R (Appendix
D).
2.4.1 Data Analysis
To examine the impact of the product's nature (with the categories ‘conventional plant’,
‘wild plant’ and ‘mixture’) – explanatory variables – on the variables ‘food appropriateness’,
‘taste expectation’ and ‘overall impression’ of wild food plants (dependent variables) (H1), we
applied three CLMMs (Cumulative Link Mixed Models): one to assess the impact of the
product's nature on food appropriateness, another for taste expectation, and a third for the overall
impression. All models included a random effect for the participant to capture the dependence of
observations within individuals. The 'mixture' category served as the reference in the models,
enabling comparison with the categories 'wild plant only' and 'conventional plant only.'
We also used CLMMs to explore the influence of socioeconomic variables (gender, age,
education, and monthly family income), considered as explanatory variables, on the dependent
variables ‘food appropriateness’, ‘taste expectation’ and ‘overall impression’ of wild food plants
(H2, H3, and H4). Socioeconomic variables were ordered as follows: responses indicating male
gender were treated as 1, and responses indicating female gender were treated as 0. For
education, we ordered from 1 to 8 as follows: no education, incomplete elementary school,
complete elementary school, incomplete high school, complete high school, incomplete higher
education, complete higher education, and postgraduate. For income, we ordered similarly from 1
to 4: less than one minimum wage, between 1 and 3 minimum wages, between 4 and 6 minimum
wages, and more than 6 minimum wages. This analysis was conducted solely for products made
exclusively with wild food plants, without mixture (piaçava sweet coconut and cambuí Juice) or
products with only conventional plants, considering that our interest was to identify the factors
that interfere with the acceptance of products with wild plants. No autocorrelation (Spearman's rs
< 0.8) was identified among the explanatory variables, allowing all of them to remain in the
model.
Three models were adjusted: one to assess the influence of socioeconomic variables on
taste appropriateness, another for taste expectation, and a third for the overall impression. All
models included a random effect for the participant to capture the dependence of observations
within individuals. The influence of socioeconomic variables was tested only with data from
experiment 1 because, as the second experiment (described below) consisted of providing
different labels to the products, this could introduce bias into the results. In all tests (H1, H2, H3,

132

and H4), models were adjusted for each sample group (general, non-neophobic, and neophobic),
resulting in a total of nine models for each hypothesis test. The sample size for each participant
group was as follows: general (n = 200), filtered for non-neophobic (n = 150), and neophobics (n
= 50).

2.5 Experiment 2: Do terminological associations of wild plants with conventional plants
and associations with the place of origin influence product expectations and
acceptance?
To assess whether the terminological association of a WFP with a known plant implies
greater consumer expectations and acceptance than when presented with its original name and to
test whether associating a fruit with forest environments negatively influences the acceptance of
these products, the 210 volunteers were divided into three groups (A, B, and C) (Figure 2), with
each group consisting of 70 untrained tasters. Half of them (35 for each group) tasted cambuí
(WFP) and acerola (conventional) juices, and the other half tasted araçá (WFP) and guava
(conventional) juice.
The participants tasted the juices (two each) in a predetermined order through a random
draw conducted in R (Appendix D). The first product tasted was always the juice of a
conventionally known fruit, allowing participants to have a benchmark for the second product's
(wild fruit) evaluation.
The conventional juices were presented for all the tasters with their original names.
Concerning the WFP-based juices, a third tasted the products with their original names, a third
tasted them with names associated with a conventional fruit + the suffix ‘jasmim’ (meaning
jasmine, a term as neutral as possible), for example ‘goiaba-jasmim’ (‘guava-jasmine’), and the
last third tasted them with names associated with a conventional fruit + the suffix ‘da mata
(meaning from the forest), for example ‘goiaba da mata’ (‘forest guava’).

133

Figure 2. Division scheme of tasting groups for each product in Experiment 2. WFP = Wild Food
Plants. Image prepared in Canva free version.

2.5.1 Data Analysis
To assess the influence of associating the WFP product name with a known plant and to
test the impact of associating a product with forest environments, we considered the assigned
names as explanatory variables. We fitted three sets of Cumulative Link Models (CLMs): one to
assess the influence of product names on food appropriateness, another for taste expectation, and
a third for overall impression. Each group, in both hypotheses, had a general sample size (n =
210) and a filtered sample size among non-neophobic (n = 157) and neophobics (n = 53). In this
test, only scores for products made with wild plants were included because our intention was to
analyze acceptance based on the names used for this group of plants. Therefore, it was
unnecessary to include conventional plants, as they are already known to consumers. Products
with ‘conventional name’ plus the suffix ‘jasmine’ were used as the reference category in all
models of this test, compared to ‘wild plant original name’ and ‘conventional name’ plus ‘forest’.
All tests in both Experiment 1 and Experiment 2 were conducted in the R environment version
4.2.3. (R CORE TEAM, 2021), using the ‘ordinal’ package (CHRISTENSEN, 2022).

134

3 Results
3.1. Overall means of expectation and sensory evaluation
In general, in Experiment 1, products made only with WFPs received the lowest ratings
for all analyzed attributes. The standard deviation also indicates that these products exhibited
more heterogeneous responses when compared to mixed and conventional juices and sweet
coconuts (Table 1 and Figure 3A in Appendix E). The three types of juice differed statistically
(Kruskal-Wallis p < 0.001) in all attributes (Figure 3B and Table 2 in Appendix E; and Table 3 in
Appendix F). As for the three types of sweet coconut, the results varied. For food
appropriateness, there was no difference between any of the products (p > 0.05), but the
conventional sweet coconut showed a significant difference compared to the piaçava sweet
coconut (p = 0.002412) (Figure 3C in Appendix E and Table 3 in Appendix F). And there was
also no difference in smell between the conventional sweet coconut and the mixed sweet coconut.
The mixed sweet coconut did not differ from the conventional one or the WFP-based sweet
coconut regarding taste expectation (see Figure 3C in Appendix E). The other attributes showed
significant differences between the products, with p < 0.001. In Experiment 2, cambuí juice
named by its own name received the lowest ratings but with results that did not statistically differ
from products whose name was associated with its origin "forest" or the term "jasmine" (p >
0.05). The same occurred for the araçá juice (see Figures 3D and 3E in Appendix E; and Table 4
in Appendix F).
3.2 Experiment 1
Products made only with conventional plants were better evaluated than products made from
mixtures of conventional plants with WFPs. And the gastronomic mixtures of WFPs with
conventional plants are better rated by the general public than products containing only WFPs,
but this doesn't hold true for neophobics. In the case of food appropriateness and taste
expectation, neophobic individuals showed no differences in evaluation between mixtures and
wild plants. Only between mixtures and conventional products (Table 5 in Appendix G and
Figure 4 in Chart 2). Additionally, socioeconomic characteristics influence the expectation and
acceptance of WFP products differently (Table 6 in Appendix G and Figure 4 in Chart 2).

135

Chart 2. Results of hypothesis tests 1, 2, 3 and 4, and their respective predictions.
Hypotheses:
Corroborated
(C); Falsified (F)
I–C
II – F
III – F

Predictions:
Supported (S);
Not Supported (NS)
P1 – S
P2 – S
P3 – S
P1 – NS
P2 – NS
P3 – NS
P1 – NS
P2 – S
P3 – S
P1 – NS
P2 – S
P3 – S

IV – F

Figure 4. Graphical summary of experiment 1 results.

3.3 Experiment 2
Using the term "forest" in the product name generates lower taste expectations among
neophobic individuals (Chart 3 and Table 7 in Appendix G).
Chart 3. Results of hypothesis tests 5 and 6, and their respective predictions.
Hypotheses:
Predictions:
Corroborated (C);
Supported (S);
Observations
Falsified (F)
Not Supported (NS)

V–F

P1 – NS
P2 – NS
P3 – NS

VI – F

P1 – NS
P2 – NS
P3 – NS

Considering the general public, there was no
difference for any attribute (food appropriateness,
taste expectation, and overall impression after
tasting) between the products offered as ‘forest
acerola/forest guava’ and ‘acerola-jasmime/guavajasmine’, nor between the products offered with
their own name (cambuí/araçá) and ‘acerolajasmime/guava-jasmime’ (see Appendix G).

Additionally, among the other models created, there was a significant difference only for
the filtered data including more neophobic individuals and in the case for taste expectation (p =
0.0305). In such case, products associated with forest environment had lower scores than those
associated with the term ‘jasmine’ (see Appendix G).

136

4 Discussion
4.1 What are the biases in the acceptance of wild food plants in the human diet?
Our study investigated biases in the acceptance of WFP-based food products, considering
analyses involving socioeconomic factors, food neophobia, gastronomic mixtures, and
terminological associations. It is worth mentioning that all our hypotheses and predictions were
conceived considering our general public, not thinking of groups separately. However, it is
important to present the information separately for neophobic and non-neophobic individuals, as
it may be useful for marketing strategies. Our results confirm that the gastronomic association of
M. floribunda (cambuí) with a known plant increases consumer acceptance. Consumers have
higher expectations for products made with conventional plants, followed by products that mix
conventional and wild food plants, and finally, products made only with wild food plants. This
was expected, as unknown products tend to receive less favorable evaluations, especially
regarding taste, because people do not yet know what to expect from that product (TUORILA;
HARTMANN, 2020). Therefore, there is a tendency for the product to be better evaluated when
people like a similar product (PLINER; PELCHAT; GRABSKI, 1993), making familiarity a
predictive factor in the acceptability of novel foods. Gastronomic association raises expectations
and, possibly, the acceptance of novel foods (Grahl et al., 2018; Michel et al., 2021). Thus, from
the first contact between the consumer and the new product, expectation plays a crucial role in
individual behavior and the decision to try or buy the product (OLABI et al., 2015).
In addition to familiarity and food neophobia, socioeconomic characteristics influence
evaluations of WFP-based products in different ways. Our results, considering a Brazilian urban
context, indicate that men tend to give higher ratings in the overall impression of these foods,
corroborating with previous studies focusing on unconventional foods in different places around
the world (Gómez-Luciano et al., 2019; Ros-Baró et al., 2022; Torri et al., 2020). Previous
research in different countries shows divergent results, with women rating new foods better
(Chriki et al., 2021; Predieri et al., 2020), or no gender difference in acceptability, such as for
insect-based cookies (LUCCHESE-CHEUNG et al., 2021). Nevertheless, our findings have
implications for marketing strategies aiming to popularize WFP-based products.
Our findings suggest that individuals who are older, possess higher education, and have
higher income levels tend to provide more positive ratings for WFP-based foods and find them
more suitable for consumption. Additionally, older individuals also have more positive taste
expectations regarding WFPs. This contradicts the findings of Torri et al. (2020), who identified
that as people age, taste and food appropriateness decrease. Generally, older individuals are more
conservative regarding new foods, with a tendency for neophobia to increase in old age,
influencing low consumption of novel foods (TUORILA et al., 2001). Indeed, what may justify
our results is that older individuals have had contact with a greater diversity of plant species
throughout their lives (Albuquerque et al., 2011; Suwardi et al., 2020). Therefore, since our
products involve foods with fruit-bearing species, older consumers may be more knowledgeable
and familiar than the younger generation. These plants may have already been used by
generations before us, but due to the erosion of local knowledge, they ended up falling into disuse
and being forgotten by the new generation. This also depends heavily on the cultural context in
which consumers are embedded. In a different cultural context, for example, in areas with a

137

predominance of ethnic food, younger individuals may evaluate and accept unconventional foods
better (LAUREATI et al., 2016).
The fact that individuals with higher income rated the foods more positively, both in
expectation and after tasting the products, generally occurs because these individuals are more
likely to be exposed to a variety of foods throughout their lives. For example, they have greater
financial means to travel and explore the cuisine of different cultures, making them more familiar
with the culinary practices of various regions. On the other hand, low-income individuals are
inclined to consume what is most affordable for them, especially in terms of cost-effectiveness
(PUDDEPHATT et al., 2020). In this study, participants had higher food appropriateness and
overall impression of WFP-based products as their level of education increased, aligning with
Torri et al. (2020) and Siddiqui et al. (2022). This may be explained by the fact that exposure in a
university educational environment also generates previous knowledge, positively impacting the
acceptance of these products (BARBOSA et al., 2021). Additionally, the literature indicates that a
higher level of education is directly related to lower levels of food neophobia (RABADÁN;
BERNABÉU, 2021).
As expected, products labeled with their origin as "forest" generated lower taste
expectations among individuals with higher food neophobia. Although the term "forest" did not
impact the overall acceptance of these products, our results are relevant because, in practice,
before tasting a particular product, consumers must show interest in it (BLACKMORE; HIDRIO;
YEOMANS, 2021). This interest relies on the expectations created about the product and,
consequently, on food preference (FERNQVIST; EKELUND, 2014). The perception of visual
and olfactory cues of food directly influences expectations (YEOMANS et al., 2008), and
individuals with higher food neophobia tend to be wary of foods that do not meet expectations in
terms of production or food origin, judging the novel food as less suitable for consumption or less
tasty (REALINI et al., 2013). Considering that taste is one of the main factors influencing food
choices (Coulthard et al., 2022; García-Segovia et al., 2020; Olabi et al., 2015; Tan et al., 2016),
for the more neophobic segment of the population, the association with the term "forest" may
lead to greater disinterest, as they may associate it with inferior quality or less tasty products.
4.2 Implications for the popularization of WFPs
Understanding the influence of expectation on the intention to try a novel food is the first
step to be taken when considering the introduction of novel foods to consumers. To taste the
food, the consumer needs to develop an interest in it. They then form expectations about the
product and will only try it if those expectations are positive. If the created expectations are low,
the person may not even try the food. Therefore, it is crucial to understand what influences the
consumer's expectation regarding a product with WFPs. In this sense, our results provide
essential insights for deciding the paths to take in popularizing wild plants. In terms of
popularization strategies and ways to value WFPs-based products, our results show that one way
to incorporate them into human diet is through gradual introduction and familiar preparations
associated with some already known food This gradual introduction through mixtures with
conventional foods, repeated exposure, or even preparations whose new food is not visible to
consumers, allows people to gradually become accustomed to the flavor of the novel food and
perceive it as familiar. As a result, they may consume it in greater quantities and more frequently,

