Tales Luiz dos Santos Gomes

Defesa

Características do sono e marcadores inflamatórios em pessoas que vivem com HIV

Resumo

Introdução: A infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) permanece como importante problema de saúde pública, com estimativas de 40,8 milhões de pessoas vivendo com HIV (PVHIV) no mundo. Distúrbios do sono são mais prevalentes nesse segmento do que na população sem HIV, e a privação de sono associa-se ao aumento de fatores pró-inflamatórios. Considerando que a inflamação crônica em PVHIV participa da progressão de comorbidades e que o sono pode influenciar esses processos, é relevante compreender como as características do sono se relacionam a marcadores inflamatórios nessa população.Objetivo: Analisar a associação entre características do sono, avaliadas por medidas subjetivas e objetivas, e os níveis de proteína C-reativa (PCR) em PVHIV. Métodos: Estudo observacional transversal, conduzido em serviços especializados no atendimento a PVHIV em uma capital do Nordeste brasileiro, com coleta iniciada em janeiro de 2025. Foram incluídas PVHIV com idade igual ou superior a 18 anos e em uso regular (> 6 meses) de terapia antirretroviral (TARV). A PCR foi determinada por método laboratorial padronizado, adotando-se o ponto de corte de 5 mg/L, e as análises foram realizadas no STATA® versão 13.0. Os modelos foram ajustados por idade, sexo, índice de massa corporal, presença de doenças crônicas, uso de medicamentos contínuos além da TARV, tempo de diagnóstico, tempo de uso de TARV, carga viral, contagem de linfócitos T CD4⁺, tabagismo e consumo de álcool. Os resultados foram organizados em dois estudos independentes. No primeiro, o sono foi avaliado por medida subjetiva baseada no instrumento Life's Essential 8 (duração, latência, interrupções noturnas e uso de medicação para dormir), e as associações com a PCR foram testadas pelo teste qui-quadrado e por modelos de regressão logística multivariada. No segundo, o sono foi mensurado por actigrafia (ActiGraph GT3X), com processamento no pacote GGIR versão 3.3.6 e detecção do período de sono pelos algoritmos HDCZA e van Hees (2015), considerando-se válidos os registros com ≥ 5 noites. Resultados: No primeiro estudo, foram analisados 484 participantes, a maioria do sexo masculino (60,3%), com média de idade de 43,7 anos. Quanto ao sono autorrelatado, 57,2% referiram dormir abaixo do recomendado, 41,9% relataram 1–2 interrupções noturnas e 24,6% referiram uso de substâncias para dormir; 84,9% apresentaram carga viral indetectável no último exame laboratorial e 75,2% apresentaram PCR abaixo de 5 mg/L. Na regressão logística multivariada, participantes que relataram latência de 30 minutos a 1 hora para iniciar o sono apresentaram maior chance de PCR ≥ 5 mg/L em comparação àqueles que adormeciam em menos de 30 minutos (OR = 2,01; IC95% 1,17–4,25; p = 0,015). No segundo estudo, foram analisados 63 participantes com registro válido de actigrafia; a duração média do sono avaliada por actigrafia foi de 5,14 ± 1,76 horas. A mediana do tempo acordado após o início do sono (WASO) foi de 62,8 minutos (IIQ 42,3–89,4) e a mediana da eficiência do sono foi de 84% (IIQ 71,8–88,1). Os participantes apresentaram, em média, 1,67 ± 1,3 despertares noturnos, 29,79 ± 14,51 blocos de vigília e 12,94 ± 5,14 blocos de sono por noite. Conclusão: A latência subjetiva de sono entre 30 minutos e 1 hora associou-se de forma independente a níveis elevados de PCR. O delineamento transversal não permite inferência de causalidade.

Palavras-chave

HIV
Duração do Sono
Mediadores da Inflamação.

Membros da Banca

Luiz Rodrigo Augustemak de Lima (Presidente)
UFAL
Tiago Gomes de Andrade (Interno(a))
UFAL
Gessyca Cavalcante de Melo (Externo(a) à Instituição)
UNCISAL
Informações da Sessão
Out 22
Data e Hora
Terça-feira, 14:00h
Candidato(a)
Tales Luiz dos Santos Gomes
Local
Sala Multiuso da Pós-Graduação do IEFE / UFAL