Graziele Regina Souza da Silva

Qualificação

Avaliação da atividade anti-inflamatória in vitro do monoterpeno acetato de bornila em cultura de macrófagos

Resumo

A inflamação é uma resposta adaptativa desencadeada por estímulos e condições nocivas, como infecções e lesão tecidual. A resposta inflamatória é um evento orquestrado espacial e temporalmente, no qual as células e os mediadores químicos colaboram para neutralizar e eliminar os estímulos prejudiciais para permitir a manutenção da homeostase. Embora a inflamação seja principalmente um processo fisiológico e benéfico, os processos inflamatórios não resolutivos estão envolvidos na patogênese e na progressão de muitas doenças inflamatórias, incluindo asma, aterosclerose, artrite reumatoide, esclerose múltipla, rinite e lesão por isquemia-reperfusão. Logo, a resolução rápida, direcionada e eficaz é a marca registrada de uma resposta inflamatória desejada. Para garantir este perfil de resolução, dentre as principais terapias anti-inflamatórias, os anti-inflamatórios não esteroidais (AINES) são frequentemente utilizados; no entanto, o uso prolongado destes fármacos causa efeitos colaterais significativos, como distúrbios hidroeletrolíticos e problemas gastrointestinais. Logo, a busca por novas moléculas bioativas com propriedades para controlar a resposta inflamatória é intensamente estimulada. Alternativas à base de plantas, como o acetato de bornila (AB), têm mostrado ser detentoras de ações farmacológicas que despertam interesse em investigar seu potencial em modular a resposta inflamatória. Este monoterpeno já foi descrito por sua capacidade de inibir a via de sinalização do NF-κB, afetando a fosforilação da IKB e a produção de IKKs; inibir a via de sinalização da MAPK, inibindo a fosforilação da ERK, JNK e p38; regular negativamente as citocinas pró-inflamatórias como TNF-α, IL-1β, IL-6, e reduzir a produção de NO. Assim, neste projeto foram avaliados os efeitos do AB sobre a ativação de macrófagos in vitro , e verificada a produção de mediadores pró-inflamatórios e anti-inflamatórios e a resposta celular mediante estímulos. Para isso, macrófagos da linhagem J774A.1 foram submetidos ao ensaio de citotoxicidade MTT em várias concentrações diluídas em diversos veículos, o DMSO 1% é o mais adequado para o estudo. A atividade fagocítica da linhagem exposta ao AB em duas concentrações também foi avaliada. Além disso, ensaios moleculares a fim de aferir a expressão de citocinas pró e anti-inflamatórias também foram realizados, juntamente com a mediação de expressão de espécies reativas de oxigênio (ROS). O AB não apresentou citotoxicidade na linhagem J774A.1, mesmo na maior concentração testada, e estimulou a capacidade fagocítica dos macrófagos. Sob estímulo por LPS, o AB não alterou a expressão de IL-1β e IL-6, mas, na maior concentração, aumentou a expressão de genes anti-inflamatórios TGF-β1 e Arg-1 e antioxidantes Nrf2 e SOD1, sugerindo a indução de um perfil macrofágico pro-resolutivo, sugerindo que serão necessários estudos futuros para maior contribuição dos resultados obtidos neste trabalho.

Palavras-chave

acetato de bornila; inflamação; macrófago; fagocitose.

Membros da Banca

Emiliano de Oliveira Barreto (Presidente)
UFAL
Enio Jose Bassi (Interno(a))
UFAL
Joao Ribeiro Xavier de Araujo (Externo(a) ao Programa)
UFAL
Informações da Sessão
Out 22
Data e Hora
Terça-feira, 14:00h
Candidato(a)
Graziele Regina Souza da Silva
Local
icbs