138

breaking one of the main barriers to the consumption of novel foods: food neophobia, as
suggested by some researchers (ver Grahl et al., 2018; Martins et al., 1997; Michel et al., 2021;
Tan et al., 2016; Cicatiello et al., 2020).
Incorporating new dietary habits through terminological attribution is an interesting
approach when compared to attempts at nutritional education, for example. Similar to cases of
healthy eating habits, the association of conventional names with names that evoke pleasure has
shown positive effects on eating behavior (KRONROD et al., 2021). Although terminological
associations may vary culturally, they offer a more accessible and widely applicable alternative to
instigate dietary habit changes (GAVRIELI et al., 2022). In our study, these terminological
associations did not show influences on the expectation and acceptability of the products.
However, there are examples, such as pink peppercorn (Schinus terebinthifolia), where this
strategy worked well. Nevertheless, the effectiveness of terminological associations may depend
on the context and consumer profile. Perhaps terminological association is only effective when
the consumer can truly find some meaning in it. Therefore, further studies are needed to
determine when and for whom this approach is effective. Considering a potential introduction to
the market, using the original names of WFPs may be maintained, thus preserving the cultural
appreciation of these plants.
In our results, we observed a difference in taste expectation only for the neophobic
consumer group when using the term "forest" compared to the term "jasmine". In this regard, it is
necessary to implement strategies to demystify the idea that some consumers may have that forest
environments do not provide food. However, for the general public, this difference was not
observed, suggesting that the terminological association "forest" can be adopted for all
consumers, even if we cannot effectively distinguish neophobic from non-neophobic consumers.
Although the term "forest" may lead some consumers to associate the product with a bad taste or
less suitability for consumption, perhaps having the name of a conventional plant associated with
it had a better effect. This association can raise people's expectations about the product,
encouraging more individuals to try it. Thus, terminological association can be explored as a
complement to the traditional names of WFPs, not as a replacement for the original names, and
can be implemented through product marketing.
However, further studies are needed to understand other biases in the use of WFPs in
different regions of Brazil and worldwide. This includes the role of gender in WFP consumption
to comprehend the underlying factors influencing consumption intent, especially in urban
contexts, aiming for popularization. According to Russo et al. (2020), gender differences should
be taken into account in the planning of marketing and communication strategies, such as label
design for specific groups. To attract a younger public, various strategies can be employed. In
order to enhance previous knowledge, teachers can share information and disseminate knowledge
about wild plants and their nutritional, ecological, and social importance in classrooms,
increasing students' familiarity with WFPs, as observed by Barbosa et al. (2021). Additionally,
since almost all young people are now immersed in the digital world, effective marketing
strategies can leverage various social media platforms to share information about WFP-based
products and reach a broader audience. Considering attractive labels and packaging, investing in
promotion, and offering free tastings can be highly beneficial.
Especially in urban areas, the popularization faces significant challenges,
multidisciplinary scientific research is key to mitigating these barriers by identifying the factors
affecting the consumption of WFPs (SANTOS et al., 2020). According to Santos et al. (2020),

139

beyond diversifying diets, popularizing these plants presents an opportunity to improve the
economic situation of local communities. Collaborating with local institutions and organizations,
such as associations or cooperatives, to inform gatherers about biases in the expectation and
acceptance of WFPs and the best ways to present them to a potential consumers distant from this
reality, is a way to contribute to the local economy, notably the income of gatherers. This
collaboration also aids in expanding the current short supply chain. Based on the principles of
biocultural conservation (GAVIN et al., 2015b), popularizing WFPs emerges as an alternative for
sustainable development, preserving traditions related to the management of these plants.
Additionally, involving the local population in conservation and environmental education
projects contributes to maintaining species in their natural environment and perpetuates local
ecological knowledge within the community.
5 Limitations
In sensory evaluation studies using a participant approach method, there is a tendency for
participants to be less neophobic. This is because individuals with potentially higher levels of
neophobia may not be willing to participate or show interest in the research. This is in contrast to
a study in which there was specific recruitment for individuals with higher neophobia levels.
6 Conclusions
Our findings regarding the expectation and acceptance of products made with WFPs show
promising indicators for popularizing these products. Gastronomic mixtures act as a barrier
breaker for food neophobia, fostering greater consumer familiarity with the food and increasing
the chances of integrating WFPs into the human diet. In general, older individuals, men, those
with higher education, and higher income exhibit higher expectations and better acceptance of
WFP-based foods. The association of a WFP with a conventional plant did not influence
expectation and post-consumption results.
The role of gender in WFP dietary choices is not yet clear. Therefore, future research
should include questions aimed at providing insights into predictive factors that act as drivers in
the selection of novel foods. Do women, who are typically the ones preparing meals at home,
exercise more caution with novel foods in terms of potential health risks for their families,
thereby creating lower expectations for WFP products? Furthermore, further studies are needed to
verify if there is a pattern where men rate WFP-based foods more favorably.
We suggest that future studies conduct nutritional assessments for the WFPs used in this
research. These results could strengthen the popularization of these plants and expand their
production chains.
Acknowledgments: We acknowledge the Post Graduation Program in Biological Diversity and
Conservation in the Tropics, at the Federal University of Alagoas, which gave us the opportunity to
develop this research. We would like to thank the members of the Laboratory of Ecology, Conservation
and Biocultural Evolution (LECEB) of the Campus of Agricultural Engineering and Sciences (CECA –
UFAL). We also thank LAG, RWSL, RGC, GMS and RMS for their help in applying the sensory
evaluation tests. We thank VHPB for creating the graphic image of the mixed scale that we used in the
work.

140

Funding Statements: This research was funded by the Brazilian Fund for Biodiversity—FUNBIO and
HUMANIZE [Grants “FUNBIO Conserving the Future”, awarded to EMCS, no. 030/2021], Coordination
for the Improvement of Higher Level Personnel—Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível
Superior/CAPES [Granting a doctoral scholarship to EMCS], the National Council for Scientific and
Technological Development—Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico/CNPq
[PMM, 442810/2016-4 and 302786/2016-3], L’Oreal Brasil (For Women in Science Awards) and L’Oreal
(International Rising Talent Awards).

Author Contributions: EMCS: Conceptualization; Investigation; Methodology, Writing—original draft;
Writing—revision and editing. DLG, RGC, DMB, LFCN, GMCS, and DM: Methodology; Writing—
original draft. RRVS and UPA: Supervision; Writing—review and editing. PMM: Conceptualization;
Formal analysis; Methodology; Supervision; Writing—revision and editing. All authors read and
approved the final manuscript.

Declaration of Generative AI and AI-assisted technologies in the writing process: During the
preparation of this work the author(s) used ChatGPT in order to translate the text of the
manuscript from Portuguese to English language. After using this tool/service, the author(s)
reviewed and edited the content as needed and take(s) full responsibility for the content of the
publication.
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146

Appendices
Appendix A – Recipes of the products used in the sensory evaluation experiments.
Appendix B – Socioeconomic profile of participants by experiment.
Appendix C – Forms (experiments 1 and 2).
Appendix D – Scripts of random drawings for experiments 1 and 2.
Appendix E – General results of experiments 1 and 2.
Appendix F – Table_4_and_5-Results for Dunn's post-hoc with Bonferroni method.
Appendix G – Results of the analyses from experiments 1 and 2.
Figure Captions
Figure 1. Mixed-scale accessible to participants.
Figure 2. Division scheme of tasting groups for each product in Experiment 2. WFP = Wild Food
Plants.
Figure 3. Box plot and Kruskall-Wallis statistics for both experiments. Experiment 1: A) All
products for all participants (n = 200); B) Cambuí (CJ), acerola (AJ), and mixed (MJ) juices (n =
200); C) Piaçava sweet coconut (PSC), conventional sweet coconut (CSC), and mixed sweet
coconut (MSC) (n = 200); Experiment 2: D) Cambuí and acerola juices (n = 105); E) Araçá and
guava juices (n = 105). From boxplot D and E: AJ: acerola juice; FAJ: forest acerola juice; AJJ:
acerola-jasmine juice; CJ: cambuí juice; AJ: araçá juice; GJ: guava juice; FGJ: forest guava juice;
GJJ: guava-jasmine juice.
Figure 4. Graphical summary of experiment 1 results.

147

6 Conclusões gerais
O cambuí é uma espécie frutífera alimentícia que possui potencial econômico
elevado, mas que ainda não é explorado para além dos municípios de ocorrência. No
entanto, alguns pontos merecem maior atenção para que seu extrativismo ocorra de
maneira sustentável. Como vimos, de acordo com a percepção dos extrativistas locais,
a quantidade de indivíduos de cambuí vem diminuindo ao longo de décadas. Mas sua
estrutura populacional está dentro da normalidade do que se espera para que uma
população se mantenha e regenere ao longo do tempo. Tendo em vista que é
expressivamente maior o número de indivíduos jovens quando comparados a indivíduos
adultos (que pode ser também, devido a reprodução clonal). Por outro lado, o fato de os
extrativistas coletarem todo o cambuí dos indivíduos, pode ter implicações diretas a sua
conservação. Já que quase não encontramos plântulas, e entre 6 e 10% do total de
frutos produzido (proveniente daqueles caídos no chão), é deixado como propágulo
para a regeneração da espécie.
Mesmo que o cambuí não seja uma espécie alvo para extrativismo madeireiro –
por vezes poupado devido seu potencial alimentício – a ocorrência e intensificação de
distúrbios antrópicos nas áreas são fatores que implicam na conservação da
biodiversidade como um todo, ameaçando indiretamente a existência do cambuí no
futuro. Além disso, as folhagens do cambuí vêm sendo muitas vezes retiradas para
abafar caieiras dentro da mata, o que acaba comprometendo o desenvolvimento do
indivíduo. Por esse motivo, essa situação merece maior atenção, principalmente pelos
órgãos ambientais vigentes.
A partir dessa conjuntura dos achados quanto à estrutura populacional do
cambuí e as atividades que implicam na disponibilidade dele, alguns pontos devem ser
considerados antes de popularizar essa espécie frutífera. Mas como fazer, de fato, com
que o cambuí seja uma espécie explorada econômica e ambientalmente sustentáveis?
Através da conservação biocultural! Baseados nessa abordagem, que não está
direcionada apenas à conservação do recurso em si, mas sim de todas as práticas e
valores associados a eles, será possível valorizar economicamente uma espécie
silvestre, mantê-las disponíveis no ambiente e valorizar a tradição e cultura local.

148

Há um grande potencial para aumentar o interesse no cambuí a partir de
estratégias de marketing que foquem no papel das pistas extrínsecas. No entanto,
essas estratégias devem vir acompanhadas de planos de manejo sustentável,
considerando o cenário de ameaças identificadas para a espécie. Como forma de
auxiliar na manutenção da espécie no ambiente de natural, ao invés de focar no
alcance de novos consumidores por meio do aumento na coleta de frutos, em um
primeiro momento, o ideal seria beneficiar o cambuí de diferentes formas para contribuir
com a economia local. No entanto, a coleta de frutos deve ser realizada de modo que
não cause danos à estrutura da planta, e que um maior percentual de frutos seja
deixado como propágulo para, além de garantir a perpetuação do cambuí, contribuir
também na diversidade genética da espécie. Além disso, mesmo que existam leis
direcionadas ao manejo na APA, é necessário que haja uma intensificação na
fiscalização para tentar diminuir a ocorrência de queimadas e práticas de
desmatamento.
A partir daí, pode-se pensar em estratégias que contribuam com a popularização
do cambuí. Como ponto inicial, o programa de popularização pode, através de parcerias
no próprio município e municípios vizinhos, onde também tem presença de dessa
espécie, desenvolver produtos que possam ser incluídos na dieta de alunos das escolas
públicas, como sucos, geleias e bolos. Além de enriquecer a alimentação deles com
um produto local, aumentaria a renda dos extrativistas. Posteriormente, como
Piaçabuçu é uma cidade turística aqui no Estado, esses e outros produtos poderiam ser
vendidos em pontos estratégicos de maior fluxo de turistas. Para isso, essas parcerias
poderiam ser formadas com prefeituras, associações e cooperativas. Havendo
fortalecimento desse programa, a comunidade integrante desse estudo pode ser
beneficiada por meio da criação de uma associação ou cooperativa.
Com esse programa inicial sendo bem-sucedido, o próximo passo seria atingir
outros municípios e mercados mais distantes. É nessa etapa que se faz necessária a
criação de estratégias para que os potenciais consumidores passem a consumir o
Cambuí. Como muitas pessoas que não conhecem a fruta não estão familiarizadas com
seu sabor, uma estratégia seria criar produtos à base de misturas de plantas

149

alimentícias silvestres com plantas convencionais. O uso da planta alimentícia
convencional traria uma familiaridade ao consumidor, diminuindo a neofobia alimentar.
Aumentando assim, as chances de aceitação do novo alimento.
Embora nossos resultados não tenham encontrado uma forte associação
terminológica, existem trabalhos que mostram que esse tipo de associação funciona. O
que nos faz perceber que ainda precisamos de muitos trabalhos para tentar identificar
em quais contextos, e com quais grupos de consumidores a associação terminológica
funciona. Talvez essas associações só sejam realmente efetivas se fizerem algum tipo
de sentido para o consumidor. Então, pensando na possibilidade de inserção no
mercado, o próprio nome das PAS poderia ser usado, visto que esse termo não
apresentou influência negativa entre os consumidores de modo geral. Isso contribuiria
para a manutenção da valorização cultural dessas espécies.
No entanto, como para o grupo de consumidores mais neofóbicos o termo
associado a ambientes florestais influenciou negativamente, seria necessário realizar
estratégias para desmistificar que esses ambientes não são fornecedores de alimentos.
Muitas vezes, como as cadeias produtivas dessas PAS são pequenas, os extrativistas
não têm acesso aos novos consumidores. Por esse motivo, é interessante adotar
estratégias que aproximem os extrativistas desses novos potenciais consumidores. Isso
pode ser feito através do marketing e da divulgação, por exemplo.
Podem ser realizadas associações a plantas ou produtos popularmente
conhecidos, por exemplo, em relação ao sabor, aparência ou cheiro. Além disso,
diferentes abordagens de marketing podem ser adotadas visando públicos diferentes.
Por exemplo, para atrair pessoas mais jovens a consumir alimentos com PAS pode ser
útil fazer uso das diversas redes sociais, que atualmente, abrigam milhares de jovens.
Isso também contribui para o combate à erosão do conhecimento sobre plantas
silvestres. Adicionalmente, o conhecimento prévio é um dos principais fatores que
implicam no consumo de alimentos desconhecidos porque as pessoas não sabem se o
produto trará ou não riscos a sua saúde. Nesse sentido, estudos sobre potenciais
nutricionais podem ser bastante úteis. Sendo a divulgação desses produtos um ponto
chave para sua popularização. Essa divulgação pode ser ancorada por projetos de

150

extensão e acontecer através de diversos meios como redes sociais, escolas,
universidades e feiras de exposição. Por exemplo, fazer vídeos e posts para divulgação
científica on-line, degustação grátis tanto dos frutos in natura como de produtos
derivados, em feiras e ambientes escolares, visando aumentar o conhecimento prévio
das pessoas em relação às PAS.
Por fim, muitos estudos ainda precisam ser realizados para que a popularização
do cambuí, bem como de outras PAS, possa ser efetivamente sustentável. Mas nossos
achados até o momento, nos mostram qual caminho percorrer para atingir esse
objetivo. Outros estudos podem focar nas formas de propagação e melhoramento
genético, visando a expansão geográfica e o aumento da produção de frutos e/ou do
rendimento de polpa, contribuindo com o desenvolvimento econômico da região e com
a conservação da espécie. Além disso, precisamos compreender melhor cada
componente da cadeia produtiva do cambuí, para poder determinar a melhor forma de
expandir seu mercado. Então, estudos futuros podem priorizar caracterizar toda a
cadeia, desde os extrativistas até os gestores. Adicionalmente, estudos que envolvam
os agentes dispersores, com foco na fauna que atua nesse processo, serão úteis para
compreender os impactos da atividade extrativista sobre esses animais e o papel
ecológico que eles desempenham nas áreas de ocorrência do cambuí.

151

APÊNDICES

152

Material Suplementar do artigo 1
Recurso Online 1 - Caracterização das áreas 1 e 2
Ambas as áreas compreendem ambiente de restinga, com solo arenoso com maior presença de
matéria orgânica nas parcelas com maior abundância de espécies vegetais e maior quantidade de
serapilheira onde a mata é mais fechada. Em todas as parcelas há presença de cactáceas e espécies vegetais
da mata atlântica. As duas áreas apresentam distúrbios antrópicos, sendo que na área 1 é mais pontual,
mais forte na parcela 5. Já na área 2, os distúrbios ocorrem em todas as parcelas. Na área 1 há uma trilha
que guia boa parte das parcelas lançadas nessa área, pois, os cambuís tendem a estar em maior volume
presentes nesses locais. Na área 2 em outro local na área, há cultivo de coco e de caju. Observamos
presença de gado bovino ao longo das parcelas. Obs.: Os valores de temperatura do ar (ºC), umidade do ar
(%) e temperatura do solo (ºC) aqui apresentados, são referentes as médias das dez subparcelas lançadas
em cada parcela de 50x20 m.
Área Parc.
Descrição
1
Árvores espaçadas, com uma das subparcelas mais adensada e de
difícil acesso dentro dela, devido as espécies vegetais se
encontrarem umas com as outras. Presença de cipós. Luminosidade
direta.
2
Árvores dispersas, com luminosidade intensa e direta. Árvores de
menor porte. Abundância de cambuís jovens.
3
Árvores dispersas, com luminosidade intensa e direta. Árvores de
1
menor porte.
4
Há presença de um cajueiro gigante, provavelmente nativo, que
compreende quase seis subparcelas. Além dele, não há grande
diversidade de espécies. Incidência de luz direta na parte não
compreendida pelo cajueiro.
5
Essa é a área mais adensada, luminosidade completamente indireta,
pois a copa das árvores não permite que a luz atinja diretamente as
plantas mais baixas e o solo. Muita matéria orgânica.
1
Localizada perto de um local que recebe o nome de “brejo”, devido
um rio passar por esse ponto. Adicionalmente o local do brejo
apresenta o solo mais argiloso e com muita matéria orgânica, e a
vegetação é mais tortuosa. A parcela 1 apresenta árvores espaçadas
de porte baixo, médio e alto, e a luminosidade é mais direta ao
solo.
2
Parte da parcela compreende árvores de maiores portes, e em
alguns locais, copa mais adensada, por esse motivo tem maior
conteúdo de serapilheira. Quatro subparcelas sem presença de
2
vegetação arbustiva ou arbórea.
3
Apresentou o maior número de cambuí jovens nessa área,
localizados na parte mais sombreada da parcela. Nela, a
luminosidade era indireta. Próximo a essa parcela, observamos
presença de equinos.
4
Apresenta árvores altas, presença de cipós, com luminosidade
indireta em sua maior parte, devido a copa das árvores.
5
Localizada em uma área mais aberta, com árvores de pequeno
porte e espaçadas.

TAr

UAr

TS

32,52

52,58

30,03

33,97

45,18

32,84

31,29

51,52

31,54

28,98

56,92

28,29

30,51

57,64

26,77

39,01

40,10

30,56

33,12

33,99

40,91

28,92

72,11

25,81

31,00

47,00

26,90

35,50

45,30

28,43

153

Materiais Suplementares do artigo 2
SM2 - Questionnaire model used in the online expectancy tests
Name, Birth data, Gender (Female, Male, Non-binary, Prefer not to say), Schooling (No schooling,
Incomplete elementary school, Complete elementary school, Incomplete high school, Complete high school,
Incomplete higher education, Complete higher education) , Family monthly income (less than one salary, one to
three salaries, four to six salaries, seven to nine salaries, 10 or more salaries)

For the following statements you will give a score between 1 and 7, where 1 is for strongly agree
and 7 is for strongly disagree
Statements
a) I am constantly sampling new and diferente foods. *
Strongly disagree (I never try it) - 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 - (always try) Strongly agree

b) I don't trust new food.
Strongly disagree (I do) - 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 – (I don't trust) Strongly agree

c) If I don’t know what is in a food, I won’t try it
Strongly disagree (I try) - 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 – (I do not try) Strongly agree

d) I like foods from different countries. *
Strongly disagree (I dislike) - 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 – (I like) Strongly agree

e) Ethnic food looks too werid to eat.
Totally disagree (I do) - 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 – (I do not try) Totally agree

f) At dinner parties, I will try a new food. *
Strongly disagree (I would not try) - 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 – (I would try) Strongly agree

g) I am afraid to eat things I have never had before.
Strongly disagree (I am not afraid) - 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 – (I am afraid) Strongly agree

h) I am very particular about the foods I will eat.
Strongly disagree (I am not picky) - 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 – (I am picky) Strongly agree

i) I will eat almost anything.*
Strongly disagree (I do not eat) - 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 – (I eat) Strongly agree

j) I like to try new ethnic restaurants. *
Strongly disagree (I dislike) - 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 – (I like) Strongly agree
*The items marked with asteriscus are considered reverse

Imagine that you are visiting a natural food fair and, in one of the stands, you are invited to try some
products. Please answer the questions below based only on the information provided in this form.
You should not do any research or consult to answer the following questions.

1 – You have been invited to try the juice of [name of fruit] [draw one among 10
conventional fruits, no repetition] [still photo of the plant].
a) Have you ever heard of this fruit? (Yes, No)
b) Have you ever tried this fruit or any derivative (juice, sweet, etc.)? (Yes, No)
c) Would you try the juice of this fruit if you were at this natural products fair? (Yes, No)
d) On a scale of 1 to 7, appropriateness for consumption do you think this juice is?
Not appropriate- 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 – Very appropriate

e) On a scale of 1 to 7, tasty do you think this juice is?

154

Not tasty - 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 – Very tasty

2 – You were invited to try the juice of [name of fruit + suffix "ruby" or suffix "emerald"]
[draw one among 10 conventional fruits, no repetition] randomized picture of the plant, no
repetition]
a) Have you ever heard of this fruit? (Yes, No)
b) Have you ever tried this fruit or any derivative (juice, sweet, etc.)? (Yes, No)
c) Would you try the juice of this fruit if you were at this natural products fair? (Yes, No)
d) On a scale of 1 to 7, appropriateness for consumption do you think this juice is?
Not appropriate- 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 – Very appropriate

e) On a scale of 1 to 7, tasty do you think this juice is?
Not tasty - 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 – Very tasty

3 – You have been invited to try the juice of [name of fruit + suffix "from the woods" or
suffix "from the forest"] [draw one among 10 conventional fruits, no repetition] [randomized
picture of the plant, no repetition]
a) Have you ever heard of this fruit? (Yes, No)
b) Have you ever tried this fruit or any derivative (juice, sweet, etc.)? (Yes, No)
c) Would you try the juice of this fruit if you were at this natural products fair? (Yes, No)
d) On a scale of 1 to 7, appropriateness for consumption do you think this juice is?
Not appropriate- 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 – Very appropriate

e) On a scale of 1 to 7, tasty do you think this juice is?
Not tasty - 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 – Very tasty

4– You have been invited to try the juice of [name of fruit + suffix "from the ranch" or suffix
"from the countryside"] [draw one among 10 conventional fruits, no repetition] [randomized
picture of the plant, no repetition]
a) Have you ever heard of this fruit? (Yes, No)
b) Have you ever tried this fruit or any derivative (juice, sweet, etc.)? (Yes, No)
c) Would you try the juice of this fruit if you were at this natural products fair? (Yes, No)
d) On a scale of 1 to 7, appropriateness for consumption do you think this juice is?
Not appropriate- 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 – Very appropriate

e) On a scale of 1 to 7, tasty do you think this juice is?
Not tasty - 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 – Very tasty

5– Now, for attention checking, you should mark "yes" on the first question, "no" on the
second question, the value "6" on the first scale, and the value "4" on the second scale.
[randomized picture of the plant, no repetition].
a) Have you ever heard of this fruit? (Yes, No)
b) Have you ever tried this fruit or any derivative (juice, sweet, etc.)? (Yes, No)
c) Would you try the juice of this fruit if you were at this natural products fair? (Yes, No)
d) On a scale of 1 to 7, appropriateness for consumption do you think this juice is?
Not appropriate- 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 – Very appropriate

e) On a scale of 1 to 7, tasty do you think this juice is?
Not tasty - 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 – Very tasty

155

6 – You have been invited to try the juice of [name of unconventional fruit] [draw one out of
10 unconventional conventional fruits, no repetition] [randomized picture of the plant, no
repetition].
a) Have you ever heard of this fruit? (Yes, No)
b) Have you ever tried this fruit or any derivative (juice, sweet, etc.)? (Yes, No)
c) Would you try the juice of this fruit if you were at this natural products fair? (Yes, No)
d) On a scale of 1 to 7, appropriateness for consumption do you think this juice is?
Not appropriate- 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 – Very appropriate

e) On a scale of 1 to 7, tasty do you think this juice is?
Not tasty - 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 – Very tasty

156

SM3 - Median and standard error of the result of food neophobia by region, income,
schooling, and gender; median and standard error for taste expectations and
appropriateness expectation by region
Charts – Median and standard error of the result of food neophobia by region, income,
schooling, and gender; median and standard error for taste expectations and
appropriateness expectation by region
Food neophobia
Median Standard error
Regions
Midwest
33
1.67
North East
34
0.72
North
35
1.15
Southeast
33
0.64
South
36
1.11
Gender
Feminine
34
0.55
Masculine
34
0.59
Income
< 1 minimum wage
37
0.87
Between 1 and 3
34
0.53
Between 4 and 6
31
1.11
Between 7 and 9
26
1.81
≥ 10 minimum wages
31
2.12
Schooling Incomplete elementary school
39.5
2.18
Complete elementary school
39
2.07
Incomplete high school
35
1.89
Complete high school
36
0.59
Incomplete higher education
31
0.84
Complete higher education
32
0.85
Appropriateness expectation
Taste expectation
Conventional
WFP
Conventional
WFP
M
NE
N
SE
S

Mn

SE

Mn

SE

Mn

SE

Mn

SE

7
7
7
7
7

0.08
0.08
0.11
0.06
0.12

5
4
4
5
4

0.24
0.12
0.22
0.09
0.16

7
7
7
7
7

0.13
0.1
0.08
0.08
0.13

4
4
4
4
4

0.23
0.12
0.22
0.09
0.15

WFP: Wild food plant; M: Midwest; NE: North East; N: North;
SE: Southeast; S: South; Mn: Median; SE: Standard error.

Appropriateness expectation
Neutral name Forest environment Growing environment
Mn
SE
Mn
SE
Mn
SE
M
6
0.15
6
0.18
7
0.13
NE
6
0.11
6
0.11
7
0.11

157

N
SE
S

6
7
6

0.18
0.08
0.16

6.5
0.18
6
0.2
6
0.08
7
0.07
6
0.14
6
0.16
Taste expectation
Neutral name Forest environment Growing environment
Mn
SE
Mn
SE
Mn
SE
M
6
0.19
6
0.21
7
0.19
NE
6
0.12
5
0.11
7
0.12
N
5
0.22
6
0.2
6
0.24
SE
6
0.09
6
0.09
6
0.09
S
5
0.16
6
0.16
5.5
0.19
M: Midwest; NE: North East; N: North; SE: Southeast; S: South; Mn:
Median; SE: Standard error.

158

SM4 - Stepwise approach test results
Chart - Stepwise approach test results
WFPAp
Gender
Age
Income
Schooling
Neophobia
AIC

WFPTt
0.213130
0.007133

NAp

0.16348
-0.03546
2518.5

0.131631
-0.041766
2453.2

0.08136
-0.04372
2066.0

WFPAp

WFPTt
0.43333
0.02060

NAp

n=724
NTt

FEAp

0.01179

-0.03578
2292.2
n=182
NTt

0.11935
-0.03977
2130.9
FEAp

FETt

GEAp

0.01094

0.01466

GETt
0.30170
0.01922

-0.02859
2332.7

0.15997
-0.05191
1904.0

0.08873
-0.04042
2157.1

GEAp

GETt

FETt
0.44458

Gender
Age
0.01727
Income
0.3038
Schooling
0.29070
0.18359
Neophobia
-0.06633
-0.05973
-0.06731
-0.04409
-0.06272
-0.04754
-0.0846
-0.07893
AIC
617.41
615.13
565.02
608.06
591.02
624.50
553.20
604.33
WFP: Wild Food Plant; N: Neutral; FE: Forest environment; GE: Growing environment; Ap: Appropriateness; Tt: Taste.

159

SM5 - CLM analysis add-nos
Chart - CLM analysis add-nos
n=182

Appropriateness

Taste

Threshold
coefficients

Estimate

1|2
2|3
3|4
4|5
5|6
6|7
1|2
2|3
3|4
4|5
5|6
6|7

Wild food plant
-57.605 0.6659
-8.651 1|2
-50.084 0.6054
-8.273 2|3
-40.790 0.5655
-7.214 3|4
-24.834 0.5154
-4.818 4|5
-15.902 0.4936
-3.222 5|6
-10.144 0.4867
-2.084 6|7
1|2
-39.552 0.6648
-5.949
2|3
-34.308 0.6401
-5.360
3|4
-25.469 0.6108
-4.170
4|5
-0.7372 0.5814
-1.268
5|6
0.3129 0.5846
0.535
0.9521 0.5916
1.609
6|7
Neutral name

1|2
2|3
Appropriateness 3|4
4|5
5|6
6|7
1|2
2|3
Taste

Appropriateness

n=724

3|4
4|5
5|6
6|7
1|2
2|3

Std. Error

z value

Threshold
coefficients

1|2

-61.635 0.7148

-8.622

-59.761 0.6911
-51.561 0.6212
-34.879 0.5524
-25.490 0.5276
-16.170 0.5039

2|3
-8.647
-8.301 3|4
-6.314 4|5
-4.831 5|6
-3.209 6|7

-440.074 0.58471

-7.526

1|2

2|3
-430.795 0.57819
-7.451
-369.283 0.54592
-6.764 3|4
-194.121 0.48864
-3.973 4|5
-104.082 0.47136
-2.208 5|6
-0.09306 0.46880
-0.199 6|7
Forest environment
-500.226 0.88897
-403.189 0.80167

-5.627
-5.029

1|2
2|3

Estimate

Std. Error

z value

-33.309
-27.905
-20.502
-0.5183
0.3026
10.611
-299.354
-248.950
-166.211
0.09485
101.132
163.396

0.3945
0.3827
0.3738
0.3674
0.3671
0.3692
0.41865
0.41070
0.40352
0.39925
0.40179
0.40634

-8.444
-7.292
-5.485
-1.411
0.824
2.874
-7.150
-6.062
-4.119
0.238
2.517
4.021

-50.367

0.4557

-48.058
-40.500
-26.210
-18.033
-0.9565

0.4416
0.4114
0.3870
0.3807
0.3760

-38.578

0.3361

-35.516
-30.755
-17.938
-0.9924
-0.2493

0.3243
0.3113
0.2930
0.2876
0.2853

11.053
10.882
-9.844
-6.773
-4.737
-2.544
11.479
10.951
-9.880
-6.123
-3.451
-0.874

-47.809
-41.311

0.4532
0.4175

10.550
-9.896

160

3|4
4|5
5|6
6|7
Taste

1|2
2|3
3|4
4|5
5|6
6|7

1|2
2|3
3|4
Appropriateness
4|5
5|6
6|7
1|2
2|3
3|4
Taste
4|5
5|6
6|7

-324.960 0.77179
-189.623 0.74753
-105.982 0.74023
-0.04662 0.73304

-4.210
-2.537
-1.432
-0.064

-43.985

0.8609

-5.109

-34.710

0.7901

-4.393

-26.723

0.7628

-3.503

-10.966

0.7413

-1.479

3|4
4|5
5|6
6|7
1|2
2|3
3|4
4|5

5|6
0.7376
-0.484
0.7366
0.858
6|7
Growing environment
-60.835 0.8221
-7.400 1|2
-59.208 0.8074
-7.333 2|3
-52.542 0.7674
-6.847 3|4
-34.560 0.7191
-4.806 4|5
-23.325 0.6942
-3.360 5|6
-12.460 0.6713
-1.856 6|7
1|2
-54.846 0.7151
-7.670
2|3
-52.456 0.6973
-7.523
3|4
-41.924 0.6471
-6.479
4|5
-26.663 0.6044
-4.411
5|6
-16.563 0.5853
-2.830
6|7
-0.6755 0.5744
-1.176

-0.3573
0.6321

-34.467
0.3968
-8.685
-22.609
0.3807
-5.939
-14.252
0.3753
-3.797
-0.6316
0.3719
-1.698
3.869.708 0.346822 11.158
3.414.268 0.326377 10.461
2.769.734 0.308175 -8.988
1.488.840 0.291194 -5.113
0.753995 0.287094 -2.626
0.007891 0.285969 0.028
-46.511
-41.549
-36.460
-21.823
-13.933
-0.5787
-347.765
-304.768
-235.206
-125.035
-0.58302
0.04929

0.5049
0.4749
0.4557
0.4323
0.4270
0.4239
0.45761
0.44366
0.43001
0.42031
0.41771
0.41662

-9.212
-8.748
-8.001
-5.048
-3.263
-1.365
-7.600
-6.869
-5.470
-2.975
-1.396
0.118

161

SM6 – Results of the Kruskal‒Wallis test and Dunn's test to verify the influence of
images on all stimuli
Chart – Results of the Kruskal‒Wallis test and Dunn's test to verify the influence of
images on all stimuli
Photos

n sample

statistic

Valor de p

Valor de p ajustado e com
significância
Ap
Tt

Group 1

Group 2

n1

n2

Ap

Tt

Ap

Tt

acerola.png

hogplum.png

383

368

-0.2631

-0.3909

0.7925

0.6958

1 ns

1 ns

acerola.png

cashew.png

383

371

-0.4853

0.2995

0.6275

0.7645

1 ns

1 ns

acerola.png

guava.png

383

354

0.5371

1.1878

0.5912

0.2349

1 ns

1 ns

acerola.png

soursop.png

383

337

-0.6424

-0.3596

0.5206

0.7191

1 ns

1 ns

acerola.png

orange.png

383

363

0.6591

1.1730

0.5098

0.2408

1 ns

1 ns

acerola.png

apple.png

383

344

-0.6057

-1.1254

0.5447

0.2604

1 ns

1 ns

acerola.png

mango.png

383

368

1.5573

1.6301

0.1194

0.1031

1 ns

1 ns

acerola.png

passionfruit.png

383

372

2.5662

3.1752

0.0103

0.0015

0.462651ns

0.067370ns

acerola.png

melon.png

383

360

-1.2046

-1.8533

0.2284

0.0638

1 ns

1 ns

hogplum.png

cashew.png

368

371

-0.2194

0.6844

0.8263

0.4937

1 ns

1 ns

hogplum.png

guava.png

368

354

0.7899

1.5596

0.4296

0.1188

1 ns

1 ns

hogplum.png

soursop.png

368

337

-0.3816

0.0223

0.7028

0.9822

1 ns

1 ns

hogplum.png

orange.png

368

363

0.9123

1.5473

0.3616

0.1218

1 ns

1 ns

hogplum.png

apple.png

368

344

-0.3438

-0.7341

0.7310

0.4629

1 ns

1 ns

hogplum.png

mango.png

368

368

1.8025

2.0011

0.0715

0.0454

1 ns

1 ns

hogplum.png

passionfruit.png

368

372

2.8021

3.5320

0.0051

0.0004

0.228487ns

0.018561*

hogplum.png

melon.png

368

360

-0.9338

-1.4503

0.3504

0.1470

1 ns

1 ns

cashew.png

guava.png

371

354

1.0088

0.8850

0.3131

0.3762

1 ns

1 ns

cashew.png

soursop.png

371

337

-0.1678

-0.6469

0.8667

0.5177

1 ns

1 ns

cashew.png

orange.png

371

363

1.1328

0.8683

0.2573

0.3852

1 ns

1 ns

cashew.png

apple.png

371

344

-0.1288

-1.4083

0.8975

0.1590

1 ns

1 ns

cashew.png

mango.png

371

368

2.0256

1.3207

0.0428

0.1866

1 ns

1 ns

cashew.png

passionfruit.png

371

372

3.0278

2.8529

0.0025

0.0043

0.110847ns

0.194966ns

cashew.png

melon.png

371

360

-0.7174

-2.1339

0.4731

0.0329

1 ns

1 ns

guava.png

soursop.png

354

337

-1.1507

-1.5035

0.2498

0.1327

1 ns

1 ns

guava.png

orange.png

354

363

0.1162

-0.0221

0.9075

0.9824

1 ns

1 ns

guava.png

apple.png

354

344

-1.1174

-2.2608

0.2638

0.0238

1 ns

1 ns

guava.png

mango.png

354

368

0.9951

0.4220

0.3197

0.6730

1 ns

1 ns

guava.png

passionfruit.png

354

372

1.9826

1.9336

0.0474

0.0532

1 ns

1 ns

guava.png

melon.png

354

360

-1.7104

-2.9876

0.0872

0.0028

1 ns

0.126550ns

soursop.png

orange.png

337

363

1.2725

1.4909

0.2032

0.1360

1 ns

1 ns

soursop.png

apple.png

337

344

0.0389

-0.7402

0.9689

0.4592

1 ns

1 ns

soursop.png

mango.png

337

368

2.1441

1.9344

0.0320

0.0531

1 ns

1 ns

162

soursop.png

passionfruit.png

337

372

3.1220

3.4307

0.0018

0.0006

0.080822ns

0.027089*

soursop.png

melon.png

337

360

-0.5336

-1.4406

0.5936

0.1497

1 ns

1 ns

orange.png

apple.png

363

344

-1.2396

-2.2529

0.2151

0.0243

1 ns

1 ns

orange.png

mango.png

363

368

0.8841

0.4470

0.3767

0.6549

1 ns

1 ns

orange.png

passionfruit.png

363

372

1.8777

1.9684

0.0604

0.0490

1 ns

1 ns

orange.png

melon.png

363

360

-1.8379

-2.9842

0.0661

0.0028

1 ns

0.127935ns

apple.png

mango.png

344

368

2.1157

2.7012

0.0344

0.0069

1 ns

0.310875ns

apple.png

passionfruit.png

344

372

3.0989

4.2077

0.0019

0.0000

0.087398ns

0.001161**

apple.png

melon.png

344

360

-0.5761

-0.6957

0.5646

0.4866

1 ns

1 ns

mango.png

passionfruit.png

368

372

0.9947

1.5255

0.3199

0.1271

1 ns

1 ns

mango.png

melon.png

368

360

-2.7264

-3.4404

0.0064

0.0006

0.288150ns

0.026137*

passionfruit.png melon.png
372
360
-3.7228
-4.9666
0.0002 0.0000 0.008866**
0.000031****
ns: not significant. * p<0.05. ** p<0.01. *** p<0.001; p-value adjusted by the Bonferroni method; Ap:
Appropriateness; Tt: Taste

163

Materiais Suplementares do artigo 3
Appendix A: Recipes of the products used in the sensory evaluation experiments.
Chart - Recipes of the products used in the sensory evaluation experiments.
Experiment

1

2

Product
Cambuí
juice
(Myrciaria
floribunda)
Acerola
juice
(Malpighia
emarginata)
Mixed juice (with
cambuí
and
acerola)
Piaçava
Sweet
cononut
(Attalea
funifera)
Conventional Sweet
coconut
(Cocos
nucifera)
Mixed
sweet
coconut
(with
piaçava
and
conventional
coconut)
Araçá
juice
(Psidium
guineense)
Guava
juice
(Psidium guajava)
Cambuí
juice
(Myrciaria
floribunda)
Acerola
juice
(Malpighia
emarginata)

Category

Water
(ml)

Sugar
(g)

Fruit
(pulp) (g)

Quantity
per
participant

1.125

90

450

25 ml

1.125

90

225 of
each

25 ml

375

450

300

10 g

375

450

150 of
each

10 g

1.125

90

450

25 ml

1.125

90

450

25 ml

WFP

Conventional

Mix

WFP

Conventional

Mix

WFP
Conventional
WFP

Conventional

164

Appendix B: Socioeconomic profile of participants by experiment.
Chart - Socioeconomic profile of participants by experiment.
Gender
Female
Male
Other

Experiment 1 – n = 200
118
82
-

Experiment 2 – n = 210
129
78
3

85
38
28
19
8
22

160
23
16
5
1
5

7
1
41
22
69
48
12

21
24
158
3
4

39
83
35
43

34
137
22
15

Age
18-27
28-37
38-47
48-57
58-70
58-65
NA
Schooling
No education
Incomplete elementary school
Complete elementary school
Incomplete high school
Complete high school
Incomplete higher education
Complete higher education
Postgraduate
Income
< 1 minimum wage
Between 1 and 3
Between 4 and 6
≥ 6 minimum wages

165

Appendix C – Forms (experiments 1 and 2)
Data collection form – Experiment 1
Test location: ___________________________________________date: __________
Name:
Gender: (F) (M) Other: _____
Age:
Birthplace:
Schooling:
Schooling status: __________________
Place of residence:
( ) Finished
( ) Ongoing
Individual monthly income:
Family monthly income:
( ) < 1 minimum wage
( ) between 1 and 3
( ) < 1 minimum wage
( ) between 1 and 3
( ) between 4 and 6
( ) ≥ 6 minimum wages ( ) between 4 and 6
( ) ≥ 6 minimum wages

SENSORY EVALUATION OF FOOD
You will taste some foods, but you will have to answer some questions before the tasting.

➢

EXPECTATION:

PRODUCT 1 – (insert here the code of the product as
randomized in R)
Yes
No
Can you recognize what`s in the recipe?
Ingredients:
Score (1 to 9)*
How appropriate do you think this
product is for consumption?
How tasty did you find this product?
Which food does it resemble?

This
format
was
inserted
for
the
expectation of each of
the six products.

Very inappropriate
Very appropriate
Very unpleasant (very bad taste) - Very tasty (very good taste)

Now that you have tried the products, you will have to answer some questions:

➢ AFTER TASTING:
PRODUCT 1 –
Plant
Is the taste
familiar?

Yes

Good

Bad

No

Score
(1 to 9)

Neutral

Score
(1 to 9)

WILLINGNESS TO PAY FOR PRODUCT 1
–
1) Willingness to pay for the processed food:
R$ _______ for_______
(Specify the measure being used)
2) How often would you buy it?

Taste
Texture
Smell
Color
Overall

3) Willingness to pay for the raw product
(edible plant part): R$ _____ for _____
(Specify the measure being used)
4) How often would you buy it?

Which food does it resemble?
*9-point hedonic scale - 1 – Dislike extremely, 2 – Dislike very much, 3 – Dislike moderately, 4 –Dislike slightly, 5 –
Neither like nor dislike, 6 – Like slightly, 7 – Like moderately, 8 – Like very much, 9 – Like extremely

This format was inserted for the post-tasting of each of the six products.

166

➢

OTHER ISSUES:

For each statement, give a rating between 1 and 7, where 7 means that you completely agree with
the statement and 1 means that you completely disagree with it.
Item
a) “I am constantly sampling new and different foods*
b) I don’t trust new foods
c) If I don’t know what a food is, I won’t try it
d) I like foods from different cultures*
e) Ethnic food looks too weird to eat
f) At dinner parties, I will try new foods*
g) I am afraid to eat things I have never had before
h) I am very particular about the foods I eat
i) I will eat almost anything*
j) I like to try new ethnic restaurants*

Score (1 to 7)

➢ NOW ANSWER:

Yes

No

Where?

What?

Have you heard about cambuí?
Have you tried cambuí before?
Have you heard about piaçava coconut?
Have you tried piaçava coconut before?

“Other questions” and “Now answer” were asked after tasting the products, both in
experiment 1 and experiment 2.

167

Data collection form – Experiment 2
Test location:___________________________________________data:__________
Name:
Schooling:

Gender: (F) (M) Other: _____
Age:
Birthplace:
Schooling status: __________________
Place of residence:
( ) Finished
( ) Ongoing
Individual monthly income:
Family monthly income:
( ) < 1 minimum wage
( ) between 1 and 3
( ) < 1 minimum wage
( ) between 1 and 3
( ) between 4 and 6
( ) ≥ 6 minimum wages
( ) between 4 and 6
( ) ≥ 6 minimum wages

SENSORY EVALUATION OF FOOD
You will taste some foods, but you will have to answer some questions before the tasting.

➢ EXPECTATION:
PRODUCT 1 – (insert here the code of the product as
randomized in R)
Yes
No
Can you recognize what`s in the recipe?
Ingredients:
Score (1 to 9)
How appropriate do you think this
product is for consumption?
How tasty did you find this product?
Which food does it resemble?

This
format
was
inserted
for
the
expectation of each of
the six products.

Very inappropriate
Very appropriate
Very unpleasant (very bad taste) - Very tasty (very good taste)

Now that you have tried the products, you will have to answer some questions:

➢ AFTER TASTING:
PRODUCT 1 –
Plant
Is the
taste
familiar?

Yes

Good

Bad

Taste
Texture
Smell
Color
Overall

No

Score
(1 to 9)

Neutral

Score
(1 to 9)

WILLINGNESS TO PAY FOR
PRODUCT 1 –
1) Willingness to pay for the
processed food: R$ _______
for_______
(Specify the measure being used)
2) How often would you buy it?

3) Willingness to pay for the raw
product (edible plant part): R$
_____ for _____
(Specify the measure being used)
4) How often would you buy it?

Which food does it resemble?
*9-point hedonic scale - 1 – Dislike extremely, 2 – Dislike very much, 3 – Dislike moderately, 4 –Dislike slightly, 5 –
Neither like nor dislike, 6 – Like slightly, 7 – Like moderately, 8 – Like very much, 9 – Like extremely

This format was inserted for the post-tasting of each of the four products.

168

Appendix D – Scripts of random drawings for experiments 1 and 2.
EXPERIMENT 1 – cambuí juice and piaçava coconut
As the first random draw was carried out for an n of 50 people, for standardization
reasons, we chose to carry out a new randomization every 50 people. Being: the first two
groups of 50 referring to fairgoers and stallholders, and the last two groups of 50 referring to
students.

# For each group of 50 people, we use the commands below:
# Defining the quantity of items per person and indicating them as an object
produtos <- 1:6
# Giving names to the items
produtos <- c("suco_c", "suco_a", "suco_m", "cocada_p", "cocada_c",
"cocada_m")
# Indicating the sample: object, quantity of items
sample(produtos, 6)
# Defining the repetition of the draw 50 times
sorteios <- replicate(50, sample(produtos, 6))
# Checking the results
sorteios
# Organizing with headers from 1 to 50
dados <- data.frame(sorteios)
# Final data
dados

169

EXPERIMENT 2 – cambuí and araçá juices

# The commands below were used for both cambuí and acerola as well as for araçá
and goiaba.
# For araçá and guava, fixed juice was changed to "Suco_goiaba" and the second juice
was changed to "Suco_Araca", "Suco_Goiaba_da_mata", "Suco_Goiaba_Jasmim"
Pessoas <- 105
Blocos <- 3
Segundo_suco <- sample(rep(c("Suco_Cambui", "Suco_Acerola_da_mata",
"Suco_Acerola_Jasmim"), 35), 105)
Suco_fixo <- rep("Suco_acerola", 105)
Pessoas <- NULL
for (x in 1:3) {
Pessoas <- c(Pessoas, paste("Pessoa", 1:35, 105, sep = "_"))
}
Pessoas
cbind(Pessoas, Suco_fixo, Segundo_suco)

170

Appendix E – General results of experiments 1 and 2.

Table 1. Means and standard deviation of expectation and post-tasting - experiments 1 and 2.
Appropriateness expectation

Taste expectation
Experiment 1

Taste

Texture

Smell

Color

Overall impression

Conventional sweet coconut

7.92 ± 1.68

8.08 ± 1.45

8.21 ± 1.55

8.21 ± 1.47

8.36 ± 1.67

8.07 ± 1.23

8.30 ± 1.35

Mixed sweet coconut

7.83 ± 1.56

7.85 ± 1.43

7.85 ± 1.42

7.70 ± 1.51

7.87 ± 1.74

7.94 ± 1.61

7.97 ± 1.68

Piaçava sweet coconut

7.65 ± 1.71

7.57 ± 1.79

7.20 ± 2.07

7.05 ± 2.17

7.39 ± 1.91

7.40 ± 1.99

7.33 ± 2.00

Acerola juice

8.32 ± 1.48

8.03 ± 1.59

8.13 ± 1.48

8.28 ± 1.37

8.48 ± 1.32

8.27 ± 1.15

8.38 ± 1.27

Cambuí juice

6.73 ± 2.26

5.95 ± 2.49

5.99 ± 2.55

6.32 ± 2.52

6.36 ± 2.46

6.36 ± 2.69

6.36 ± 2.48

Mixed juice

7.37 ± 2.02

6.90 ± 2.20
6.53 ± 2.47
Experiment 2

7.07 ± 2.23

7.45 ± 2.29

7.04 ± 2.06

6.94 ± 2.26

Acerola juice

8.45± 0.99

7.91±1.38

8.13±1.30

7.91±1.54

8.01±1.59

8.31±1.24

8.30±1.32

Cambuí juice

6.20±2.41

4.44±2.25

5.77±2.84

5.66±2.68

5.54±3.17

4.54±2.84

5.83±2.81

Acerola-jasmine juice

6.31 ±1.88

5.34 ±2.33

6.29 ±2.52

6.03 ±2.54

6.31 ±2.72

5.06 ± 2.88

6.46 ± 2.73

Forest acerola juice

5.82±2.10

5.15±2.90

6.38±2.56

5.85±2.72

6.26±2.53

4.82±3.03

6.18±2.83

Guava juice

8.50±0.93

8.12±1.28

8.19±1.20

7.76±1.58

8.45±1.22

8.55±0.88

8.45±0.93

Araçá juice

7.53 ±1.76

6.94 ±1.76

7.00 ±2.31

6.74 ±2.29

7.32 ±2.20

6.65 ±2.24

7.21 ±2.25

Guava-jasmine juice

7.24±1.97

6.74±2.00

6.88±2.11

6.62±2.31

6.82±2.55

6.47±2.34

6.88±2.40

Forest guava juice

6.41±2.00

5.56±2.30

6.35±2.47

6.38±2.47

6.85±2.22

5.53±2.43

6.50±2.06

171

Table 2. Kruskal-Wallis test results for experiments 1 and 2.
Experiment 1
CJ and AJ
chi-squared

df

ArJ and GJ
p-value

chisquared
53.851

df

p-value

CSC, PSC and MSC
chidf
p-value
squared
11.574
2
0.003067

Experiment 2
AJ, CJ and MJ
chisquared
93.921

df

p-value

All produtcs
chidf
p-value
squared
152.78
5 < 2.2e-16

Taste expectation
78.077
3
< 2.2e-16
3
1.207e-11
2
< 2.2e-16
Appropriateness
77.588
3
< 2.2e-16
41.153
3
6.068e-09
4.6779
2
0.09643
81.781
2
< 2.2e-16
95.11
5 < 2.2e-16
expectation
47.775
3
2.377e-10
45.603
3
6.887e-10
40.951
2
1.281e-09 110.57
2
< 2.2e-16
178.58
5 < 2.2e-16
Product Overall impression
~
Taste
41.103
3
6.217e-09
32.831
3
3.495e-07
42.334
2
6.418e-10 105.45
2
< 2.2e-16
191.82
5 < 2.2e-16
Texture
41.668
3
4.719e-09
19.015
3
0.0002715
44.851
2
1.823e-10 88.534
2
< 2.2e-16
143.57
5 < 2.2e-16
Smell
31.222
3
7.633e-07
35.347
3
1.029e-07
19.579
2
5.603e-05 91.989
2
< 2.2e-16
136.62
5 < 2.2e-16
Color
78.836
3
< 2.2e-16
80.927
3
< 2.2e-16
34.352
2
3.471e-08 93.879
2
< 2.2e-16
138.1
5 < 2.2e-16
CJ: cambuí juice; AJ: acerola juice; ArJ: araçá juice; GJ: guava juice; CSC: conventional sweet coconut; PSC: piaçava sweet coconut; MSC: mixed sweet coconut; MJ: mixed juice.

172

A

173
B

174

C

175
D

176

E

Figure 3. Box plot and Kruskall-Wallis statistics for both experiments. Experiment 1: A) All products for all participants (n = 200); B) Cambuí (CJ), acerola (AJ), and
mixed (MJ) juices (n = 200); C) Piaçava sweet coconut (PSC), conventional sweet coconut (CSC), and mixed sweet coconut (MSC) (n = 200); Experiment 2:
D) Cambuí and acerola juices (n = 105); E) Araçá and guava juices (n = 105). From boxplot D and E: AJ: acerola juice; FAJ: forest acerola juice; AJJ: acerolajasmine juice; CJ: cambuí juice; AJ: araçá juice; GJ: guava juice; FGJ: forest guava juice; GJJ: guava-jasmine juice.

177

Appendix F – Results for Dunn's post-hoc with "p" value adjusted with the
"Bonferroni" method, for experiment 1 and experiment 2.
Table 3. Results for Dunn's post-hoc with "p" value adjusted with the "Bonferroni"
method, for experiment 1
JUICES
Taste expectation
.y.
group1 group2 n1 n2 statistic p
p.adj
p.adj.signif
Taste_expec
sa128 sc427 200 200 -9,63081 5,93E-08 1,78E-07 ****
Taste_expec
sa128 sm854 200 200 -5,75152 8,84E-09 2,65E-08 ****
Taste_expec
sc427 sm854 200 200 3,879292 0,000105 0,000314 ***
Appropriateness expectation
.y.
group1 group2 n1 n2 statistic p
p.adj
p.adj.signif
Approp_expec sa128 sc427 200 200 -8,90135 5,52E-19 1,66E-18 ****
Approp_expec sa128 sm854 200 200 -5,83276 5,45E-09 1,64E-08 ****
Approp_expec sc427 sm854 200 200 3,068591 0,002151 0,006452 **
Overall impression
.y.
group1 group2 n1 n2 statistic p
p.adj
p.adj.signif
Overall
sa128 sc427 200 200 -10,1018 5,42E-24 1,63E-23 ****
Overall
sa128 sm854 200 200 -7,57905 3,48E-14 1,04E-13 ****
Overall
sc427 sm854 200 200 2,522743 0,011644 0,034933 *
Taste
.y.
Taste
Taste
Taste

group1 group2 n1 n2 statistic p
p.adj
p.adj.signif
sa128 sc427 200 200 -9,85487 6,53E-23 1,96E-22 ****
sa128 sm854 200 200 -7,42761 1,11E-13 3,32E-13 ****
sc427 sm854 200 200 2,427266 0,015213 0,045639 *

Texture
.y.
Texture
Texture
Texture

group1 group2 n1 n2 statistic p
p.adj
p.adj.signif
sa128 sc427 200 200 -9,23639 2,55E-20 7,65E-20 ****
sa128 sm854 200 200 -6,17306 6,7E-10 2,01E-09 ****
sc427 sm854 200 200 3,063329 0,002189 0,006567 **

Smell
.y.
Smell
Smell
Smell

group1 group2 n1 n2 statistic p
p.adj
p.adj.signif
sa128 sc427 200 200 -9,42903 4,14E-21 1,24E-20 ****
sa128 sm854 200 200 -6,23497 4,52E-10 1,36E-09 ****
sc427 sm854 200 200 3,194058 0,001403 0,004209 **

Color
.y.
Color
Color
Color

group1 group2 n1 n2 statistic p
p.adj
p.adj.signif
sa128 sc427 200 200 -9,63965 5,44E-22 1,63E-21 ****
sa128 sm854 200 200 -5,66655 1,46E-08 4,37E-08 ****
sc427 sm854 200 200 3,973103 7,09E-05 0,000213 ***

*Legend: sa128: acerola juice; sc427: cambuí juice; sm854: mixed juice.

178

SWEET COCONUTS
Taste expectation
.y.
group1
Taste_expec
cc296
Taste_expec
cc296
Taste_expec
cm639

group2 n1 n2 statistic p
p.adj
p.adj.signif
cm639 200 200 -2,18195 0,029113 0,08734 ns
cp351 200 200 -3,35147 0,000804 0,002412 **
cp351 200 200 -1,16952 0,242195 0,726584 ns

Appropriateness expectation
.y.
group1 group2 n1 n2 statistic p
p.adj
p.adj.signif
Approp_expec cc296 cm639 200 200 -0,99505 0,319711 0,959133 ns
Approp_expec cc296 cp351 200 200 -2,1606 0,030726 0,092178 ns
Approp_expec cm639 cp351 200 200 -1,16555 0,243795 0,731386 ns
Overall impression
.y.
group1
Overall
cc296
Overall
cc296
Overall
cm639

group2 n1 n2 statistic p
p.adj
p.adj.signif
cm639 200 200 -2,80121 0,005091 0,015273 *
cp351 200 200 -6,38337 1,73E-10 5,2E-10 ****
cp351 200 200 -3,58215 0,000341 0,001022 **

Taste
.y.
Taste
Taste
Taste

group1
cc296
cc296
cm639

group2 n1 n2 statistic p
p.adj
p.adj.signif
cm639 200 200 -3,43159
0,0006
0,0018 **
cp351 200 200 -6,50311 7,87E-11 2,36E-10 ****
cp351 200 200 -3,07152 0,00213 0,006389 **

Texture
.y.
Texture
Texture
Texture

group1
cc296
cc296
cm639

group2 n1 n2 statistic p
p.adj
p.adj.signif
cm639 200 200 -3,60908 0,000307 0,000922 ***
cp351 200 200 -6,69014 2,23E-11 6,69E-11 ****
cp351 200 200 -3,08107 0,002063 0,006188 **

Smell
.y.
Smell
Smell
Smell

group1
cc296
cc296
cm639

group2 n1 n2 statistic p
p.adj
p.adj.signif
cm639 200 200 -1,28181 0,199909 0,599726 ns
cp351 200 200 -4,30861 1,64E-05 4,93E-05 ****
cp351 200 200 -3,02679 0,002472 0,007415 **

Color
.y.
Color
Color
Color

group1
cc296
cc296
cm639

group2 n1 n2 statistic p
p.adj
p.adj.signif
cm639 200 200 -3,34442 0,000825 0,002474 **
cp351 200 200 -5,84059 5,2E-09 1,56E-08 ****
cp351 200 200 -2,49617 0,012554 0,037663 *

*Legend: cc296: convencional sweet coconut; cp351: piaçaca sweet coconut; cm639: mixed sweet coconut.

179

Table 4. Results for Dunn's post-hoc with "p" value adjusted with the "Bonferroni" method, for experiment 2
CAMBUÍ AND ACEROLA JUICES
Taste expectation
.y.
group1
Taste_expec
acerola juice
Taste_expec
acerola juice
Taste_expec
acerola juice
Taste_expec
forest acerola juice
Taste_expec
forest acerola juice
Taste_expec
acerola-jasmine juice

group2
forest acerola juice
acerola-jasmine juice
cambuí juice
acerola-jasmine juice
cambuí juice
cambuí juice

n1 n2 statistic
p
p.adj
p.adj.signif
105 35 -5,53944 3,03E-08 1,82E-07 ****
105 35 -5,71967 1,07E-08
6,4E-08 ****
105 35 -7,21304 5,47E-13 3,28E-12 ****
35 35 -0,14716 0,883005
1 ns
35 35 -1,36649 0,171785
1 ns
35 35 -1,21933 0,222719
1 ns

Appropriateness expectation
.y.
group1
Approp_expec
acerola juice
Approp_expec
acerola juice
Approp_expec
acerola juice
Approp_expec
forest acerola juice
Approp_expec
forest acerola juice
Approp_expec
acerola-jasmine juice

group2
forest acerola juice
acerola-jasmine juice
cambuí juice
acerola-jasmine juice
cambuí juice
cambuí juice

n1 n2 statistic
p
p.adj
p.adj.signif
105 35 -6,93309 4,12E-12 2,47E-11 ****
105 35 -6,01412 1,81E-09 1,09E-08 ****
105 35 -5,58544 2,33E-08
1,4E-07 ****
35 35 0,750331 0,453056
1 ns
35 35 1,100348
0,27118
1 ns
35 35 0,350018 0,726326
1 ns

Overall impression
.y.
group1
Overall
acerola juice
Overall
acerola juice
Overall
acerola juice
Overall
forest acerola juice
Overall
forest acerola juice

group2
forest acerola juice
acerola-jasmine juice
cambuí juice
acerola-jasmine juice
cambuí juice

n1 n2 statistic
p
p.adj
p.adj.signif
105 35 -4,87169 1,11E-06 6,64E-06 ****
105 35 -4,30023 1,71E-05 0,000102 ***
105 35 -5,37234 7,77E-08 4,66E-07 ****
35 35
0,46659 0,640793
1 ns
35 35 -0,40878 0,682699
1 ns

180

Overall

acerola-jasmine juice cambuí juice

35 35

-0,87537

0,381371

1 ns

Taste
.y.
Taste
Taste
Taste
Taste
Taste
Taste

group1
acerola juice
acerola juice
acerola juice
forest acerola juice
forest acerola juice
acerola-jasmine juice

group2
forest acerola juice
acerola-jasmine juice
cambuí juice
acerola-jasmine juice
cambuí juice
cambuí juice

n1 n2 statistic
p
p.adj
p.adj.signif
105 35 -4,25441
2,1E-05 0,000126 ***
105 35 -4,21826 2,46E-05 0,000148 ***
105 35 -5,03357 4,81E-07 2,89E-06 ****
35 35 0,029519 0,976451
1 ns
35 35 -0,63618 0,524659
1 ns
35 35
-0,6657 0,505603
1 ns

Texture
.y.
Texture
Texture
Texture
Texture
Texture
Texture

group1
acerola juice
acerola juice
acerola juice
forest acerola juice
forest acerola juice
acerola-jasmine juice

group2
forest acerola juice
acerola-jasmine juice
cambuí juice
acerola-jasmine juice
cambuí juice
cambuí juice

n1 n2 statistic
p
p.adj
p.adj.signif
105 35 -4,50305
6,7E-06 4,02E-05 ****
105 35 -4,36036
1,3E-05 7,79E-05 ****
105 35 -4,80703 1,53E-06 9,19E-06 ****
35 35 0,116502 0,907255
1 ns
35 35
-0,2482
0,80398
1 ns
35 35
-0,3647 0,715335
1 ns

Smell
.y.
Smell
Smell
Smell
Smell
Smell

group1
acerola juice
acerola juice
acerola juice
forest acerola juice
forest acerola juice

group2
forest acerola juice
acerola-jasmine juice
cambuí juice
acerola-jasmine juice
cambuí juice

n1 n2 statistic
p
p.adj
p.adj.signif
105 35 -4,10044 4,12E-05 0,000247 ***
105 35 -3,51797 0,000435 0,002609 **
105 35 -4,16978 3,05E-05 0,000183 ***
35 35 0,475589 0,634367
1 ns
35 35 -0,05662
0,95485
1 ns

181

Smell

acerola-jasmine juice cambuí juice

35 35

Color
.y.
Color
Color
Color
Color
Color
Color

group1
acerola juice
acerola juice
acerola juice
forest acerola juice
forest acerola juice
acerola-jasmine juice

n1 n2 statistic
p
p.adj
p.adj.signif
105 35 -6,32193 2,58E-10 1,55E-09 ****
105 35 -5,93409 2,95E-09 1,77E-08 ****
105 35 -6,54839 5,82E-11 3,49E-10 ****
35 35 0,316677 0,751489
1 ns
35 35
-0,1849 0,853309
1 ns
35 35 -0,50158 0,615966
1 ns

group2
forest acerola juice
acerola-jasmine juice
cambuí juice
acerola-jasmine juice
cambuí juice
cambuí juice

-0,53221

0,594583

1 ns

ARAÇÁ AND GUAVA JUICES
Taste expectation
.y.
group1
Taste_expec
araçá juice
Taste_expec
araçá juice
Taste_expec
araçá juice
Taste_expec
guava juice
Taste_expec
guava juice
Taste_expec
forest guava juice

group2
guava juice
forest guava juice
guava-jasmine juice
forest guava juice
guava-jasmine juice
guava-jasmine juice

n1 n2 statistic
p
p.adj
p.adj.signif
35 105 3,943865 8,02E-05 0,000481 ***
35 35 -2,10829 0,035006 0,210036 ns
35 35 -0,31594 0,752048
1 ns
105 35 -6,52598 6,76E-11 4,05E-10 ****
105 35 -4,33081 1,49E-05 8,91E-05 ****
35 35 1,792349 0,073077 0,438462 ns

Appropriateness expectation
.y.
group1
Approp_expec araçá juice
Approp_expec araçá juice
Approp_expec araçá juice

group2
guava juice
forest guava juice
guava-jasmine juice

n1 n2 statistic
p
p.adj
p.adj.signif
35 105 3,182787 0,001459 0,008752 **
35 35 -2,02537 0,042829 0,256973 ns
35 35 -0,70314 0,48197
1 ns

182

Approp_expec
Approp_expec
Approp_expec

guava juice
guava juice
forest guava juice

forest guava juice
guava-jasmine juice
guava-jasmine juice

105
105
35

35 -5,66335 1,48E-08 8,91E-08 ****
35 -4,04395 5,26E-05 0,000315 ***
35 1,322238 0,186089
1 ns

Overall impression
.y.
group1
Overall
araçá juice
Overall
araçá juice
Overall
araçá juice
Overall
guava juice
Overall
guava juice
Overall
forest guava juice

group2
guava juice
forest guava juice
guava-jasmine juice
forest guava juice
guava-jasmine juice
guava-jasmine juice

n1 n2 statistic
p
p.adj
p.adj.signif
35 105 3,602141 0,000316 0,001894 **
35 35 -1,66605 0,095703 0,574217 ns
35 35 -0,84554 0,397811
1 ns
105 35 -5,64263 1,67E-08
1E-07 ****
105 35 -4,63771 3,52E-06 2,11E-05 ****
35 35 0,820515 0,411922
1 ns

Taste
.y.
Taste
Taste
Taste
Taste
Taste
Taste

group1
araçá juice
araçá juice
araçá juice
guava juice
guava juice
forest guava juice

group2
guava juice
forest guava juice
guava-jasmine juice
forest guava juice
guava-jasmine juice
guava-jasmine juice

n1 n2 statistic
p
p.adj
p.adj.signif
35 105 3,222982 0,001269 0,007612 **
35 35 -1,26102 0,207303
1 ns
35 35 -0,52304 0,60095
1 ns
105 35 -4,76741 1,87E-06 1,12E-05 ****
105 35 -3,86357 0,000112 0,00067 ***
35 35 0,737982 0,460526
1 ns

Texture
.y.
Texture
Texture
Texture

group1
araçá juice
araçá juice
araçá juice

group2
guava juice
forest guava juice
guava-jasmine juice

n1 n2 statistic
p
p.adj
p.adj.signif
35 105 2,767386 0,005651 0,033905 *
35 35 -0,51653 0,605485
1 ns
35 35 -0,20357 0,838687
1 ns

183

Texture
Texture
Texture

guava juice
guava juice
forest guava juice

forest guava juice
guava-jasmine juice
guava-jasmine juice

105
105
35

35
-3,4 0,000674 0,004043 **
35 -3,01671 0,002555 0,015332 *
35 0,312956 0,754314
1 ns

Smell
.y.
Smell
Smell
Smell
Smell
Smell
Smell

group1
araçá juice
araçá juice
araçá juice
guava juice
guava juice
forest guava juice

group2
guava juice
forest guava juice
guava-jasmine juice
forest guava juice
guava-jasmine juice
guava-jasmine juice

n1 n2 statistic
p
p.adj
p.adj.signif
35 105 3,478725 0,000504 0,003023 **
35 35 -1,08213 0,279195
1 ns
35 35 -0,52233 0,601438
1 ns
105 35 -4,80406 1,55E-06 9,33E-06 ****
105 35 -4,11845 3,81E-05 0,000229 ***
35 35 0,559796 0,575619
1 ns

Color
.y.
Color
Color
Color
Color
Color
Color

group1
araçá juice
araçá juice
araçá juice
guava juice
guava juice
forest guava juice

group2
guava juice
forest guava juice
guava-jasmine juice
forest guava juice
guava-jasmine juice
guava-jasmine juice

n1 n2 statistic
p
p.adj
p.adj.signif
35 105 5,366835 8,01E-08 4,81E-07 ****
35 35 -1,77861 0,075303 0,451819 ns
35 35 -0,30437 0,760844
1 ns
105 35 -7,54518 4,52E-14 2,71E-13 ****
105 35 -5,73961 9,49E-09 5,69E-08 ****
35 35 1,474241 0,140417
0,8425 ns

184

Appendix G – Results of the analyses for experiments 1 and 2
Table 5. Adjusted CLMM models for gastronomic associations – Exp.1.
Models for food appropriateness - overall
Estimated coefficient
Z
p
Products with WFP
0.000204 ***
-0.5127
-3.714
Products with conventional plants
0.9053
6.049
1.46e-09 ***
Models for food appropriateness - neophobic individuals
Estimated coefficient
Z
p
Products with WFP
0.337
-0.2490
-0.960
Products with conventional plants
1.1716
4.022
5.77e-05 ***
Models for food appropriateness - non-neophobic individuals
Estimated coefficient
Z
p
Products with WFP
0.000154 ***
-0.6182
-3.785
Products with conventional plants
0.8010
4.588
4.47e-06 ***
Models for taste expectation - overall
Estimated coefficient
Z
p
Products with WFP
1.28e-05 ***
-0.5791
-4.364
Products with conventional plants
0.9415
6.719
1.83e-11 ***
Models for taste expectation - neophobic individuals
Estimated coefficient
Z
p
Products with WFP
0.111314
-0.4071
-1.592
Products with conventional plants
0.9044
3.334
0.000856 ***
Models for taste expectation - non-neophobic individuals
Estimated coefficient
Z
p
Products with WFP
5.82e-05 ***
-0.6251
-4.020
Products with conventional plants
0.9571
5.836
5.35e-09 ***
Models for overall evaluation - overall
Estimated coefficient
Z
p
Products with WFP
3.36e-07 ***
-0.6844
-5.102
Products with conventional plants
1.3381
8.863
< 2e-16 ***
Models for overall evaluation - neophobic individuals
Estimated coefficient
Z
p
Products with WFP
0.002873 **
-0.7763
-2.981
Products with conventional plants
1.0530
3.723
0.000197 ***
Models for overall evaluation - non-neophobic individuals
Estimated coefficient
Z
p
Products with WFP
3.81e-05 ***
-0.6458
-4.119
Products with conventional plants
1.4593
8.158
3.40e-16 ***

Signif. codes: 0 ‘***’ 0.001 ‘**’ 0.01 ‘*’ 0.05 ‘.’ 0.1 ‘ ’ 1

185

Table 6. Adjusted CLMM models for the influence of socioeconomic variables – Exp. 1.
Model for food appropriateness– Ha
Estimated coefficient
Z
p
Gender
0.3605111
1.874
0.0609 .
Age
0.0270084
49.828
<2e-16 ***
Schooling
0.2113404
386.565
<2e-16 ***
Monthly family income
0.2735475
500.232
<2e-16 ***
Model for taste expectation – Hb
Estimated coefficient
Z
p
Gender
0.113776
0.544
0.586
Age
0.042128
4.684
2.81e-06 ***
Schooling
0.098125
1.121
0.262
Monthly family income
0.040871
0.333
0.739
Model for overall impression – Hc
Estimated coefficient
Z
p
Gender
0.4484271
2.155
0.0312 *
Age
0.0478754
94.789
<2e-16 ***
Schooling
0.0877525
173.144
<2e-16 ***
Monthly family income
0.0928264
183.150
<2e-16 ***
Signif. codes: 0 ‘***’ 0.001 ‘**’ 0.01 ‘*’ 0.05 ‘.’ 0.1 ‘ ’ 1

186

T.C.L.E. – Avaliação sensorial
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO (T.C.L.E.)
(Elaborado de acordo com a Resolução 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde e legislação complementar da
Comissão Nacional de Ética em Pesquisa)

Você está sendo convidado(a) a participar do projeto de pesquisa Conservação biocultural de
Myrciaria floribunda (H. West ex Willd.) O. Berg e Psidium guineense Sw.: contribuições
ecológicas, socioeconômicas e comportamentais, dos pesquisadores Élida Monique da Costa
Santos e Patrícia Muniz de Medeiros. A seguir, as informações do projeto de pesquisa com
relação a sua participação neste projeto:
1. O estudo se destina a fornecer bases teóricas e aplicadas para promover a conservação
biocultural de Myrciaria floribunda (H. West ex Willd.) O. Berg (espécie conhecida
popularmente como cambuí) e Psidium guineense Sw. (espécie conhecida popularmente como
araçá). A conservação biocultural não é somente conservar as espécies, mas também resgatar as
formas de uso, tradição e cultura envolvidas com essas plantas.
2. A importância deste estudo é a de combinar avaliação ecológica, cadeia produtiva e
comportamento do consumidor para gerar informações com potencial de promover a
conservação biocultural de plantas alimentícias silvestres. Assim, será possível entender como as
cadeias produtivas de espécies frutíferas (notadamente de plantas alimentícias silvestres) podem
ser mais valorizadas e desenvolvidas. E dará aportes positivos para os consumidores e
extrativistas, gerando informações que contribuam para a prática de manejo sustentável,
segurança e diversificação alimentar e geração e/ou aumento da renda.
3. Os resultados que se desejam alcançar são os seguintes: poder indicar a quantidade de frutos
que podem ser extraídos de forma sustentável, visando à manutenção das duas espécies, e assim
poder identificar alternativas para a ampliação das cadeias produtivas a fim de gerar mais renda e
atingir mercados mais distantes. Além disso, espera-se também, poder identificar as melhores
formas de apresentar as espécies do ponto de vista linguístico e de preparo, para aumentar sua
aceitabilidade entre os consumidores. Esses dados poderão fornecer argumentos favoráveis à
conservação biocultural das espécies, além de mostrar caminhos para sua popularização. Este
trabalho vai gerar um banco de dados que pode subsidiar um manejo sustentável, e gerar três
artigos de alto impacto científico que serão submetidos nas revistas: Plos One, Forest Ecology
and Management e Food Quality and Preference.
4. A coleta de dados começará em janeiro de 2021 e terminará em dezembro de 2024.
5. O estudo será feito da seguinte maneira: 1) avaliação da sustentabilidade do extrativismo,
através de atividades de campo e de uma oficina participativa com os moradores (extrativistas);
2) caracterização das cadeias produtivas, buscando entender como podem ser desenvolvidas para
que gerem mais renda ou consigam atingir mercados mais distantes (entrevistas com todos os
elos que compõe as cadeias das duas espécies: M. floribunda e P. guineense); e 3) vieses na
aceitação de M. floribunda e P. guineense, buscando entender as melhores formas para
popularizar essas plantas alimentícias silvestres (avaliação sensorial).

187

6. A sua participação será nas seguintes etapas: Avaliações sensoriais (degustação de produtos
feitos com os frutos de cambuí e araçá).
7. Os incômodos e possíveis riscos à sua saúde física são: risco de alergia alimentar ou de
desencadear outra reação adversa. Antes de realização dos testes de degustação serão
assegurados de que os participantes não apresentam nenhum tipo de alergia ou restrição aos
produtos que serão usados. Em caso de danos decorrentes da sua participação na entrevista lhe
será garantida indenização.
8. O estudo não apresenta possíveis riscos à sua saúde mental.
9. Os benefícios esperados com a sua participação no projeto de pesquisa, mesmo que não
diretamente são: que os resultados obtidos nesse projeto ofereçam informações para os
consumidores e extrativistas, através da prática do manejo sustentável, sobre quais as melhores
formas para popularizar plantas alimentícias silvestres, gerando também segurança e
diversificação alimentar, geração e/ou aumento da renda.
10. Você poderá contar com a seguinte assistência: esclarecimento das questões contidas no
questionário, sendo responsável por ela: Élida Monique da Costa Santos.
11. Você será informado(a) do resultado final do projeto e sempre que desejar, serão fornecidos
esclarecimentos sobre cada uma das etapas do estudo.
12. A qualquer momento, você poderá recusar a continuar participando do estudo e, também, que
poderá retirar seu consentimento, sem que isso lhe traga qualquer penalidade ou prejuízo. Caso o
participante não goste de algum produto oferecido nos testes, ele pode recusar continuar nos
procedimentos do estudo.
13. O estudo só poderá ser interrompido caso o período de pandemia se estenda até o final do
período de estudo (2024).
14. As informações conseguidas através da sua participação não permitirão a identificação da sua
pessoa, exceto para a equipe de pesquisa, e que a divulgação das mencionadas informações só
será feita entre os profissionais estudiosos do assunto após a sua autorização.
15. As imagens e/ou gravações obtidas nos testes ficarão em posse da equipe de pesquisa, e serão
utilizadas em apresentações e conferências profissionais e/ou acadêmicas. Não haverá
divulgação da sua imagem ou som em outros meios, exceto nas atividades vinculadas ao ensino e
a pesquisa. Você receberá uma via do “Termo de autorização para utilização de imagem e som
de voz para fins de pesquisa”, e uma segunda via ficará de posse da pesquisadora, ambas
assinadas por todos.
16. O estudo não acarretará nenhuma despesa para você.

188

17. Você será indenizado (a) por qualquer dano que venha a sofrer com a sua participação na
pesquisa, podendo ser encaminhado para o Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde da
Universidade Federal de Alagoas, o qual os pesquisadores estão vinculados.
18. Este documento, Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, será emitido em duas vias.
Você receberá uma via, e outra via ficará de posse da pesquisadora, ambas assinadas por todos.
Eu
................................................................................................................................,
tendo
compreendido perfeitamente tudo o que me foi informado sobre a minha participação no
mencionado estudo e estando consciente dos meus direitos, das minhas responsabilidades, dos
riscos e dos benefícios que a minha participação implicam, concordo em dele participar e para
isso eu DOU O MEU CONSENTIMENTO SEM QUE PARA ISSO EU TENHA SIDO
FORÇADO OU OBRIGADO.
Endereço d(os,as) responsáve(l,is) pela pesquisa (OBRIGATÓRIO):
Instituição: ICBS – Universidade Federal de Alagoas – Campus A. C. Simões
Endereço: Avenida Lourival de Melo Mota
Bloco: /Nº: /Complemento: s/n
Bairro: /CEP/Cidade: Tabuleiros dos Martins, CEP: 57072-900, Maceió-AL
Telefones p/contato: (82) 3214-1681
Contato de urgência: Sr(a). Élida Monique da Costa Santos
Endereço: Conjunto Novo Jardim, Bairro: Cidade Universitária
Complemento: Módulo 1, Quadra i-1, Nº 11
Cidade/CEP: Maceió / 57.072-691
Telefone: 82 9 9902-3231
Ponto de referência: Casa de esquina em frente ao Novo Jardim Gás de Água

ATENÇÃO: O Comitê de Ética da UFAL (CEP) analisou e aprovou este projeto de pesquisa. Para obter mais
informações a respeito deste projeto de pesquisa, informar ocorrências irregulares ou danosas durante a sua
participação no estudo, dirija-se ao:
Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Alagoas
Prédio do Centro de Interesse Comunitário (CIC), Térreo, Campus A. C. Simões, Cidade Universitária
Telefone: 3214-1041 – Horário de Atendimento: das 8:00 as 12:00hs.
E-mail: comitedeeticaufal@gmail.com

Maceió, _____ de ___________ de _______.

Assinatura ou impressão datiloscópica d(o,a)
participante da pesquisa (rubricar as demais
páginas)

Élida Monique da Costa Santos
Pesquisador responsável pelo estudo
(rubricar as demais páginas)

189

T.C.L.E. – Entrevistas individuais e/ou oficinas participativas
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO (T.C.L.E.)
(Elaborado de acordo com a Resolução 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde e legislação
complementar da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa)
Você está sendo convidado(a) a participar do projeto de pesquisa Conservação biocultural de
Myrciaria floribunda (H. West ex Willd.) O. Berg e Psidium guineense Sw.: contribuições
ecológicas, socioeconômicas e comportamentais, dos pesquisadores Élida Monique da Costa
Santos e Patrícia Muniz de Medeiros. A seguir, as informações do projeto de pesquisa com
relação a sua participação neste projeto:
1. O estudo se destina a fornecer bases teóricas e aplicadas para promover a conservação
biocultural de Myrciaria floribunda (H. West ex Willd.) O. Berg (espécie conhecida
popularmente como cambuí) e Psidium guineense Sw. (espécie conhecida popularmente como
araçá). A conservação biocultural não é somente conservar as espécies, mas também resgatar as
formas de uso, tradição e cultura envolvidas com essas plantas.
2. A importância deste estudo é a de combinar avaliação ecológica, cadeia produtiva e
comportamento do consumidor para gerar informações com potencial de promover a
conservação biocultural de plantas alimentícias silvestres. Assim, será possível entender como as
cadeias produtivas de espécies frutíferas (notadamente de plantas alimentícias silvestres) podem
ser mais valorizadas e desenvolvidas. E dará aportes positivos para os consumidores e
extrativistas, gerando informações que contribuam para a prática de manejo sustentável,
segurança e diversificação alimentar e geração e/ou aumento da renda.
3. Os resultados que se desejam alcançar são os seguintes: poder indicar a quantidade de frutos
que podem ser extraídos de forma sustentável, visando à manutenção das duas espécies, e assim
poder identificar alternativas para a ampliação das cadeias produtivas a fim de gerar mais renda e
atingir mercados mais distantes. Além disso, espera-se também, poder identificar as melhores
formas de apresentar as espécies do ponto de vista linguístico e de preparo, para aumentar sua
aceitabilidade entre os consumidores. Esses dados poderão fornecer argumentos favoráveis à
conservação biocultural das espécies, além de mostrar caminhos para sua popularização. Este
trabalho vai gerar um banco de dados que pode subsidiar um manejo sustentável, e gerar três
artigos de alto impacto científico que serão submetidos nas revistas: Plos One, Forest Ecology
and Management e Food Quality and Preference.
4. A coleta de dados começará em janeiro de 2021 e terminará em dezembro de 2024.
5. O estudo será feito da seguinte maneira: 1) avaliação da sustentabilidade do extrativismo,
através de atividades de campo e de uma oficina participativa com os moradores (extrativistas);
2) caracterização das cadeias produtivas, buscando entender como podem ser desenvolvidas para
que gerem mais renda ou consigam atingir mercados mais distantes (entrevistas com todos os
elos que compõe as cadeias das duas espécies: M. floribunda e P. guineense); e 3) vieses na
aceitação de M. floribunda e P. guineense, buscando entender as melhores formas para
popularizar essas plantas alimentícias silvestres (avaliação sensorial).

190

6. A sua participação será nas seguintes etapas: Entrevista semiestruturada (individual) ou
entrevistas em grupo (oficina).
7. Os incômodos e riscos da pesquisa que poderá sentir com a sua participação são os seguintes:
inibição/constrangimento diante dos pesquisadores, quebra de sigilo da pesquisa, incômodo por
não saber o que responder e perda de tempo. Em caso de danos decorrentes da sua participação
na entrevista lhe será garantida indenização.
8. O estudo não apresenta possíveis riscos à sua saúde física e mental.
9. Os benefícios esperados com a sua participação no projeto de pesquisa, mesmo que não
diretamente são: que os resultados obtidos nesse projeto ofereçam informações para os
consumidores e extrativistas, através da prática do manejo sustentável, sobre quais as melhores
formas para popularizar plantas alimentícias silvestres, gerando também segurança e
diversificação alimentar, geração e/ou aumento da renda.
10. Você poderá contar com a seguinte assistência: esclarecimento das questões contidas no
questionário, sendo responsável por ela: Élida Monique da Costa Santos.
11. Você será informado(a) do resultado final do projeto e sempre que desejar, serão fornecidos
esclarecimentos sobre cada uma das etapas do estudo.
12. A qualquer momento, você poderá recusar a continuar participando do estudo e, também, que
poderá retirar seu consentimento, sem que isso lhe traga qualquer penalidade ou prejuízo. Caso a
entrevista se prolongue muito, esta poderá ser interrompida com retorno em outro dia para sua
finalização.
13. O estudo só poderá ser interrompido caso o período de pandemia se estenda até o final do
período de estudo (2024).
14. As informações conseguidas através da sua participação não permitirão a identificação da sua
pessoa, exceto para a equipe de pesquisa, e que a divulgação das mencionadas informações só
será feita entre os profissionais estudiosos do assunto após a sua autorização.
15. As imagens e/ou gravações obtidas nos testes ficarão em posse da equipe de pesquisa, e serão
utilizadas em apresentações e conferências profissionais e/ou acadêmicas. Não haverá
divulgação da sua imagem ou som em outros meios, exceto nas atividades vinculadas ao ensino e
a pesquisa. Você receberá uma via do “Termo de autorização para utilização de imagem e som
de voz para fins de pesquisa”, e uma segunda via ficará de posse da pesquisadora, ambas
assinadas por todos.
16. O estudo não acarretará nenhuma despesa para você.
17. Você será indenizado (a) por qualquer dano que venha a sofrer com a sua participação na
pesquisa, podendo ser encaminhado para o Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde da
Universidade federal de Alagoas, o qual os pesquisadores estão vinculados.

191

18. Este documento, Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, será emitido em duas vias.
Você receberá uma via, e outra via ficará de posse da pesquisadora, ambas assinadas por todos.
Eu
................................................................................................................................,
tendo
compreendido perfeitamente tudo o que me foi informado sobre a minha participação no
mencionado estudo e estando consciente dos meus direitos, das minhas responsabilidades, dos
riscos e dos benefícios que a minha participação implicam, concordo em dele participar e para
isso eu DOU O MEU CONSENTIMENTO SEM QUE PARA ISSO EU TENHA SIDO
FORÇADO OU OBRIGADO.
Endereço d(os,as) responsáve(l,is) pela pesquisa (OBRIGATÓRIO):
Instituição: ICBS – Universidade Federal de Alagoas – Campus A. C. Simões
Endereço: Avenida Lourival de Melo Mota
Bloco: /Nº: /Complemento: s/n
Bairro: /CEP/Cidade: Tabuleiros dos Martins, CEP: 57072-900, Maceió-AL
Telefones p/contato: (82) 3214-1681
Contato de urgência: Sr(a). Élida Monique da Costa Santos
Endereço: Conjunto Novo Jardim, Bairro: Cidade Universitária
Complemento: Módulo 1, Quadra i-1, Nº 11
Cidade/CEP: Maceió / 57.072-691
Telefone: 82 9 9902-3231
Ponto de referência: Casa de esquina em frente ao Novo Jardim Gás de Água
ATENÇÃO: O Comitê de Ética da UFAL (CEP) analisou e aprovou este projeto de pesquisa. Para obter mais
informações a respeito deste projeto de pesquisa, informar ocorrências irregulares ou danosas durante a sua
participação no estudo, dirija-se ao:
Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Alagoas
Prédio do Centro de Interesse Comunitário (CIC), Térreo, Campus A. C. Simões, Cidade Universitária
Telefone: 3214-1041 – Horário de Atendimento: das 8:00 as 12:00hs.
E-mail: comitedeeticaufal@gmail.com

Maceió,

de

de

.

Assinatura ou impressão datiloscópica d(o,a)
participante da pesquisa (rubricar as demais
páginas)

Élida Monique da Costa Santos
Pesquisador responsável pelo estudo
(Rubricar as demais páginas)

192

Termo de autorização – uso de imagem e som

TERMO DE AUTORIZAÇÃO PARA UTILIZAÇÃO DE IMAGEM E SOM DE VOZ
PARA FINS DE PESQUISA
Eu,

_______________________________________________________,

autorizo

a

utilização da minha imagem e som de voz, na qualidade de participante/entrevistado(a) no projeto
de pesquisa intitulado “Conservação biocultural de Myrciaria floribunda (H. West ex Willd.) O.
Berg e Psidium guineense Sw.: contribuições ecológicas, socioeconômicas e comportamentais”,
sob responsabilidade da pesquisadora Élida Monique da Costa Santos, e comitê de orientação:
Patrícia Muniz de Medeiros (orientadora), Ulysses Paulino de Albuquerque e Rafael Ricardo
Vasconcelos da Silva (co-orientadores), vinculados ao Programa de Pós-Graduação em
Diversidade Biológica e Conservação nos Trópicos, da Universidade Federal de Alagoas.
Minha imagem e som de voz podem ser utilizadas apenas para análise por parte da equipe
de pesquisa, apresentações em conferências profissionais e/ou acadêmicas.
Tenho ciência de que não haverá divulgação da minha imagem nem som de voz por
qualquer meio de comunicação, sejam elas televisão, rádio ou internet, exceto nas atividades
vinculadas ao ensino e a pesquisa explicitadas anteriormente. Tenho ciência também de que a
guarda e demais procedimentos de segurança com relação às imagens e sons de voz são de
responsabilidade da pesquisadora responsável.
Deste modo, declaro que autorizo, livre e espontaneamente, o uso para fins de pesquisa,
nos termos acima descritos, da minha imagem e som de voz.
Desta forma, assino este termo, juntamente com a pesquisadora, em duas vias de igual
teor, ficando uma via sob meu poder e outra em poder das pesquisadoras.
____________________________
Assinatura do (a) participante da pesquisa

_____________________________
Pesquisadora responsável

__________________________, ____ de __________de _________

193

ANEXOS

194

Material Suplementar do artigo 2 – SM1: Parecer consubistanciado do comitê de ética (1)

195

196

197

198

Parecer consubistanciado do comitê de ética (2)

199

200

201

202

203

204

205

206

AÇÃO DE EXTENSÃO

A ação de extensão intitulada “Explorando o mundo das PANC: descubra,
experimente e divirta-se!” (Figura 1), foi realizada com o objetivo de levar informações a
respeito das Plantas Alimentícias Silvestres (PAS) para a comunidade escolar e não
escolar, a fim de provocar uma aproximação das pessoas com esse grupo de plantas e
gerar conhecimento sobre as diferentes espécies frutíferas e formas de inseri-las na
alimentação humana. É importante deixar claro que, para essa exposição, decidimos
usar o acrônimo PANC (Plantas Alimentícias Não Convencionais) por ter um efeito mais
forte nas pessoas e ser mais difundido que o termo PAS. Considerando também que as
PAS fazem parte do grupo de PANC.

A

B

Figura 1. Banners usados na exposição (A e B).
Fotos: Déborah Barbosa.

Iniciamos nossa ação a partir de um convite que recebemos para participar de
uma exposição na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia que ocorreu nos dias 02 e
03 de abril de 2024, no Museu de História Natural de Alagoas (MHN). Esse evento foi
apoiado pelo MCTI, CNPq, GOV.br, UFAL, MHN e Cidadania Azul. Recebemos

207

visitantes de diversas idades, desde crianças até adultos, estudantes e professores de
várias cidades de Alagoas e visitantes regulares do museu.
Nessa exposição, os visitantes receberam uma breve explicação sobre o uso
passado e atual das plantas na nossa alimentação, e sobre a introdução dessas plantas
na dieta. Posteriormente, as pessoas tiveram a oportunidade de jogar um jogo da
memória contendo informações sobre algumas PAS que ocorrem no Estado de
Alagoas, durante o qual também receberam informações sobre as plantas (Figura 2A a
2F).
E, por fim, puderam provar diferentes produtos elaborados com alguns desses
frutos. Foram três tipos de suco (Araçá, Cambuí e Tamarindo), dois frutos in natura
(cambuí e jenipapo), um fruto desidratado (jenipapo), um fruto beneficiado (pimenta
rosa – aroeira), geleia de tamarindo e bolo de jenipapo (Figura 3A a 3J). Cabe destacar
que aqueles visitantes que quiseram, levaram para casa um caça-palavras e/ou um
desenho para colorir (Figura 2F). Todas as atividades foram pensadas para capturar
públicos de diversas idades, e nossa linguagem nos momentos de passar informações,
foram adequadas para cada grupo de pessoas, por exemplo crianças, adolescentes e
professores.

208

B

A

C

E

D

F

Figura 2. Explicação (antes, durante o jogo e durante a degustação);
Jogo da memória (A-C); Palavra-cruzada e figuras para pintura
(D).
Fotos: A: Beatriz Vasconcelos; B e C: Élida Cardoso; D e F: Déborah
Barbosa; F: Fernando Colin.

209

A

B

C

D

E

F

G

H

I

J

Figura 3. Produtos disponíveis na ação: sucos de tamarindo (A), cambuí (B) e araçá (C), frutos do
cambuí (D), do jenipapo (E) e maçaranduba (F) – não degustado, apenas para explanação
de conteúdo, pimenta rosa (fruto da aroeira) (G), jenipapo desidratado (H), geleia de
tamarindo (I) e bolo de jenipapo (J).
Fotos: A, B, C e E: Élida Cardoso; D e F: Déborah Barbosa; G, H, I e J: Fernando Colin.

210

No momento da degustação, inicialmente as pessoas não receberam informação
sobre o ingrediente base de cada produto (fruto). Esses foram apresentados com
diferentes associações terminológicas e dois deles também com associação
gastronômica (geleia e bolo). Ao final da degustação dos produtos eles foram
informados de qual fruto cada produto era feito.
De modo geral, a reação das pessoas frente aos novos e desconhecidos produtos
foram muito positivas (Figura 4A a 4C). O que nos chamou atenção, foi a receptividade
e aceitabilidade das crianças em relação aos produtos oferecidos, pois geralmente as
crianças são mais neofóbicas (Figura 4D a 4G). Além disso, associar o nome dos
produtos a algo conhecido popularmente (como balas fini e o programa Chaves) surtiu
um efeito bem bacana, pois além da familiaridade provocada em algumas pessoas, em
outras provocou também um desbloqueio de memória afetiva.
Esperamos que com as informações apresentadas em nossa atividade, haja uma
aproximação das pessoas, notadamente aquelas que moram distantes de ambientes
florestais, com as plantas alimentícias silvestres. E que, esse conhecimento prévio
adquirido pouco a pouco, seja útil para incrementar e diversificar a dieta humana.
Diante disso, nossos próximos passos são continuar com a ação de extensão em
escolas e aplicar uma atividade de retorno na comunidade do Retiro, em Piaçabuçu,
Alagoas, pautada nos resultados que os trabalhos desenvolvidos pelo LECEB/UFAL já
encontraram ao longo de 5 anos.

211

A

D

B

E

C

F

Figura 4. Degustação dos produtos.
Fotos: A e F: Emilly Guedes; B, C, D e G: Élida Cardoso; E: Fernando Colin.

G